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quinta-feira, 16 de março de 2017

Grog - Ablutionary Rituals

Um novo álbum de Grog requer sempre por parte do ouvinte um certo período de reflexão e meditação pois o choque psicológico e auditivo para com tamanhas obras de brutalidade poderá causar danos irreversíveis. O sucessor de “Scooping The Cranial Insides” revela o porquê de os Grog serem uma das formações nacionais mais respeitadas não só cá mas também lá fora. Foram seis anos a preparar os ingredientes em estúdio e a verdade é que no meio de todo este processo não houve qualquer tipo de contenção e é por isso mesmo que “Ablutionary Rituals” consegue ser o álbum mais brutal nos 25 anos de trituração sonora do quarteto lisboeta.

Os Grog brindam-nos com 14 dos temas mais selvagens e agressivos de toda a carreira sem que para isso tivessem de abrandar em termos técnicos, precisamente pelo contrário, onde a banda consegue aumentar o nível de brutalidade sonora adicionando elementos técnicos que vão desde o Jazz até ao mais brutal do Death Metal, sem esquecer a pureza do Grindcore vincado no som da banda desde os seus primórdios.

“Ablutionary Rituals” é um álbum mais “directo ao assunto” que o antecessor, possivelmente o álbum mais “in your face” da banda, sem refrões que ficam no ouvido como no anterior, mas com um nível de agressividade incrível que veio provar que os Grog conseguem ser mais rápidos e brutais que o imaginado acrescentando pormenores técnicos que vão crescendo e aparecendo a cada nova audição, sendo assim um álbum que evidentemente acaba por soar ainda melhor à medida que o tempo de degustação vai aumentando.

Liricamente, de forma sucinta, o álbum aborda a génese do lado sombra/ego do ser humano, acaba por ser uma forma para compreendê-la, aceitá-la e transmutá-la para algo superior, no sentido etéreo. Em suma, existe uma grande confrontação relacionada com questões do ego humano e com a perda de identidade da sua essência.

É um álbum frenético que se divide em temas mais directos e rápidos, e outros com riffs mais pesados e arrastados mas que rapidamente acabam por ser trucidados pela brutalidade sonora que acaba por embater nesses acordes lentos de guitarra. A ilustração disso será a arrepiante introdução “Revelation - Open Wound” e da passagem para o segundo tema “Uterine Casket”, ou a “A Scalpel Affair”. Uma voz gutural a contrastar com outra mais aguda, um arsenal de guerra de nome Rolando Barros, um baixo sempre audível e perspicaz a juntar a uma guitarra que destilha riffs sem qualquer tipo de contenção. São estes os ingredientes que tornam temas como “Savagery” e “Sterile Hermaphrodite” obrigatórios em qualquer set da banda, este último com riffs que remontam ao “Odes To The Carnivorous”. 

O trabalho de guitarra é fenomenal onde os solos estão mais evidentes nas músicas de Grog que nunca, exemplo disso serão “Sarco-Eso-Phagus”, “Vortex Of Bowelism” e “...Of Leeches, Vultures And Zombies”. “Gore Genome” e “Gut Throne” e “Flesh Beating Continuum” são exemplos dos temas mais rápidos e sem piedade alguma em todo o álbum. A surpresa vem claramente no fim do álbum com o tema “Katharsis - The Cortex Of Doom And Left Hand Moon”, com a participação especial de Rui Sidónio (Bizarra Locomotiva) na voz, num tema pausado e ofegante, onde a meio da música se chega a um ambiente totalmente arrepiante, mas relaxante! Uma experiência singular, onde os Grog relembram que “em todos nós vive um monstro”.

“Ablutionary Rituals” é um álbum surpreendente que vem consolidar a carreira dos Grog ainda mais e onde a idade parece não abrandar a banda. O álbum foi editado pela Helldprod e Murder Records em CD Digipak e estar estará à venda nos locais habituais. O ano dos Grog não começou por aqui pois foram uma das bandas presentes no tributo a Simbiose “Simbióticos” com uma versão brutal do tema “O Seu Lugar” que serviu como que um aperitivo para o novo álbum.

2017 tem tudo para vir a ser um dos melhores anos de sempre no espectro metálico português onde um conjunto de bandas que emergiu nos anos 90 se prepara para lançar trabalhos novos, como os Grog que já lançaram, e os Sacred Sin, Holocausto Canibal ou Filii Nigrantium Infernalium que irão lançar. A onda de revivalismo não se fica por estas bandas, pois outros registos de nomes como Genocide ou Thormenthor irão ganhar nova vida e nós estamos cá, prontos para tudo!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Simbiose - Trapped

Depois do muito bem sucedido “Economical Terrorism” os Simbiose regressam com “Trapped” um álbum que vem marcar várias mudanças na banda e a meu ver uma nova fase. É o primeiro álbum depois do “Bounded In Adversity” a ser editado novamente pela Anti-Corpos e o primeiro depois do “Fake Dimension” a não ser produzido pelo sueco Ulf Blomberg, é também o primeiro álbum da banda apenas com um vocalista principal, o Jonhie. Muito pouca gente fala nisto mas parece-me haver uma sucessão lógica e contínua dos álbuns de Simbiose quando por exemplo em 2007 se fala duma suposta evolução (“Evolution?”) que levou a uma dimensão ilusória (“Fake Dimension”) que por sua vez permitiu o desenvolvimento dum terrorismo económico (“Economical Terrorism”) sem precendentes que levou as pessoas (como a própria banda referiu) a estarem presas, de terem chegado a uma fase em que já não há nada a fazer, pela crise, pelo roubo e pelas injustiças e é disso que fala por exemplo o tema “Abismo” (e não só).

“Trapped” perfaz quase 40 minutos de Crust embebido em muitos riffs de Metal e é a meu ver o álbum mais melódico da banda desde o “Bounded In Adversity” de 2004, menos directo e agressivo que o “Economical Terrorism” mas por outro lado mais elaborado, técnico e cuidado, com uma adaptação a uma voz bastante bem conseguida e esse seria um dos principais obstáculos da banda mas que foi, e bem, ultrapassado. Os temas, como já manda a tradição, vão alternando entre o português e inglês mas neste álbum predominam os temas lusos. O grande destaque do álbum vai para a dupla de guitarristas e para os seus riffs contagiantes e muito bem elaborados que reflectem aqui uns quase 25 anos de experiência nestas andanças e isso ouve-se logo no tema “Ignorância Colectiva” um dos temas que fica logo no ouvido e claro um dos melhores deste registo. 

“Acabou A Crise, Começou A Miséria” é claramente o melhor tema do álbum e tem tudo para alinhar na lista de clássicos de Simbiose, pelo main riff excelente, pela letra (como sempre) realista e claro pelo refrão brutal com uns acordes de guitarra de fundo arrepiantes! “Deixós Falar…” e “Infant Gas Mask” são possivelmente os temas mais directos e agressivos do álbum. “Abismo” é mais um tema excelente onde a banda revela estar em grande forma tanto em termos líricos como musicais com uma letra e um instrumental espectaculares (vejam o video clip para perceber melhor a história). Felizmente não se encontram temas menos bons e é por isso que “Trapped” se torna um álbum tão interessante, o tema-título é o mais bem conseguido em inglês já “Será Que Há Morte Depois Da Vida?” fala de retóricas do campo psicológico e religioso algo que não é muito comum nas letras da banda. Os riffs de “Modo Regressivo”, as melodias de “Consciencialização” e “Don't Play Dead” e a raiva de “(A)pagar” são extremamente viciantes. “Fallout” e “Quem Vai Ganhar?” são os últimos temas do álbum e este último é uma grande crítica ao conflito israelo-palestino.

“Trapped” foi sem dúvida um dos melhores discos nacionais de 2015 e um passo muito importante na carreira de Simbiose. Foi editado pela Anti-Corpos em CD Digipack e LP em parceria com outras editoras estrangeiras a Criminal Attack Records, Deviance Records, Apathy Never, Punk Vortex, Tanker Records e a Neanderthal Stench. A banda ruma agora numa nova e ambiciosa tour pelo Brasil, país que os recebeu muito bem em 2008 onde na altura promoviam o clássico “Evolution?”, agora é a vez de “Trapped” pisar o solo sul-americano onde se comemoram também os 25 anos de Simbiose.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Gorgásmico Pornoblastoma - Delírios De Um Defunto

Dizem que “Delírios De Um Defunto” é o novíssimo álbum de estreia dos sempre podres Gorgásmico Pornoblastoma e para quem os conhece já sabe mais ou menos o que esperar. Nada de produções requintadas ou arranjos bonitos, Grindcore à antiga influenciado pela velha escolha, leia-se aqui, Napalm Death, Brutal Truth e sobretudo Agathocles. Guitarra bem suja, voz imperceptível que debita podridão e nojo por todo o lado e claro, na bateria um panzer infernal com um arsenal de AK-47 sempre a disparar. “Apodrecer Lentamente” ou “Consunção entre actos de Violência” são temas que descrevem bem o que se vai ouvindo nestes 23 minutos de caos e destruição que vão do Punk ao Crust passando pelo Death Metal onde se vão também ouvindo alguns toques de Goregrind, as influências são muitas e é isso que torna o álbum tão cativante. Existe algo mais interessante que dois gajos a destruir uma sala de ensaios e gravarem-no para o povo ouvir? Julgo que não.

“Vingança”, “Canteiro de Cadáveres” ou “Porcos” são temas excelentes, abrasamento à antiga com uma velocidade impressionante, riffs podres, tarola bem audível, baixo bem distorcido e amplificadores bem altos! Ouvidos mais sensíveis e comichosos dirão que o produção do álbum é obsoleta mas o que seria um álbum de Grindcore sem uma (des)produção destas? O final fica ainda reservado para um remix meio que psicótico e arrepiante fugindo à sonoridade do álbum mas completando-o na perfeição. “Delírios de um Defunto” foi uma das grandes surpresas do ano que passou e sim, ainda vai sair em CD, pela habitual Helldprod, numa edição limitada a 500 cópias. Este álbum de estreia é uma amostra verdadeiramente fiel das actuações da banda ao vivo e os Agathocles portugueses sabem fazê-lo da melhor maneira. No bullshit. Just Grind!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Entrevista: Cock And Ball Torture

Num CD de tributo a Cock And Ball Torture com mais de trinta bandas, “Bulldozers United”, dizia algo como “os Gut são foram o primeiro ícone do Pornogrind e os Cock And Ball Torture eram os pais do Bulldozing Goregrind” basicamente dizia que vocês criaram um novo estilo e que foram uma grande influência para um grande número de bandas. Sentem que deixaram um legado na cena do Goregrind?
Não queremos falar sobre este “legado”, nós tocamos apenas a música que gostamos. Existe alguém que gosta do nosso som e toca este estilo, isso é bom, mas não gostamos dessas palavras de “legado” ou o que quer que seja. Somos o mesmo que tu.


Dos concertos que já deram, quais foram os mais marcantes?
Não podes comparar maças com pêras. Este concerto aqui no Hellfest Open Air não tem comparação com os nossos concertos em clubs/bares sei lá, na República Checa. Foi muito bom tocar aqui, tivemos muita gente, mas o sentimento é o mais importante. A tour na Austrália foi fantástica, é tudo muito bom. Se tiver uma pessoa ou cinco mil isso não significa que por ter mais gente vá ser melhor...


Basicamente são os mesmo para vinte pessoas ou para duas mil.
Exacto. Somos os mesmos, tocamos o mesmo, temos a mesma energia. É isso que temos de fazer e queremos fazer caso contrário não viríamos aqui.


Já editaram três álbuns, o último foi de 2004 se não me engano, porque é que não lançaram mais nenhum em mais de dez anos?
Por diferentes razões. Em primeiro lugar houve um “lack off” de inspiração. “O que vamos fazer a seguir?” não queremos copiar, não queremos fazer o mesmo, depois não sabemos que direcção seguir, ser mais Old School como o primeiro álbum ou não... Temos de trabalhar (não vivemos da música) e torna-se difícil conjugar a música e o trabalho. Quando começámos tocávamos muito mais e ensaiávamos sempre duas vezes por semana mas nos últimos dez anos todos acabaram por ir estudar e trabalhar. Temos as nossas famílias em primeiro lugar e isto é apenas um passatempo e diversão, nada mais que isso. Temos algumas músicas novas mas não temos tempo para praticar mais ou escrever mais. Nos últimos oito anos não compusemos música nenhuma nova.


Portanto não estão a pensar em lançar um álbum novo...
Sim, pensamos em lançar um álbum novo mas acabam sempre por surgir os problemas do costume: tempo, tempo e tempo! Precisamos de tempo para ensaiar regularmente, o que é impossível. Vivemos separados. Deveríamos ter duas ou três semanas para gravar mas é impossível.


Vocês começaram por fazer um estilo bastante particular e diferente do normal na cena do Goregrind. Como surgiu essa ideia dos efeitos na voz e isso tudo?
Na verdade, começou tudo no estúdio. É tudo falado no estúdio, compomos música, vocais e depois vemos como fica, como soa, nunca sabemos como vai ficar. Não temos propriamente um produtor como algumas bandas têm a dizer “eu punha o som da guitarra assim ou assado” e dizem que são open-minded por causa disso, nós não somos assim... Mas no fim de tudo o importante é que seja bom, no estômago e nos testículos [risos], tem ser bom e soar bem.


Já estiveram em Portugal duas vezes o que pensam do país em geral e das bandas?
O que dizer... O que podes esperar dum país do sul da Europa? É quente! Já lá estivemos em concertos e de maneira geral as pessoas são bastante amigáveis e com mente aberta, é bom para beber cerveja e relaxar.


E bandas portuguesas?
Ouço muitas bandas mas normalmente nem sei o nome, ponho tudo no iPod e faço “random play” mas conheço por exemplo Holocausto Canibal, de resto consigo identificá-las pelo som e reconheço músicas mas depois não me lembro do nome. Para nós por exemplo é uma honra que os Holocausto Canibal tenham feito um cover nosso mesmo que gostemos ou não. Eu tenho a dizer que gosto sempre pelo facto de uma banda estar a tocar uma música nossa, é do tipo “wtf?”, nós somos apenas três gajos humildes dos Pré-Alpes Bávaros quem é que nos ouve por esse mundo fora e gosta de nós ao ponto de fazer um cover? É espectacular!


Pensam do tipo “eles estão a passar o tempo com algo nosso e a gravar música nossas”...
Porque é que fazem isso? [risos]


Vocês raramente dão concertos, no ano passado foi o Obscene Extreme este ano o Hellfest, têm algo na agenda para um futuro próximo?
Pelo menos o próximo concerto na Orange House em Feierwerk, Munique e é tudo por agora, nós não podemos dar mais. Temos tocado cada vez menos mas temos tido algumas propostas só que é difícil devido aos nossos trabalhos, horários, conjugar datas, etc. O que torna tudo difícil, eu diria mesmo impossível, ou seja, concentramos tudo e tocamos três ou quatro concertos por ano. Portanto essa é a resposta para o “são profissionais?” nós dizemos “não!”, caso contrário receberíamos muito dinheiro para tocar, o que não é verdade.


Receberam algumas propostas para tocar em Portugal?
Recentemente não, mas fomos contactos pelo pessoal do SWR Barroselas Metalfest uma vez. Nós não pedimos a ninguém para ir tocar a um local, esperamos apenas que nos contactem, vemos se o pessoal da banda ainda está vivo (normalmente está) e lá vamos nós, não andamos atrás de ninguém.


Qual o vosso rescaldo do concerto do Hellfest?
Em palco nunca ouvi um som tão bom, fui muito bom de se ouvir, não esperávamos que estivesse tão cheio, eram 11:30 da manhã já fazia calor e estava muita gente já a beber e ali para nos ver. A todos os nossos fãs “get us over as soon as possible”!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Grunt - Codex Bizarre

Os Grunt, outrora Fetal Incest, sempre tiveram um lugar muito particular no plano da música extrema em Portugal, por serem isso mesmo, distintos dos de mais! Ser apenas mais uma banda nunca foi com eles e não foi por acaso que destacaram desde o seu começo. Podemos ouvir muitas bandas a nível internacional que se aproximam da sonoridade dos Grunt (ou eles que se aproximam da dos de mais) mas mesmo assim têm particularidades que os tornam únicos. O primeiro álbum “Scrotal Recall”, editado em 2011, composto por volta de 2003-2005, com uma produção de excelência, foi um marco muito importante na cena do Grindcore em Portugal que lhes valeu um concerto fantástico no Obscene Extreme nesse mesmo ano e uma touneé pelo Reino Unido já em 2012.

A jornada foi muito longa para quem esperava o novo álbum e não tinha notícias até que chegamos a finais de Agosto de 2015 e editam “Codex Bizarre” outra vez a cargo da checa Bizarre Leprous Production, um álbum verdadeiramente monumental, assustador, provocador, muito pouco ortodoxo e com uma visão verdadeiramente inovadora e ousada desbravando novos caminhos musicais muito pouco explorados nos campos do Goregrind, cá e lá fora. “Codex Bizarre” distingue-se do álbum anterior por ser um registo muito mais completo e multifacetado, em termos musicais e líricos, com uma produção muito mais cuidada e profissional. A voz é muito mais perceptível e deverá ser essa a principal diferença que irão notar nas primeiras audições. Destacam-se os riffs insicivos de Death Metal puro (e não só!) bastante elaborados e facto do álbum ser muito variado onde se associam várias sonoridades de cariz mais electrónico como o Industrial ou o Trance, não é por acaso que o álbum conta com a participação do conceituado DJ The Speed Freak que completa o álbum no final com a faixa “The Speed Freak’s Sadistical Abuse Remix”.

O tema de abertura “The Sweet Smell Of Servitude” é fenomenal com uma parte arrepiante onde se ouve a fala de Nes Nomicon (convidada especial) “I dimish myself for a penal retribution / A misery feast of humiliating torture / I’m a sinner, a bad girl, punish me”. Segue-se “Teratoid Latex Feudalist”, basicamente a segunda parte do tema anterior, este, muito mais acelerado com o som do baixo bastante vincado com um solo de guitarra contagiante que se faz acompanhar mais uma vez da fala feminina com um texto ainda mais preverso e sedutor “I’m a slut, a whore, I am a dog with a disease / I’m your slave, your cunt, I am a cock-hungry fuck”. “The Edgeplay” é o tema seguinte, um dos mais directos e brutais de todo o álbum. “Vassalage Groteste” é o tema mais catchy de todo o álbum pelo seu refrão grotesco “Commit yourself to the abuse” com uma introdução nada comum nestes campos com uma flauta e por uma batida electrónica que se faz acompanhar com um solo de guitarra de fundo.

“Teased And Tormented” e “Becoming The Dominus” são os temas mais Grind ‘n’ Roll de todo álbum, segue-se depois o tema mais épico “Twilight Hybrid Bonanza - Shemale Part II” com a participação especial de Hellraiser (Vizir) com uma fala (em português) verdadeiramente assustadora depois da fala em alemão de outra convidada especial: Sarah Teichtert. “Levitra Powered Aged Predator”, “Helix Masterpiss” e “Supreme Rubbercore” são mais dois grandes temas, no primeiro destaca-se o solo de guitarra, no outro o groove e no terceiro o facto de ser um tema com um ritmo mais alucinante. “Funeral Sub-Mission Suite Part I” é um tema mais ambiental, electrónico, mas com um forte peso das guitarras que podia perfeitamente ser a introdução do álbum, já “Funeral Sub-Mission Suite Part II” é outro “in your face bitch”! “Panzer Enema” e “Sadopsychorama” são dois grandes temas para terminar o álbum com riffs demolidores. O final fica reservado claro para o remix já referido anteriormente.

“Codex Bizarre” é sem qualquer dúvida um dos álbuns mais inovadores da música extrema portuguesa dos últimos anos, consegue fugir à banalidade dum género cada vez mais saturado e repetitivo e está a dar que falar, por enquanto tivemos uma tournée muito bem sucedida pelos Estados Unidos e já no início de 2016 as mentes perversas dos Grunt regressam às terras de sua majestade para mostrar que não é só o Vinho do Porto que é bom e que os britânicos podem consumir produtos portugueses bem melhores!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Serrabulho - Star Whores

Os Serrabulho dispensam qualquer tipo de apresentações e se pensam que a insanidade mental dos senhores melhorou enganem-se, ainda estou para perceber como é que não estão num manicómio! Se achavam que o disco de estreia “Ass Troubles” tinha piada, ainda não ouviram nada. “Star Whores” (sim, isso mesmo, “putas das estrelas”!) é o nome do novo álbum, agora editado a cargo da alemã Rotten Roll Rex, e é nada mais nada menos que uma sátira bastante inteligente e preversa da space opera americana criada por George Lucas, “Star Wars", e quem gosta da série vai adorar as ligações que este álbum faz aos filmes, tanto a nível musical como no artwork bastante original.

“Star Whores” é um álbum de Happy Grind/Pornogrind/não interessa, com uma produção bastante profissional e cuidada, e é, sem dúvida, um grande passo em frente em relação ao álbum de estreia. É um álbum mais variado, completo e muito bem estruturado, com mais pormenores a nível musical, a destacar por exemplo o bandolim na faixa de abertura “Pornocchio” ou os riffs mais elaborados como em “Testicular Torsion” ou “Happy Fornication”, tudo isto lá está, envolto numa temática algures entre as estrelas e o porno, onde convém salientar também o trabalho fenomenal que a banda fez nos vocais tanto no lado mais Death Metal e Grind como nas introduções das músicas e samplers com coros, risos, falas, etc. “Star Whores” é o tema do álbum e aquela introdução é arrepiante e quem conhece bem o filme vai perceber porquê, todos os pormenores neste tema são fantásticos até ao último segundo! Pode parecer estranho, mas os Serrabulho também tocam guitarra acústica e não podia ser em melhor tema que “Vaseline” porque este é mesmo o tema que entra melhor nos ouvidos dos mais sensíveis! “Life Of A Penis” e “Caguei Na Betoneira” são mais dois temas brilhantes e dos mais cómicos de todo o álbum. No álbum anterior queriam cagar mas não podiam, agora como podem ver o sistema digestivo da banda melhorou e já podem fazer as suas necessidades, mas numa betoneira está claro! “Snow White And The Seven Dwarfs [Gang Bang Edition]” é a faixa perfeita para terminar o álbum onde se ouve ali pelo meio depois do silêncio a majestosa “Imperial March”.

“Star Whores” é um dos grandes lançamentos deste ano e os Serrabulho revelaram aqui um trabalho excepcional sem momentos mortos ou monótonos em que a vontade de fazer replay é imediata. Se tiverem oportunidade apareçam num daqueles concertos épicos e caóticos cheios de gente doida mascarada e se pensam que o vírus só afectou Portugal estão enganados porque o contágio já chegou à Espanha, Alemanha e dentro de meses chegará à República Checa! Cuidado com o Rancho Folclórico!!!

terça-feira, 16 de junho de 2015

Entrevista: VxPxOxAxAxWxAxMxC

Quando e como se formou a banda?
Para dizer a verdade... Foi em 2008, juntámo-nos e foi até arranjarmos um guitarrista decente e tivemos tipo, 12 guitarristas diferentes, cada um deles era mesmo uma merda e depois vimos o Robert (Werner) no MySpace e o interesse musical dele eram tipo as nossas merdas. Depois acabámos na sala de ensaio e aqui estamos.


Vocês vêm todos de diferentes meios, o que fazem para além da música?
Wolfgang Ott: Como profissão, eu trabalho no campo pedagógico como professor. Ninguém sabe que eu toco em bandas de Goregrind nem ninguém deveria descobrir isto [risos].
Werner Kniesek: Eu estudo Física numa Universidade austríaca e estou a fazer o mestrado... Algumas pessoas sabem que toco nesta banda até já lhes mostrei algumas músicas mas ninguém está realmente interessado.
Franz Stockreiter: Eu trabalho numa empresa de segurança, tento ser um gajo duro mas na maior parte do tempo isso nunca é assim. Faço um pouco de tudo, em lojas, eventos desportivos... É importante e relaxante porque eu não quero trabalhar muito no duro e o melhor é que tenho uma visão positiva do trabalho para o futuro. As horas e os tempos do trabalho são muito flexíveis assim torna-se fácil conciliar o trabalho com os concertos.


É fácil para os três trabalhar, estar no estúdio e dar concertos? Conseguem adaptar-se bem a isso tudo?
Nós temos um programa no computador que simula tudo, o estúdio basicamente, portanto nunca vamos mesmo para o estúdio, é uma ferramenta pequena mas que simula os temas mas não digas a ninguém [risos]. Basicamente podes fazer um bom trabalho em casa, a tecnologia vai ficando cada vez melhor e nós aproveitamos. Somos uma espécie de “nova era” da música brutal. E nós raramente fazemos tour, normalmente tocamos aos fins-de-semana. Fazemos com que funcione tudo bem.


Pensam que o Grindcore hoje em dia é muito mais que criticar a sociedade ou estarem fodidos com o mundo? Pelo menos nos vossos vídeos e temas vocês parecem não se preocupar muito com isso...
Mas nós tamos mesmo irritados com o mundo! Nós exprimimos isso através de questões extremas, basicamente o que fazemos é humor negro. E esta é a forma como vemos o mundo. Temos também a dizer que não temos nada a ver com o Grindcore tradicional, que é sobre opiniões políticas, problemas sociais, nós não queremos saber disso... Nós vemos isto como um hobby e adoramos cenas mais Groovy (e menos Grind), ouvimos outros tipos de música, acho que o Grindcore tem pouco a ver com a nossa música que é uma mistura de Brutal Death Metal e Goregrind, mas o Grindcore mesmo está muito longe do nosso estilo.


Como foi o processo de gravação do vosso EP?
Basicamente fizemos em casa, temos uma ferramenta no computador que já falámos, a bateria foi feita por um gajo austríaco no estúdio ele colocou samples e fez umas cenas e soa mesmo a uma bateria a sério. Depois gravámos as guitarras em casa que também funciona para o baixo, e gravámos também a voz em casa, Do It Yourself style porque os estúdios são muito caros [risos]. Mandámos para a nossa editora a Kaotoxin Records, eles fizeram a masterização e sabem como fazê-lo soar bem melhor.


Quais são as bandas que mais vos influenciam?
Nós soamos a Prostitute Disfigurement, Cock And Ball Torture... Agora espero que não digas isto a ninguém mas eu penso que as partes instrumentais soam a Limp Bizkit, Linkin Park, Korn [risos]. Vais encontrar mesmo muitos grooves de Limp Bizkit nas nossas músicas.


Podem falar um pouco da vossa cena local?
Existe um exemplo mesmo muito bom para explicar isso, que tem uma forte ligação com este evento ("XXX"Apada na Tromba - Freak 'N' Grind Fest 2015), é mesmo um exemplo perfeito da cena musical austríaca. Basicamente uma rapariga disse que vinha aqui, disse que tinha visto os voos e isso tudo, blá blá blá, tudo tretas, ela não está aqui! É esta a maneira como os austríacos funcionam, queria fazer uma piada sobre isto mas isto é mesmo verdade e é triste. O problema na Áustria é que estamos no meio da Europa, ou seja, quase todas as tours param na Áustria, somos um país pequeno e as pessoas têm de escolher de entre um grande número de concertos e isso é um grande problema, não há aquele fanatismo como existe no Oeste europeu como por exemplo em Portugal, isto basicamente não existe na Áustria, este concerto de hoje é completamente impossível lá, concertos para bandas underground assim são impossíveis, peço desculpa mas a cena austríaca é uma merda! Se fizerem isto lá vão ter 60 ou 70 pessoas e muito menos movimento, as pessoas abanam um pouco a cabeça e é só isso... Claro que devem haver países piores tipo o Afeganistão mas na Europa, a Áustria está mesmo no fundo...


Eu pensava que Portugal era o pior...
Mas não é [risos].


Já agora conhecem algumas bandas portuguesas?
Claro que sim: Dead Meat (eles ainda existem?), Holocausto Canibal, Grog... Tivemos oportunidade de ver Grog várias vezes, umas 4 vezes, e são mesmo uma banda muito boa.


Qual foi o vosso melhor concerto até hoje?
Tivemos alguns que foram mesmo muito bons, vamos nomear três, um deles aconteceu em Portugal no Santa Maria Summer Fest em 2013, outro foi o Tel Haviv Deathfest em Israel que foi mesmo excelente e outro foi o Metal Crowd na Bielorússia em 2011, todos foram grandes concertos mas este último está no topo e espero que o Vítor (Santa Maria Summer Fest) não ouça isto [risos].


Estão a planear lançar material novo?
Temos algumas coisas planeadas e vamos lançar um cover de Gronibard e já me esqueci do título porque é francês, já gravámos as vozes no passado fim-de-semana e vai sair num Split CD, não! Um vinil, vai ser mesmo um lançamento especial, vai ter três temas de Gronibard outro de Pulmonary Fibrosis, o outro não sei e o outro é nosso. E vai haver um vídeo! Não podemos dizer já uma data porque não a sabemos.


Gostavam de deixar uma mensagens aos fãs portugueses?
Tu dizes que Portugal é pior que a Áustria portanto... por favor, não visites a Áustria, não queiras lá ir! É sempre muito positivo, já tivemos em mais de 14 países e já vimos muito caos mas Portugal é um dos países de topo. Nós temos experiências muito boas aqui e esperemos que continue assim, espero que as pessoas continuem a ser brutais, nojentas, malucas... Acho que da próxima vez lhes vamos dar algum dinheiro, não, a sério, foi mesmo muito bom vir cá é sempre um grande prazer. Queremos agradecer a todos os que foram aos nossos concertos, é mesmo muita gente, Portugal é um dos melhores países com pessoas sempre a darem em doidas, queremos agradecer a todas! É um país pequeno, comparando com outros, mas as pessoas são mesmo insanes, malucas e é por isso que adoramos vir aqui.

sábado, 31 de maio de 2014

Entrevista: Serrabulho

Quando e porque é que se formaram os Serrabulho? 
Paulo: os Serrabulho formaram-se em 2010, comigo na guitarra, com o Nogueira (ex-Encephalon), antigo baterista e com o Guerra na voz. Estivemos praticamente um ano fechados na sala de ensaios a criar as músicas. Eu já andava a pensar ter uma banda diferente das que tinha tido, o Nogueira tinha deixado a banda dele e juntámo-nos. O Guerra já tinha vindo a conversar comigo acerca de querer fazer algo que não respeitasse as normas e regras (risos) dentro do Metal extremo e nasceu Serrabulho.
Guerra: Sim este projecto foi criado com o seguinte pensamento, em primeiro lugar, criar “UMA BANDA”, não um ou dois patrões a mandarem os outros pupilos a fazerem o gosto aos chefes, como muitas vezes se passa no Metal nacional. Aqui todos os elementos sabem de tudo que se passa no nosso seio. E visto que no Metal dificilmente se vive da música, fizemos deste o nosso “passatempo”, pois temos vidas profissionais paralelas. Daí que tenhamos criado algo que realmente nos faz felizes e de que realmente gostamos e a humildade dentro da banda tem dado frutos, como se tem visto… A interacção com o público para nós também é muito importante. Falo de amizade e companheirimo, pois ninguém é mais do que ninguém por ter uma banda e somos amigos dos nossos amigos, que são os que realmente nos fazem “crescer”. E juntando o útil ao agradável, fazemos do nosso passatempo uma festa, pois há muito tempo para ter tristezas.


Que membros já passaram pela banda?
Guerra: Ui, praí uns mil! 
Paulo: Membros mesmo: Nogueira (ex-Encephalon e Stuprum Dei). Convidados de sessão: Cédric (Gorgásmico Pornoblastoma), Leitão (Fuckness), Ricardo Machado (Lumen).


Sentem que esta é a vossa melhor formação?
Guerra: Sim sem dúvida. As entradas do grande Guilhermino Martins e do grande Ivan Saraiva foram sem dúvida as cerejas que faltavam em cima do bolo.
Paulo: Sem dúvida, neste momento estamos estabilizados, sentimos isso não só em palco, mas também fora dele.


Porquê escolher “serrabulho” e não “feijoada” ou “chanfana”?
Paulo: Por ser um nome mais apelativo e porque é característico na nossa zona.
Guerra: Primeiro, por sermos da serra e depois, um dos pratos típicos daqui é o Sarrabulho. Unimos, estilo “fusão” e saiu essa estranha palavra: Serrabulho!


De onde vem o nome “Ass Troubles”?
Guerra: Vem lá do fundinho mesmo, daquele buraquinho. Vem de encontro às letras que íamos escrevendo, baseadas em factos verídicos que nos iam relatando. Unimos tudo num buraco e pensamos (coisa rara!) que seria um nome adequado, pois ia acabar tudo por lá ir parar. Até que, com tanto problema, acabou por se transformar num “Atomic Fart” que parte a loiça toda.


E o artwork tipicamente português foi ideia de quem?
Paulo: À medida que o Guerra nos passou a ideia, fomos dando cada vez mais indicações e “ideias” para a Marta Peneda - designer do artwork do CD - ela deu-nos esta óptima prenda.


Como decorreu a gravação e produção do álbum?
Paulo: Muito bem! Senti-me mesmo à vontade para gravar todos os temas e as minhas partes vocais. Trabalhar com o Guilhermino é muito bom, porque além de produtor ele também é músico e entende perfeitamente o que é estar a gravar, seguir o metrónomo, falhar, repetir e ter sempre uma palavra de apoio nos momentos certos! Mas também estar à vontade para conversar e opinar sobre o som! Isso é muito importante, haver ligação entre banda (músico) e produtor.
Guerra: Correu de todo mesmo! Tudo a 100%. O único problema foram os gases dentro do estúdio.


Quais foram as bandas que mais vos inspiraram para fazer músicas tão nonsense?
Paulo e Guerra: Desde Gut, Rompeprop, Nirvana, Lividity, Gronibard, R.D.B., Dead Meat, Grog, Carnal Diafragma, The Offspring, Deicide, Prostitute Desfigurement, entre outras e alguma música tradicional portuguesa. E, claro, o grande Quim Barreiros!


Porque é que se mascaram em quase todos os concertos? Quase sempre de forma diferente… Têm assim tantos fatos de carnaval guardados? Qual foi a vossa melhor máscara?
Paulo: Porque é uma festa quando tocamos. A ideia passa por serem sempre roupas diferentes.  Caso contrário, aquela surpresa que criamos antes de chegar ao palco já não teria o mesmo gosto para o público. Para mim, as melhores foram Power Ranger, Fred Flinstone, pac-man e fantasmas, Escuteiros, M&M’s (Lacasitos, em Espanha). Mas todas elas têm sempre a sua alegria contagiante.
Guerra: A nossa sorte é termos o patrocínio de uma alfaiate, senão não ganhávamos para a roupa!


O álbum tem sido distribuido lá fora graças ao excelente trabalho (já habitual) da Vomit Your Shirt, como têm sido as reacções ao mesmo?
Paulo: Sim a Vomit fez um excelente trabalho, assegurou uma óptima distribuição com duas grandes editoras - a Sevared (USA) e a Rotten Roll Rex (Alemanha). As reacções estão comprovadas, com as cópias deste álbum quase a desaparecer, as boas críticas que temos recebido - não só portuguesas, mas também estrangeiras - e os concertos que demos e os que estão marcados.


Para uma banda recente já actuaram bastantes vezes no estrangeiro como surgiram essas oportunidades? E como tem sido a recepção do público nos concertos?
Paulo: Nós temos trabalhado para ter, precisamente, essas oportunidades! Não basta só ter músicas ou um álbum e esperar que nos telefonem! É preciso procurar e furar neste nicho. Claro que já começámos a ser reconhecidos e os convites têm surgido, não só pelo interesse em nos terem no cartaz - pois Serrabulho (desculpem a modéstia) já arrasta público para os eventos -, mas o próprio público, que pretende Serrabulho nos eventos. A sua reacção é enorme e contagiante, grande parte do nosso trabalho é feito para e com o apoio deles!


Vêem-se a actuar um dia no Obscene Extreme? Já tiveram alguns contactos?
Paulo: Sim! Vejo Serrabulho no OEF, sem dúvida. Já tivemos bastantes respostas positivas sobre a nossa “possível” ida ao OEF, quer por portugueses, e até na própria República Checa, por bandas amigas e pessoal que nos conhece e adquiriu o CD. Contactos? O Curby de certeza que vai querer “Ass Troubles” no OEF! [risos]


Por último, querem acrescentar alguma coisa que achem pertinente?
Guerra: Sim! Lèche Moi Les Couilles! Queremos agradecer o todos os amigos e público que nos têm apoiado nos bons e maus momentos. Nos concertos, quando eu caio ao chão eles apanham-me e até tentam tirar-me os calções. Agradecer, igualmente, a todos os alfaiates e costureiras que nos ajudam e às pessoas que nos emprestam fatos. A todas as bandas que partilham o palco connosco. E peço também que, nos próximos concertos, o público vá cada vez “mais giro”  para eu me benzer! E arranjem-nos bóias e bolas de praia. Afinal, vem aí o Verão!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Holocausto Canibal - Compêndio De Aversões

“Compêndio De Aversões” é o EP dos Holocausto Canibal que reúne alguns covers gravados pela banda ao longo da carreira, alguns deles editados apenas em compilações de tributo. Marca também o regresso ao formato de cassete (depois do primeiro lançamento “oPus I” de 1997) numa edição de luxo e limitadíssima a umas simbólicas 69 cópias numeradas à mão e que o download poderá ser feito no site da editora Larvae Productions. Esta humilde homenagem às bandas que influenciaram os Holocausto reúne 7 temas clássicos do Death Metal internacional (e não só!) com a qualidade e produção de excelência que estes senhores nos foram habituando. A título de curiosidade é um dos poucos registos com C. Guerra (aka Toká) na voz (em 6 dos 7 temas), que fez parte da banda durante quase uma década mas que nunca chegou a gravar um álbum de estúdio.

O show começa com um “do you ever fantasized about being killed?” do cover dos polacos Dead Infection, “Death To The Master Key” com um trabalho vocal sublime, de resto, não foge muito à versão original. “Here We Are” (dos Malignant Tumour) é um dos melhores temas deste trabalho tal como a orgásmica “Cripple Bitch” dos pais do Pornogrind, os Gut.  “Euthanastic Inclination” é um dos temas mais bem conseguidos numa versão bem mais interessante que a original. “Spunky Monkey” é na minha opinião a grande surpresa até porque sou grande fã dos alemães Cock And Ball Torture, e aqui os Holocausto Canibal conseguem transformar o tema numa versão bem mais animada e menos groovy, editada originalmente em 2010, no México, na compilação “Bulldozers United - A Tribute To Cock And Ball Torture“, que contou com outras bandas portuguesas como PussyVives, Namek e Fetal Incest. E porque as bandas que influenciaram os Holocausto não se resumem ao Death Metal e Grind temos o cover da histórica “C.C.M.” de Mata-Ratos, basta imaginá-los a tocar Goregrind! Para terminar em beleza nada melhor que um cover dos criadores do Goregrind com uma versão absolutamente abrasadora da “Reek Of Putrefaction”, de Carcass, gravada nas alturas do Opusgenitalia e editada pela primeira vez em 2008 na compilação “Visceral Massacre Memorabilia”, com Max Tomé nos vocais.

Nada de novo, material inédito para os menos curiosos, mas com bastante significado para quem gosta realmente da banda. Agora venham versões de Mortician, Extreme Noise Terror, Ratos De Porão, Bile e Ulcerous Phlegm, e de preferência, em formato Old School, nós agradecemos.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Gorgásmico Pornoblastoma - Gorgásmico Pornoblastoma

Os Gorgásmico Pornoblastoma são a mais recente junção ao vasto leque do Grind nacional. Formaram-se em 2010 e já devastaram um pouco de todos os palcos nacionais com o seu Goregrind podre, obsceno e sujo, para fãs de bandas como Rectal Smegma, R.D.B., Mortician, Ultimo Mondo Cannibale, Gut e por aí. No final do ano passado, ou no início deste (nem os próprios sabem muito bem), editam o seu primeiro trabalho uma Demo Tape à moda antiga com 5 temas, com o selo da já habitual Murder Records (Grog, Dead Meat, Fungus).

Nos últimos anos tem sido difícil fazer-se Grindcore de má qualidade em Portugal e os Gorgásmico dão aqui continuidade a essa tendência com um registo bastante coeso e com qualidade bem acima da média para uma Demo, que se calhar peca apenas por ser demasiado curta. 5 temas curtos e directos com introduções que não lembram a ninguém onde se destacam os riffs graves, captação de bateria à moda antiga (bastante audível) e a juntar à festa um monte de pig squeals, grunts e growls. “Gurg” é o melhor tema, o mais Grind 'n' Roll a fazer lembrar os compatriotas R.D.B. e Serrabulho. Temas  como “Gorgásmico Pornoblastoma”, “Hematoma Purulento” e “Sodomia Acidental” não ficam a dever nada ao que se faz lá fora. Para finalizar, e a semelhança do resto das músicas, temos uma faixa super romântica e emocinante de nome “Engolir Mata”, possivelmente, uma das faixas mais completas da saga do Grind nacional (ou não). Encontrem a Tape por aí num esgoto mais próximo se tiverem sorte e se os puderem ver ao vivo, melhor, é festa garantida. Fuck passion or fashion… Insanity for a living!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Entrevista: Brutal Brain Damage

Onde vão buscar inspiração para o humor dos vossos temas?
Carlos Lopes: Nós somos pessoas divertidas e bem humoradas. Não temos nenhuma fonte de inspiração sem ser a nossa própria parvoíce. Normalmente sou eu que puxo mais por esse aspecto mas é todos juntos é tipo uma casa de malucos.


Achas que esse humor acaba por vos distinguir das restantes bandas de Grindcore, que geralmente abordam temas mais Gore ou crítica social?
Carlos Lopes: Não vou bem por aí. Há algumas bandas que também têm a sua veia humorística mas sim. Em certos aspectos pode-se dizer que nos distingue mas sinceramente não sei explicar porquê. Apenas como não somos uma banda com mensagem a nível crítico social (que é o tema mais abordado de bandas Grind) quisemos optar mais pelo cómico. Acho que a vida já é bastante séria.


Há uma grande evolução do EP para o álbum, a vários níveis, quais foram as principais diferenças na gravação e produção de um e outro?
Carlos Lopes: O EP na altura apanhou as malhas compostas antes da entrada do Big. Foi gravado e masterizado por nós.  Depois a nível de composição com ele na banda já foi diferente como se pode ver. São malhas um pouco diferentes e mais arrojadas.  Em relação à produção do álbum fizemos tudo com o Miguel Tereso que nos ajudou imenso. Estamos super satisfeitos e espero que no futuro o resultado final seja como no primeiro álbum. A nível gravação foi praticamente tudo gravado em casa por assim dizer. Nesse aspecto não ouve muita diferença, apenas que no “mini quarto super mega estúdio” do Miguel tínhamos mais condições para gravarmos já o nosso EP foi gravado numa garagem num domingo à tarde.


Quais são as principais bandas que vos influenciam para compor?
Carlos Lopes: As nossas influências vêm da música e de vários estilos de Metal. Todos gostamos de coisas diferentes desde Grind, Death, Thrash, etc. Não temos aquela banda como influência mas pode-se dizer que há algumas que nos inspiram como qualquer banda. Eu pessoalmente ouço de tudo um pouco e gosto de muita coisa fora do Metal. Mas como banda em geral há bandas que todos nós gostamos, desde Napalm Death, Rotten, Nasum, Magrudergrind, etc. Mas tentamos não ir por aí. Queremos criar um som que se pode dizer nosso. Apenas temos bons professores que nos ensinam e dão inspiração na veia criativa da música.


E em termos de bandas nacionais houve alguma que vos inspirasse e que olhassem como referência?
Carlos Lopes: Isso é uma boa pergunta, porque normalmente fala-se mais de bandas de lá de fora como fonte de influências e no meu caso é mesmo o oposto. Quando comecei esta banda foi a partir de uma noite bem passada num concerto de PussyVibes e depois de ter feito um pouco de barulho ao micro. Sinceramente essa sensação deu-me outro olho aos concertos. Não como fã mas como poderia ser tocar ao vivo. Umas das minhas bandas favoritas são Dead Meat, PussyVibes, Raw Decimating Brutality e Grog. E daí eu, em pouco tempo, a nível de voz comecei a querer fazer de tudo um pouco. Tenho imenso respeito por essas bandas e são pessoas incríveis. Claro que com o passar do tempo conhecemos pessoalmente mais pessoas e desde aí, Matter é daquelas bandas que para mim é das melhores que se pode ter cá.  Estou super contente por fazer parte deste meio porque para um país pequeno temos bandas do caralho e um enorme gosto em tocar com aquelas bandas e socializar com os elementos. É tudo porcos, feios e maus!


Foi desse contacto com os R.D.B. e não só que surgiu a oportunidade de editar o álbum pela Vomit Your Shirt. Achas que a editora tem tido um papel fundamental para a divulgação do Grind nacional lá fora?
Carlos Lopes: Sim, foi a partir de um concerto na Covilhã que surgiu essa oportunidade e estamos super contentes. A editora foi espectacular connosco e têm feito um trabalho incrível. São pessoas dedicadas e super simpáticas que fazem o melhor. Estou sinceramente agradecido por terem mau gosto musical e terem apostado nesta banda, é o que posso dizer!


Que bandas nacionais recomendas?
Carlos Lopes: Bem pessoalmente... Há muitas bandas, mas do que tenho ouvido mais nestes últimos tempos: Serrabulho que lançaram recentemente o seu primeiro álbum, Matter tenho andado a ouvir também a colhoada feia deles e em breve terão aí o álbum, Besta também tenho andado a ouvir com mais atenção e o “Obra Ó Diabo!!!” que não precisa de apresentações. Tenho ouvido AntiVoid que também já tivemos juntos no palco onde participei no submarino amarelo. Eu sei lá! Poderia estar a tarde aqui toda.


E que fests nacionais aconselhas?
Carlos Lopes: A meu ver SWR Barroselas é o épico! Mas temos muitos bons fests e já tivemos oportunidade de poder tocar em alguns. O Butchery At Christmas Time foi para mim o que mais me marcou pela boa camaradagem que se sente e vivê-la. O Moita Metal Fest foi onde tocámos para mais pessoas e foi uma experiência incrível:  público non stop in the pit. Um que para mim foi de dar valor foi o Goat Fest, organizado por pessoas da terra com todas as condições possíveis e muito bem recebidos. Portugal é pequeno mas há sempre pessoas a organizar concertos por amor à camisola  e isso é de dar valor.


Para finalizar queres deixar algumas palavras para quem ouve Brutal Brain Damage?
Carlos Lopes: Comprem o nosso álbum que quero ser rico e aparecer na TVI. Quero agradecer a todo o pessoal que tem apoiado a banda em todos os aspectos. Nota-se nos concertos a aderência do pessoal e só tenho a agradecer o vosso apoio a uma banda como a nossa. Temos tido situações incríveis e estou sinceramente contente pela força que têm dado. Muito obrigado por gostarem de barulho e javalis. Um bem hajam!

sábado, 30 de novembro de 2013

Serrabulho - Ass Troubles

“Ass Troubles” é o nome do álbum de estreia dos happy grinders Serrabulho (nome genial!), 30 minutos de Grindcore, rapidez, bailarico, humor, brutalidade e boa disposição, ao estilo duns Anal Cunt (não tão ofensivo) e Romperprop (sempre em festa)! A edição da rodela ficou a cargo da já habitual Vomit Your Shirt, com distribuição assegurada nos Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Espanha, entre outros. Foi misturado e masterizado pelo baixista Gulhermino Martins nos Blind & Lost Studios e o resultado final é um álbum potente, variado, com qualidade… Goregrind com influências de Death Metal, muito melódico, com partes bastante rápidas e agressivas, onde os blast beats e a insanidade mental não faltam, Pig Squeals a toda a hora, bateria muito bem captada, guitarras simples e incisivas, o resultado é uma produção do mais alto nível, superior à grande maioria das que se fazem lá fora dentro do estilo, com bandas muito mais conceituadas (injustamente).

Como se pode ver pela capa as boas maneiras portuguesas não foram esquecidas e não podia faltar o acordeão, logo na primeira faixa “Atomic Fart”, possivelmente a mais 'n' Roll de todo o álbum. E porque os senhores não gostam de plágios a introdução da “Left Ball” foi feita no Google Tradutor (apesar de quase nem darmos por isso!), é uma das faixas mais rápidas e brutais do registo. Numa onda mais Groove temos “Disgusting Piece Of Shit” e bailarico a sério é na “Lèche Moi Les Couilles” e claro, nas duas faixas em português, “O Arroto Cheirava A Suco Gástrico” e “Quero Cagar E Não Posso”, esta última, uma das mais originais. Destaque para as faixas “Don't Fuck With Krusty”, “Pubic Hair In The Glasses”, “Toco Loco Du Moi” e claro, para aquela que é para mim a mais bem conseguida, “I'm Full Of This Shit”.

Não faltam razões para ouvir mais um grande álbum do nosso Grindcore, e se possível, não faltem às performances super artísticas destes senhores ao vivo, talvez se deparem com uma esplanada, umas princesas encantadas, uns Power Rangers… Resumindo, em estúdio ou ao vivo, vão-se divertir a ouvir Serrabulho!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Entrevista: Matter

Porque é que decidiram formar a banda?
Barrasco: Gostamos de fazer abrasamento! Damo-nos bem a fazer abrasamento juntos. Não há nenhuma razão em especial.


Porquê o nome Matter?
DevilPig: O nome foi daquelas coisas… Não sabíamos que nome havíamos de dar à banda, até que chegámos a um ponto que estávamos abertos a qualquer sugestão. Cada um estava à procura dum nome e eu lembrei-me de Matter, a tradução em si, “matéria”… É um assunto de reflexão… E a dimensão que o nome podia ter, achei piada.


Quais são as vossas principais influências para compor?
Barrasco: Imaginamos tanques no horizonte… A tensão que isso gera, nós traduzimos em música!


E em termos bandas ou estilos?
DevilPig: Cada um tem as suas, e é muito assim. Há cenas que curtimos em comum…
Barrasco: Nós não combinamos fazer uma música “tipo” uma banda, nós imaginamos os tanques e o resto surge.
DevilPig: Epá é aquela cena, tu ouves música, e qualquer música que ouças é óbvio que vai ter influência, principalmente do que gostas mais.
Barrasco: O Bob Wayne influencia-me!!!


Como foi a gravação do EP?
Barrasco: Isso foi gravado ao vivo no Colhões e editado em casa.


Porquê chamar-lhe “R ND M”?
Barrasco: Tirámos as vogais à palavra “random”.


Que temas abordam liricamente?
Turtle: A maior parte das líricas são temas pessoais, coisas que eu escrevi, mas depois há outros temas como… Eu baseei-me em alguns textos d'Os Lusíadas, baseei-me também em alguns livros, um dos exemplos é A Arte Da Guerra do Sun Tzu… Abordam temas que têm algo de militar, porque nós temos de nos regir por algumas regras e essas regras traduzem-se depois na nossa vida pessoal e no nosso dia-a-dia, e escrevi um bocado sobre isso, mas a maior parte das letras são coisas pessoais que prefiro manter para mim.


Porque é que escolheram excertos do filme “Twelve Monkeys” para as introduções das músicas no EP?
Barrasco: Gostamos do filme e aquilo tem alguma coisa de lunático e é bom pôr um bocado de demência na violência.
Turtle: É um bocado isso também que nós queremos fazer, nos concerto queremos sempre tentar provocar um certo caos, uma reacção nas pessoas E principalmente debitar aquilo que nós sabemos fazer e desafiar as pessoas, que tipo de reacção é que a nossa música causa.


De todos os concertos que deram, qual o que gostaram mais?
Barrasco: Não foram muitos, ou seja, também não temos muita escolha.
Turtle: Eu gostei muito do concerto de beneficência, o Colhões de Ferro Benefit 1.


Quais são os planos para o futuro, já estão a gravar alguma coisa ou a compor?
Barrasco: Vamos agora gravar, a bateria já está, falta só guitarra e voz, pedimos material emprestado, uma mesa de gravação multipista e etc, e é tudo feito em casa. Talvez até ao final do ano esteja gravado, mas não temos uma previsão ainda, houve uns atrasos entretanto.


Vai ser um EP, um álbum
Barrasco: Vai ter 11 músicas. Por isso, se calhar é um álbum, não sei isso do tempo, eu não percebo nada disso.


Como banda, quais são as principais dificuldades que sentem?
Barrasco: Não temos dinheiro, somos uns tesos do caralho!
DevilPig: Organização de tempo, é difícil termos tempo para nos juntar-mos.
Barrasco: Era mais importante ter dinheiro para gasolina porque às vezes um gajo só não ensaia porque não dá jeito estar a meter gasolina.
DevilPig: O dinheiro também ajuda muito.


Já foram abordados por alguma editora/distribuidora para editar algo ou por alguma banda para um Split?
Barrasco: Para Splits há sempre alguma coisa mas não participámos em nada, ainda. Fomos convidados por uma cena qualquer americana, acho que aquilo nem era bem uma editora, é um gajo qualquer que estava a fazer uma compilação
Turtle: E de vez em quando recebemos convites para fanzines, para mandar cenas para compilações.


Por último, uma mensagem para quem vos ouve
Turtle: Vão a concertos, principalmente é isso. Porque hoje em dia é nos concertos que se vê o que vale ou não.
Barrasco: Em estúdio toda a gente faz o que quer Se tiver dinheiro Voltámos à mesma merda!