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terça-feira, 1 de março de 2016

Entrevista: Venom Inc.

Como surgiu a ideia de formar Venom Inc.?
Demolition Man: Bem, não foi intencional, não era um plano, eu e o Mantas temos os M:Pire Of Evil que tem sido o nosso projecto nos últimos quatro ou cinco anos e fui convidado para um espectáculo onde fui tocar com Atomkraft o álbum “Future Warriors” num festival de retrospectiva em Newcastle, onde o Mantas vivia na altura (agora vive em Portugal), não íamos tocar juntos mas íamos lá ver e apoiar as bandas mas depois o Mantas chamou-me para tocar e começámos a ensaiar numa de diversão. O Abaddon estava na audiência e duas semanas depois o promotor do Keep It True Festival (que também estava na audiência) contactou-me e disse que quando me viu a mim e ao Mantas no palco tinha pensado em como seria fantástico que o Abaddon estivesse também no palco connosco porque não suportava a ideia de o ver no apenas. Depois falou-me da ideia de nos contratar para tocar no Keep It True Festival na Alemanha, como M:Pire Of Evil, e se o Abaddon também estivesse lá e se juntasse a nós em palco, ou seja, a ideia começou a surgir a partir daí. Falámos nisso e decidimos tocar lá que é um festival verdadeiramente Old School e metade do nosso set foi M:Pire Of Evil e depois o Abaddon juntou-se a nós e tocámos cinco ou seis clássicos de Venom e começou aí! Mesmo antes de deixarmos a Alemanha recebemos propostas para tocar na Ásia como Venom Inc. e nós nem sequer tínhamos nome e diziam-nos “queremos-te a ti, ao Mantas e ao Abaddon a tocar uma série de concertos aqui” e depois começámos a receber propostas de promotores europeus para fazer uma tour, depois foram os Estados Unidos depois a América do Sul e eu pensava “nós ainda nem somos uma banda devíamos mesmo fazê-lo?”. Depois veio o nome, primeiro era para ser Iron & Steel que escolhemos da letra da “Die Hard” e as agências começaram a dizer que nos tínhamos de nos chamar Venom “alguma coisa” porque nós éramos Venom e nós “ok, e que tal Venom Incorporated?” porque temos outros projectos musicais e pronto, aconteceu, não tivemos controlo sobre isso.


Achas que teria o mesmo impacto se não chamassem à banda Venom Inc. mas Iron & Steel?
Demolition Man: Provavelmente existe uma razão comercial por detrás do nome Venom mas a questão aqui é que Venom é algo muito próximo e importante para o Mantas e o Abaddon por razões óbvias, e também para mim. Nós não vendemos a merda de um copo com nome Venom nele, nós vendemos o espírito e a alma da música e queremos que as pessoas venham sentir isso outra vez. Está a ajudar? Provavelmente, mas é para alertarmos as pessoas que nós estamos ali... E quaisqueres questões que possam ter em relação à legitimidade de Venom Inc. terão de nos dizer depois de tocarmos!


Planeiam lançar um álbum de estúdio?
Mantas: Sim! As músicas estão em fase de demo e estão ainda a ser escritas, existem mais de cem riffs nas nossas drives, há muito material mas as nossas prioridades agora não são essas portanto não sabemos quando iremos para o estúdio acabar com o trabalho. Não temos pressa, já tivemos ofertas para o álbum e já falámos com algumas empresas/editoras que querem mesmo que o álbum saia mas a primeira coisa que irão ter de nós será um álbum ao vivo com o documentário desta tour, na América e isso tudo porque estamos mesmo a gravar tudo (vídeo, áudio). Na noite passada ouvimos um concerto que demos há umas noites, um gajo pôs um mix básico e pôs aquilo bem alto e soava mesmo muito bem. Aquilo com que as pessoas nos têm sobrecarregado é sobre se nós soamos mesmo às gravações originais de Venom, aos concertos daquela altura, porque (se for o caso) os nossos concertos levam as pessoas a voltar atrás no tempo, elas viajam no tempo. E sobre o nome da banda ser um ponto de venda, claro que é, as pessoas vendem o nome há muitos anos. Algum de nós nesta banda faria alguma coisa sem o nome Venom vir ao de cima? É algo que aparece sempre, seja no meu projecto com o Tony (M:Pire Of Evil) ou no meu projecto a solo, Mantas, com o álbum “Zero Tolerance”. Eu fui sempre o primeiro a afastar-me dos Venom [saiu em 1985] e eu próprio pensei sobre a legitimidade disto com o Tony mas é assim as pessoas sabem quem somos e aquilo têm de perceber que depois do Keep It True Festival apareceram vídeos no YouTube com o nome Venom Inc. - the heart, spirit and soul of Venom, alguém colocou lá isso e depois a Metal Hammer, com quem fizemos uma entrevista em Londres, pegou nisso também. E depois saiu um artigo “Are Venom Inc. The True Incarnation Of Venom?”
Demolition Man: Como te disse, não se trata daquilo (Venom com o Cronos) ou disto (Venom Inc.), trata-se daquilo e disto! Algumas pessoas querem ver o Cronos outras querem ver o Mantas e o Abaddon, se elas querem ver uma reunião dos três juntos é impossível! Foi tentado mas é impossível mantê-los juntos. Significa isso que não deveriam ver o Mantas e o Abaddon juntos? A tocar as mesmas músicas? Eles estavam lá quando as músicas foram feitas e se tornaram clássicos. Eles têm o direito de o fazer e olhámos para isso e pensámos “é errado ir tocar essas músicas?” claro que não e se os fãs querem vê-lo vão vê-lo! Nós não usámos  o nome Venom só para ter lucro, como poderíamos fazê-lo? O dinheiro com o nome Venom anda a ser feito com T-Shirts, Bootlegs, as máscaras de plástico do “Black Metal”, isqueiros, casacos, até podes comprar roupa interior com o nome Venom nela, isso é fazer dinheiro com o nome e qualquer um o pode fazer. Se olhares para nossa merchandise temos uma T-Shirt com um design clássico, um hoodie, um chapéu e é isso que podes comprar. Mas aquilo que nós queremos verdadeiramente vender não é um concerto com um palco bonito com pirotecnias, é apenas a música de Venom e a sua alma. Vais entrar ali hoje e as luzes vão estar apagadas, vai ficar escuro e nós vamos dar tudo aquilo que temos! É essa ligação que as pessoas têm de ter com a música, a música em si! Não estou a dizer que não podes ir a um festival que é a única maneira que tens de ver Venom com todos aqueles truques, luzes, é brilhante! Não estou a dizer que seja mau mas esse é apenas um aspecto de Venom mas nós damos mais valor a outro aspecto: o sentimento! Como o público se sente quando nos ouve! Tocámos no Baroeg Open Air em Roterdão (Holanda) e eu estava no backstage e estava lá um gajo com uns 50 anos e perguntou “posso entrar e dizer olá?” e eu “claro, estou aqui só eu mas sim” e ele agarrou-se a mim e começou a chorar a dizer que nem devia (nem podia) estar ali e que teve de saltar por cima duma cerca e que quando começámos a tocar começou a chorar e sentiu-se com 16 anos outra vez! É essa a beleza da música! Fazer-te sentir livre outra vez e é isso que nós queremos, emoção pura!


Vocês representam a formação de Venom que durou de 1989 até 1992. Porque é que acabaram na altura?
Demolition Man: Foi algo que se completou em si mesmo. Quando o Cronos deixou a banda depois do “Calm Before The Storm” para se dedicar à sua carreira a solo (até foi para a América) o Abaddon decidiu que queria fazer algo e contactou-me e eu já tinha saído da minha outra banda (Atomkraft) e ele disse-me “olha o Cronos já se foi e ainda quero continuar a tocar, nós podemos fazer algo e tu podias assumir os vocais” e ele conhecia-me bem e sabia bem que eu podia fazê-lo e eu disse “a única maneira de eu o fazer é se tiver também o Mantas” porque para mim podes ter Venom com o Cronos (nada contra o Abaddon) e podes ter Venom com o Mantas, mas ter Venom apenas com o Abaddon é do tipo “tu precisas de ter um daqueles dois” e isso é muito importante por causa daquilo que o Mantas é e daquilo que nós somos juntos e isso poderia resultar mas eu e o Abaddon com outro gajo, nunca ia resultar e foi por isso que optámos por essa formação. Era algo novo, real! E tivemos grandes tempos, era um álbum muito progressivo para um álbum de Venom. Em relação ao segundo álbum [“Temples Of Ice”] ficámos um pouco desapontados com a produção e o artwork (que não estivemos envolvidos) e depois editámos o “The Waste Lands” e não demos os grandes concertos que deveríamos dar, provavelmente demos dois, um com King Diamond e outro na Rússia e basicamente fazíamos club shows. Fomos contactados pela nossa antiga promotora para fazer uma tour de suporte aos Sacred Reich na Europa e eu estava sentado num bar e pensei “mas que raio estamos nós a fazer? Isto não é Venom” e depois estávamos em Berlim (mesmo antes do muro cair, ele caiu dois dias depois) e eu o Mantas estávamos na parte de trás do Tour Bus e olhámos um para o outro e dissemos “está feito, já chega, já tivemos o suficiente” fomos lá à frente e dissémos “podes voltar para trás, estamos feitos, acabou!” Foi isso que aconteceu não foi do género de nos odiarmos uns aos outros. Eu e o Mantas trabalhamos muito com o coração, é algo muito emocional, é assim que tocamos e é assim que somos e quando não temos isso é como se o estivéssemos a fazê-lo apenas por números e nós não podemos fazer isso seja com que projecto for, nós trabalhamos e damos 100% daquilo que temos com as nossas bandas. De todos os concertos que damos tem de ser a 100% e tu e o público vão perceber se é real, com significado ou se estás a fazê-lo pelo dinheiro ou apenas porque tens de fazê-lo ou porque queres ser famoso...


Portanto nessa altura não tinham o sentimento que vos mantém juntos agora?
Demolition Man: Não, completamente!
Mantas: Não! Antes disto eu e o Abaddon falámos... Sabes que eu e o Abaddon não falávamos desde 1998 porque tivemos uns problemas com os membros de Venom e não só. E depois do concerto no Camden Underworld (em Londres) estávamos a falar e tínhamos pessoas a vir ter connosco e a dizer “isto está-me a levar para os tempos gloriosos de Venom” e também me levou a mim e ao Abaddon aos velhos tempos em que ensaiávamos juntos e isto para nós acaba por ser algo novo porque era algo que não estávamos habituados e tocar agora essas músicas com o Abaddon em palco... É muito difícil de descreve-lo. É espectacular!
Demolition Man: A reacção que as pessoas têm tido tem sido do género, nós temos todos mais de 50 anos, e perguntam “onde é que vocês vão buscar tanta energia?” e tu esqueces isso e voltas a ter 20 anos e a mesma energia, algo de mágico acontece. Na noite passada em Pamplona vieram muitas pessoas de propósito de França e ficaram estupefactas com o sentimento que nós transmitimos, aquilo que as pessoas transmitem e dão quando estão na linha da frente é mesmo que nós damos, é o mesmo sentimento e quando nos dizem que sentem que têm 15 anos outra vez nós também sentimos e é essa a beleza desta tour, o entretenimento.


Existem alguns planos para reeditar o “Prime Evil”, “Temples Of Ice” ou o “The Waste Lands”?
Demolition Man: Nós tentámos principalmente com os M:Pire Of Evil porque os fãs estavam sempre a perguntar-nos isso e a dizer para tocarmos isto ou aquilo desses álbuns mas eu dizia que nós não somos os Venom somos os M:Pire Of Evil e as pessoas queriam que nós, desde o dia 1, tocássemos temas desses álbuns quando nem tínhamos nenhum material pois tínhamos iniciado a banda há muito pouco tempo mas rapidamente fizemos músicas juntos para o “Creatures Of The Black” e o “Hell To The Holy” e não tínhamos mais nada então como iríamos fazer isso? Foi então que lançamos uma competição/votação em que as pessoas escolhiam as músicas que queriam que tocássemos ao vivo e foi então que as metemos no set. Depois pensámos que se calhar devíamos reeditar algumas dessas músicas porque haviam pessoas (principalmente as mais novas) que nunca meteram as mãos nesses álbuns porque estão fora do mercado. Eu tentei o meu melhor com a Sanctuary e a Universal Music Group que têm os masters originais. Acontece que os Venom estão na Spinefarm Records que é uma subsidiária da Universal que disse que não iria reeditar esses álbuns porque o Cronos não quer que eles os reeditem, ou seja, há aqui um conflito de interesses. Os fãs pedem-nos muito para nós os reeditarmos mas nós não temos controlo sobre as masterizações/gravações originais mas se nós tivéssemos podíamos reedita-los. Temos de implorar mas até agora nada. No ano passado chegaram a dizer que iam reeditar o “Prime Evil” mas essa ideia foi rapidamente posta de lado. Então nós pensámos no que poderíamos fazer e se eles têm as gravações nós deveríamos regrava-las e foi isso que fizemos com o álbum “Crucified” de M:Pire Of Evil e optámos por escolher músicas desses 3 álbuns, nós não fizemos aquilo que alguns fazem do tipo, escolher um álbum clássico e regravá-lo, é clássico porque é um clássico, se o regravar pode soar melhor mas é um álbum clássico e não é preciso regravares um álbum clássico porque é a gravação original que o faz ser clássico. O que fizemos, de forma muita cuidadosa, foi trazer algumas músicas para o nível de M:Pire Of Evil e justifica-las ter no nosso set. Não são apenas músicas do meu período nos Venom, agora são de M:Pire Of Evil e podemos toca-las ao vivo. Outra intenção dessa regravação foi permitir que as pessoas ouvissem essas músicas e que até então não podiam comprar o produto. Escusam assim de ir ao torrent sacar os mp3 antigos com má qualidade, nós podemos dar-vos as músicas com qualidade. Temos intenção de lançar o “Crucified II” e até o “Crucified X” se for preciso, tudo para que possamos dar às pessoas as  músicas que estão nessas gravações porque não temos controlo sobre elas. Esses álbuns são muito difíceis de encontrar e o preço a que algumas pessoas o vendem é ridículo. Outra maneira de o fazer seria editar uns bootlegs e distribuir pelos fãs mas nós somos puristas e queremos fazê-lo duma forma legítima. A editora que tem as gravações originais permite que haja um conflito e é assim se os fãs querem comprar os álbuns eles não têm o direito de mante-los guardados, neste caso desde 1992, é muito tempo. Estamos a trabalhar nisso e se pudermos faremos um grande pack com material ao vivo e um DVD em HD mas para isso eles teriam de deixar e têm sido bastante restrictivos quanto a isso. Esperamos conseguir tratar disso quando acabar a nossa tour mundial, há que ter esperança.


Mantas, como te sentes pelo legado que deixaste na história do Heavy Metal? Principalmente para aquelas bandas que vêem Venom como um grande referência principalmente no Black e Thrash Metal?
Mantas: Já me fizeram essa questão várias vezes, principalmente nesta tour. A resposta que te posso dar é esmagadora... Pensar que pensam em mim dessa maneira é fantástico mas também humilde. Eu sei exactamente aquilo que sou, temos os pés bem assentes na terra, vivo uma vida sossegada aqui em Portugal, nasci em Newcastle, aprendi a tocar guitarra, escrevi umas músicas fixes, as pessoas “tiram-nas” e de repente mudaste a face do Heavy Metal para sempre, não foi nada planeado. Eu sei quem sou, sou o Jeff, mas também sou o Mantas, e aquilo que digo e faço em palco é uma extensão daquilo que eu sou. Fora disso sou aquilo que tu vês, aqui sentado, quieto a ouvir os outros falar. Ter pessoas a vir dizer-nos coisas desse género é extremamente gratificante, por exemplo uma das bandas de hoje disse-me “sem ti esta banda não existia”. Temos fãs que nos dizem “tu mudaste a minha vida, ajudaste-me a ultrapassar problemas durante a minha vida”. Estou a escrever um livro de momento (muito lentamente porque estamos em tour) e existe um capítulo que se chama “Legions Iron & Steel” e é todo ele escrito pelos fãs e deixo aqui em aberto a possibilidade para quem quiser escrever algo para colocar lá se for relacionado com Venom. Descobri histórias surpreendentes! Uma por exemplo envolveu um conflito militar onde um homem das Forças Armadas do Canadá foi para debaixo de fogo a ouvir Venom! Isso é absolutamente incrível! Eu nem consigo descrever o que sinto em relação a isso. Nós vamos para o campo de batalha todas as noites que é o palco, onde tocamos Venom, e existe alguém que vai para um campo de batalha real disparar a ouvir Venom, numa guerra! E depois há aquela coisa de que os Venom que começaram o Speed, Death, Black, Thrash Metal, a cena toda... Estava a falar com alguém anteriormente sobre o lado norueguês da coisa e de algumas bandas dizerem que os Venom não são bem Black Metal, não são aquilo que as pessoas consideram hoje em dia como Black Metal, porque o estilo evoluiu e foi-se desenvolvendo. Mas eu tenho uma pergunta para essas pessoas: sem um álbum chamado “Black Metal” e uma música chamada “Black Metal” o que lhe teriam chamado? É uma pergunta simples.


Isso acaba por acontecer também com Black Sabbath, muitas pessoas dizem que não foram a primeira banda de Heavy Metal mas que Judas Priest e Iron Maiden o foram. Acaba por não fazer sentido por tanto uma como outra banda pegaram naquilo que os Black Sabbath já tinham feito...
Mantas: Sim sim eu concordo. Li uma coisa, há mesmo muito tempo atrás, era um artigo sobre Black Sabbath e começava assim “veteran Black Metal band Black Sabbath” basicamente estavam a dizer que Black Sabbath eram uma banda de Black Metal mas porra, eles começaram muito antes de nós! Quando fizemos o primeiro álbum de M:Pire Of Evil escrevi/compus um tema chamado “Devil” que é tocado com uma guitarra leve mas depois também com riffs pesados e eu quis passar a mensagem de que os Venom criaram o Black Metal e lhe deram o nome e que antes disso havia Black Sabbath e Black Widow, podias encontrar num lado qualquer um gajo a tocar músicas sobre o diabo numa guitarra acústica, não era nada de novo. Aquilo que nós fizemos foi sermos mais directos, trouxemos isso para a frente das pessoas e se me perguntarem se fizemos isso deliberadamente para chocar as pessoas eu digo que sim, sem dúvida. As capas dos álbuns, ninguém tinha visto aquilo antes. Tivemos uma entrevista em Londres uma vez e aparece um tipo de fato completo a dizer que estávamos a corromper as pessoas com as nossas mensagens subliminares e eu: espera aí, nós não estamos a esconder nada, nós temos um álbum chamado “Welcome To Hell”, temos uma música que se chama “In League With Satan” queres que eu seja ainda mais óbvio? Ninguém nos vai dizer quais são as mensagens que temos nos álbuns elas são bastante explícitas. E sim foi feito para chocar e no início dos anos 80 as pessoas ficavam chocadas facilmente mas hoje, não consegues chocar ninguém. Ligas as notícias e vês fome e outras imagens chocantes, muito piores que qualquer filme de horror ou concerto de Metal e a diferença é que o que acontece no mundo é real e acho que a raça humana se tem tornado cada vez mais insensível porque essas imagens estão sempre a aparecer e acabam por se tornar algo normal, não é que concorde com a “publicidade” mas pronto, é inevitável. Se uma banda hoje em dia pensar em chegar e tentar chocar alguém é impossível. Penso que última a chocar alguém de forma mais exuberante foi Marilyn Manson e basicamente aquilo era uma brincadeira, no final de contas era só imagem. Mas sabes, é espectacular pensar que a banda que eu comecei e que algumas música que compus tiveram tanto efeito no Heavy Metal.


Voltando ao tema das discussões do Black Metal, o que é o para ti o Black Metal?
Mantas: O que é o Black Metal? É uma boa pergunta. Eu vejo os primeiros álbuns de Venom como aquilo que as pessoas descrevem como First Wave Of Black Metal. Para mim agora... Bem não são muitas as bandas de Black Metal que sigo mas Dimmu Borgir e Immortal ouço bastante. Adoro Dimmu Borgir, são uma banda excelente. Por exemplo a música “The Serpentine Offering”, para mim isso é Black Metal, é uma música incrível! Não vejo Cradle Of Filth como Black Metal vejo-os mais como um circo vampiresco [risos], atenção que um deles até é meu amigo, o baterista Marthus, que toca no meu projecto a solo, mas vejo-os mais como algo mais gótico. Mas para mim, os Dimmu Borgir são “a banda” de Black Metal e para mim eles são uma evolução daquilo que nós fizemos. Basicamente o que estas bandas fizeram foi pegar naquilo que nós fizemos e levaram-no ao extremo, tal como nós pegámos em Black Sabbath, Judas Priest e Motörhead e levámos ao extremo. Sempre que compunha eram essas as bandas que me vinham à cabeça, às vezes perguntam-me como compus aquilo e foi assim. É algo que simplesmente acontece, vem um riff e aí está a música. Não há nenhuma ideia pré-concebida daquilo que tenho de escrever, no que toca a isso vejo-me mais como um líder que como um seguidor porque tento sempre criar algo original.
Demolition Man: Gostava ainda de clarificar uma coisa: o género que se tornou o Black Metal não é Venom. E depois há sempre aquelas questões de uns consideram que são Black Metal outros não. Ou são mesmo? Vejamos: eles fizerem um álbum de nome “Black Metal” e o título desse álbum, dessa música era para descrever o som de Venom, não era para descrever um género que se iria tornar progressivo, com orquestras ou sobre folclore nórdico, era para distingui-los de todos os outros. Se olhares para o género hoje em dia eles não são Black Metal, todavia, serão essas bandas de hoje em dia Black Metal? Se os Venom lhes chamaram a eles próprios Black Metal? A diferença do género é essa e se olhares para os Venom como Black Metal, como algo definido por eles, então essas bandas de hoje não são Black Metal, são aquilo que elas próprias definem como True Black Metal. Mas é assim, eles foram obviamente influenciados por Venom, tal como os Bathory foram e acrescentaram orquestras progressivas que por sua vez foram influenciar outras bandas, tal como os Venom os influenciaram. Tiram um título daqui uma frase dali um movimento doutro lado e é isso que vai formando um género. Num sentido mais puro Venom está muito longe de Dimmu Borgir mas se a influência está lá? Sem qualquer dúvida.
Mantas: Naquela altura qualquer banda com guitarras eléctricas e cabelos compridos era considerada Heavy Metal. Para nós grande parte das bandas não eram Heavy Metal. Nós nem nos sentíamos parte da New Wave Of British Heavy Metal e depois veio a questão “vocês afinal são o quê?” e lá estava o álbum “Black Metal” e definir-nos, era uma declaração para alienar-nos dessa cena e individualizar a banda e fizemo-lo à nossa maneira. Não nos víamos como uma banda da New Wave Of British Heavy Metal como por exemplo as do nordeste (da nossa zona) Raven, Fist ou Tygers Of Pan Tang, nós não tínhamos nada em comum com essas bandas e foi por isso que a declaração foi feita! Foi um pouco arrogante mas as coisas era assim.


Para terminar gostavam de deixar alguma mensagem aos fãs portugueses?
Demolition Man: O Jeff pode fazê-lo inteiramente em português já que ele mora cá [risos]. Gostava de dizer a toda a gente em Portugal para nos virem ver e para não nos julgarem antes de verem e o experienciarem. Mais é melhor. Se forem a uma loja de doces e só puderem comprar um chocolate pode ser muito difícil mas se puderes escolher vários é melhor. Aproveitem o concerto, obrigado por nos seguirem e apoiarem, muito respeito para com vocês todos. Obrigado pela entrevista.

domingo, 15 de dezembro de 2013

RAMP - XXV 1988-2013

“XXV 1988-2013” é nome da nova compilação dos históricos RAMP, um Digipack de luxo com 2 CDs que reúne as faixas mais marcantes da banda e também versões acústicas de outras mais catchies, mais algumas surpresas, resumindo, uma celebração da vida dos RAMP, em 33 capítulos, desde o histórico “Thoughts”, passando àquele que foi o primeiro álbum de Metal a atingir o top de vendas em Portugal (“Intersection”), isto sem esquecer aquele que para mim é o melhor álbum, “Evolution, Devolution, Revolution”, e claro, os álbuns mais recentes.

A grande surpresa para mim foi mesmo ouvir os temas “Thoughts”, “The Last Child”, “Behind The Wall” e “Try Again”, isto porque não fui um dos sortudos a ter o LP ou o CD do primeiro álbum e ouvi-los com esta nova masterização deu-me uma nostalgia daquelas e aposto que à banda também, portanto, espero que estejam a pensar seriamente numa reedição desse clássico. Do “Intersection” os temas escolhidos não podiam ser mais óbvios: “Black Tie”, “All Men Taste Hell” e “Through”, para mim, também os 3 melhores. “Hallelujah”, “For A While”, “How” e “Dawn” são os temas do álbum de 1998, e ainda acrescentaria a “Old Times” e a “Noone”. O “Nude” foi provavelmente o álbum mais alternativo da banda e apesar de muitos discordarem para mim é um dos melhores registos da banda, onde se destacam a “Alone”, “Clear” e “In Sane”, mas qualquer um dos outros temas do álbum serviria. Não se esqueceram do EP “Planet Earth”, e podem ouvi-lo aqui na íntegra. “Blind Enchantment” e “The Cold” tinham de estar aqui obrigatoriamente, são duas das melhores e mais agressivas faixas que os senhores já compuseram, do álbum mais recente “Visions”.

No segundo CD temos versões acústicas das músicas mais calmas como “Alone”, “For A While”, “The Last Child”, entre outras, a primeira, escolhida como single de apresentação desta compilação. Para quem (como eu) já viu RAMP ao vivo de certeza que estavam ansiosos para ouvir como funcionariam os covers que costumam tocar ao vivo em estúdio, principalmente aquele das The Bangles, “Walk Like An Egyptian”, um tema que sempre resultou muito bem ao vivo, agora imortalizado numa versão estrondosa! De destacar também os temas “Fuck You” dos Wild Dogs, “We're Not Gonna Take It” dos Twisted Sister ou a emocionante “Planet Earth”, isto sem esquecer um dos temas mais emblemáticos, “Anjinho Da Guarda” (António Variações).

Estamos perante uma edição de luxo duma das melhores e mais emblemáticas bandas portuguesas de sempre, num duplo CD que se encontra facilmente e a um preço acessível, com os melhores temas da banda, versões alternativas, covers, com um artwork nostálgico com referências aos grandes feitos dos RAMP… Uma viagem ao passado com um olhar para o futuro, absolutamente recomendado.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ravensire - Iron Will

Os Ravensire são uma das mais recentes promessas do Heavy Metal tradicional português. Fundados em 2011 por membros de bandas como Inquisitor, Ironsword, Fili Nigrantium Infernalium e Drakkar, são mais uma junção àquele leque de bandas do luxo do Heavy nacional como Midnight Priest, Ironsword, Drakkar, Fantasy Opus, Attick Demons ou Gargula. “Iron Will” é nome do trabalho de estreia, um EP com edição a cargo d’A Forja. 

É Heavy Metal com influências clássicas da NWOBHM e de algum Power Metal, som maduro, melodias simples com os senhores a darem um feeling único aos seus temas. A entoação dada pela voz de Zé Gomes faz de temas como “Aamon (The Stargate Warrior)” (um pouco mais Doom) autênticos clássicos que ao vivo resultam muito bem, em concertos que têm tido bastante adesão e entusiasmo. “Facing The Wind” é o nome do primeiro tema e é na minha opinião o mais bem conseguido do EP com uma melodia simples mas espectacular, a juntar a uma voz épica e como se não bastasse, o solo de guitarra é absolutamente fantástico! “Stay True” é outro grande tema, o mais lento de todo o álbum, com  a voz um pouco mais agressiva, também com um solo lento e simples. “Ravensire” é a faixa mais clássica de todo o álbum, com uma melodia e uma voz bastante emocionais, um hino que agradará a qualquer fã de Heavy Metal clássico. Por último “Sweet Desire”, que não foge muito à sonoridade do restante EP, um cover dos extintos Wild Shadow, banda portuguesa de Heavy Metal de finais dos anos 80

Estamos perante Heavy Metal do bom, com grande qualidade para um EP de estreia, de uma banda que está em crescente ascensão no underground nacional, sem dúvida uma das melhores aposta d’A Forja nos últimos tempos. O primeiro álbum da banda já está gravado e não tarda muito para estar aí.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Entrevista: Sacracy Of Blood

Para quem não conhece façam uma breve apresentação da banda.
Os Sacracy Of Blood formaram-se no final de 1995, como um projecto entre alguns amigos. Na altura ainda não nos identificávamos como Sacracy Of Blood, mas já sabíamos qual o estilo musical pretendido. Após algumas designações e umas quantas alterações do line up acabámos por adoptar o nome Sacracy Of Blood e, a partir de 2006 decidimos encarar este projecto de uma forma mais séria e com objectivos mais definidos. A banda é actualmente composta pelo Bronx na voz e guitarra, pelo Saguim na guitarra e coros, pelo Júnior no baixo e coros e, desde 2010 pelo Fred na bateria.


O vosso som tem um pouco de todos os estilos de Metal, quais são as vossas principais influências?
Os Sacracy Of Blood sempre se basearam num som muito Heavy Metal Old School, mas com uma mescla dos outros vários estilos de Metal. A raiz e a influência mais notória é sem dúvida o Heavy Metal com a sua vertente mais melódica, mas influências como o Thrash, o Death e o Doom mostram-se também presentes em muitas das nossas composições.


Já tocam bastantes músicas ao vivo e são grandes malhas, já estão a pensar em lançar um álbum?
Antes de mais, obrigado pelo teu comentário. Nós temos cerca de quarenta temas originais, apesar de por enquanto, ao vivo tocarmos apenas cerca de 20. São os temas com que nos identificamos melhor actualmente e que achamos estarem mais dirigidos para a apresentação que pretendemos fazer da banda. Nós estamos agora a terminar as gravações do nosso primeiro EP, composto por cinco temas, que contamos lançar depois do verão.


A tocar 20 músicas por concerto não se sentem cansados, mas em contrapartida, satisfeitos por proporcionarem um grande espectáculo?
Sim, sem dúvida. Nós vivemos o que tocamos, é a nossa maneira de mostrar um lado que é muito nosso ao público que nos ouve. Por vezes o cansaço físico faz-se sentir, mas há sempre uma vontade muito mais forte de continuar a mostrar aquilo que consideramos ser a nossa mensagem. E depois, o apoio do público funciona muitas vezes como um bálsamo que nem sequer nos permite sentir o cansaço, dada a adrenalina que daí resulta.


Há algum concerto que recordam com carinho especial?
De alguma maneira, recordamos todos os concertos de uma forma especial. Todos eles representaram algo para nós naquele determinado momento, e muitas das vezes foram a concretização de um objectivo enquanto banda. É no entanto, lógico que tenhamos o tal carinho especial que referiste por alguns desses concertos, como por exemplo a nossa primeira actuação em Espanha, ou o concurso de música em Cinfães no qual participámos e conseguimos o primeiro lugar. Foi de loucos… Soubemos do concurso numa quarta-feira à noite, na quinta-feira tratámos das trocas de folgas ou dos pedidos de dias no trabalho e sexta-feira estávamos a caminho de Cinfães, num carro cheio de material e sem sequer sabermos muito bem ao que íamos… Foi uma viagem, um ambiente e uma memória que recordamos com muito carinho.


Então e datas ao vivo para um futuro próximo?
Para já temos algumas datas já confirmadas para o mês de Junho, de Julho e de Outubro, mas estamos ainda à espera da confirmação de mais algumas datas que vamos sempre actualizando no nosso Facebook (www.facebook.com/sacracyofblood) e no nosso MySpace (www.myspace.com/sacracyofblood). As datas já confirmadas são: Badajoz (2 de Junho), Benavente (9 de Junho), Praia de Sta. Cruz (23 de Junho), Seixal (30 de Junho), Alfragide (2 de Julho), Moita (14 de Julho) e outra vez na Moita a 13 de Outubro.


Podem fazer um comentário sobre como é ter uma banda de Metal em Portugal.
Isto depende sempre muito do objectivo com que se fazem as bandas de Metal em Portugal. Se o objectivo é fazeres algo de que gostas, traçares os teus objectivos e lutares por eles sem te deixar ir abaixo pelo que está na moda, ou pelo que te deixam fazer, então, acredita que é muito bom. Se fazes uma banda de Metal, só porque achas que vai ser cool para os teus amigos dizerem que tens uma banda, se é para armares para as meninas porque até pareces um rebelde e andas com uma guitarra para todo o lado, ou se achas que vais ter uma banda de metal para aparecer na televisão e ficar rico, esquece… Dedica-te a outras cenas, como os Morangos com Açúcar. Portugal não é propriamente um paraíso para as bandas de Metal. O estereótipo negativo continua lá, as portas fechadas continuam e não mostram sinais de desaparecer e tens a desvantagem de ter quase todos os outros estilos que estão na moda versus o Metal. Mas… Se és metaleiro, se é do Metal que tu gostas, se é com o Metal que tu te consegues exprimir e se é isso que te faz sentir realizado, nem que fiques cinquenta anos a ensaiar numa sala fechada sem ninguém saber que existes, já vale a pena. Quando fazemos o que gostamos, sem segundas intenções, tudo o resto vem por acréscimo e logicamente pelo trabalho que tens para o conseguir.


Que bandas nacionais recomendam?
Sem dúvida as bandas de culto, como Moonspell, RAMP, Tarantula, Gargula (formados a partir dos extintos Alkateya), Drakkar, bem como várias outras bandas na onda do Metal Old School que é o estilo com que mais nos identificamos.


Para terminar querem deixar algumas palavras?
Para além do nosso muito obrigado pela oportunidade que nos deste de dar a conhecer um pouco mais dos Sacracy Of Blood e o nosso desejo do maior sucesso para o teu Blog, queremos também deixar um muito obrigado a quem nos tem apoiado e deixar uma palavra de apoio a todas as bandas que continuam a lutar por manter o Metal tuga vivo e de saúde. Horns Up pessoal and keep it Metal!

domingo, 29 de abril de 2012

Midnight Priest - Midnight Priest

Foi confirmada na passada sexta-feira a presença dos Midnight Priest no Wacken Open Air, o maior festival de Metal do mundo, depois de terem ganho a edição nacional da WOA Metal Battle. Quem diria que estes rapazes iriam chegar tão longe… Foi (já!) há quase dois anos que falei aqui pela primeira vez nuns jovens chamados Midnight Priest, na altura, tinham a Demo Tape “The Priest Is Back” e o promissor EP “Rainha Da Magia Negra” cá fora e andavam a dar bastante que falar e a deixar o caos e o degredo por todos os palcos que passavam! Heavy Metal tradicional, cantado em português, com refrões bastante orelhudos, grandes solos de guitarra, altamente recomendado para qualquer fã de Heavy Metal puro. As influências? Continuam as mesmas… Mas já não são aqueles putos rebeldes com atitude Punk… Nada disso… Agora temos uma banda muito mais madura e complexa, tanto a nível lírico como musical. A edição do novo álbum homónimo ficou a cargo da internacional Stormspell Records, em CD, e através d’A Forja, em LP.

Influências de Iron Maiden, Judas Priest, Angel Witch e Mercyful Fate são as mais evidentes, nalguns temas até, com riffs iguais ou ligeiramente alterados, exemplo disso é a saudosa “Cidade Fantasma” parecidíssima à “The Trooper”, entre outras também… Mas a banda também não parece se importar com aquilo que soam ou com aquilo que imitam, na verdade, têm garra e paixão ao Heavy Metal “verdadeiro” e isso é o mais importante de tudo! Essencial a destacar são os cantos leves e aterrorizantes (“Segredo De Família”), o órgão e o coro de igreja (“Sábado Negro”), introduções limpas, sombrias e serenas (“A Uma Caveira Dourada” e “No Calor Do Inferno”) e aqueles riffs que nos cativam logo à primeira audição (“Cidade Fantasma”).

A dupla de guitarristas é mais uma vez o ponto forte da banda embora com menos potência que no EP, na minha opinião. Não há aqui nenhum solo épico e estrondoso como havia em temas tipo “Rainha Da Magia Negra” ou “O Conde”. Ou melhor, até há solos, mas não são tão bons, por outro lado, este álbum é mais inovador, é muito mais do que apenas grandes guitarradas. Evoluíram muito a nível musical, mas continuo a preferir a simplicidade e imaturidade rebelde desse grande EP que é a “Rainha Da Magia Negra”. Neste registo os Midnight Priest apostaram mais ambientes sombrios e negros que entram em perfeita sintonia com o artwork do álbum, bastante bom, embora lembre alguns discos dos anos 80.

Faixas muito boas que ainda não referi são “Ferro Em Brasa” com aquele refrão infernal que já andava a devastar os palcos por onde os Midnight Priest passavam por esse país fora… Destaque para o super solo de guitarra! Outro grande tema é “Feitiço Do Cabedal” com umas líricas bastante boas. “Triunfo Do Aço” é uma faixa que fica logo no ouvido com o seu grande riff inicial e mais uma vez o que se destaca é a dupla de guitarristas e nesta faixa em especial, a voz do Padre, que no geral, melhorou bastante desde o último registo da banda. Outro ponto a destacar e que se distingue dos lançamentos anteriores é o som do baixo, muito mais audível em todo álbum. A captação da bateria também está muito melhor, não fosse a banda gravar o álbum à Polónia! A qualidade e produção é outro factor a ter em conta, que é algo que está cada vez ao mais alto nível, basta ouvirem a discografia da banda desde a Demo Tape “The Priest Is Back” até este álbum

É Heavy Metal como manda a lei, sem tretas, cantado em português, altamente aconselhável para quem adora o verdadeiro Heavy Metal! Sem dúvida um dos melhores álbuns lançados em 2011 em Portugal. Altamente aconselhável a compra em vinil.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Ibéria - Revolution

Os Ibéria são uma das bandas portuguesas mais míticas no que toca ao panorama Hard ‘n’ Heavy. 21 anos depois do lançamento do seu segundo álbum, “Heroes Of The Wasteland”, editam “Revolution”, que marca o regresso em grande de uma banda portuguesa bastante marcante nos anos 80 com os seus hits radiofónicos… O regresso fica também assinalado pela reedição dos dois primeiros álbuns pela Espacial, com o som remasterizado e pela primeira vez em CD. Era um regresso já esperado, tanto pela reedição desses dois CDs como pelo regresso aos palcos, em Fevereiro de 2009.

É puro Hard Rock, (com alguns toques de Heavy tradicional) como a banda já nos tinha habituado, menos Glam que nos registos anteriores, com uma qualidade inegável assim com uma produção fantástica, com folego mais que suficiente para conquistar fãs além-fronteiras, com uma maturidade musical invejável, confirmando aquilo que sempre se disse, que estes senhores são uma das melhores bandas portuguesas de Rock/Metal de sempre. Importante afirmar que ainda se encontram na banda dois dos membros originais: Toninho (guitarra) e João Sérgio (baixo). O disco fica também marcado pelas participações de Fernando Ribeiro e Ricardo Amorim, dos Moonspell, nos temas “Tired (Leave Me Alone)” e “Hollywood” respectivamente, este último, originalmente editado em 1988, em vinil Single. Não queria falar muito em influências mas… É algo na onda de Mötley Crüe, Iron Maiden, AC/DC, Kiss, Van Halen…

“Code Red” é o nome do tema de abertura (instrumental), nada de especial, mas essencial… Segue-se “Revolution” que é uma grande faixa com a sua mensagem vanguardista e com um refrão bastante forte. Importante dizer que os refrões marcantes e os grandes solos e riffs de guitarra são uma das principais características deste álbum, a juntar a um baixo bastante presente, a uma grande voz e uma bateria sublimemente bem captada. Destaque também para o grande single “Angel” e para “Turning Back”, uma das faixas mais pesadas do álbum e consequentemente uma das mais bem conseguidas com um solo muito, muito bom, de louvar!!! “Dizzy” cativa-nos logo pelo seu riff inicial e é uma música marcada pelo peso de uma dupla de guitarras excelente. Numa onda mais comercial mas também bastante boa temos “Ride”, com um ritmo e uma letra bastante fáceis de digerir que nos ficam no ouvido durante horas!

“Tired (Leave Me Alone)” é a tal música com o Fernando Ribeiro, que ao princípio estranha-se, mas depois entranha-se e é uma faixa muito boa, diferente do habitual, mais lenta, mas bastante bem conseguida, os guturais do Sr. Fernando atrás da grande voz de Miguel Freitas dão um feeling único à coisa. É uma faixa linda! O ambiente muda logo com “N.I.T.R.O.” uma música bastante rápida com grandes riffs de guitarra. Penso que o tema “Hollywood” é daquelas faixas eternas que nunca se vão esquecer, tem tudo para o ser! É incrível, todo aquele instrumental em perfeita sintonia e o jogo de vozes no refrão… Um hit único, para finalizar este grande álbum, com a participação exclusiva de Ricardo Amorim na guitarra.

Com um pé no Heavy e outro no Rock, parece que os Ibéria vieram para ficar e esperemos que este desejo interior e esta coragem de voltar ao activo nos dias que correm venham a dar frutos num futuro próximo. “Revolution” pretende revolucionar todo o passado e presente dos Ibéria, com todo o amor e dedicação da banda a este trabalho!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Steel Horse - Wild Power

Os Steel Horse são uma banda espanhola de Heavy Metal tradicional, formaram-se em Junho de 2007 e são mais propriamente de Madrid. Conheci estes senhores quando soube que vinham a Portugal, infelizmente não pude ir, mas para a próxima não perco nem por nada. Era uma banda destas que eu andava a precisar, uma nova banda de Heavy puro, à antiga. Posso ainda adiantar que adoro esta banda, desde a primeira vez que ouvi. “Wild Power” é o título do primeiro longa-duração desta jovem banda, saiu em 2009 pela editora americana Storm Spell Records, e em 2010 foi editado em vinil a comemorar o primeiro aniversário do álbum.

São 9 temas de puro Heavy Metal, com algum Power à mistura, nomeadamente na voz, é um álbum completamente Old School, muito bom, com muita qualidade e é super aconselhável para fãs de Iron Maiden, Judas Priest e até mesmo dos alemães Accept. Gosto muito da voz melódica e tradicional de Jorge Cortés, o guitarrista Willy Gascón destaca-se muito com grandes solos, bons riffs e bons ritmos, o baixo está sempre presente e faz o seu papel importante, a bateria não se destaca muito, mas tem o seu papel igualmente importante. Um grande destaque para a primeira música “Sons Of Fire” que é uma granda malha, com um um refrão do caralho, já para não falar do solo de guitarra! “Run To Survive” é outro tema excelente, com aquele início infernal, aquela voz aguda do vocalista no final é supérflua, é também nesta música que se notam muitas influências de Judas Priest assim como na “Wild Power”. Gostei bastante da instrumental “Nemesis” com grandes solos de guitarra e é onde se evidencia mais o som do baixo. Outras grandes músicas são “Raise Your Fist” (um título um bocado à Motörhead), “Line Of Fire” e a última faixa “Night Terrors”.

A sonoridade dos 9 temas é muito semelhante, uns destacam-se mais que outros, pela voz ou pelos solos, depende do gosto de cada um. Estes senhores têm muito talento e técnica, fazem renascer o verdadeiro Heavy Metal à maneira deles! Ao lado dos Midnight Priest, os Steel Horse representam na perfeição o Heavy Metal ibérico. Qualquer um da velha guarda do Heavy Metal e até mesmo do Power vai gostar disto, altamente aconselhável, e parece que em 2011 está para vir um álbum novo…

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Midnight Priest - The Priest Is Back

Para quem não sabe, meses antes de sair o aclamado EP “Rainha Da Magia Negra” os Midnight Priest lançaram uma Demo intitulada “The Priest Is Back” em formato de cassete limitado a 400 cópias numeradas à mão. A edição e distribuição ficou a cargo da editora Herege Warfare Productions, são 5 temas de Heavy Metal tradicional, puro e duro! É um som rude e polido, cheio de riffs e solos muito potentes com muitas influências Punk, muito Mercyful Fate e de bandas como Iron Maiden, Judas Priest, ou seja, bandas da NWOBHW (New Wave Of British Heavy Metal).

Nem costumo falar muito de Demos, mas não podia deixar de falar destes senhores e deste lançamento, que apesar da qualidade não ser perfeita (nem é para ser, é apenas uma amostra) são 5 temas muito bons de Heavy puro. Com um som pesado, uma secção rítmica excelente, dois guitarristas infernais uma voz que encaixa na perfeição, é impossível não adorar estas músicas! A primeira música “Rainha Da Magia Negra” é espectacular, mostra logo o grande potencial da banda, com as duas guitarras sempre a fazer solos e riffs diabólicos. “No Calor Do Inferno” é outro excelente tema, com um início sinistro até à chegada da voz, o refrão é excelente, aliás, todas estas letras escritas na língua nativa são excelentes. “Numa Campa De Cristal” é outra grande música com uma secção rítmica sólida do início ao fim. Passamos para o lado B da cassete, começa com “O Conde” é das melhores malhas, com um grande solo e riffs excelentes, e no fim, muito conhecida uma frase muito conhecida dos fãs da banda: “Abram alas, pró Conde”. Para acabar nada melhor que o “Chamamento Infernal (Hora Do Terror)”, é uma música super contagiante do início ao fim, se esta malha fosse gravada num grande estúdio e tivesse uma masterização “master” era a glória do Heavy Metal português, nem vale a pena explicar riffs e solos, é ouvir e curtir!

Os Midnight Priest são uma banda em “crescimento”, com muito talento, principalmente os guitarristas, a qualidade desta tape não é a melhor, é mais para divulgação. Daqui a uns anos, quando os Midnight Priest tiverem um grande sucesso toda a gente vai querer isto, porque esta edição é limitada!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Midnight Priest - Rainha Da Magia Negra

Estes senhores, Midnight Priest, são uma banda portuguesa de Heavy Metal Tradicional com grandes influências da NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal) como: Iron Maiden, Judas Priest e Black Sabbath. “Rainha Da Magia Negra” é o EP de estreia, com riffs rápidos, grandes solos de guitarra (parabéns aos guitarristas) e uma voz fantástica, um trabalho com muita musicalidade e dedicação, este Heavy Metal “puro” é do melhor que há em Portugal e quem diz Portugal diz por esse mundo fora. É difícil encontrar uma música menos boa, as seis músicas que constituem este EP são excelentes.

“Rainha Da Magia Negra” para começar, é uma música muito boa com solos muito bem trabalhados, uma música rápida, e uma bateria e um baixo que encaixam na perfeição com um refrão fantástico. O “Juízo Final” é mais um grande tema para dar muito mérito aos guitarristas, uma música fantástica, quem sabe, talvez, a melhor do CD, é nesta faixa que se nota uma forte influência dos grandes Iron Maiden e da NWOBHM. “Lenda Viva”, é uma grande malha, com uma grande letra que nos faz lembrar aqueles filmes da Idade Média, com um refrão absolutamente fantástico sempre acompanhado com aqueles riffs brutais das guitarras. “Numa Campa De Cristal” é outro grande momento do álbum, notam-se influências de Mercyful Fate fantásticas, aquelas guitarras mais uma vez sempre a dar-lhe, a letra é fenomenal, sempre relacionada com o mundo do oculto e o feminino, já para não falar da grande voz do Eduardo, e depois a chegar aos 3 minutos da música temos um grande solo, o melhor solo de todo o EP, são estas combinações fantásticas que fazem estas músicas únicas, cada uma á sua maneira. “Armada Da Noite” é uma música inspiradora, tem uma grande letra, começa com um baixo muito bem tocado, é nesta música que (na minha opinião) o Padre atinge o ponto mais alto a cantar, grande voz que este vocalista tem e mais uma vez as guitarras “sempre a dar-lhe bem” naqueles solos e riffs. Chegamos ao fim desta fantástica obra de arte com a minha música preferida “O Conde”, é uma música que começa devagar com um solo lento e bonito, depois o ritmo acelera e ouve-se muito bem a bateria (o baterista: Alex) brutal que a banda tem, a letra é linda, é a minha preferida e depois o refrão “e da campa negra se ergue o punhal” é o momento absoluto dos Midnight Priest, não há explicação, é absolutamente brutal, de outro mundo “abram alas pró Conde” e pronto, aí vamos nós na dimensão a que esta música nos leva e vem o melhor solo do álbum, o melhor solo deles, de cortar a respiração e depois “abram alas, abram alas… pró Conde” e a porta fecha, é o fim. Ouvimos este clássico fantástico de um lado ao outro e o tempo passa num instante, quando a porta do Conde fecha parece que acordamos de um sonho, de outra dimensão que a “Rainha Da Magia Negra” nos leva.

Os Midnight Priest são, na minha opinião a melhor banda portuguesa de Heavy Metal, transportam um “feeling” único, o verdadeiro espírito do Heavy Metal. Continuem assim que eu cá espero por um novo álbum, façam mais introduções como a do baixo da “Armada Da Noite”, mais solos como o d’ “O Conde”, batidas como a “Lenda Viva” e refrões como o “Juízo Final”… Aconselho a todos, é um EP espectacular, os padres da meia-noite vieram para ficar e para se tornarem importantes quer no metal nacional quer no internacional!