terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Gazua - Contracultura

“Contracultura” tem um forte pendor de crítica social e político-económica, inteiramente adequado para os nossos dias e para a nossa sociedade cada vez mais miserável em que vivemos: desde a desigualdade social à injustiça, passando pela penúria que vai sendo cada vez mais agravante. Diria até que é o álbum ideal para quem quer ver uma mudança total na nossa cultura.

É Punk Rock nacional (cantado em português) com influências da velha escola, leia-se aqui, The Clash, Ramones, Misfits… Mas com algumas influências de Hard Rock/Heavy Metal tradicional, mais a nível de riffs e solos de guitarra. Este “Contracultura”, de 2010, é até à data o melhor álbum da banda, tudo aqui a fantástico. De referir também que são uma das melhores nacionais do género e a produção e a qualidade deste trabalho ajudam bastante… É uma espécie de junção dos dois álbuns anteriores, “Convocação” e “Música Pirata”, o que torna este “Contracultura” mais directo e amplo, e musicalmente, bastante enriquecedor. “A Mudança Que Queres Ver” é a primeira faixa e dá logo para termos uma ideia daquilo que é o disco, para além da letra bastante interventiva e afrontada, tem um trabalho de guitarra magnífico. “Preocupa-te”, numa de Hard Rock, é outro grande tema e até teve direito a video clip, é bastante dinâmico e acessível como quase todo o álbum. Como terceira faixa temos a poderosa e delirante “Ele Já Não Respira”.

Todo o álbum é bastante acessível, os refrões são facilmente decoráveis, e claro, toda a estrutura instrumental é memorável. Destaque para os temas: “Chamando Urano”, “Perigo Eminente”, “Casa Dos Fantasmas”, a instrumental “Divagueando”, e claro, “Morreu O Coveiro” com uma letra bastante original e invulgar, com um trocadilho de vozes no refrão, entre João (guitarrista/vocalista) e Paulinho (baixista). Como última faixa temos “Nunca Estou Satisfeito” que é na minha opinião uma faixa espectacular de clara insatisfação social. Não esquecer ainda que no final ainda há um tema escondido, um poema lindíssimo, com um instrumental simplista e atmosférico que cria um feeling único, sombrio, íntimo e arrepiante intitula-se de “A Minha Droga”.

E porque um álbum não é só música, “Contracultura” vem num luxuoso pack com o CD (claro!), um pin, patch, autocolante, palheta e poster gigante. Poster este, com as letras do álbum e com figuras marcantes da história do mundo, entre muitos estão presentes Michael Moore, Carlos Paredes, Patti Smith, Aristides de Sousa Mendes, Ghandi, Caetano Veloso, Zeca Afonso, Joe Strummer, Jimi Hendrix, Wayne Kramer, Jello Biafra, José Saramago… Que acabam por ser pessoas que encaixam com aquilo que é falado em “Contracultura”, pessoas que contestaram o sistema, quebraram barreiras e enfrentaram grandes problemas… De referir ainda a capa bastante atractiva com flyers de concertos de Dead Kennedys, Black Flag, The Beatles… A edição deste grande álbum ficou a cargo da Raging Planet e encontra-se facilmente nas lojas do costume e acreditem que vale bem a pena. Segue-se em baixo o tão aclamado poema “A Minha Droga”

“A minha droga são pessoas / fortes e decididas / que não baixaram a cabeça / não se deram por vencidas // Esmurraram as mesas / marcaram posições / perderam gotas de sangue / à procura de soluções // A minha droga é o mar / que ninguém pode controlar / os vales e os montes / onde ninguém pode chegar // O espaço sem limites / que não consigo definir / e o vento incansável / que não pára para dormir // A minha droga és tu / quando paraste para pensar / e encontraste a razão / pela qual vais lutar // Quando entendeste a importância / de fazer ou ser amigo / e descobriste que és preciso / e que contamos contigo // A minha droga é paz / o entendimento a harmonia / a vida descansada / e vivida dia a dia // Ideias actuais / mas reforçadas no passado / vontades de crescer / e de chegar a algum lado // A minha droga são sorrisos / palavras de apoio / pequenos pormenores / que reforçam as ideias // Frases simples e fortes / que me dão coragem / olhos que gritam prontos / para a próxima viagem // Agora estou fraco / por mais doses de vida / num mundo desgovernado / e sem portas de saída // Mas enquanto respirar / eu vou apontar o dedo / posso dormir com a noite / mas vou acordar sem medo”.

2 comentários:

  1. Encomendas para: gazuarock@hotmail.com
    10€ (portes incluídos)

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  2. ******************

    Parabéns pela review, está muito fixe!

    O novo álbum está aí, quase, quase aí...

    ******************

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