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quinta-feira, 16 de março de 2017

Grog - Ablutionary Rituals

Um novo álbum de Grog requer sempre por parte do ouvinte um certo período de reflexão e meditação pois o choque psicológico e auditivo para com tamanhas obras de brutalidade poderá causar danos irreversíveis. O sucessor de “Scooping The Cranial Insides” revela o porquê de os Grog serem uma das formações nacionais mais respeitadas não só cá mas também lá fora. Foram seis anos a preparar os ingredientes em estúdio e a verdade é que no meio de todo este processo não houve qualquer tipo de contenção e é por isso mesmo que “Ablutionary Rituals” consegue ser o álbum mais brutal nos 25 anos de trituração sonora do quarteto lisboeta.

Os Grog brindam-nos com 14 dos temas mais selvagens e agressivos de toda a carreira sem que para isso tivessem de abrandar em termos técnicos, precisamente pelo contrário, onde a banda consegue aumentar o nível de brutalidade sonora adicionando elementos técnicos que vão desde o Jazz até ao mais brutal do Death Metal, sem esquecer a pureza do Grindcore vincado no som da banda desde os seus primórdios.

“Ablutionary Rituals” é um álbum mais “directo ao assunto” que o antecessor, possivelmente o álbum mais “in your face” da banda, sem refrões que ficam no ouvido como no anterior, mas com um nível de agressividade incrível que veio provar que os Grog conseguem ser mais rápidos e brutais que o imaginado acrescentando pormenores técnicos que vão crescendo e aparecendo a cada nova audição, sendo assim um álbum que evidentemente acaba por soar ainda melhor à medida que o tempo de degustação vai aumentando.

Liricamente, de forma sucinta, o álbum aborda a génese do lado sombra/ego do ser humano, acaba por ser uma forma para compreendê-la, aceitá-la e transmutá-la para algo superior, no sentido etéreo. Em suma, existe uma grande confrontação relacionada com questões do ego humano e com a perda de identidade da sua essência.

É um álbum frenético que se divide em temas mais directos e rápidos, e outros com riffs mais pesados e arrastados mas que rapidamente acabam por ser trucidados pela brutalidade sonora que acaba por embater nesses acordes lentos de guitarra. A ilustração disso será a arrepiante introdução “Revelation - Open Wound” e da passagem para o segundo tema “Uterine Casket”, ou a “A Scalpel Affair”. Uma voz gutural a contrastar com outra mais aguda, um arsenal de guerra de nome Rolando Barros, um baixo sempre audível e perspicaz a juntar a uma guitarra que destilha riffs sem qualquer tipo de contenção. São estes os ingredientes que tornam temas como “Savagery” e “Sterile Hermaphrodite” obrigatórios em qualquer set da banda, este último com riffs que remontam ao “Odes To The Carnivorous”. 

O trabalho de guitarra é fenomenal onde os solos estão mais evidentes nas músicas de Grog que nunca, exemplo disso serão “Sarco-Eso-Phagus”, “Vortex Of Bowelism” e “...Of Leeches, Vultures And Zombies”. “Gore Genome” e “Gut Throne” e “Flesh Beating Continuum” são exemplos dos temas mais rápidos e sem piedade alguma em todo o álbum. A surpresa vem claramente no fim do álbum com o tema “Katharsis - The Cortex Of Doom And Left Hand Moon”, com a participação especial de Rui Sidónio (Bizarra Locomotiva) na voz, num tema pausado e ofegante, onde a meio da música se chega a um ambiente totalmente arrepiante, mas relaxante! Uma experiência singular, onde os Grog relembram que “em todos nós vive um monstro”.

“Ablutionary Rituals” é um álbum surpreendente que vem consolidar a carreira dos Grog ainda mais e onde a idade parece não abrandar a banda. O álbum foi editado pela Helldprod e Murder Records em CD Digipak e estar estará à venda nos locais habituais. O ano dos Grog não começou por aqui pois foram uma das bandas presentes no tributo a Simbiose “Simbióticos” com uma versão brutal do tema “O Seu Lugar” que serviu como que um aperitivo para o novo álbum.

2017 tem tudo para vir a ser um dos melhores anos de sempre no espectro metálico português onde um conjunto de bandas que emergiu nos anos 90 se prepara para lançar trabalhos novos, como os Grog que já lançaram, e os Sacred Sin, Holocausto Canibal ou Filii Nigrantium Infernalium que irão lançar. A onda de revivalismo não se fica por estas bandas, pois outros registos de nomes como Genocide ou Thormenthor irão ganhar nova vida e nós estamos cá, prontos para tudo!

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Decayed - The Burning Of Heaven

Porta-estandartes máximos do Black Metal Lusitano, quer vocês queiram quer não, os Decayed brindam-nos aos 26 anos de existência com o seu décimo primeiro álbum “The Burning Of Heaven”, numa edição em CD a cargo da Helldprod e Chaosphere Records. Numa altura em que as temperaturas elevadíssimas que presenciamos tornam o conceito do álbum ainda mais adequado (saindo assim no timming ideal) a banda mostra como os anos, a experiência e a dedicação são factores importantes para lançar um grande álbum, aquele que é, a segunda parte do clássico “The Book Of Darkness” editado em 1999 e que levou a banda a uma tour europeia. Curiosidades à parte, a verdade é que encontramos aqui muitas semelhanças com esse álbum a nível instrumental mais é algo mais notado sobretudo em termos líricos. 

Sem cair no erro inútil de fazer comparações a verdade é que “The Burning Of Heaven” soa muito mais coeso, natural (principalmente na voz) e claro, com uma produção adequada ao nosso tempo (isto comparando com 1999). Menos feroz que “The Ancient Brethren” e menos forçado que “Into The Depths Of Hell” aqui os riffs fluem de forma tão natural que temas longos como “The Burning Of Heaven (Flames Of Armageddon)” se tornam nos mais apetecíveis onde a vontade de carregar no replay é imediata para ouvir aquela que é a banda sonora dum céu em chamas, da morte das três principais divindades cristãs retratadas na capa: Pai, Filho e Espírito Santo. Mas não só de temas longos e mais complexos se faz o álbum, “Son Of Satan” e “War Of The Gods” são dos temas mais directos e ferozes do álbum onde somos envoltos em riffs e solos como se estivessemos em chamas. “The Mirror Of Usire” é outro longo e grande tema com um início mais doomy mas que rapidamente é avassalado pela rapidez dum estrondoso trabalho de bateria. Mas nem tudo se resume a rapidez, raiva e brutalidade e exemplo disso é a espectacular “Halls Of Torment Part II” um tema ambiental, sombrio e lento, ou a introdução “Night Of The Demons (Introduction)”, que dá de seguida lugar a um cover de Motörhead “Deaf Forever” que encaixa perfeitamente na sonoridade do álbum e mostra as verdadeiras influências da banda e que o Black Metal não é (como muitos pensam) corpse paint,  guitarras distorcidas e mariquices nórdicas. “Death is only the begining” é assim que começa o último tema do álbum “Cravado Na Cruz” cantado em português com uma voracidade vocal impressionante, algo que já não acontecia desde o “Chaos Underground”, de 2010.

“The Burning Of Heaven” é sem qualquer dúvida o melhor álbum de Decayed com esta formação: JA nas guitarras, Vulturius na voz e baixo, e Tormentor na bateria. Possivelmente a melhor proposta do ano no que toca ao verdadeiro e clássico Black Metal, com uma produção refrescante e inovadora, “The Burning Of Heaven” revela paixão, dedicação e um sentido de musicalidade fenomenal. Lusitanian Black Fucking Metal!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Simbiose - Trapped

Depois do muito bem sucedido “Economical Terrorism” os Simbiose regressam com “Trapped” um álbum que vem marcar várias mudanças na banda e a meu ver uma nova fase. É o primeiro álbum depois do “Bounded In Adversity” a ser editado novamente pela Anti-Corpos e o primeiro depois do “Fake Dimension” a não ser produzido pelo sueco Ulf Blomberg, é também o primeiro álbum da banda apenas com um vocalista principal, o Jonhie. Muito pouca gente fala nisto mas parece-me haver uma sucessão lógica e contínua dos álbuns de Simbiose quando por exemplo em 2007 se fala duma suposta evolução (“Evolution?”) que levou a uma dimensão ilusória (“Fake Dimension”) que por sua vez permitiu o desenvolvimento dum terrorismo económico (“Economical Terrorism”) sem precendentes que levou as pessoas (como a própria banda referiu) a estarem presas, de terem chegado a uma fase em que já não há nada a fazer, pela crise, pelo roubo e pelas injustiças e é disso que fala por exemplo o tema “Abismo” (e não só).

“Trapped” perfaz quase 40 minutos de Crust embebido em muitos riffs de Metal e é a meu ver o álbum mais melódico da banda desde o “Bounded In Adversity” de 2004, menos directo e agressivo que o “Economical Terrorism” mas por outro lado mais elaborado, técnico e cuidado, com uma adaptação a uma voz bastante bem conseguida e esse seria um dos principais obstáculos da banda mas que foi, e bem, ultrapassado. Os temas, como já manda a tradição, vão alternando entre o português e inglês mas neste álbum predominam os temas lusos. O grande destaque do álbum vai para a dupla de guitarristas e para os seus riffs contagiantes e muito bem elaborados que reflectem aqui uns quase 25 anos de experiência nestas andanças e isso ouve-se logo no tema “Ignorância Colectiva” um dos temas que fica logo no ouvido e claro um dos melhores deste registo. 

“Acabou A Crise, Começou A Miséria” é claramente o melhor tema do álbum e tem tudo para alinhar na lista de clássicos de Simbiose, pelo main riff excelente, pela letra (como sempre) realista e claro pelo refrão brutal com uns acordes de guitarra de fundo arrepiantes! “Deixós Falar…” e “Infant Gas Mask” são possivelmente os temas mais directos e agressivos do álbum. “Abismo” é mais um tema excelente onde a banda revela estar em grande forma tanto em termos líricos como musicais com uma letra e um instrumental espectaculares (vejam o video clip para perceber melhor a história). Felizmente não se encontram temas menos bons e é por isso que “Trapped” se torna um álbum tão interessante, o tema-título é o mais bem conseguido em inglês já “Será Que Há Morte Depois Da Vida?” fala de retóricas do campo psicológico e religioso algo que não é muito comum nas letras da banda. Os riffs de “Modo Regressivo”, as melodias de “Consciencialização” e “Don't Play Dead” e a raiva de “(A)pagar” são extremamente viciantes. “Fallout” e “Quem Vai Ganhar?” são os últimos temas do álbum e este último é uma grande crítica ao conflito israelo-palestino.

“Trapped” foi sem dúvida um dos melhores discos nacionais de 2015 e um passo muito importante na carreira de Simbiose. Foi editado pela Anti-Corpos em CD Digipack e LP em parceria com outras editoras estrangeiras a Criminal Attack Records, Deviance Records, Apathy Never, Punk Vortex, Tanker Records e a Neanderthal Stench. A banda ruma agora numa nova e ambiciosa tour pelo Brasil, país que os recebeu muito bem em 2008 onde na altura promoviam o clássico “Evolution?”, agora é a vez de “Trapped” pisar o solo sul-americano onde se comemoram também os 25 anos de Simbiose.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Gorgásmico Pornoblastoma - Delírios De Um Defunto

Dizem que “Delírios De Um Defunto” é o novíssimo álbum de estreia dos sempre podres Gorgásmico Pornoblastoma e para quem os conhece já sabe mais ou menos o que esperar. Nada de produções requintadas ou arranjos bonitos, Grindcore à antiga influenciado pela velha escolha, leia-se aqui, Napalm Death, Brutal Truth e sobretudo Agathocles. Guitarra bem suja, voz imperceptível que debita podridão e nojo por todo o lado e claro, na bateria um panzer infernal com um arsenal de AK-47 sempre a disparar. “Apodrecer Lentamente” ou “Consunção entre actos de Violência” são temas que descrevem bem o que se vai ouvindo nestes 23 minutos de caos e destruição que vão do Punk ao Crust passando pelo Death Metal onde se vão também ouvindo alguns toques de Goregrind, as influências são muitas e é isso que torna o álbum tão cativante. Existe algo mais interessante que dois gajos a destruir uma sala de ensaios e gravarem-no para o povo ouvir? Julgo que não.

“Vingança”, “Canteiro de Cadáveres” ou “Porcos” são temas excelentes, abrasamento à antiga com uma velocidade impressionante, riffs podres, tarola bem audível, baixo bem distorcido e amplificadores bem altos! Ouvidos mais sensíveis e comichosos dirão que o produção do álbum é obsoleta mas o que seria um álbum de Grindcore sem uma (des)produção destas? O final fica ainda reservado para um remix meio que psicótico e arrepiante fugindo à sonoridade do álbum mas completando-o na perfeição. “Delírios de um Defunto” foi uma das grandes surpresas do ano que passou e sim, ainda vai sair em CD, pela habitual Helldprod, numa edição limitada a 500 cópias. Este álbum de estreia é uma amostra verdadeiramente fiel das actuações da banda ao vivo e os Agathocles portugueses sabem fazê-lo da melhor maneira. No bullshit. Just Grind!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Grunt - Codex Bizarre

Os Grunt, outrora Fetal Incest, sempre tiveram um lugar muito particular no plano da música extrema em Portugal, por serem isso mesmo, distintos dos de mais! Ser apenas mais uma banda nunca foi com eles e não foi por acaso que destacaram desde o seu começo. Podemos ouvir muitas bandas a nível internacional que se aproximam da sonoridade dos Grunt (ou eles que se aproximam da dos de mais) mas mesmo assim têm particularidades que os tornam únicos. O primeiro álbum “Scrotal Recall”, editado em 2011, composto por volta de 2003-2005, com uma produção de excelência, foi um marco muito importante na cena do Grindcore em Portugal que lhes valeu um concerto fantástico no Obscene Extreme nesse mesmo ano e uma touneé pelo Reino Unido já em 2012.

A jornada foi muito longa para quem esperava o novo álbum e não tinha notícias até que chegamos a finais de Agosto de 2015 e editam “Codex Bizarre” outra vez a cargo da checa Bizarre Leprous Production, um álbum verdadeiramente monumental, assustador, provocador, muito pouco ortodoxo e com uma visão verdadeiramente inovadora e ousada desbravando novos caminhos musicais muito pouco explorados nos campos do Goregrind, cá e lá fora. “Codex Bizarre” distingue-se do álbum anterior por ser um registo muito mais completo e multifacetado, em termos musicais e líricos, com uma produção muito mais cuidada e profissional. A voz é muito mais perceptível e deverá ser essa a principal diferença que irão notar nas primeiras audições. Destacam-se os riffs insicivos de Death Metal puro (e não só!) bastante elaborados e facto do álbum ser muito variado onde se associam várias sonoridades de cariz mais electrónico como o Industrial ou o Trance, não é por acaso que o álbum conta com a participação do conceituado DJ The Speed Freak que completa o álbum no final com a faixa “The Speed Freak’s Sadistical Abuse Remix”.

O tema de abertura “The Sweet Smell Of Servitude” é fenomenal com uma parte arrepiante onde se ouve a fala de Nes Nomicon (convidada especial) “I dimish myself for a penal retribution / A misery feast of humiliating torture / I’m a sinner, a bad girl, punish me”. Segue-se “Teratoid Latex Feudalist”, basicamente a segunda parte do tema anterior, este, muito mais acelerado com o som do baixo bastante vincado com um solo de guitarra contagiante que se faz acompanhar mais uma vez da fala feminina com um texto ainda mais preverso e sedutor “I’m a slut, a whore, I am a dog with a disease / I’m your slave, your cunt, I am a cock-hungry fuck”. “The Edgeplay” é o tema seguinte, um dos mais directos e brutais de todo o álbum. “Vassalage Groteste” é o tema mais catchy de todo o álbum pelo seu refrão grotesco “Commit yourself to the abuse” com uma introdução nada comum nestes campos com uma flauta e por uma batida electrónica que se faz acompanhar com um solo de guitarra de fundo.

“Teased And Tormented” e “Becoming The Dominus” são os temas mais Grind ‘n’ Roll de todo álbum, segue-se depois o tema mais épico “Twilight Hybrid Bonanza - Shemale Part II” com a participação especial de Hellraiser (Vizir) com uma fala (em português) verdadeiramente assustadora depois da fala em alemão de outra convidada especial: Sarah Teichtert. “Levitra Powered Aged Predator”, “Helix Masterpiss” e “Supreme Rubbercore” são mais dois grandes temas, no primeiro destaca-se o solo de guitarra, no outro o groove e no terceiro o facto de ser um tema com um ritmo mais alucinante. “Funeral Sub-Mission Suite Part I” é um tema mais ambiental, electrónico, mas com um forte peso das guitarras que podia perfeitamente ser a introdução do álbum, já “Funeral Sub-Mission Suite Part II” é outro “in your face bitch”! “Panzer Enema” e “Sadopsychorama” são dois grandes temas para terminar o álbum com riffs demolidores. O final fica reservado claro para o remix já referido anteriormente.

“Codex Bizarre” é sem qualquer dúvida um dos álbuns mais inovadores da música extrema portuguesa dos últimos anos, consegue fugir à banalidade dum género cada vez mais saturado e repetitivo e está a dar que falar, por enquanto tivemos uma tournée muito bem sucedida pelos Estados Unidos e já no início de 2016 as mentes perversas dos Grunt regressam às terras de sua majestade para mostrar que não é só o Vinho do Porto que é bom e que os britânicos podem consumir produtos portugueses bem melhores!

terça-feira, 16 de junho de 2015

Entrevista: VxPxOxAxAxWxAxMxC

Quando e como se formou a banda?
Para dizer a verdade... Foi em 2008, juntámo-nos e foi até arranjarmos um guitarrista decente e tivemos tipo, 12 guitarristas diferentes, cada um deles era mesmo uma merda e depois vimos o Robert (Werner) no MySpace e o interesse musical dele eram tipo as nossas merdas. Depois acabámos na sala de ensaio e aqui estamos.


Vocês vêm todos de diferentes meios, o que fazem para além da música?
Wolfgang Ott: Como profissão, eu trabalho no campo pedagógico como professor. Ninguém sabe que eu toco em bandas de Goregrind nem ninguém deveria descobrir isto [risos].
Werner Kniesek: Eu estudo Física numa Universidade austríaca e estou a fazer o mestrado... Algumas pessoas sabem que toco nesta banda até já lhes mostrei algumas músicas mas ninguém está realmente interessado.
Franz Stockreiter: Eu trabalho numa empresa de segurança, tento ser um gajo duro mas na maior parte do tempo isso nunca é assim. Faço um pouco de tudo, em lojas, eventos desportivos... É importante e relaxante porque eu não quero trabalhar muito no duro e o melhor é que tenho uma visão positiva do trabalho para o futuro. As horas e os tempos do trabalho são muito flexíveis assim torna-se fácil conciliar o trabalho com os concertos.


É fácil para os três trabalhar, estar no estúdio e dar concertos? Conseguem adaptar-se bem a isso tudo?
Nós temos um programa no computador que simula tudo, o estúdio basicamente, portanto nunca vamos mesmo para o estúdio, é uma ferramenta pequena mas que simula os temas mas não digas a ninguém [risos]. Basicamente podes fazer um bom trabalho em casa, a tecnologia vai ficando cada vez melhor e nós aproveitamos. Somos uma espécie de “nova era” da música brutal. E nós raramente fazemos tour, normalmente tocamos aos fins-de-semana. Fazemos com que funcione tudo bem.


Pensam que o Grindcore hoje em dia é muito mais que criticar a sociedade ou estarem fodidos com o mundo? Pelo menos nos vossos vídeos e temas vocês parecem não se preocupar muito com isso...
Mas nós tamos mesmo irritados com o mundo! Nós exprimimos isso através de questões extremas, basicamente o que fazemos é humor negro. E esta é a forma como vemos o mundo. Temos também a dizer que não temos nada a ver com o Grindcore tradicional, que é sobre opiniões políticas, problemas sociais, nós não queremos saber disso... Nós vemos isto como um hobby e adoramos cenas mais Groovy (e menos Grind), ouvimos outros tipos de música, acho que o Grindcore tem pouco a ver com a nossa música que é uma mistura de Brutal Death Metal e Goregrind, mas o Grindcore mesmo está muito longe do nosso estilo.


Como foi o processo de gravação do vosso EP?
Basicamente fizemos em casa, temos uma ferramenta no computador que já falámos, a bateria foi feita por um gajo austríaco no estúdio ele colocou samples e fez umas cenas e soa mesmo a uma bateria a sério. Depois gravámos as guitarras em casa que também funciona para o baixo, e gravámos também a voz em casa, Do It Yourself style porque os estúdios são muito caros [risos]. Mandámos para a nossa editora a Kaotoxin Records, eles fizeram a masterização e sabem como fazê-lo soar bem melhor.


Quais são as bandas que mais vos influenciam?
Nós soamos a Prostitute Disfigurement, Cock And Ball Torture... Agora espero que não digas isto a ninguém mas eu penso que as partes instrumentais soam a Limp Bizkit, Linkin Park, Korn [risos]. Vais encontrar mesmo muitos grooves de Limp Bizkit nas nossas músicas.


Podem falar um pouco da vossa cena local?
Existe um exemplo mesmo muito bom para explicar isso, que tem uma forte ligação com este evento ("XXX"Apada na Tromba - Freak 'N' Grind Fest 2015), é mesmo um exemplo perfeito da cena musical austríaca. Basicamente uma rapariga disse que vinha aqui, disse que tinha visto os voos e isso tudo, blá blá blá, tudo tretas, ela não está aqui! É esta a maneira como os austríacos funcionam, queria fazer uma piada sobre isto mas isto é mesmo verdade e é triste. O problema na Áustria é que estamos no meio da Europa, ou seja, quase todas as tours param na Áustria, somos um país pequeno e as pessoas têm de escolher de entre um grande número de concertos e isso é um grande problema, não há aquele fanatismo como existe no Oeste europeu como por exemplo em Portugal, isto basicamente não existe na Áustria, este concerto de hoje é completamente impossível lá, concertos para bandas underground assim são impossíveis, peço desculpa mas a cena austríaca é uma merda! Se fizerem isto lá vão ter 60 ou 70 pessoas e muito menos movimento, as pessoas abanam um pouco a cabeça e é só isso... Claro que devem haver países piores tipo o Afeganistão mas na Europa, a Áustria está mesmo no fundo...


Eu pensava que Portugal era o pior...
Mas não é [risos].


Já agora conhecem algumas bandas portuguesas?
Claro que sim: Dead Meat (eles ainda existem?), Holocausto Canibal, Grog... Tivemos oportunidade de ver Grog várias vezes, umas 4 vezes, e são mesmo uma banda muito boa.


Qual foi o vosso melhor concerto até hoje?
Tivemos alguns que foram mesmo muito bons, vamos nomear três, um deles aconteceu em Portugal no Santa Maria Summer Fest em 2013, outro foi o Tel Haviv Deathfest em Israel que foi mesmo excelente e outro foi o Metal Crowd na Bielorússia em 2011, todos foram grandes concertos mas este último está no topo e espero que o Vítor (Santa Maria Summer Fest) não ouça isto [risos].


Estão a planear lançar material novo?
Temos algumas coisas planeadas e vamos lançar um cover de Gronibard e já me esqueci do título porque é francês, já gravámos as vozes no passado fim-de-semana e vai sair num Split CD, não! Um vinil, vai ser mesmo um lançamento especial, vai ter três temas de Gronibard outro de Pulmonary Fibrosis, o outro não sei e o outro é nosso. E vai haver um vídeo! Não podemos dizer já uma data porque não a sabemos.


Gostavam de deixar uma mensagens aos fãs portugueses?
Tu dizes que Portugal é pior que a Áustria portanto... por favor, não visites a Áustria, não queiras lá ir! É sempre muito positivo, já tivemos em mais de 14 países e já vimos muito caos mas Portugal é um dos países de topo. Nós temos experiências muito boas aqui e esperemos que continue assim, espero que as pessoas continuem a ser brutais, nojentas, malucas... Acho que da próxima vez lhes vamos dar algum dinheiro, não, a sério, foi mesmo muito bom vir cá é sempre um grande prazer. Queremos agradecer a todos os que foram aos nossos concertos, é mesmo muita gente, Portugal é um dos melhores países com pessoas sempre a darem em doidas, queremos agradecer a todas! É um país pequeno, comparando com outros, mas as pessoas são mesmo insanes, malucas e é por isso que adoramos vir aqui.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Machinergy - Sounds Evolution

4 anos depois do promissor “Rhythmotion” o trio de Arruda dos Vinhos volta à carga com “Sounds Evolution”, um álbum que vem afirmar ainda mais a maturidade e seriedade da banda, um grande registo com um conceito relacionado com os lançamentos anteriores bastando para isso ter em atenção o paralelo dos títulos dos 3 registos da banda: “Rhythmotion”, “Rhythm Between Sounds” e “Sounds Evolution”. 

O álbum é composto por 10 faixas bem coesas, do início ao fim, onde se destacam os riffs agressivos, directos, e os efeitos industriais que dão um toque especial à sonoridade da banda e a distingue das demais, ainda mais que no primeiro álbum. Quanto à produção, é da mais cuidada e profissional que se pode ouvir por cá, se calhar até demasiado limpinha para o som da banda. Os temas vão alternando entre o inglês e o português, e nalguns casos até na letra da mesma música como é o caso da viciante “Furia” ou na “Cada Falso”, possivelmente a faixa mais anos 80 do álbum. “Sounds Evolution” e “Machine Gun Anger” são as faixas que mais se aproximam da batida do álbum anterior mas esta segunda tem uma parte mais ambiental verdadeiramente assustadora, onde se ouve um sino e um som estranho, algo muito incomum nas bandas de Thrash. “Venomith” é na minha opinião o tema mais bem conseguido, o início é arrepiante, a letra é das mais originais e os riffs dos melhores que a banda já fez. “Waterwar” é um tema absolutamente épico com os vocais de Célia Ramos a dar um toque especial ao som da banda, numa música com um conceito bastante especial e preocupante, e esperemos que não passe duma premonição. E como se os vocais femininos não fossem suficientemente belos para distinguir este tema a banda ainda lhe acrescenta melodias médio-orientais sublimes. Destaque também para os temas em português “Antagonista" e “Carne & Mal" e claro, para a instrumental “Hammer”.

Era um dos álbuns mais esperados do ano (para mim) e não tenho dúvidas nenhumas de que este triunvirato (Ruy/Hélder/Mariano) ainda tem muitas cartas para dar. São uns dos músicos mais talentosos do país e dos poucos a ter a preocupação de fazer tudo da maneira mais cuidada possível. O resultado está aqui, e isto vai rodar bastante durante muito tempo.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Holocausto Canibal - Compêndio De Aversões

“Compêndio De Aversões” é o EP dos Holocausto Canibal que reúne alguns covers gravados pela banda ao longo da carreira, alguns deles editados apenas em compilações de tributo. Marca também o regresso ao formato de cassete (depois do primeiro lançamento “oPus I” de 1997) numa edição de luxo e limitadíssima a umas simbólicas 69 cópias numeradas à mão e que o download poderá ser feito no site da editora Larvae Productions. Esta humilde homenagem às bandas que influenciaram os Holocausto reúne 7 temas clássicos do Death Metal internacional (e não só!) com a qualidade e produção de excelência que estes senhores nos foram habituando. A título de curiosidade é um dos poucos registos com C. Guerra (aka Toká) na voz (em 6 dos 7 temas), que fez parte da banda durante quase uma década mas que nunca chegou a gravar um álbum de estúdio.

O show começa com um “do you ever fantasized about being killed?” do cover dos polacos Dead Infection, “Death To The Master Key” com um trabalho vocal sublime, de resto, não foge muito à versão original. “Here We Are” (dos Malignant Tumour) é um dos melhores temas deste trabalho tal como a orgásmica “Cripple Bitch” dos pais do Pornogrind, os Gut.  “Euthanastic Inclination” é um dos temas mais bem conseguidos numa versão bem mais interessante que a original. “Spunky Monkey” é na minha opinião a grande surpresa até porque sou grande fã dos alemães Cock And Ball Torture, e aqui os Holocausto Canibal conseguem transformar o tema numa versão bem mais animada e menos groovy, editada originalmente em 2010, no México, na compilação “Bulldozers United - A Tribute To Cock And Ball Torture“, que contou com outras bandas portuguesas como PussyVives, Namek e Fetal Incest. E porque as bandas que influenciaram os Holocausto não se resumem ao Death Metal e Grind temos o cover da histórica “C.C.M.” de Mata-Ratos, basta imaginá-los a tocar Goregrind! Para terminar em beleza nada melhor que um cover dos criadores do Goregrind com uma versão absolutamente abrasadora da “Reek Of Putrefaction”, de Carcass, gravada nas alturas do Opusgenitalia e editada pela primeira vez em 2008 na compilação “Visceral Massacre Memorabilia”, com Max Tomé nos vocais.

Nada de novo, material inédito para os menos curiosos, mas com bastante significado para quem gosta realmente da banda. Agora venham versões de Mortician, Extreme Noise Terror, Ratos De Porão, Bile e Ulcerous Phlegm, e de preferência, em formato Old School, nós agradecemos.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Gorgásmico Pornoblastoma - Gorgásmico Pornoblastoma

Os Gorgásmico Pornoblastoma são a mais recente junção ao vasto leque do Grind nacional. Formaram-se em 2010 e já devastaram um pouco de todos os palcos nacionais com o seu Goregrind podre, obsceno e sujo, para fãs de bandas como Rectal Smegma, R.D.B., Mortician, Ultimo Mondo Cannibale, Gut e por aí. No final do ano passado, ou no início deste (nem os próprios sabem muito bem), editam o seu primeiro trabalho uma Demo Tape à moda antiga com 5 temas, com o selo da já habitual Murder Records (Grog, Dead Meat, Fungus).

Nos últimos anos tem sido difícil fazer-se Grindcore de má qualidade em Portugal e os Gorgásmico dão aqui continuidade a essa tendência com um registo bastante coeso e com qualidade bem acima da média para uma Demo, que se calhar peca apenas por ser demasiado curta. 5 temas curtos e directos com introduções que não lembram a ninguém onde se destacam os riffs graves, captação de bateria à moda antiga (bastante audível) e a juntar à festa um monte de pig squeals, grunts e growls. “Gurg” é o melhor tema, o mais Grind 'n' Roll a fazer lembrar os compatriotas R.D.B. e Serrabulho. Temas  como “Gorgásmico Pornoblastoma”, “Hematoma Purulento” e “Sodomia Acidental” não ficam a dever nada ao que se faz lá fora. Para finalizar, e a semelhança do resto das músicas, temos uma faixa super romântica e emocinante de nome “Engolir Mata”, possivelmente, uma das faixas mais completas da saga do Grind nacional (ou não). Encontrem a Tape por aí num esgoto mais próximo se tiverem sorte e se os puderem ver ao vivo, melhor, é festa garantida. Fuck passion or fashion… Insanity for a living!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Alastor - From The Hellish Abyss

Depois do excelente “Demon Attack” editado em 2011, JA (Decayed) e companhia voltam com mais um grande opus, na onda do anterior, com uma atmosfera menos negra mas bem mais voraz a agressiva com um vocais completamente devastadores, na celebração dos 25 anos de existência da banda. Para quem conhece já sabe o que esperar, Black Metal diabólico e sem merdas influenciado pela verdadeira velha escola: Venom, Hellhammer/Celtic Frost, Bathory, com os riffs e solos do melhor Thrash dos anos 80. “From The Hellish Abyss” resume-se a caos, destruição, satanás, tormentos, ódio à cristandade… Mas nem tudo é violento e tal como no álbum anterior somos surpreendidos por uma faixa mais calma, lenta, serena e verdadeiramente assustadora, “Cinza E Pó” é um dos pontos altos do álbum. “Negra Sexta XIII”, “Devorando A Carcaça De Deus”, “Homenagem A Satanás” são na minha opinião os melhores temas, convém destacar as partes mais acústicas e mais uma vez o excelente trabalho lírico e claro excelente “Some Kinda Hate”, um cover muito bem feito à maneira de Alastor, dos lendários Misfits, à semelhança do anterior que tinha um cover de Mötley Crüe, “Red Hot”.

Basicamente, não é nada de novo mas a qualidade habitual do projecto está lá, Black Metal totalmente Old School de veia Thrash, produção polida e limpinha como o anterior e como bónus ainda têm dois EPs da banda, “Merciless Mayhem” e “Possessed By Darkness”, o primeiro, nunca antes lançado. Mais uma grande edição da (que já vai sendo habitual) Hoth Records.

domingo, 15 de dezembro de 2013

RAMP - XXV 1988-2013

“XXV 1988-2013” é nome da nova compilação dos históricos RAMP, um Digipack de luxo com 2 CDs que reúne as faixas mais marcantes da banda e também versões acústicas de outras mais catchies, mais algumas surpresas, resumindo, uma celebração da vida dos RAMP, em 33 capítulos, desde o histórico “Thoughts”, passando àquele que foi o primeiro álbum de Metal a atingir o top de vendas em Portugal (“Intersection”), isto sem esquecer aquele que para mim é o melhor álbum, “Evolution, Devolution, Revolution”, e claro, os álbuns mais recentes.

A grande surpresa para mim foi mesmo ouvir os temas “Thoughts”, “The Last Child”, “Behind The Wall” e “Try Again”, isto porque não fui um dos sortudos a ter o LP ou o CD do primeiro álbum e ouvi-los com esta nova masterização deu-me uma nostalgia daquelas e aposto que à banda também, portanto, espero que estejam a pensar seriamente numa reedição desse clássico. Do “Intersection” os temas escolhidos não podiam ser mais óbvios: “Black Tie”, “All Men Taste Hell” e “Through”, para mim, também os 3 melhores. “Hallelujah”, “For A While”, “How” e “Dawn” são os temas do álbum de 1998, e ainda acrescentaria a “Old Times” e a “Noone”. O “Nude” foi provavelmente o álbum mais alternativo da banda e apesar de muitos discordarem para mim é um dos melhores registos da banda, onde se destacam a “Alone”, “Clear” e “In Sane”, mas qualquer um dos outros temas do álbum serviria. Não se esqueceram do EP “Planet Earth”, e podem ouvi-lo aqui na íntegra. “Blind Enchantment” e “The Cold” tinham de estar aqui obrigatoriamente, são duas das melhores e mais agressivas faixas que os senhores já compuseram, do álbum mais recente “Visions”.

No segundo CD temos versões acústicas das músicas mais calmas como “Alone”, “For A While”, “The Last Child”, entre outras, a primeira, escolhida como single de apresentação desta compilação. Para quem (como eu) já viu RAMP ao vivo de certeza que estavam ansiosos para ouvir como funcionariam os covers que costumam tocar ao vivo em estúdio, principalmente aquele das The Bangles, “Walk Like An Egyptian”, um tema que sempre resultou muito bem ao vivo, agora imortalizado numa versão estrondosa! De destacar também os temas “Fuck You” dos Wild Dogs, “We're Not Gonna Take It” dos Twisted Sister ou a emocionante “Planet Earth”, isto sem esquecer um dos temas mais emblemáticos, “Anjinho Da Guarda” (António Variações).

Estamos perante uma edição de luxo duma das melhores e mais emblemáticas bandas portuguesas de sempre, num duplo CD que se encontra facilmente e a um preço acessível, com os melhores temas da banda, versões alternativas, covers, com um artwork nostálgico com referências aos grandes feitos dos RAMP… Uma viagem ao passado com um olhar para o futuro, absolutamente recomendado.

sábado, 30 de novembro de 2013

Serrabulho - Ass Troubles

“Ass Troubles” é o nome do álbum de estreia dos happy grinders Serrabulho (nome genial!), 30 minutos de Grindcore, rapidez, bailarico, humor, brutalidade e boa disposição, ao estilo duns Anal Cunt (não tão ofensivo) e Romperprop (sempre em festa)! A edição da rodela ficou a cargo da já habitual Vomit Your Shirt, com distribuição assegurada nos Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Espanha, entre outros. Foi misturado e masterizado pelo baixista Gulhermino Martins nos Blind & Lost Studios e o resultado final é um álbum potente, variado, com qualidade… Goregrind com influências de Death Metal, muito melódico, com partes bastante rápidas e agressivas, onde os blast beats e a insanidade mental não faltam, Pig Squeals a toda a hora, bateria muito bem captada, guitarras simples e incisivas, o resultado é uma produção do mais alto nível, superior à grande maioria das que se fazem lá fora dentro do estilo, com bandas muito mais conceituadas (injustamente).

Como se pode ver pela capa as boas maneiras portuguesas não foram esquecidas e não podia faltar o acordeão, logo na primeira faixa “Atomic Fart”, possivelmente a mais 'n' Roll de todo o álbum. E porque os senhores não gostam de plágios a introdução da “Left Ball” foi feita no Google Tradutor (apesar de quase nem darmos por isso!), é uma das faixas mais rápidas e brutais do registo. Numa onda mais Groove temos “Disgusting Piece Of Shit” e bailarico a sério é na “Lèche Moi Les Couilles” e claro, nas duas faixas em português, “O Arroto Cheirava A Suco Gástrico” e “Quero Cagar E Não Posso”, esta última, uma das mais originais. Destaque para as faixas “Don't Fuck With Krusty”, “Pubic Hair In The Glasses”, “Toco Loco Du Moi” e claro, para aquela que é para mim a mais bem conseguida, “I'm Full Of This Shit”.

Não faltam razões para ouvir mais um grande álbum do nosso Grindcore, e se possível, não faltem às performances super artísticas destes senhores ao vivo, talvez se deparem com uma esplanada, umas princesas encantadas, uns Power Rangers… Resumindo, em estúdio ou ao vivo, vão-se divertir a ouvir Serrabulho!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Utopium - Vicious Consolation / Virtuous Totality

Em 2010 os Utopium já tinham deixado bem evidente que se iriam tornar no caso sério do Grind nacional, brutalidade e qualidade à parte, sempre foram uma réstia de esperança de que ainda era possível inovar bastante num estilo já gasto e saturado. “Vicious Consolation / Virtuous Totality” é o nome do primeiro longa-duração (que de longo tem muito pouco) e teve como selo a Bleak Recordings, também dos compatriotas Process Of Guilt, em parceria com a Raging Planet.

São 18 temas brutais, insanes, doentios e rápidos, quase 23 minutos de Grindcore muito pouco ortodoxo, ruidoso, com uma produção muito pouco comum por este canto da Europa. No EP o Sludge já se tinha revelado como uma pequena influência na banda, agora revela-se como parte fundamental deste álbum, mas não é só, continuam os riffs e ritmos frenéticos, a sujidade do Crust e a brutalidade e velocidade do melhor Death Metal. Faixas mais melódicas como “Tangiest Outlet”, “Tort Deletion” e “Jarred Into Newtons” são autênticas bombas e até por caminhos mais Doom estes senhores nos surpreendam, “Lower Providence” e “Owner Of A Kept Abidance” são dos temas mais surpreendentes do álbum, lentos e transcendentais. Destaque também para faixas mais variadas como “Held Tombstone” ou “Thrive A Starch”. Até a nível lírico eles são fora do comum, nada de letras de crítica social ou temas Gore, mas a natureza humana, sentimentos obscuros, letras bastante sentimentais e de foro individual.

Se querem Grindcore moderno, fora do comum, brutal e hipnótico têm aqui o opus ideal… Isto, e também se forem fãs de Nasum ou Rotten Sound. A presença da banda no Wacken Open Air deste ano foi mais que merecida, pena que esse festival não lhes dê o devido reconhecimento, que outros por essa Europa dariam. Estamos perante aquele que é, até agora, o álbum nacional de Grind do ano e um dos mais marcantes da cena portuguesa na última década. Comprem o CD e enlouqueçam de vez!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Dementia 13 - Tales For The Carnivorous

Os Dementia 13 são muito provavelmente a banda portuguesa revelação deste ano, formados por membros de bandas como Pitch Black ou Holocausto Canibal só se poderia esperar algo com qualidade acima da média. Death Metal Old School como manda a lei, nada de muito inovador ou fora do normal, apenas Death Metal clássico, sem tretas e modernices, leiam-se aqui influências Malevolent Creation, Cancer, Pestilence, Bolt Thrower, Death e não Morbid Angel ou algo parecido. “Tales For The Carnivorous” é o nome do EP de estreia e teve edição física (em CD) em Maio deste ano e a Tape saiu em Julho pela Escaravelho Records. Lírica e conceptualmente é um projecto que se inspira em filmes de horror, o próprio nome da banda vem de um, de 1963 e cada tema é inspirado num filme diferente.

Produção profissional e invejável, muita qualidade, som agressivo e contagiante, baixo bem audível e pesadão, vocais podres e arrastados que deviam ter um pouco de mais agressividade e sujidade, são guturais demasiado limpinhos. Em relação ao som das guitarras é completamente devastador, é um EP recheado de riffs e solos frenéticos, e grande exemplo disso é primeiro tema “There Are Those Who Kill Violently” e mesmo a “Feasting On Your Blood” não lhe fica nada atrás. “Dark Urges” é outro grande tema, o mais Groove do EP, mas bastante competente e é precisamente a meio que fica mais melódico, sim, porque eles também lhe dão bem na melodia. “Brotherhood Of The Flesh” é o último tema, o mais rápido, directo e simples.

Projecto recomendado para amantes do Death Metal clássico, estamos perante um dos melhores revivalismos que apareceu em Portugal nos últimos anos. Infelizmente é apenas um projecto paralelo de músicos de outras bandas “maiores” e não está para durar muito mais tempo, pelo menos ao vivo, se fosse para andar para a frente tornaria-se rapidamente num dos casos mais sérios de qualidade nacional, até porque já vieram críticas bastante positivas lá de fora. Play this shit LOUD! Really, just try it! LOUD!!!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Revolution Within - Straight From Within

Três anos depois do álbum de estreia os portugueses Revolution Within voltam com “Straight From Within”. Se o primeiro álbum é importante para a afirmação duma banda no panorama metálico o segundo vem sempre confirmar ou censurar o talento das bandas e no caso destes senhores nota-se claramente que houve uma grande evolução em relação ao primeiro registo. Apesar de nunca terem praticado um som original e de deixarem bem evidentes as suas influências, nunca lhes faltou técnica e talento, e é disso que é feito este “Straight From Within”, não traz grandes novidades ao género mas é muito mais complexo, maduro e coeso (até demais) que o anterior. 

Thrash Metal pesado com muito Groove, furioso, explosivo, pleno de riffs e estruturas rítmicas impressionantes que tornam o álbum bastante vibrante e viciante. Voz rasgada, guitarras incisivas, bateria brutal. A primeira parte do álbum é mais aliciante logo com a “Pure Hate” a deixar água na boca para a bomba que se segue, “Without Recognition”, com um solo de guitarra demolidor. “Straight From Within” e “Pull The Trigger” são outras duas grandes malhas, esta última com a participação do Hugo (Switchtense) na voz, na minha opinião, a melhor do álbum… A raiva daquele refrão é aliciante. “Revenge Now” é uma das faixas mais rápidas do álbum com uma adrenalina fantástica. Queria também destacar “Bleed”, “Evil(ution)” e “Anger Mode: On”, faixas muito bem conseguidas, quanto a “Only The Stronger Will Survive” e “Unleash The Anger”, são temas demasiado óbvios e simples, normais demais!

Os Revolution Within estão em crescente ascensão e basta acompanhar um pouco a banda para perceber que são uma das maiores promessas do Metal nacional. Numa “terra” onde só os fortes sobrevivem, estes senhores revelam-se como autênticos guerreiros, e ainda com muito para conquistar. Se gostam dos álbuns esperem só por vê-los ao vivo, irão ter uma grande surpresa.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ravensire - Iron Will

Os Ravensire são uma das mais recentes promessas do Heavy Metal tradicional português. Fundados em 2011 por membros de bandas como Inquisitor, Ironsword, Fili Nigrantium Infernalium e Drakkar, são mais uma junção àquele leque de bandas do luxo do Heavy nacional como Midnight Priest, Ironsword, Drakkar, Fantasy Opus, Attick Demons ou Gargula. “Iron Will” é nome do trabalho de estreia, um EP com edição a cargo d’A Forja. 

É Heavy Metal com influências clássicas da NWOBHM e de algum Power Metal, som maduro, melodias simples com os senhores a darem um feeling único aos seus temas. A entoação dada pela voz de Zé Gomes faz de temas como “Aamon (The Stargate Warrior)” (um pouco mais Doom) autênticos clássicos que ao vivo resultam muito bem, em concertos que têm tido bastante adesão e entusiasmo. “Facing The Wind” é o nome do primeiro tema e é na minha opinião o mais bem conseguido do EP com uma melodia simples mas espectacular, a juntar a uma voz épica e como se não bastasse, o solo de guitarra é absolutamente fantástico! “Stay True” é outro grande tema, o mais lento de todo o álbum, com  a voz um pouco mais agressiva, também com um solo lento e simples. “Ravensire” é a faixa mais clássica de todo o álbum, com uma melodia e uma voz bastante emocionais, um hino que agradará a qualquer fã de Heavy Metal clássico. Por último “Sweet Desire”, que não foge muito à sonoridade do restante EP, um cover dos extintos Wild Shadow, banda portuguesa de Heavy Metal de finais dos anos 80

Estamos perante Heavy Metal do bom, com grande qualidade para um EP de estreia, de uma banda que está em crescente ascensão no underground nacional, sem dúvida uma das melhores aposta d’A Forja nos últimos tempos. O primeiro álbum da banda já está gravado e não tarda muito para estar aí.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Echoes Of The Fallen Messiah - Bleak Future

Os Echoes Of The Fallen Messiah sempre foram um nome muito sonante do underground metálico leiriense, com uma Demo editada em 2003 (“Preludium”) e com concertos por vários pontos do país, lançam o primeiro álbum “Bleak Future” depois de um hiato de 10 anos sem edições. Praticam um Melodic Death Metal com algum Black Metal com uma toada bastante sinfónica com um órgão sempre presente a marcar bem a melodia dos temas. Os riffs e a própria voz podiam ser mais desenvolvidos e ficar um pouco mais agressivos. É um álbum que peca por ficar agarrado a uma certa formula em quase todos os temas mas mesmo assim encontramos grandes momentos e é muitas vezes nas partes mais calmas e atmosféricas que a banda consegue surpreender. 

“Are U Blind?” é o tema de abertura, com uma melodia simples e cativante. Segue-se “Bleak Future” com um início calmo e relaxante, que rapidamente é consumido por uma melodia rápida e agressiva, com uma voz mais Black Metal, os riffs e o refrão fazem deste tema um dos melhores do álbum. “Sarcastic” é um dos temas mais monótonos mas vale bem pelo solo de guitarra. “Another Day Alone” é o meu tema preferido, com um início arrepiante e aquele solo e os efeitos efeitos quase no final dão um tom ainda mais negro ao álbum. “Insane” é tema mais Thrash do álbum e tem tudo para ser grande, riffs de guitarra impressionantes com uma melodia que marca o tema todo, “Religious Virus” é mais um bom tema e aquelas vozes angelicais fazem dele o mais transcendental e obscuro do álbum. “Echoes Of A New Age” é o último tema e para mim o mais agressivo e dá para perceber logo pelos primeiros segundos, tema onde se destaca o solo de guitarra quase no final deste ciclo. Melodic Death Metal simples, sem tretas, com letras bastante interessantes, de uma banda que ainda tem (obrigatoriamente) muito para dar.

Estamos perante um dos projectos mais interessantes do Underground nacional, numa edição de autor, limitada e editada em Digipack em Junho deste ano. Que venha a oportunidade de ver estes 8 ecos ao vivo. 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Disthrone - Anti-System

Da Margem Sul chegam-nos os Disthrone com o seu Crust/D-Beat infernal embebido em Black Metal, instrumental simples, directo, melódico e com uma voz feminina muito pouco ortodoxa. Os elementos da banda já são conhecidos de outros projectos como Undersave ou Inquisitor, a banda foi formada em 2011 e chegados a 2013, depois de espalharem o caos pelos mais variados palcos nacionais, lançam a primeira Demo de título “Anti-System”, uma edição da Helldprod limitada a 300 tapes (50 vermelhas). Influências de Wolfpack, Doom, Discharge são bem evidentes tal como algum Black Metal mais Old School como Venom e Bathory, mas aquilo que se sobressai mais são os toques de Darkthrone (a fase mais Punk), não fosse aquele cover da “I Am The Grave Of The 80s” a pôr um ponto final nesta promissora e impiedosa edição. A meu ver o único problema é mesmo a produção pouco profissional, o som das guitarras devia-se sobrepor mais ao restante para dar mais peso e melodia ao temas e um pouco de mais agressividade e sujidade só beneficiava a banda. 

São então 5 temas que compõem esta tape, a introdução é bastante simples com uma bateria pontual e riffs simples, o caos começa mesmo com a poderosa “J.F.O.”, uma faixa agressiva com um refrão bastante catchy e furioso, já esperado. “Anti-System” é um dos pontos altos da Demo com um main riff bastante bom e mais uma vez com uma letra tumultuosa com uma vocalista repugnante e indignada, destaque também para o solo de guitarra. “Mistress Of Evil” foi o primeiro tema gravado pela banda e que faixa, sem dúvida uma das mais complexas e elaboradas. A rebelião termina com aquele cover de Darkthrone que devia ter uma guitarra mais presente e agressiva porque ao resto o que não falta é agressividade e selvajaria, é um cover que ao vivo mexe bastante com o público e a banda sabe como executa-lo da melhor maneira.

Estamos perante a primeira grande revelação do ano com uma banda que ainda tem muito para dar e devemos louvar quem faz algo de diferente do habitual no espectro metálico português, espera-se um trabalho mais a sério da banda, até lá, o caos e a revolução continuam, “We are Anti-System!”.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Megadeth - Super Collider

Os Megadeth estão de volta com um novo álbum, “Super Collider”, o sucessor de um desastre chamado “Th1rt3en”… A verdade é que desde o “Risk” o senhor Dave Mustaine tem revelado alguma falta de originalidade, com excepção do “United Abominations” e “Endgame” que são os melhores álbuns da banda na fase pós-“Youthanasia”, e esse “Endgame” é mesmo um álbum com cabeça, tronco e membros, ao contrário do último e deste novo. 

“Super Collider” revela-se um álbum muito pouco Thrash/Speed Metal, mas mesmo assim, um pouco mais agressivo e interessante que “Th1rt3en”, tem uma boa produção como seria de esperar mas os riffs e solos e mesmo as faixas em si são muito simples e não trazem nada de novo mas mesmo assim encontramos temas bem interessantes como a faixa de abertura “Kingmaker” (um pouco ripada de Black Sabbath), a agressiva “Burn!” e a “Built For War” com um grande solo. “Super Collider” é o tema mais comercial de todo o álbum, mais lento, refrão simples e catchy, um dos temas mais bem conseguidos pela banda para rodar nas rádios. “Dance In The Rain” é um dos poucos pontos altos do álbum, uma faixa lenta, com uma letra fantástica (ao contrário do resto do álbum) com uma atmosfera um pouco negra e com riffs e solos muito bem conseguidos. “Beginning Of Sorrow” é das faixas que mais desilude neste álbum, demasiado óbvia. 

“Blackest Crow” tem um início cativante mas a partir daí é sempre a regredir, faixa lenta, secante, o instrumental com o banjo é o mais interessante. “Forget To Remember” é uma boa faixa, boa melodia, refrão interessante mas como todo o álbum, uma faixa muito simples sem grandes floreados. “Don’t Turn You Back…” é a faixa mais Thrash de todo o álbum, e era bem bom que o resto fosse nesta onda. Para acabar temos um cover de Thin Lizzy, “Cold Sweat” que não traz grandes novidades em relação ao original.

Depois de ouvir um grande álbum como o “Endgame” é triste ver como os senhores seguiram este caminho desinteressante com um legado tão forte no passado. Digam ao senhor Mustaine para meter menos tabaco naquilo, talvez volte à loucura dos grandes clássicos da banda!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Decayed - The Ancient Brethren

Para quem pensava que os Decayed tinham ficado pelo “Chaos Underground” desengane-se… Depois da edição desse álbum negro e decadente ainda saíram cá para fora títulos como “Blasphemic Offerings - The Singles 1993-2011” (compilação), “Lusitanian Black Fucking Metal” (EP), “Darkness Over Germany” (primeiro DVD inédito), Apocryphal Spells (EP), entre outros. Agora estão completamente renovados com H.L. (Vulturius) na voz e Tormentor (Desaster) na bateria infernal. “The Ancient Brethren” é o título do novo álbum da mais antiga formação de Black Metal portuguesa… É já o 9º álbum, o chamamento final aos antigos irmãos que ainda defendem aquilo que os Decayed defendem, o Heavy Metal, a união, a luta! 

E porque idade não pesa o senhor JA vai-nos surpreendendo cada vez mais e este álbum é absolutamente demolidor, bem diferente daquela onda Black ‘n’ Roll com W. na voz… A produção é bastante diferente de todos os álbuns até aqui lançados, o clima do álbum é mais frio, negro, agressivo e própria voz do H.L. contribui muito para isso, é aguda, arranhada, com uma raiva e ódio demolidores! Riffs de guitarra sujos e crus, com grandes solos e uma bateria do diabo a despejar beats por todo o lado. As introduções serenas e calmas são uma das imagens de marca da banda e este registo não foge à regra, logo com “Accursed / Overture” a abrir o álbum. É em “Ancient Abgal” que as coisas começam a ficar mais sérias, sem dúvida uma das melhores malhas do álbum com riff inicial e uma bateria pontual no início como se de uma marcha de guerra se tratasse e o caos começa quando H.L. entra com a voz. “Blood Flow” é a faixa mais agressiva e pesada do álbum, muito rápida e impiedosa. 

“Burning Skies” é das músicas mais interessantes do álbum, pelo ritmo mais balançado e lento, pela letra e pelo som do baixo mais notório que noutros temas. “Destroy Their Reign” é outra malha muito rápida e hostil, já “Flame Of Lucifer” é o tema mais alternativo do álbum (no bom sentido), com um ritmo bem melódico com toques Rock ‘n’ Roll e até a nível da voz o H.L. se arrisca a fazer uns agudos impressionantes e o pequeno solo de guitarra é encantador! “Hellish Incantations” e “Symbol Of Deceit” são mais dois grandes temas, o primeiro com grandes riffs e solos de guitarra (para não variar) e o segundo com uns efeitos na voz que dão um tom ainda mais negro ao álbum. “T.O.T.B.” é o grande momento Doom do álbum, muito relaxante e hipnotizante! “Epitaph” é a última malha e termina este grande momento de destruição maciça de forma épica.

Os Decayed são autores de clássicos incontornáveis e únicos como “The Conjuration Of The Southern Circle” ou “Resurrectiónem Mortuórum” e arriscar-me-ia a dizer que “The Ancient Brethren” é um dos melhores álbuns da carreira dos portugueses, um dos sérios candidatos a álbum nacional do ano, uma grande edição, mais uma vez a cargo da BlackSeed Productions. Enquanto houver JA, haverá Decayed, e mesmo quando ele não estiver cá, vão continuar a sair registos inéditos e impressionantes. O Black Metal lusitano está vivo e para durar!