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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Machinergy - Sounds Evolution

4 anos depois do promissor “Rhythmotion” o trio de Arruda dos Vinhos volta à carga com “Sounds Evolution”, um álbum que vem afirmar ainda mais a maturidade e seriedade da banda, um grande registo com um conceito relacionado com os lançamentos anteriores bastando para isso ter em atenção o paralelo dos títulos dos 3 registos da banda: “Rhythmotion”, “Rhythm Between Sounds” e “Sounds Evolution”. 

O álbum é composto por 10 faixas bem coesas, do início ao fim, onde se destacam os riffs agressivos, directos, e os efeitos industriais que dão um toque especial à sonoridade da banda e a distingue das demais, ainda mais que no primeiro álbum. Quanto à produção, é da mais cuidada e profissional que se pode ouvir por cá, se calhar até demasiado limpinha para o som da banda. Os temas vão alternando entre o inglês e o português, e nalguns casos até na letra da mesma música como é o caso da viciante “Furia” ou na “Cada Falso”, possivelmente a faixa mais anos 80 do álbum. “Sounds Evolution” e “Machine Gun Anger” são as faixas que mais se aproximam da batida do álbum anterior mas esta segunda tem uma parte mais ambiental verdadeiramente assustadora, onde se ouve um sino e um som estranho, algo muito incomum nas bandas de Thrash. “Venomith” é na minha opinião o tema mais bem conseguido, o início é arrepiante, a letra é das mais originais e os riffs dos melhores que a banda já fez. “Waterwar” é um tema absolutamente épico com os vocais de Célia Ramos a dar um toque especial ao som da banda, numa música com um conceito bastante especial e preocupante, e esperemos que não passe duma premonição. E como se os vocais femininos não fossem suficientemente belos para distinguir este tema a banda ainda lhe acrescenta melodias médio-orientais sublimes. Destaque também para os temas em português “Antagonista" e “Carne & Mal" e claro, para a instrumental “Hammer”.

Era um dos álbuns mais esperados do ano (para mim) e não tenho dúvidas nenhumas de que este triunvirato (Ruy/Hélder/Mariano) ainda tem muitas cartas para dar. São uns dos músicos mais talentosos do país e dos poucos a ter a preocupação de fazer tudo da maneira mais cuidada possível. O resultado está aqui, e isto vai rodar bastante durante muito tempo.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Alastor - From The Hellish Abyss

Depois do excelente “Demon Attack” editado em 2011, JA (Decayed) e companhia voltam com mais um grande opus, na onda do anterior, com uma atmosfera menos negra mas bem mais voraz a agressiva com um vocais completamente devastadores, na celebração dos 25 anos de existência da banda. Para quem conhece já sabe o que esperar, Black Metal diabólico e sem merdas influenciado pela verdadeira velha escola: Venom, Hellhammer/Celtic Frost, Bathory, com os riffs e solos do melhor Thrash dos anos 80. “From The Hellish Abyss” resume-se a caos, destruição, satanás, tormentos, ódio à cristandade… Mas nem tudo é violento e tal como no álbum anterior somos surpreendidos por uma faixa mais calma, lenta, serena e verdadeiramente assustadora, “Cinza E Pó” é um dos pontos altos do álbum. “Negra Sexta XIII”, “Devorando A Carcaça De Deus”, “Homenagem A Satanás” são na minha opinião os melhores temas, convém destacar as partes mais acústicas e mais uma vez o excelente trabalho lírico e claro excelente “Some Kinda Hate”, um cover muito bem feito à maneira de Alastor, dos lendários Misfits, à semelhança do anterior que tinha um cover de Mötley Crüe, “Red Hot”.

Basicamente, não é nada de novo mas a qualidade habitual do projecto está lá, Black Metal totalmente Old School de veia Thrash, produção polida e limpinha como o anterior e como bónus ainda têm dois EPs da banda, “Merciless Mayhem” e “Possessed By Darkness”, o primeiro, nunca antes lançado. Mais uma grande edição da (que já vai sendo habitual) Hoth Records.

domingo, 15 de dezembro de 2013

RAMP - XXV 1988-2013

“XXV 1988-2013” é nome da nova compilação dos históricos RAMP, um Digipack de luxo com 2 CDs que reúne as faixas mais marcantes da banda e também versões acústicas de outras mais catchies, mais algumas surpresas, resumindo, uma celebração da vida dos RAMP, em 33 capítulos, desde o histórico “Thoughts”, passando àquele que foi o primeiro álbum de Metal a atingir o top de vendas em Portugal (“Intersection”), isto sem esquecer aquele que para mim é o melhor álbum, “Evolution, Devolution, Revolution”, e claro, os álbuns mais recentes.

A grande surpresa para mim foi mesmo ouvir os temas “Thoughts”, “The Last Child”, “Behind The Wall” e “Try Again”, isto porque não fui um dos sortudos a ter o LP ou o CD do primeiro álbum e ouvi-los com esta nova masterização deu-me uma nostalgia daquelas e aposto que à banda também, portanto, espero que estejam a pensar seriamente numa reedição desse clássico. Do “Intersection” os temas escolhidos não podiam ser mais óbvios: “Black Tie”, “All Men Taste Hell” e “Through”, para mim, também os 3 melhores. “Hallelujah”, “For A While”, “How” e “Dawn” são os temas do álbum de 1998, e ainda acrescentaria a “Old Times” e a “Noone”. O “Nude” foi provavelmente o álbum mais alternativo da banda e apesar de muitos discordarem para mim é um dos melhores registos da banda, onde se destacam a “Alone”, “Clear” e “In Sane”, mas qualquer um dos outros temas do álbum serviria. Não se esqueceram do EP “Planet Earth”, e podem ouvi-lo aqui na íntegra. “Blind Enchantment” e “The Cold” tinham de estar aqui obrigatoriamente, são duas das melhores e mais agressivas faixas que os senhores já compuseram, do álbum mais recente “Visions”.

No segundo CD temos versões acústicas das músicas mais calmas como “Alone”, “For A While”, “The Last Child”, entre outras, a primeira, escolhida como single de apresentação desta compilação. Para quem (como eu) já viu RAMP ao vivo de certeza que estavam ansiosos para ouvir como funcionariam os covers que costumam tocar ao vivo em estúdio, principalmente aquele das The Bangles, “Walk Like An Egyptian”, um tema que sempre resultou muito bem ao vivo, agora imortalizado numa versão estrondosa! De destacar também os temas “Fuck You” dos Wild Dogs, “We're Not Gonna Take It” dos Twisted Sister ou a emocionante “Planet Earth”, isto sem esquecer um dos temas mais emblemáticos, “Anjinho Da Guarda” (António Variações).

Estamos perante uma edição de luxo duma das melhores e mais emblemáticas bandas portuguesas de sempre, num duplo CD que se encontra facilmente e a um preço acessível, com os melhores temas da banda, versões alternativas, covers, com um artwork nostálgico com referências aos grandes feitos dos RAMP… Uma viagem ao passado com um olhar para o futuro, absolutamente recomendado.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Revolution Within - Straight From Within

Três anos depois do álbum de estreia os portugueses Revolution Within voltam com “Straight From Within”. Se o primeiro álbum é importante para a afirmação duma banda no panorama metálico o segundo vem sempre confirmar ou censurar o talento das bandas e no caso destes senhores nota-se claramente que houve uma grande evolução em relação ao primeiro registo. Apesar de nunca terem praticado um som original e de deixarem bem evidentes as suas influências, nunca lhes faltou técnica e talento, e é disso que é feito este “Straight From Within”, não traz grandes novidades ao género mas é muito mais complexo, maduro e coeso (até demais) que o anterior. 

Thrash Metal pesado com muito Groove, furioso, explosivo, pleno de riffs e estruturas rítmicas impressionantes que tornam o álbum bastante vibrante e viciante. Voz rasgada, guitarras incisivas, bateria brutal. A primeira parte do álbum é mais aliciante logo com a “Pure Hate” a deixar água na boca para a bomba que se segue, “Without Recognition”, com um solo de guitarra demolidor. “Straight From Within” e “Pull The Trigger” são outras duas grandes malhas, esta última com a participação do Hugo (Switchtense) na voz, na minha opinião, a melhor do álbum… A raiva daquele refrão é aliciante. “Revenge Now” é uma das faixas mais rápidas do álbum com uma adrenalina fantástica. Queria também destacar “Bleed”, “Evil(ution)” e “Anger Mode: On”, faixas muito bem conseguidas, quanto a “Only The Stronger Will Survive” e “Unleash The Anger”, são temas demasiado óbvios e simples, normais demais!

Os Revolution Within estão em crescente ascensão e basta acompanhar um pouco a banda para perceber que são uma das maiores promessas do Metal nacional. Numa “terra” onde só os fortes sobrevivem, estes senhores revelam-se como autênticos guerreiros, e ainda com muito para conquistar. Se gostam dos álbuns esperem só por vê-los ao vivo, irão ter uma grande surpresa.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Megadeth - Super Collider

Os Megadeth estão de volta com um novo álbum, “Super Collider”, o sucessor de um desastre chamado “Th1rt3en”… A verdade é que desde o “Risk” o senhor Dave Mustaine tem revelado alguma falta de originalidade, com excepção do “United Abominations” e “Endgame” que são os melhores álbuns da banda na fase pós-“Youthanasia”, e esse “Endgame” é mesmo um álbum com cabeça, tronco e membros, ao contrário do último e deste novo. 

“Super Collider” revela-se um álbum muito pouco Thrash/Speed Metal, mas mesmo assim, um pouco mais agressivo e interessante que “Th1rt3en”, tem uma boa produção como seria de esperar mas os riffs e solos e mesmo as faixas em si são muito simples e não trazem nada de novo mas mesmo assim encontramos temas bem interessantes como a faixa de abertura “Kingmaker” (um pouco ripada de Black Sabbath), a agressiva “Burn!” e a “Built For War” com um grande solo. “Super Collider” é o tema mais comercial de todo o álbum, mais lento, refrão simples e catchy, um dos temas mais bem conseguidos pela banda para rodar nas rádios. “Dance In The Rain” é um dos poucos pontos altos do álbum, uma faixa lenta, com uma letra fantástica (ao contrário do resto do álbum) com uma atmosfera um pouco negra e com riffs e solos muito bem conseguidos. “Beginning Of Sorrow” é das faixas que mais desilude neste álbum, demasiado óbvia. 

“Blackest Crow” tem um início cativante mas a partir daí é sempre a regredir, faixa lenta, secante, o instrumental com o banjo é o mais interessante. “Forget To Remember” é uma boa faixa, boa melodia, refrão interessante mas como todo o álbum, uma faixa muito simples sem grandes floreados. “Don’t Turn You Back…” é a faixa mais Thrash de todo o álbum, e era bem bom que o resto fosse nesta onda. Para acabar temos um cover de Thin Lizzy, “Cold Sweat” que não traz grandes novidades em relação ao original.

Depois de ouvir um grande álbum como o “Endgame” é triste ver como os senhores seguiram este caminho desinteressante com um legado tão forte no passado. Digam ao senhor Mustaine para meter menos tabaco naquilo, talvez volte à loucura dos grandes clássicos da banda!

sábado, 6 de outubro de 2012

Machinergy - Rhythm Between Sounds

Os Machinergy estão de volta com mais um grande trabalho… Bastante diferente do habitual. Depois do bem aclamado “Rhythmotion” lançam um pequeno EP, “Rhythm Between Sounds” com 5 temas e claro, um documentário bastante especial e muito bem produzido que aborda entre várias coisas, a infância dos membros de Machinergy, como era visto o Metal naquela altura, os programas de rádio que existiam, como chegava a música a Portugal, etc. Uma obra absolutamente recomendada para qualquer metaleiro português, uma verdadeira relíquia, um tributo ao grande António Sérgio (1950-2009). Quanto ao EP, é aquele som que sempre caracterizou os Machinergy… Thrash Metal com influências de finais da década de 80 mas um pouco diferente do álbum de estreia, com algumas influências de Death Metal, já não está tão computorizado e industrializado como anteriormente, é um Thrash que flui mais naturalmente, com aquela raiva normal que sempre caracterizou os vocais de Rui Vieira. Continua o peso, os bons riffs, é um EP que peca apenas pela curta duração, mas é bastante intenso.

“Rhythm Between Sounds” é o nome do primeiro tema, uma pequena introdução onde se ouve alguém a colocar uma tape num rádio, típico dos anos 80. Logo a seguir vem o grande tema “1988” um grande (mesmo grande!) tributo  às pessoas e sons, ritmos e tempos, histórias que ajudaram a criar aquilo que são os Machinergy hoje. Riffs cativantes, um grande refrão, com versos que abordam  um pouco daquilo que se passava em 1988, desde os programas de rádio do som sagrado até à abordagem de grandes álbuns que saíram nesse ano, entre os quais se destacam as referências a “South Of Heaven” (Slayer), “Under The Influence” (Overkill) ou “And Justice For All” (Metallica)… Ao fundo, ouve-se o riff inicial da inconfundível “South Of Heaven”, muito nostálgico. Destaque para a parte do “Não esqueceremos” e para aqueles riffs finais, absolutamente diabólicos! Se calhar aqui o tema que remete mais para as influências do álbum anterior é “Machinevil”, como o baterista disse e bem no documentário, é como se fosse o ritmo das máquinas a trabalhar, as máquinas do mal, um tema simples mas forte. “Trapollution” é o tema mais agressivo que alguma vez estes senhores escreveram, desde aquele verso inicial a estender-se a todo aquele conjunto de agressividade voz/guitarra/bateria/baixo. “Dynamica” põe fim a este trabalho, um tema simples, directo, que fecha mais um ciclo desta grande banda.

O EP encontra-se disponível para download gratuito no site oficial da banda, assim como a visualização do documentário, estamos perante um dos trabalhos mais interessantes lançados este ano em Portugal. Entretanto também vai sair em CD e está prevista edição dumas t-shirts alusivas a este EP… Razões não faltam para ouvir e ver esta grande produção independente e nacional.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Aura Noir - Out To Die

Os Aura Noir são uma das melhores bandas de Black/Thrash Metal da actualidade, descrevem-se como a banda de Metal mais feia do mundo (basta ouvir para conferir) e vão mantendo desde 1996 uma regularidade de grandes lançamentos entre os quais “Black Thrash Attack”, “The Merciless” e “Hades Rise”, penso que o único registo da banda que fica a desejar algo mais é o “Deep Tracts Of Hell” de 1998. A banda de culto formada pelos noruegueses Apollyon (Immortal), Blasphemer (Ava Inferi, ex-Mayhem) e Aggressor (Virus, Infernö) lançou em Março deste ano o seu quinto longa-duração “Out To Die”, um álbum que merece sem qualquer dúvida um lugar no pódio dos melhores lançamentos deste ano. A edição ficou a cargo da Indie Recordings (Noruega).

Continua a ser aquele Black/Thrash Metal sujo, rápido e agressivo como a banda sempre fez mas agora com uma produção muito mais cuidada e profissional. Os riffs e solos são muito mais complexos que em registos anteriores, provavelmente devido ao maior envolvimento de Blasphemer na composição e gravação do álbum, o que não acontecia anteriormente, em relação à bateria continua forte e com uma captação excelente, tudo isto a juntar às cuspidelas de Agressor e Apollyon na voz. Influências de Celtic Frost, Sodom, Darkthorne, Venom… Uma banda que não esconde as suas influências, limitando-se apenas a ser fiel a um estilo, quem ouvir isto pela primeira vez pensa que é Metal feito nos anos 80. Especial atenção para faixas brutas como “Trenches”, “Fed To The Flames “ e “Abbadon”, autênticos arsenais de riffs e solos, com a voz suja e repugnante que sempre caracterizou a banda. Numa toada mais Punk temos “Deathwish” (faz lembrar Venom) e noutra mais Doom a poderosa “The Grin From The Gallows”, provavelmente a melhor faixa do disco com duas guitarras espantosas. Os Aura Noir são o tipo de banda que não move multidões, que não vende muito, é Metal extremo, underground, natural, imundo e violento, e é muito simples, ou se gosta muito ou não se gosta. De Aura Noir não se poderia esperar outra coisa, nunca desiludiram nem nunca o farão. Enquanto não vêm actuar a Portugal aconselha-se também audição atenta do álbum “Live Nightmare On Elm Street”, ao vivo, uma grande imundice de Black/Thrash, que é isso que eles são!

sábado, 12 de maio de 2012

Konad / Miss Cadaver - Mákinas & Cadáveres

Para provar que o formato de cassete não morreu temos mais um grande lançamento dos Miss Cadaver, desta vez partilhado com os Konad, banda de Punk cuja origem remonta a 1996 sob o nome Konad Moska, mas foi a partir de Fevereiro de 2007, já com a designação Konad, que a banda retomou os palcos e o estúdio, na bagagem contam com uma Demo de 2007 e com o EP “Terror TV” de 2009. Em relação aos Miss Cadaver, pelo menos por aqui, dispensam apresentações, voltam aos lançamentos depois do promissor e polémico “Morte Ao Fado”, agora, muito mais agressivos e rápidos. São 11 potentes descargas de extrema mutilação auditiva de Punk/Crust/Thrash/Crossover em português! O lançamento oficial é em Tape profissional com capa a cores, inlay com letras e celofanada numa edição limitada a 100 unidades. Para apreciadores de Doom, Ratos De Porão, The Exploited, Extreme Noise Terror, Napalm Death, Simbiose, Censurados, entre outros. A edição deste manifesto fica a cargo da Mountain Goat Productions.

Apesar de ambas as bandas já terem editado algumas coisas, há aqui muitas novidades. Em primeiro lugar, falar do “Lado Mákinas” dos Konad, que na verdade são 5 temas tirados do álbum de estreia da banda “Café Beirute”, lançado há bastante pouco tempo, 5 malhas de Hardcore/Punk/Thrash/Rock ‘n’ Roll, agressivo mas também muito melódico. É aquele Punk sujo e violento com melodias poderosas que prendem qualquer um a ouvir isto sem parar. A nível lírico é bastante mais complexo que Miss Cadaver, a nível musical é bastante diferente, se Miss Cadaver é Thrash Metal com atitude Punk, Konad é Punk/Hardcore com embebido nalgum Thrash. Todos os temas são bons, desde aquele riff inicial de “Mákina De Guerra” até à poderosa “Filhos Do Ódio”, passando por outras grandes malhas como “Mentekabra” ou “Porcos Malabaristas” com letras espectaculares que de forma bastante irónica descrevem aquilo que se passa no mundo.

Se a primeira Demo de Miss Cadaver estava agarrada a uma fórmula simples e directa e se “Morte Ao Fado” foi o culminar de um ano em estúdio com temas muito mais variados e originais, o “Lado Cadáveres” deste Split, é o culminar de anos de raiva e inconformismo com temas cada vez mais rápidos a agressivos. Destaque inicial para a faixa “Eles Fodem (Tudo!)” que na verdade é uma variação mais agressiva e directa da letra de Zeca Afonso “eles comem tudo” do tema “Os Vampiros” de 1963. À semelhança de temas liricamente bastante simples como “Rattvs Velhus” temos agora “NPMP”, com a poderosa letra “Nasce pobre, morre pobre!” agarrada a um instrumental monumental, e também “AT3X”, temas que inicialmente parecem bastante simples e directos mas que na verdade são muito mais elaborados do que aquilo que aparentam principalmente com este instrumental cada vez mais sujo e com riffalhadas mais velozes e complexas. Outro factor importantíssimo a referir é a bateria que está muito mais audível e na minha opinião com uma captação mais profissional e cuidada, onde são frequentes vários blast beats. Outro grande tema é “Lacrimogéneo”, o primeiro deste Split a ser revelado ao público, um tema contra a repressão policial que tem sido cada vez maior principalmente nestes dias difíceis. “Luta Sempre” é mais um tema e mais uma mensagem muito importante, para terminar nada melhor que a faixa “Lixo Total”, uma crítica directa e um pouco irónica aos meios de comunicação social.

Em relação aos Konad comprem o álbum “Café Beirute”, quanto aos Miss Cadaver está para vir o segundo longa-duração, mas parece que ainda vai demorar, até lá ouçam os 3 manifestos já lançados pela banda e lembrem-se que o propósito inicial deste projecto se tem concretizado, isto é, as palavras e mensagem têm chegado às pessoas. Prova igualmente que a música, enquanto arte, livre (ninguém deve ser privado de a ouvir), independentemente de formatos posteriores que possam ser adquiridos e que são, mais do que nunca, pequenos itens de colecção (o caso das Tapes), aliado a um espírito DIY, livre de imposições e estratégias, chega às pessoas que, em primeira instância, ouvem, independentemente de apagarem os ficheiros depois ou de adquirirem o material físico original. Interessa, acima de tudo, que oiçam e que não sejam indiferentes, goste-se ou não.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Seven Stitches - When The Hunter Becomes The Hunted

Os Seven Stitches são uma banda portuguesa de Thrash/Death Metal (de veia Groove) e vêm da Grândola. São mais uma banda daquela fornada de Switchtense, W.A.K.O., Revolution Within. São uma das melhores e mais importantes promessas do Metal nacional. Contam já com duas Demos, um EP, um Split com os amigos Switchtense, e claro, um grande álbum intitulado "When The Hunter Becomes The Hunted". São dez temas devastadores que perfazem um total de aproximadamente 50 minutos envoltos num trabalho lírico bastante sublime e aterrorizante. Destaque também para a produção gráfica do álbum que encaixa na perfeição daquilo que se ouve aqui, embora pudesse ser um pouco mais desenvolvido (o booklet, mais propriamente). Pontos positivos a destacar: uma produção bastante boa, músicas rápidas e agressivas com um nível de composição de alto nível (muito bom para o primeiro álbum), a técnica e a competência dos grandes e poderosos riffs, aqueles blast beats agressivos, assim como uma voz aterrorizante. Pontos negativos a realçar: a originalidade quase nula e a voz podia-se destacar mais, estar (bem) mais alta que o instrumental (e ao vivo também).

A composição bastante profissional começa logo com a introdução “Rise Of The Hunted”, com um solo de guitarra acompanhado por uma orquestra, que podia ser algo a explorar mais nos próximos registos. Logo a seguir vem a majestosa “Room” com a sua introdução épica que nos deixa água na boca para o próximo tema, “From The Sky” com a sua bateria infernal com realce especial para o grande solo de guitarra. Para mim outro grande tema é “Sweet Sound Of Decadence”, talvez a faixa mais Death Metal de todo o álbum com uma grande técnica e com um refrão alucinante. Destaque para a “The In Between” com sua introdução extremamente arrepiante, é a faixa mais lenta do álbum e consequentemente uma das mais bem conseguidas. “Ultimate Devastation” é outro grande tema, bastante agressivo e rápido, em que o vocalista Pica mostra todo o seu potencial com uma voz aterrorizante. Em termos de composição musical penso que a última música, “Until You Get Dry”, é a melhor, digo isto porque: tem um instrumental bastante coeso com destaque especial para as guitarras, tem partes mais lentas e outras rápidas, tem grandes riffs e claro… Quase no final, há uma paragem e dá-se início a um solo de guitarra lindíssimo, com aquele som limpo e perfeito, que acaba rapidamente para dar lugar a um grande solo mais Thrash… Não há explicação, é incrível!

Os Seven Stitches são sem qualquer dúvida, uma das melhores bandas nacionais, de salientar ainda a sua presença mais que merecida do Wacken Open Air. Comprem o álbum, não se vão arrepender deste caçador que é caçado. Vislumbra-se um bom futuro para a banda, altamente recomendada!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Entrevista: Hirax

Começando… Na minha opinião os Hirax nunca tiveram a atenção devida, comparando com bandas que se formaram na mesma altura como Exodus, Testament ou Overkill. A pergunta pode ser um pouco inapropriada mas, porque é que vocês nunca se sobressaíram tanto como estas bandas?
No início, só gravámos dois álbuns, “Raging Violence” (1985) e o “Hate, Fear And Power” (1986)… Raramente fazíamos Tours. Tendo em conta os registos que editámos nessa altura, é compreensível porque é que naquela altura o nosso sucesso era mínimo. Contudo, as coisas mudaram e agora temos uma grande legião de fãs que cresceu imenso em todo o mundo. Tenho orgulho em tudo aquilo que fazemos e vejo que estamos cada vez mais a crescer e a ganhar força a cada ano que passa.



Como era o Underground do Thrash Metal nos anos 80?
Era muito excitante e eram grandes tempos. O Thrash Metal era novo… E não haviam regras. Éramos miúdos malucos e novos, e transportávamos toda a nossa energia para a música. É espectacular ver que passado várias décadas o Thrash Metal continua em grande força, e nós, Hirax, fazemos parte da história dele!



Katon, porque é decidiste recomeçar com a banda em 2000?
Estava constantemente a receber cartas e e-mails de pessoas de todo o mundo. Perguntavam todas por músicas novas e começámos a receber propostas para dar concertos em todo o lado. Houve ainda uma grande procura pela nossa música porque só tínhamos dois álbuns. Agora dedico-me a fazer os meus fãs felizes!



Nesse ano lançaram o EP “El Diablo Negro”. Foi composto e gravado nessa altura ou eram já temas antigos?
Foi gravado em 2000. Foi o primeiro lançamento em 13 anos e é importante referir que a faixa-título tornou-se um clássico da banda. Tocamo-la todos os concertos.


Até ao lançamento do “The New Age Of Terror” ocoreram algumas mudanças na formação da banda, foi fácil encontrares os músicos certos para gravar?
Sim, tínhamos de gravar um novo álbum, portanto trabalhámos com novos músicos. De referir ainda que é um dos grandes álbuns do nosso catálogo. Até hoje, foi um dos que mais vendeu.



Alguns títulos de músicas são em espanhol, sei que isso tem a ver um pouco com as vossas origens. Fala-nos um pouco disso.
Sim, o nosso baterista, Jorge Lacobellis, é da Argentina e a família do guitarrista, Mike Guerrero, é do Peru. Já a minha família é de Portugal. Nós temos um grande reconhecimento e respeito em países latinos, por isso, optamos por incluí-los nalgumas das músicas, e é também por respeito aos nossos fãs que falam espanhol.



Sentem-se melhor a actuar nos países latinos? É que em quase todas as tournées passam lá.
Em sinto-me bem em todos os sítios que actuo mas vou ter de dizer isto acerca dos países da América Do Sul/Latina: estas pessoas têm uma grande paixão pelo Heavy Metal. Adoramos fazer Tours lá porque o apoio aos Hirax é massivo. As nossas legiões suportam a nossa música a 1000%.



Em 2009 lançaram “El Rostro De La Muerte”. Como foi a gravação do álbum?
De todos os nossos álbuns, este trabalho foi o mais difícil de gravar devido às tournées e às gravações ao mesmo tempo. Deu muito trabalho. Era sempre para trás e para a frente, do aeroporto para o estúdio. Quando não estávamos em tournée aproveitávamos para gravar o álbum em casa. Tudo ao mesmo tempo, foi muita confusão. Mas finalmente conseguimos ter o álbum pronto. Ainda me lembro de estar a passear no Texas naquela altura e de estar a ouvir diferentes misturas do álbum que o produtor me enviava para ouvir e para nós aprovarmos (ou não). Nunca fizemos um álbum como este e estamos bastante orgulhosos do resultado final, foi um desafio épico.


É um álbum que, liricamente, aborda muita violência e morte…
Em todos os nossos álbuns (para além das letras) temos uma pequena explicação daquilo que cada música fala. É preciso ler bem, são letras bastante profundas, por vezes com mais de um significado.


Voltando outra vez aos concertos. Qual é a principal diferença dos concertos que davam há 20 anos em relação aos que dão agora?
Sinceramente, nem é muita. É quase a mesma coisa, mas 20 anos mais tarde. A nossa base de fãs tem vindo a crescer muito. A nossa música tem chegado a muitos tipos diferentes de pessoas que ouvem Metal. Temos ultrapassado barreiras musicais que não eram possíveis há 20 anos atrás e acho que é graças à internet que fez com que tudo fosse mais rápido e eficaz. Temos dado concertos em toda a parte do planeta como na Ásia, Índia e Rússia porque as pessoas fazem muitos downloads em sites como o iTunes.


Vêm a Portugal brevemente…
Sim! No SWR Barroselas Metalfest que decorrerá de 26 a 30 de Abril, em Barroselas. Quero ver lá todos os meus irmãos e irmãs do Metal para a nossa primeira grande actuação em Portugal. Agradecemos o vosso apoio!


Por fim, queres deixar mais algumas palavras?
Vamos lançar um álbum na Primavera de 2012. Estou ansioso por ir tocar pela primeira vez na minha terra natal. Vou tocar para vocês e prometo que será um concerto que nunca vão esquecer. Obrigado pelo vosso apoio. Vemo-nos em breve!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Switchtense - Switchtense

Penso que em 2009, quando os Switchtense lançaram “Confrontations Of Souls”, não passaram nada despercebidos no nosso Underground Metálico e isso vê-se pela quantidade de vendas dos dois álbuns e pela presença da banda na grande palcos nacionais dedicados ao Metal, e lá fora também já se nota o crescimento da banda: as exportações são cada vez mais, assim como os concertos além fronteiras. Pois bem… Dois anos depois (do primeiro álbum) estes senhores da Moita voltam à carga com um álbum homónimo, mais uma vez, com a produção a cargo do grande Daniel Cardoso. Acho que não precisam de grandes apresentações, apenas por curiosidade, antes dos álbuns, a banda lançou duas Demos, dois EPs e um Split com os amigos Seven Stitches. Pessoalmente, sempre achei que seria muito difícil de igualar “Confrontations Of Souls”, mas…

É Thrash Metal com laivos de Hardcore, caracterizado por uma grande qualidade, difícil de igualar a nível mundial (sim, mesmo!), com grandes ritmos de guitarra com riffs e solos cortantes, a juntar a uma bateria bastante complexa e claro, a um vocalista Hugo cada vez mais selvagem, agressivo e bruto! Contudo nem tudo é perfeito, e à semelhança de outras bandas nacionais do género os Switchtense pecam um pouco por deixarem bem claras as suas influências (a originalidade não é o seu forte, mas a paixão em fazer aquilo que gostam supera todos os rótulos) e por terem no álbum alguns temas mais lentos, ou mais “Groovy” como se costuma dizer, e isso começa com logo o tema “Concrete Walls” (que até tem um grande solo), mas muda muito rapidamente quando damos de caras com a poderosa e carismática “Face Off”, um tema que começa exactamente onde o outro acabou, aquele refrão, toda esta energia e rapidez a juntar àquele solo fazem deste tema um clássico! “Living A Lie” é dos temas mais memoráveis do álbum, cheio de pujança, e aqueles pequenos riffs super viciantes são únicos.

Destaque também para temas como “In Front Of Your Eyes”, “Unbreakable” (muito bem escolhido para primeiro single, aquela batida possui-me completamente, embora pudesse ser um tema mais rápido) e “This Is Only The Beginning”. Infelizmente, o tema “Let Them Die Alone” deixa um pouco a desejar. “Scars Of Attitude” é dos melhores temas que os Switchtense fizeram até hoje, o início é super cativante e faz-nos colar logo ao resto da música. E o álbum não podia acabar melhor, as três músicas finais são aniquiladoras! “I Will Stand Stronger” é uma música brilhante, aquele solo é incrível, esta dupla de guitarristas não fica nada atrás do que se faz lá fora. “The Legacy Of Hate” é outra grande música, que conta com o convidado especial Leif Jensen dos Dew-Scented, é rápida, agressiva, é o caos total (grande escolha!). “Awaiting The Downfall” é um tema mesmo muito rápido e pesado, com duas guitarras demoníacas (penso que é melhor solo do álbum!) e uma bateria bastante furiosa, já para não falar da voz!!!

A edição desta pérola ficou a cargo da grande Rastilho Records, numa edição de luxo em Digipack, o artwork ficou (mais uma vez) a cargo de João Diogo. A maioria das pessoas diz que isto é para fãs de Pantera, Sepultura, Machine Head, Lamb Of God… Na minha opinião Switchtense é para quem gosta de bom Metal. São uma das melhores bandas nacionais? Sim. Mereciam mais reconhecimento cá dentro e lá fora? Sim. Este é o melhor álbum destes senhores? Venha a diabo e escolha!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Entrevista: W.A.K.O.

Os W.A.K.O. contam já com quase 10 anos de carreira. De uma forma geral, qual é o balanço fazes do vosso percurso como banda?
O nosso percurso foi intenso, vívido e também insólito e complexo… Uma caminhada autêntica que tornou-nos naquilo que somos hoje, uma banda genuína e distinta com uma incessante vontade de trabalhar e fazer escoar e ressoar o nosso som por muitos mais anos.


O “Deconstructive Essence” foi um álbum de estreia muito bem recebido. Quais foram as principais diferenças na gravação e produção desse álbum para o mais recente?
Neste novo trabalho, todos os processos e mecanismos inerentes ao álbum formaram-se diferenciadamente do “Deconstructive Essence”. A captação e gravação foram novamente recriadas pelo Daniel Cardoso, mas o mix e a masterização foi da autoria do Josh Wilbur. Quanto à composição foi longa e muito experimental, na qual diversificamos em vários aspectos na hora da criação e respectiva resolução para fidedigno registo musical.


O primeiro álbum proporcionou-vos uma tournée pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos, como foi essa experiência?
Foi deveras única e gratificante, algo que ficará cravado para todo o sempre em W.A.K.O. Tal aventura fez-nos amadurecer como pessoas e músicos, experimentando novos desafios, que suscitaram uma nova amplitude e percepção de diversas realidades que conjugam-se na evolução de uma banda. No Reino Unido foi soberbo, aquando em Bolton, tínhamos uma plateia cheia que tinha em sua posse o álbum para nós assinarmos e mais que surpreendente, já sabiam grande parte das letras. Estados Unidos foi mesmo “the highway”. A oportunidade de tocar em casas míticas, a visita guiada à fábrica da Dean Guitars, o contacto com o berço do Death Metal americano, o carinho e empatia das pessoas ainda hoje é uma constante inspiração para nós.


A mistura e a masterização do álbum ficaram a cargo do conceituado norte-americano Josh Wilbur que trabalhou com bandas como os Lamb Of God e Hatebreed, como surgiu o contacto com o produtor?
Foi sem dúvida uma escolha acertada. É um passo especial, se formos analisar bem as coisas, são barreiras que se quebram, é o reflexo que o trabalho iguala e conquista. O Josh é um nome de peso mundial… Queríamos que nosso novo disco tivesse uma maior referência e exposição. Apesar de tudo sabemos que há grandes níveis de produção no nosso país, mas era algo que tinha de ser feito, tal como tem de ser recriado, as tours internacionais, a luta constante por uma boa exposição internacional, a visibilidade e a procura ininterrupta por um maior reconhecimento e afirmação musical. Foi curioso o primeiro contacto com o Josh, na altura pensámos “e porque não?”, de imediato já estávamos assombrados com a possível burocracia e logística pelo facto de querermos trabalhar com ele. Mas quando ele ouviu o nosso som e entendeu nossa estrutura como banda, logo se identificou, motivou-se e tornou todo o processo evolutivo mais simples e entusiástico para ambas as partes.


Estão satisfeitos com o trabalho dele?
Muito mesmo... Seria com todo o orgulho e apreço que gostaríamos de voltar a trabalhar com ele.


Na minha opinião o novo álbum é mais complexo e experimental que o primeiro. Essa diferença surgiu de forma natural, pretendiam fazer algo diferente ou o facto de ocorrerem várias alterações na formação contribui para esse facto?
O intuito foi mesmo esse, construir um álbum mais peculiar, com ritmos intrincados, dissonâncias díspares, notas discordantes e um todo envolvente muito conceptual… Tivemos uma natural evolução, passámos muito como pessoas e músicos. No momento somos mais humanos, melhores músicos, com uma personalidade forte e vincada, somos sobretudo arquitectos do nosso próprio presente e futuro. Quanto à componente musical, enriquecemo-nos muito, somos mais empreendedores, consistentes como músicos. Os guitarristas tiveram uma maior instrução musical. Eu, por exemplo, frequentei aulas particulares e comecei a empenhar-me num instrumento. Por certo toda esta solidificação e amadurecimento de ideias resultaram num álbum mais ambicioso e complexamente rico.


O álbum tem 10 temas. Utilizaram todas as músicas que compuseram ou ainda houve material a ficar de fora?
Sim, utilizámos e aproveitámos todas as ideias genéricas da banda, somente deixamos uns riffs soltos por aplicar…
 

“The Road Of Awareness” é um título que marca bastante. Qual é a mensagem que pretendem transmitir com este trabalho?
A mensagem é livre para qualquer interpretação… O álbum reporta a viagem de um ser imaginário, um produto concebido pela nossa mente, elevando-se num estado onírico, permutando-se através de estados de sonho, edificando seu caminho por cada experiência abstracta que se envolve. Este tipo de “wanderer”, esta “personna” desdobra-se em vários “Eus” sofrendo metamorfoses mentais e mesmo físicas, almejando no seu horizonte um desapego total com a realidade física e procurando uma final coroação de sua existência, mas no final de contas todo esse caminho, esse fluxo de correntes de sonho, torna-se um infindável pesadelo, no qual o ser fica aprisionado em si, como numa cela dentro de uma cela inserida em outra cela...


Como é que tem sido a recepção do álbum por parte da imprensa?
Tem sido boa, acho que conseguimos captar a atenção da imprensa tanto para o bem como para o mal.


As vendas do álbum estão acima das expectativas?
Temos os pés bem assentes na terra. Sei que tem se vendido de forma regular, tanto a nível nacional e internacional.


Já estão a compor material para o próximo álbum?
Ainda não temos nada preconcebido, mas tenho uma inclinação sensível para o que aí vem em termos criativos, e garanto que será uma nova transformação sónica da banda.


Por fim gostaria que deixassem uma mensagem aos fãs.
Uma grande saudação aos seguidores de W.A.K.O. Estou ansioso por vos reencontrar neste “Lawless Pit” da vida.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Entrevista: Switchtense

Os Switchtense são uma das “maiores” bandas nacionais de Metal. Que balanço fazem da vossa carreira?
Neto: O balanço é muito positivo, temos vindo a crescer como banda e como pessoas ao longo destes anos, fazendo o que mais gostamos: compor, gravar e tocar ao vivo! Desde o EP “Brainwash Show” que temos vindo a criar raízes na cena do Metal, raízes essas que foram ficando mais fortes com todo o nosso trabalho, força e perseverança! Desde o início que o espírito foi sempre o mesmo, levar o nome Switchtense a bom porto, tocando ao vivo o maior número de vezes possível fazendo chegar a mais pessoas a nossa música.


“Confrontation Of Souls” foi um marco bastante importante a nível nacional nestes últimos anos. Sentiram alguma pressão para fazer algo ainda melhor no segundo álbum ou as músicas fluíram naturalmente?
Neto: Pressão sempre existe alguma quando conseguimos fazer com que um álbum seja um marco a nível nacional como referiste, mas penso que não nos deixámos afectar por essa pressão, aliás, é deste tipo de pressão que gostamos! As músicas foram surgindo de uma forma natural ao longo do tempo. Concentrámo-nos apenas em fazer mais um álbum explosivo e “in your face”!


Quais foram as principais diferenças na gravação e produção dos dois álbuns?
Neto: Uma das maiores diferenças foi o facto de termos gravado este mais recente trabalho em “casa”, isto é, no Ultrasound Studios na Moita. Ao trabalharmos perto de casa e com todo o tempo para nós em estúdio existiram vários pormenores que pudemos trabalhar com maior precisão. O “Confrontation Of Souls” foi gravado em Braga no Ultrasound Studios onde estivemos quinze dias… Claro que já levávamos algum trabalho de casa mas pelo facto de estarmos fora tínhamos sempre alguma pressão a nível de tempo para fazer as coisas o mais rápido possível.


Voltaram a escolher o Daniel Cardoso para a produção álbum. É algo para continuar?
Neto: Sim sem dúvida, escolhemos mais uma vez o Sr. Cardoso para produzir este álbum pois é um dos melhores e arrisco-me a dizer se não o melhor produtor português! Ficámos muito satisfeitos com o resultado de “Confrontation Of Souls” que nem foi preciso pensarmos duas vezes sobre quem iria estar á frente da produção do segundo álbum. Gostamos muito do profissionalismo do Daniel e conseguimos fazer com que a relação banda/produtor seja algo de muito poderoso… Acho que se reflecte na sonoridade que temos nos discos. Será certamente algo para continuar em trabalhos futuros!


Liricamente o que aborda “Switchtense”?
Hugo: “Switchtense” é um álbum “directo ao assunto”, sem muitos rodeios sobre a mensagem que queremos passar. É um disco de denúncia, que aponta o dedo a várias injustiças… Um disco que pretende vincar a nossa personalidade persistente e trabalhadora mostrando a tudo e todos que estamos aqui para ficar e que o nosso objectivo é conseguir triunfar neste mundo do Metal!


Têm recebido excelentes críticas lá fora. Como tem sido a venda do novo álbum?
Hugo: Obviamente como trabalhamos com uma editora nacional, a maior percentagem de vendas do disco é feita cá em Portugal. Também tocamos muito mais cá que no estrangeiro, logo vendemos cá mais discos. Contudo, a como a Rastilho funciona, com grande sucesso, como loja online, vendemos também discos para fora. Ainda esta semana vendemos para a Austrália e para os Estados Unidos…


De vez em quando dão alguns concertos lá fora. Qual foi aquele que vos deu mais prazer actuar?
Hugo: Regressámos agora de 2 datas lá fora: De Rots em Antuerpia (Bélgica) e Turock Open Air em Essen (Alemanha). Foram ambos bons concertos, embora completamente distintos. Se o da Bélgica foi num clube pequeno e com um efeito de proximidade muito grande, já o do Turock foi num espaço que à hora da nossa actuação deveria ter um número aproximado de 2 mil pessoas. Foi excelente a reacção do público e conseguimos ali mais um ponto de retorno num futuro… Todo o festival foi excelente! Lembramos também com muito agrado o nosso concerto no Chronical Moshers em 2009 também na Alemanha, festival no qual já confirmámos a nossa presença no Verão do ano que vem!


Em relação ao público, preferem o português ou o estrangeiro?
Hugo: De certo modo são públicos diferentes mas ambos gostam e desfrutam da mesma maneira! Claro que jogar em casa tem sempre um gosto especial, mas publico seja ele português ou estrangeiro, se nos veio ver então temos lhes dar a nossa entrega, muita atitude e uma boa descarga de Metal! Felizmente esta é uma linguagem Universal…


São uma banda com bastante potencial para a internacionalização. Tem havido algum interesse de editoras/promotoras internacionais nos Switchtense?
Hugo: Com este álbum abordámos algumas editoras lá fora, embora saibamos que é um mercado muito competitivo e complicado de furar. Para estar numa editora internacional que seja para estar numa major… Caso contrário não me parece que seja muito importante isso! É complicado para qualquer banda do actual panorama nacional conseguir entrar no catálogo de uma Century Media, Nuclear Blast ou outra coisa do género. Mais vale termos um bom negócio de distribuição que propriamente uma edição onde por vezes as bandas pagam para editar… Isso nós não fazemos! Confiamos no nosso trabalho e na nossa persistência… Tenho a certeza que um dia vai dar os seus frutos! Até lá temos que conseguir tudo à nossa conta e com todo o nosso esforço, agradecendo o excelente apoio e o profissional trabalho que temos da nossa editora Rastilho.


Já se encontram em fase de composição o próximo longa-duração?
Neto: Neste momento ainda estamos a promover este segundo álbum mas já começámos a pensar numa futura composição para o que será o sucessor de “Switchtense”. Não fugirá muito aos anteriores mas será sem duvida um álbum mais maduro com toda a aprendizagem e experiência que temos vindo a ter com o passar do tempo, mas sim, podem esperar a mesma força e dedicação que temos vindo a transpor para os nossos álbuns, e claro… Muita agressividade e muito caos!


Falando agora do underground metálico nacional, na vossa opinião, quais são as principais diferenças do Metal agora, e do Metal de há 10 ou 20 anos?
Hugo: Mais sítios para se tocar ao vivo, mais bandas com mais qualidade, mais festivais de Metal, mais hipótese de conseguires promover a tua banda lá fora… Tudo isto são coisas muito positivas! Contudo há coisas que nunca mudam: o compadrio, o “cunhismo”, a falta de respeito por quem é sério e honesto, os poucos apoios estatais a eventos que tenham a ver com as sonoridades mais extremas… Há que lutar, arregaçar as mangas e não ficar à espera que as coisas aconteçam!


Que bandas nacionais aconselham?
Neto: Existem várias bandas nacionais das quais gostamos muito e nos identificamos, sugerimos bandas como Grankapo, For The Glory, Seven Stitches, Pitch Black, Revolution Within, Echidna, Simbiose, The Spiteful, etc…


Para terminar, querem deixar alguma mensagem?
Neto: Apoiem o Metal Nacional que está aí em força, continuem a aparecer nos concertos, não só nesses “grandes” eventos mas também no meio underground! Façam com que cada vez mais Portugal seja um país referenciado como um país de Bom Metal! Da nossa parte um obrigado muito especial a quem nos tem acompanhado e apoiado ao longo deste tempo e a toda a gente que descobre agora o som de Switchtense! Estamos aí para ficar!!! Já daqui a pouco tempo, mais concretamente de 28 de Outubro a 01 de Novembro, estamos na estrada com a Lions Unleashed Tour, a melhor Tour (só com bandas nacionais) do ano! Procurem informações sobre as datas e locais e não faltem à chamada!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Miss Cadaver - Morte Ao Fado

Um ano e tal depois do primeiro lançamento, uma Demo, os Miss Cadaver voltam a atacar com o primeiro longa-duração intitulado “Morte Ao Fado”, já bastante conhecido pela sua capa marcante e objectiva, com a cadavérica Amália na capa. Como a própria banda afirma, sem medos, sem tretas, “Morte Ao Fado” é apontar o dedo ao que vai mal neste país, neste cantinho de brandos e merdosos costumes onde cada vez mais nos enterramos à pala da corrupção tiranossaura, do uso da democracia como meio para enriquecer alguns sem o mínimo de respeito por quem quer que seja. Estamos a bater, se é que já não batemos no fundo. É triste mas é verdade! E vai chegar a todos! Este trabalho é um manifesto contra toda a podridão que grassa cada vez mais neste triste canto à beira-mar plantado! “Morte Ao Fado” significa o fim para o nosso negro destino e é uma homenagem a todos que, não tendo culpa, estão a sofrer as consequências destes políticos nojentos, bancários facínoras, Mass Media hipnotizados e comprados, patrões exploradores e tudo a aquilo que está a destruir a nossa integridade!

Dizer já, que houve uma grande evolução em todos os pontos em relação ao trabalho anterior: a nível instrumental e vocal o álbum é muito mais variado, a nível lírico há uma maior preocupação em fazer as letras maiores e como deve ser, em fazer as letras com uma composição maior… E agora os Miss Cadaver estão mais Punk, mais Death (nalguns temas) e menos Thrash, contrariamente à Demo de 2010. Influências de Censurados, Simbiose, Doom e Napalm Death. À semelhança desta última, o álbum começa com o tema “Amália”, muito curto, simples e directo, assim como em “Amén”. “Ca-mo-rra” é outra faixa bastante Napalm Death, dominada por uma voz grave e por um blast beat infernal. “Abismo” é uma das músicas mais bem conseguidas do álbum com um refrão marcante e sublime, num timbre mais Punk Rock: “Que fazer? / Que futuro? / Enquanto uns se enchem a valer / Outros trabalham no duro”. Outra música bastante veloz é “Jogo Sujo”, é rápida, agressiva e suja, sem mariquices, é Punk! “Vírus” é na minha opinião a melhor música do álbum, é absolutamente fantástica, todo os pormenores a nível instrumental e aquele refrão incrível conjugam-se numa sintonia espectacular. Numa onda mais Thrash temos a poderosa “Plasmagórico”.

“Rattvs Velhus” é um hino dedicado aos velhos caquécticos e avós da corrupção, que têm reformas robustas. É a música com a letra mais simples do álbum e é também uma das melhores faixas, rápida e dinâmica, dominada por uns riffs de guitarra infernais, um tema que se for tocado ao vivo, rapidamente se tornará hino da banda. Destaque para o tema “Justiça Azul” com a sua letra distinta e incisiva sobre a justiça no nosso país. “Mundo Finito” é mais uma faixa parecida com as faixas da Demo, mais a nível instrumental, já a voz é muito mais pujante e forte, com destaque para a parte do “Futuro? / Não há”. O registo termina com o tema “Acorda (Agora)”, mais uma faixa poderosa, marcada pelo peso das guitarras e por aquele riff minimalista a seguir ao refrão que faz uma diferença enorme na audição do tema.

A edição desta pérola ficou a cargo da A Noise Records e Fukk That! Records, saiu em formato de Cassete profissional limitado a 100 cópias, com capa a cores (frente e costas). Para além das 11 músicas do álbum e mais 4 da Demo homónima de 2010 e devido ao valor único de lançar algo em tape nos dias que correm, este lançamento (e só este!) conta com o tema bónus “Medo De Mudar”, uma cover/adaptção (muito boa) do tema “Phobia For Change” dos Doom. Estamos perante um dos melhores lançamentos do ano no que toca ao Punk nacional, apressem-se a comprar porque só saíram 100.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Alastor - Demon Attack

Segundo consta, os Alastor foram a primeira banda portuguesa de Black Metal, estávamos no ano de 1988, e como o JA afirmou, naquela altura era muito difícil encontrar músicos para Metal, e como nunca conseguiram completar a formação mínima, a coisa não passou de poucas músicas… Regressaram em 1996 para dois anos mais tarde editarem o primeiro trabalho oficial, um Split CD com os Decayed, “A Sacrifice To Darkness”. Em 2000 lançam o primeiro álbum “Crushing Christendom”, e em 2001 “Hellward”. 2004 marca o regresso aos lançamentos com o poderoso “Infernal Lord”, para além dos álbuns ainda tivemos a compilação “2000 Years Lies”  e a Demo “Possessed By Darkness”.  Num ano (2011) marcado por grandes lançamentos de Black Metal cantado em português, os Alastor são os que se destacam mais lançando o seu quarto longa-duração “Demon Attack”, com edição a cargo da War Productions, que tem como faixas bónus o primeiro álbum da banda nunca antes editado por não haver o interessa de uma editora na altura que era para sair.

Histórias à parte, este “Demon Attack” tem de tudo para ser um dos melhores álbuns de Black Metal editados em Portugal nos últimos anos, embora, infelizmente, passe ao lado de muita gente… É Black Metal de veia Thrash (imaginem uns Venom ou Bathory possuídos pelos solos e riffs infernais de Slayer), cantado na língua de Camões (excepto o cover de Mötley Crue, “Red Hot”). O som é brutal, muito técnico e super diabólico. Como o JA disse (e bem!), contrariamente aos lançamentos anteriores, “Demon Attack” destaca-se pelo som mais límpido e claro, e por aquela agressividade e velocidade blasfema que sempre caracterizou os Alastor, e claro a voz de um GS cada vez mais agressivo e voraz. O álbum inicia-se com a introdução atmosférica “Antes Do Ataque” que rapidamente dá lugar à diabólica “Pura Devastação”, que é mesma uma devastação, da letra à voz, do trabalho bastante bem executado da bateria passando pelo grande solo guitarra. “Evocação A Lilith” é sem dúvida outro ponto alto do álbum, uma completa descarga de Black/Thrash com riffs possuidores! Destaque especial para a fantástica “Hino Fúnebre”, uma faixa instrumental obscura, com um som limpo e negro, é sem dúvida um das melhores músicas de Alastor, é lindíssima!

Destaque também para as faixas “Necromante” e “Fogo E Sangue”, e claro, para o espectacular cover de Mötley Crue “Red Hot”, muito bem adaptado à sonoridade dos Alastor, num tom diabólico e sujo, muito mais rápido e agressivo que o original. O álbum termina com “Depois Do Ataque”, mais uma faixa instrumental espectacular, num tom triste e sombrio acompanhado por uma guitarra acústica, o som dos sinos e da chuva… Termina assim o ataque. Em relação às faixas bónus do álbum “Gates Of Darkness” de 1996, destaque para “Sacrifice To Satan”, “No Exorcism” e “Spawn Of Evil”, Black/Thrash sujo e agressivo, num tom mais Black ‘n’ Roll.

“Demon Attack” é sem dúvida um dos grandes lançamentos deste ano, é Black Metal sem tretas, altamente aconselhável para fãs de Venom, Bathory, Hellhammer, Celtic Frost… É pena estes senhores não actuarem ao vivo, têm um grande potencial para se tornarem numa das maiores bandas nacionais de Black Metal, principalmente lá fora. O tempo dirá como irão correr as coisas daqui para frente, até lá, vamos ouvindo e desfrutando cada segundo deste ataque do demónio!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Entrevista: Revolution Within

Os Revolution Within formaram-se em 2005, conta-nos o que é que vos levou a formar a banda na altura.
Creio que, como com a maior parte das bandas, o que nos levou a formar a banda foi principalmente a amizade que nos unia e o gosto em comum pela música pesada. Já nos conhecíamos há algum tempo e, após um concerto mais descontraído com uma banda de covers, decidimos avançar com uma banda de originais. Nascem então os Revolution Within.


Passados 4 anos lançaram o primeiro álbum, como decorreu o processo de gravação e produção?
Não foi nada fácil, pois além de não termos grande experiência de gravação em estúdio, passamos pela mudança de baterista por duas ocasiões, sendo que todos os bateristas gravaram as músicas em estúdio, ou seja, gravamos ao todo 3 vezes a bateria! O tempo de gravação acabou por ser demasiado longo…


Como surgiu a oportunidade de assinar pela Rastilho Records?
Depois de termos o disco pronto decidimos tentar a nossa sorte junto de editoras. Contactamos com a Rastilho e após algumas “negociações” lá conseguimos chegar a entendimento. A Rastilho Records foi desde sempre uma das nossas prioridades como editora e felizmente as coisas correram bem. Quer a Rastilho Records quer os Revolution Within estão satisfeitos com a parceria.


O que é que “Collision” aborda liricamente?
O disco retrata a nossa personalidade pelo que fala essencialmente de situações por nós vividas, estados de espírito, entre outras. No disco também abordamos situações reais, como por exemplo a guerra que não leva a lado nenhum, a inveja e o egoísmo que fazem parte do nosso dia-a-dia, as relações mal sucedidas, as frustrações e confrontos pessoais, etc. Julgo que quem se debruçar sobre o conteúdo lírico certamente se vai rever na maior parte do que é dito. O mundo é precisamente isso, uma constante colisão…


Têm dado vários concertos em Portugal, como é que tem sido a reacção do público?
Após a saída do “Collision” demos muitos concertos de promoção. Acho que causamos um bom impacto junto do público pois a reacção deste foi fantástica. Os nossos concertos transmitem energia positiva, o que também terá ajudado…


Recentemente fizeram uma mini digressão na Bélgica, que tal foi a experiência?
Brutal! Correu tudo muito bem! Deu para estarmos juntos durante uma semana e nos aturarmos uns aos outros… O saldo foi bastante positivo. As pessoas ficaram agradadas com o nosso som. Em suma, acho que deixámos uma boa imagem das bandas portuguesas lá fora. Provámos que o material/Metal tuga tem qualidade.


Acham que vão ter mais oportunidades de dar mais concertos lá fora?
Claro que sim! É uma questão de estar atento e de ter alguma sorte à mistura. A possibilidade de ir dar concertos lá fora é real e é preciso saber aproveitar tais momentos…


Presenciei o vosso concerto no Vagos Open Air no mês passado e foi bastante intenso e com um público devastador. Como foi abrir o maior festival de Metal em Portugal?
Como costumo dizer, foi do caralho! Foi uma oportunidade que nos foi dada e que não podíamos de forma alguma desperdiçar. Muito obrigado ao público presente e que apoiou. Aquele Wall Of Deah!!!


Se tivessem de escolher o concerto que vos marcou mais, qual seria?
O concerto de Vagos será certamente o melhor concerto até hoje pois foi o concerto que nos deu mais visibilidade e trouxe maior audiência. Mas já tivemos outros concertos muitíssimo bons que nunca iremos esquecer, como por exemplo concertos com bandas de referência para nós (Kreator, Dew-Scented, Hatesphere, etc.).


Planos para o futuro? Já se encontram a compor material para o próximo álbum?
Estamos a compor material para o próximo trabalho, sim. As coisas estão a demorar um pouco mais que do que o previsto mas queremos fazer as coisas bem.



Qual é a vossa opinião acerca do Thrash Metal em Portugal? Acham que tem “pernas” para andar para a frente?
Em parte, sim. Mas sou de opinião que não podemos pensar que só por esse facto a nossa banda será reconhecida. Temos que ser nós a mostrar serviço e isso só se consegue com muito trabalho e dedicação. Sempre continuarei a acreditar que as nossas actuações ao vivo serão o nosso melhor cartão-de-visita. Mas também quero realçar que quando a banda surgiu nunca foi nossa intenção enveredar por um estilo definido. Muito menos colarmo-nos a determinada sonoridade. Mesmo não sendo uma banda inovadora tentamos soar diferente das outras bandas, ter uma identidade própria. As nossas músicas foram surgindo com alguma naturalidade e a dada altura rotularam-nos como sendo uma banda de Thrash Metal moderno. Sinceramente isso nunca nos preocupou… A única coisa que realmente nos interessa é fazer boas malhas de Metal, que nos agrade a nós e a quem nos quiser ouvir.



Por último, querem deixar alguma mensagem?
Muitas pessoas não devem saber mas o metal em Portugal tem apresentado excelentes bandas com excelentes trabalhos! Actualmente, as condições para as bandas melhoraram imenso, desde a existência de bons espaços para tocar à existência de bons estúdios, o que acaba por influenciar positivamente o rendimento das bandas. Sabemos que o Metal em Portugal é um estilo menosprezado, contudo, sentimos que podemos fazer algo para mudar a mentalidade das pessoas e, sinceramente, acho que estamos a contribuir em parte para essa mudança. O único pedido que faço às pessoas é para que apareçam nos concertos, passem um bom bocado e ouçam boa música… Cheers!

sábado, 30 de julho de 2011

Revolution Within - Collision

Os Revolution Within são uma banda portuguesa de Thrash Metal moderno (e do bom!), são de Santa Maria Da Feira e formaram-se em 2005. Assinaram contrato com a Rastilho Records e em 2009 lançam o seu primeiro longa-duração “Collision”, Thrash Metal moderno de veia Death/Groove, com muita qualidade onde as principais influências que nos saltam à vista são Machine Head, Sepultura (“Chaos A.D.” e “Arise”), e até um pouco de Pantera. São oito temas violentos (com duas introduções) que perfazem um total de 32 minutos (muito pouco tempo).

Não há muita a dizer de “Collision”, é um álbum bastante sólido e coerente do início ao fim, são 6 temas velozes e melódicos, com um peso significativo de uma grande dupla de guitarras onde solos e riffs melódicos se destacam bastante. A voz é grave e rasgada, o baixo podia-se ouvir mais e a bateria é forte e rápida, bem trabalhada. Apesar da grande qualidade e técnica, os Revolution Within pecam por ser uma banda com originalidade quase nula, contudo, é o que gostam de fazer, e que venham mais malhas! Falando dos temas: destaque inicial logo para as faixas “Stand Tall” (muito à Machine Head) e “Surrounded By Evil” (com alguns toques de Pantera). “Destroy” é outro grande tema, bastante agressivo com destaque especial para o solo de guitarra. “Silence” foi o tema escolhido para o primeiro video clip da banda, e que grande tema, com um refrão espectacular e um Groove incrível. Realce especial para o tema “No Way “ uma faixa bastante agressiva e suja. “Sinner” é a minha faixa preferida e a mais bem conseguida de todo o álbum, aquele mega/longo solo de guitarra parte tudo!

“Collision” é um bom disco de estreia, com um grande nível e uma produção bastante boa (que peca apenas por ser curto, tem apenas 6 temas “normais”) e pela banda deixar mais que evidentes todas as suas influências, mas é altamente aconselhado para qualquer amante deste género musical. Vamos ver como os temas de “Collision” resultam ao vivo no Vagos Open Air!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Entrevista: Alastor

O Black Metal em Portugal “gira” à volta de um pequeno grupo de pessoas com vários projectos, tu (JA), és um dos melhores exemplos disso. Como é que consegues conciliar todos os teus projectos e bandas nos tempos que correm?
Nunca estou a trabalhar em todos os projectos. Decayed continua a ser a minha prioridade, quando não estou a criar nada de novo para Decayed, começo a trabalhar num dos outros projectos. Como esses projectos não necessitam de ensaios, vou trabalhando calmamente, muitas vezes com paragens, até chegar ao produto final.


Os Alastor formaram-se em 1988, o que é que os levou a formar a banda na altura e o porquê de não editarem nada entre esse mesmo ano e 1998?
O que me levou a formar os Alastor foi o gosto pela música e o desejo de criar música. Comprei uma guitarra, convidei um amigo para tocar bateria e foi assim que tudo começou. Infelizmente, em 1988 era muito difícil encontrar músicos para Metal, e como nunca conseguimos completar a formação mínima, a coisa não passou de umas poucas de musicas… Quando em 1990 formei os Decayed, era suposto os Alastor nunca mais surgirem. Em 1996, convidei o resto dos Decayed para trazer a banda ao activo e desde essa altura, de tempos a tempos convido músicos para um novo álbum/gravação.


O “Demon Attack” é na minha opinião o vosso melhor álbum até à data, parece-me um trabalho mais maduro, coeso e ainda mais diabólico que os lançamentos anteriores. Quais foram as diferenças na gravação e produção deste álbum em relação aos anteriores?
A maior diferença foi o tentar limpar o som, mas sem o tornar demasiado “cristalino”. Outra foi o facto de ter demorado mais tempo a compor/gravar. Houveram algumas paragens pelo meio o que dava um certo aspecto novo de cada vez que recomeçava. E talvez a maior diferença: nunca tinha trabalhado com esta formação.


As músicas do novo álbum foram feitas exclusivamente para este lançamento ou já vinham de trás?
Foi tudo material novo. Quando convidei esta formação para fazer o único concerto até hoje, ficou sempre a vontade de gravar algo com esta formação. Eventualmente surgiram-me algumas ideias, e comecei a trabalhar num EP. Quando enviei a pré-produção ao resto da banda, gostaram tanto das músicas que sugeriram gravar-se um álbum… E assim foi.


Quais são as tuas principais inspirações a nível lírico para escrever os temas?
Todas as letras deste álbum são da autoria do GC. Quando lhe perguntei se queria escrever as letras, perguntou se queria que fossem escritas de alguma maneira em particular. Só lhe disse que preferia em português e que tentasse manter o tema dos álbuns anteriores… Anti-Cristianismo. E creio que se saiu bem na tarefa, as letras estão impressas, se alguém estiver realmente interessado, e são de fácil assimilação.


Desde o segundo registo todos os temas são cantados em português. Pretendem continuar assim?
Não vejo motivo para voltar a cantar em inglês, por isso, o português deve-se manter.


No novo álbum inseriram como bónus o primeiro álbum da banda “Gates Of Darkness” que nunca tinha sido editado. Porque razão é que esse álbum nunca foi lançado?
Esse álbum nunca foi lançado por não ter conseguido encontrar uma editora interessada em 1996. Eventualmente, optei por lançar algumas das músicas num Split com Decayed. Quando apareceu uma editora interessada nos Alastor, pediu para se gravar um novo álbum porque algumas das músicas estavam no Split…


Como músico, quais sãos as bandas que te influenciam mais?
Venom.


Vocês só deram um concerto. Está previsto algum concerto num futuro próximo ou vão continuar sem actuar?
Tocámos 5 músicas na festa de lançamento, mas não considero isso um concerto. Existe a possibilidade de se voltar a tocar ao vivo, desde que as condições necessárias sejam cumpridas.


Já se encontram a compor material para um próximo trabalho?
Aproveitei o balanço do álbum e comecei a trabalhar em 4 músicas… Faltam os solos e algumas vozes, mas como o álbum acabou de sair e nem sei o que fazer com esse material… Está parado.


Ultimamente tens ouvido algum Black Metal nacional? Se sim, que bandas recomendas?
Não faço a mínima ideia do que se passa a nível musical. Vou ouvindo algumas coisas que amigos me recomendam, mas pouco ou nada tenho a ver com este novo Metal que se faz hoje em dia. Para mim, Metal (e tanto me faz que seja Black ou Thrash ou Heavy) tem de ser tocado de uma certa maneira, porque foi essa maneira que me atraiu a ouvir Metal nos anos 80. Eu ouço barbaridades serem ditas por pessoas mais novas que, nos anos 80 seriam ditas por pessoas que nada percebiam de Metal ou que odiavam Metal.


Saindo um pouco do contexto musical e tendo em conta os temas o que todos os teus projectos abordam, consideras-te religioso?
Sou religioso. Acredito nos Deuses antigos. Se alguém quiser debater esse assunto, pode contactar-me. No entanto, se for para debater o facto de cada pessoa ser o seu “Deus”… Agradecia que só me contactassem se forem realmente Deuses.


Por último, queres deixar alguma mensagem?
Obrigado pelo apoio. Boa sorte nos teus projectos. Tentem abrir os olhos para o que se passa à vossa volta e usem a memória.