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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Decayed - The Burning Of Heaven

Porta-estandartes máximos do Black Metal Lusitano, quer vocês queiram quer não, os Decayed brindam-nos aos 26 anos de existência com o seu décimo primeiro álbum “The Burning Of Heaven”, numa edição em CD a cargo da Helldprod e Chaosphere Records. Numa altura em que as temperaturas elevadíssimas que presenciamos tornam o conceito do álbum ainda mais adequado (saindo assim no timming ideal) a banda mostra como os anos, a experiência e a dedicação são factores importantes para lançar um grande álbum, aquele que é, a segunda parte do clássico “The Book Of Darkness” editado em 1999 e que levou a banda a uma tour europeia. Curiosidades à parte, a verdade é que encontramos aqui muitas semelhanças com esse álbum a nível instrumental mais é algo mais notado sobretudo em termos líricos. 

Sem cair no erro inútil de fazer comparações a verdade é que “The Burning Of Heaven” soa muito mais coeso, natural (principalmente na voz) e claro, com uma produção adequada ao nosso tempo (isto comparando com 1999). Menos feroz que “The Ancient Brethren” e menos forçado que “Into The Depths Of Hell” aqui os riffs fluem de forma tão natural que temas longos como “The Burning Of Heaven (Flames Of Armageddon)” se tornam nos mais apetecíveis onde a vontade de carregar no replay é imediata para ouvir aquela que é a banda sonora dum céu em chamas, da morte das três principais divindades cristãs retratadas na capa: Pai, Filho e Espírito Santo. Mas não só de temas longos e mais complexos se faz o álbum, “Son Of Satan” e “War Of The Gods” são dos temas mais directos e ferozes do álbum onde somos envoltos em riffs e solos como se estivessemos em chamas. “The Mirror Of Usire” é outro longo e grande tema com um início mais doomy mas que rapidamente é avassalado pela rapidez dum estrondoso trabalho de bateria. Mas nem tudo se resume a rapidez, raiva e brutalidade e exemplo disso é a espectacular “Halls Of Torment Part II” um tema ambiental, sombrio e lento, ou a introdução “Night Of The Demons (Introduction)”, que dá de seguida lugar a um cover de Motörhead “Deaf Forever” que encaixa perfeitamente na sonoridade do álbum e mostra as verdadeiras influências da banda e que o Black Metal não é (como muitos pensam) corpse paint,  guitarras distorcidas e mariquices nórdicas. “Death is only the begining” é assim que começa o último tema do álbum “Cravado Na Cruz” cantado em português com uma voracidade vocal impressionante, algo que já não acontecia desde o “Chaos Underground”, de 2010.

“The Burning Of Heaven” é sem qualquer dúvida o melhor álbum de Decayed com esta formação: JA nas guitarras, Vulturius na voz e baixo, e Tormentor na bateria. Possivelmente a melhor proposta do ano no que toca ao verdadeiro e clássico Black Metal, com uma produção refrescante e inovadora, “The Burning Of Heaven” revela paixão, dedicação e um sentido de musicalidade fenomenal. Lusitanian Black Fucking Metal!

terça-feira, 1 de março de 2016

Entrevista: Venom Inc.

Como surgiu a ideia de formar Venom Inc.?
Demolition Man: Bem, não foi intencional, não era um plano, eu e o Mantas temos os M:Pire Of Evil que tem sido o nosso projecto nos últimos quatro ou cinco anos e fui convidado para um espectáculo onde fui tocar com Atomkraft o álbum “Future Warriors” num festival de retrospectiva em Newcastle, onde o Mantas vivia na altura (agora vive em Portugal), não íamos tocar juntos mas íamos lá ver e apoiar as bandas mas depois o Mantas chamou-me para tocar e começámos a ensaiar numa de diversão. O Abaddon estava na audiência e duas semanas depois o promotor do Keep It True Festival (que também estava na audiência) contactou-me e disse que quando me viu a mim e ao Mantas no palco tinha pensado em como seria fantástico que o Abaddon estivesse também no palco connosco porque não suportava a ideia de o ver no apenas. Depois falou-me da ideia de nos contratar para tocar no Keep It True Festival na Alemanha, como M:Pire Of Evil, e se o Abaddon também estivesse lá e se juntasse a nós em palco, ou seja, a ideia começou a surgir a partir daí. Falámos nisso e decidimos tocar lá que é um festival verdadeiramente Old School e metade do nosso set foi M:Pire Of Evil e depois o Abaddon juntou-se a nós e tocámos cinco ou seis clássicos de Venom e começou aí! Mesmo antes de deixarmos a Alemanha recebemos propostas para tocar na Ásia como Venom Inc. e nós nem sequer tínhamos nome e diziam-nos “queremos-te a ti, ao Mantas e ao Abaddon a tocar uma série de concertos aqui” e depois começámos a receber propostas de promotores europeus para fazer uma tour, depois foram os Estados Unidos depois a América do Sul e eu pensava “nós ainda nem somos uma banda devíamos mesmo fazê-lo?”. Depois veio o nome, primeiro era para ser Iron & Steel que escolhemos da letra da “Die Hard” e as agências começaram a dizer que nos tínhamos de nos chamar Venom “alguma coisa” porque nós éramos Venom e nós “ok, e que tal Venom Incorporated?” porque temos outros projectos musicais e pronto, aconteceu, não tivemos controlo sobre isso.


Achas que teria o mesmo impacto se não chamassem à banda Venom Inc. mas Iron & Steel?
Demolition Man: Provavelmente existe uma razão comercial por detrás do nome Venom mas a questão aqui é que Venom é algo muito próximo e importante para o Mantas e o Abaddon por razões óbvias, e também para mim. Nós não vendemos a merda de um copo com nome Venom nele, nós vendemos o espírito e a alma da música e queremos que as pessoas venham sentir isso outra vez. Está a ajudar? Provavelmente, mas é para alertarmos as pessoas que nós estamos ali... E quaisqueres questões que possam ter em relação à legitimidade de Venom Inc. terão de nos dizer depois de tocarmos!


Planeiam lançar um álbum de estúdio?
Mantas: Sim! As músicas estão em fase de demo e estão ainda a ser escritas, existem mais de cem riffs nas nossas drives, há muito material mas as nossas prioridades agora não são essas portanto não sabemos quando iremos para o estúdio acabar com o trabalho. Não temos pressa, já tivemos ofertas para o álbum e já falámos com algumas empresas/editoras que querem mesmo que o álbum saia mas a primeira coisa que irão ter de nós será um álbum ao vivo com o documentário desta tour, na América e isso tudo porque estamos mesmo a gravar tudo (vídeo, áudio). Na noite passada ouvimos um concerto que demos há umas noites, um gajo pôs um mix básico e pôs aquilo bem alto e soava mesmo muito bem. Aquilo com que as pessoas nos têm sobrecarregado é sobre se nós soamos mesmo às gravações originais de Venom, aos concertos daquela altura, porque (se for o caso) os nossos concertos levam as pessoas a voltar atrás no tempo, elas viajam no tempo. E sobre o nome da banda ser um ponto de venda, claro que é, as pessoas vendem o nome há muitos anos. Algum de nós nesta banda faria alguma coisa sem o nome Venom vir ao de cima? É algo que aparece sempre, seja no meu projecto com o Tony (M:Pire Of Evil) ou no meu projecto a solo, Mantas, com o álbum “Zero Tolerance”. Eu fui sempre o primeiro a afastar-me dos Venom [saiu em 1985] e eu próprio pensei sobre a legitimidade disto com o Tony mas é assim as pessoas sabem quem somos e aquilo têm de perceber que depois do Keep It True Festival apareceram vídeos no YouTube com o nome Venom Inc. - the heart, spirit and soul of Venom, alguém colocou lá isso e depois a Metal Hammer, com quem fizemos uma entrevista em Londres, pegou nisso também. E depois saiu um artigo “Are Venom Inc. The True Incarnation Of Venom?”
Demolition Man: Como te disse, não se trata daquilo (Venom com o Cronos) ou disto (Venom Inc.), trata-se daquilo e disto! Algumas pessoas querem ver o Cronos outras querem ver o Mantas e o Abaddon, se elas querem ver uma reunião dos três juntos é impossível! Foi tentado mas é impossível mantê-los juntos. Significa isso que não deveriam ver o Mantas e o Abaddon juntos? A tocar as mesmas músicas? Eles estavam lá quando as músicas foram feitas e se tornaram clássicos. Eles têm o direito de o fazer e olhámos para isso e pensámos “é errado ir tocar essas músicas?” claro que não e se os fãs querem vê-lo vão vê-lo! Nós não usámos  o nome Venom só para ter lucro, como poderíamos fazê-lo? O dinheiro com o nome Venom anda a ser feito com T-Shirts, Bootlegs, as máscaras de plástico do “Black Metal”, isqueiros, casacos, até podes comprar roupa interior com o nome Venom nela, isso é fazer dinheiro com o nome e qualquer um o pode fazer. Se olhares para nossa merchandise temos uma T-Shirt com um design clássico, um hoodie, um chapéu e é isso que podes comprar. Mas aquilo que nós queremos verdadeiramente vender não é um concerto com um palco bonito com pirotecnias, é apenas a música de Venom e a sua alma. Vais entrar ali hoje e as luzes vão estar apagadas, vai ficar escuro e nós vamos dar tudo aquilo que temos! É essa ligação que as pessoas têm de ter com a música, a música em si! Não estou a dizer que não podes ir a um festival que é a única maneira que tens de ver Venom com todos aqueles truques, luzes, é brilhante! Não estou a dizer que seja mau mas esse é apenas um aspecto de Venom mas nós damos mais valor a outro aspecto: o sentimento! Como o público se sente quando nos ouve! Tocámos no Baroeg Open Air em Roterdão (Holanda) e eu estava no backstage e estava lá um gajo com uns 50 anos e perguntou “posso entrar e dizer olá?” e eu “claro, estou aqui só eu mas sim” e ele agarrou-se a mim e começou a chorar a dizer que nem devia (nem podia) estar ali e que teve de saltar por cima duma cerca e que quando começámos a tocar começou a chorar e sentiu-se com 16 anos outra vez! É essa a beleza da música! Fazer-te sentir livre outra vez e é isso que nós queremos, emoção pura!


Vocês representam a formação de Venom que durou de 1989 até 1992. Porque é que acabaram na altura?
Demolition Man: Foi algo que se completou em si mesmo. Quando o Cronos deixou a banda depois do “Calm Before The Storm” para se dedicar à sua carreira a solo (até foi para a América) o Abaddon decidiu que queria fazer algo e contactou-me e eu já tinha saído da minha outra banda (Atomkraft) e ele disse-me “olha o Cronos já se foi e ainda quero continuar a tocar, nós podemos fazer algo e tu podias assumir os vocais” e ele conhecia-me bem e sabia bem que eu podia fazê-lo e eu disse “a única maneira de eu o fazer é se tiver também o Mantas” porque para mim podes ter Venom com o Cronos (nada contra o Abaddon) e podes ter Venom com o Mantas, mas ter Venom apenas com o Abaddon é do tipo “tu precisas de ter um daqueles dois” e isso é muito importante por causa daquilo que o Mantas é e daquilo que nós somos juntos e isso poderia resultar mas eu e o Abaddon com outro gajo, nunca ia resultar e foi por isso que optámos por essa formação. Era algo novo, real! E tivemos grandes tempos, era um álbum muito progressivo para um álbum de Venom. Em relação ao segundo álbum [“Temples Of Ice”] ficámos um pouco desapontados com a produção e o artwork (que não estivemos envolvidos) e depois editámos o “The Waste Lands” e não demos os grandes concertos que deveríamos dar, provavelmente demos dois, um com King Diamond e outro na Rússia e basicamente fazíamos club shows. Fomos contactados pela nossa antiga promotora para fazer uma tour de suporte aos Sacred Reich na Europa e eu estava sentado num bar e pensei “mas que raio estamos nós a fazer? Isto não é Venom” e depois estávamos em Berlim (mesmo antes do muro cair, ele caiu dois dias depois) e eu o Mantas estávamos na parte de trás do Tour Bus e olhámos um para o outro e dissemos “está feito, já chega, já tivemos o suficiente” fomos lá à frente e dissémos “podes voltar para trás, estamos feitos, acabou!” Foi isso que aconteceu não foi do género de nos odiarmos uns aos outros. Eu e o Mantas trabalhamos muito com o coração, é algo muito emocional, é assim que tocamos e é assim que somos e quando não temos isso é como se o estivéssemos a fazê-lo apenas por números e nós não podemos fazer isso seja com que projecto for, nós trabalhamos e damos 100% daquilo que temos com as nossas bandas. De todos os concertos que damos tem de ser a 100% e tu e o público vão perceber se é real, com significado ou se estás a fazê-lo pelo dinheiro ou apenas porque tens de fazê-lo ou porque queres ser famoso...


Portanto nessa altura não tinham o sentimento que vos mantém juntos agora?
Demolition Man: Não, completamente!
Mantas: Não! Antes disto eu e o Abaddon falámos... Sabes que eu e o Abaddon não falávamos desde 1998 porque tivemos uns problemas com os membros de Venom e não só. E depois do concerto no Camden Underworld (em Londres) estávamos a falar e tínhamos pessoas a vir ter connosco e a dizer “isto está-me a levar para os tempos gloriosos de Venom” e também me levou a mim e ao Abaddon aos velhos tempos em que ensaiávamos juntos e isto para nós acaba por ser algo novo porque era algo que não estávamos habituados e tocar agora essas músicas com o Abaddon em palco... É muito difícil de descreve-lo. É espectacular!
Demolition Man: A reacção que as pessoas têm tido tem sido do género, nós temos todos mais de 50 anos, e perguntam “onde é que vocês vão buscar tanta energia?” e tu esqueces isso e voltas a ter 20 anos e a mesma energia, algo de mágico acontece. Na noite passada em Pamplona vieram muitas pessoas de propósito de França e ficaram estupefactas com o sentimento que nós transmitimos, aquilo que as pessoas transmitem e dão quando estão na linha da frente é mesmo que nós damos, é o mesmo sentimento e quando nos dizem que sentem que têm 15 anos outra vez nós também sentimos e é essa a beleza desta tour, o entretenimento.


Existem alguns planos para reeditar o “Prime Evil”, “Temples Of Ice” ou o “The Waste Lands”?
Demolition Man: Nós tentámos principalmente com os M:Pire Of Evil porque os fãs estavam sempre a perguntar-nos isso e a dizer para tocarmos isto ou aquilo desses álbuns mas eu dizia que nós não somos os Venom somos os M:Pire Of Evil e as pessoas queriam que nós, desde o dia 1, tocássemos temas desses álbuns quando nem tínhamos nenhum material pois tínhamos iniciado a banda há muito pouco tempo mas rapidamente fizemos músicas juntos para o “Creatures Of The Black” e o “Hell To The Holy” e não tínhamos mais nada então como iríamos fazer isso? Foi então que lançamos uma competição/votação em que as pessoas escolhiam as músicas que queriam que tocássemos ao vivo e foi então que as metemos no set. Depois pensámos que se calhar devíamos reeditar algumas dessas músicas porque haviam pessoas (principalmente as mais novas) que nunca meteram as mãos nesses álbuns porque estão fora do mercado. Eu tentei o meu melhor com a Sanctuary e a Universal Music Group que têm os masters originais. Acontece que os Venom estão na Spinefarm Records que é uma subsidiária da Universal que disse que não iria reeditar esses álbuns porque o Cronos não quer que eles os reeditem, ou seja, há aqui um conflito de interesses. Os fãs pedem-nos muito para nós os reeditarmos mas nós não temos controlo sobre as masterizações/gravações originais mas se nós tivéssemos podíamos reedita-los. Temos de implorar mas até agora nada. No ano passado chegaram a dizer que iam reeditar o “Prime Evil” mas essa ideia foi rapidamente posta de lado. Então nós pensámos no que poderíamos fazer e se eles têm as gravações nós deveríamos regrava-las e foi isso que fizemos com o álbum “Crucified” de M:Pire Of Evil e optámos por escolher músicas desses 3 álbuns, nós não fizemos aquilo que alguns fazem do tipo, escolher um álbum clássico e regravá-lo, é clássico porque é um clássico, se o regravar pode soar melhor mas é um álbum clássico e não é preciso regravares um álbum clássico porque é a gravação original que o faz ser clássico. O que fizemos, de forma muita cuidadosa, foi trazer algumas músicas para o nível de M:Pire Of Evil e justifica-las ter no nosso set. Não são apenas músicas do meu período nos Venom, agora são de M:Pire Of Evil e podemos toca-las ao vivo. Outra intenção dessa regravação foi permitir que as pessoas ouvissem essas músicas e que até então não podiam comprar o produto. Escusam assim de ir ao torrent sacar os mp3 antigos com má qualidade, nós podemos dar-vos as músicas com qualidade. Temos intenção de lançar o “Crucified II” e até o “Crucified X” se for preciso, tudo para que possamos dar às pessoas as  músicas que estão nessas gravações porque não temos controlo sobre elas. Esses álbuns são muito difíceis de encontrar e o preço a que algumas pessoas o vendem é ridículo. Outra maneira de o fazer seria editar uns bootlegs e distribuir pelos fãs mas nós somos puristas e queremos fazê-lo duma forma legítima. A editora que tem as gravações originais permite que haja um conflito e é assim se os fãs querem comprar os álbuns eles não têm o direito de mante-los guardados, neste caso desde 1992, é muito tempo. Estamos a trabalhar nisso e se pudermos faremos um grande pack com material ao vivo e um DVD em HD mas para isso eles teriam de deixar e têm sido bastante restrictivos quanto a isso. Esperamos conseguir tratar disso quando acabar a nossa tour mundial, há que ter esperança.


Mantas, como te sentes pelo legado que deixaste na história do Heavy Metal? Principalmente para aquelas bandas que vêem Venom como um grande referência principalmente no Black e Thrash Metal?
Mantas: Já me fizeram essa questão várias vezes, principalmente nesta tour. A resposta que te posso dar é esmagadora... Pensar que pensam em mim dessa maneira é fantástico mas também humilde. Eu sei exactamente aquilo que sou, temos os pés bem assentes na terra, vivo uma vida sossegada aqui em Portugal, nasci em Newcastle, aprendi a tocar guitarra, escrevi umas músicas fixes, as pessoas “tiram-nas” e de repente mudaste a face do Heavy Metal para sempre, não foi nada planeado. Eu sei quem sou, sou o Jeff, mas também sou o Mantas, e aquilo que digo e faço em palco é uma extensão daquilo que eu sou. Fora disso sou aquilo que tu vês, aqui sentado, quieto a ouvir os outros falar. Ter pessoas a vir dizer-nos coisas desse género é extremamente gratificante, por exemplo uma das bandas de hoje disse-me “sem ti esta banda não existia”. Temos fãs que nos dizem “tu mudaste a minha vida, ajudaste-me a ultrapassar problemas durante a minha vida”. Estou a escrever um livro de momento (muito lentamente porque estamos em tour) e existe um capítulo que se chama “Legions Iron & Steel” e é todo ele escrito pelos fãs e deixo aqui em aberto a possibilidade para quem quiser escrever algo para colocar lá se for relacionado com Venom. Descobri histórias surpreendentes! Uma por exemplo envolveu um conflito militar onde um homem das Forças Armadas do Canadá foi para debaixo de fogo a ouvir Venom! Isso é absolutamente incrível! Eu nem consigo descrever o que sinto em relação a isso. Nós vamos para o campo de batalha todas as noites que é o palco, onde tocamos Venom, e existe alguém que vai para um campo de batalha real disparar a ouvir Venom, numa guerra! E depois há aquela coisa de que os Venom que começaram o Speed, Death, Black, Thrash Metal, a cena toda... Estava a falar com alguém anteriormente sobre o lado norueguês da coisa e de algumas bandas dizerem que os Venom não são bem Black Metal, não são aquilo que as pessoas consideram hoje em dia como Black Metal, porque o estilo evoluiu e foi-se desenvolvendo. Mas eu tenho uma pergunta para essas pessoas: sem um álbum chamado “Black Metal” e uma música chamada “Black Metal” o que lhe teriam chamado? É uma pergunta simples.


Isso acaba por acontecer também com Black Sabbath, muitas pessoas dizem que não foram a primeira banda de Heavy Metal mas que Judas Priest e Iron Maiden o foram. Acaba por não fazer sentido por tanto uma como outra banda pegaram naquilo que os Black Sabbath já tinham feito...
Mantas: Sim sim eu concordo. Li uma coisa, há mesmo muito tempo atrás, era um artigo sobre Black Sabbath e começava assim “veteran Black Metal band Black Sabbath” basicamente estavam a dizer que Black Sabbath eram uma banda de Black Metal mas porra, eles começaram muito antes de nós! Quando fizemos o primeiro álbum de M:Pire Of Evil escrevi/compus um tema chamado “Devil” que é tocado com uma guitarra leve mas depois também com riffs pesados e eu quis passar a mensagem de que os Venom criaram o Black Metal e lhe deram o nome e que antes disso havia Black Sabbath e Black Widow, podias encontrar num lado qualquer um gajo a tocar músicas sobre o diabo numa guitarra acústica, não era nada de novo. Aquilo que nós fizemos foi sermos mais directos, trouxemos isso para a frente das pessoas e se me perguntarem se fizemos isso deliberadamente para chocar as pessoas eu digo que sim, sem dúvida. As capas dos álbuns, ninguém tinha visto aquilo antes. Tivemos uma entrevista em Londres uma vez e aparece um tipo de fato completo a dizer que estávamos a corromper as pessoas com as nossas mensagens subliminares e eu: espera aí, nós não estamos a esconder nada, nós temos um álbum chamado “Welcome To Hell”, temos uma música que se chama “In League With Satan” queres que eu seja ainda mais óbvio? Ninguém nos vai dizer quais são as mensagens que temos nos álbuns elas são bastante explícitas. E sim foi feito para chocar e no início dos anos 80 as pessoas ficavam chocadas facilmente mas hoje, não consegues chocar ninguém. Ligas as notícias e vês fome e outras imagens chocantes, muito piores que qualquer filme de horror ou concerto de Metal e a diferença é que o que acontece no mundo é real e acho que a raça humana se tem tornado cada vez mais insensível porque essas imagens estão sempre a aparecer e acabam por se tornar algo normal, não é que concorde com a “publicidade” mas pronto, é inevitável. Se uma banda hoje em dia pensar em chegar e tentar chocar alguém é impossível. Penso que última a chocar alguém de forma mais exuberante foi Marilyn Manson e basicamente aquilo era uma brincadeira, no final de contas era só imagem. Mas sabes, é espectacular pensar que a banda que eu comecei e que algumas música que compus tiveram tanto efeito no Heavy Metal.


Voltando ao tema das discussões do Black Metal, o que é o para ti o Black Metal?
Mantas: O que é o Black Metal? É uma boa pergunta. Eu vejo os primeiros álbuns de Venom como aquilo que as pessoas descrevem como First Wave Of Black Metal. Para mim agora... Bem não são muitas as bandas de Black Metal que sigo mas Dimmu Borgir e Immortal ouço bastante. Adoro Dimmu Borgir, são uma banda excelente. Por exemplo a música “The Serpentine Offering”, para mim isso é Black Metal, é uma música incrível! Não vejo Cradle Of Filth como Black Metal vejo-os mais como um circo vampiresco [risos], atenção que um deles até é meu amigo, o baterista Marthus, que toca no meu projecto a solo, mas vejo-os mais como algo mais gótico. Mas para mim, os Dimmu Borgir são “a banda” de Black Metal e para mim eles são uma evolução daquilo que nós fizemos. Basicamente o que estas bandas fizeram foi pegar naquilo que nós fizemos e levaram-no ao extremo, tal como nós pegámos em Black Sabbath, Judas Priest e Motörhead e levámos ao extremo. Sempre que compunha eram essas as bandas que me vinham à cabeça, às vezes perguntam-me como compus aquilo e foi assim. É algo que simplesmente acontece, vem um riff e aí está a música. Não há nenhuma ideia pré-concebida daquilo que tenho de escrever, no que toca a isso vejo-me mais como um líder que como um seguidor porque tento sempre criar algo original.
Demolition Man: Gostava ainda de clarificar uma coisa: o género que se tornou o Black Metal não é Venom. E depois há sempre aquelas questões de uns consideram que são Black Metal outros não. Ou são mesmo? Vejamos: eles fizerem um álbum de nome “Black Metal” e o título desse álbum, dessa música era para descrever o som de Venom, não era para descrever um género que se iria tornar progressivo, com orquestras ou sobre folclore nórdico, era para distingui-los de todos os outros. Se olhares para o género hoje em dia eles não são Black Metal, todavia, serão essas bandas de hoje em dia Black Metal? Se os Venom lhes chamaram a eles próprios Black Metal? A diferença do género é essa e se olhares para os Venom como Black Metal, como algo definido por eles, então essas bandas de hoje não são Black Metal, são aquilo que elas próprias definem como True Black Metal. Mas é assim, eles foram obviamente influenciados por Venom, tal como os Bathory foram e acrescentaram orquestras progressivas que por sua vez foram influenciar outras bandas, tal como os Venom os influenciaram. Tiram um título daqui uma frase dali um movimento doutro lado e é isso que vai formando um género. Num sentido mais puro Venom está muito longe de Dimmu Borgir mas se a influência está lá? Sem qualquer dúvida.
Mantas: Naquela altura qualquer banda com guitarras eléctricas e cabelos compridos era considerada Heavy Metal. Para nós grande parte das bandas não eram Heavy Metal. Nós nem nos sentíamos parte da New Wave Of British Heavy Metal e depois veio a questão “vocês afinal são o quê?” e lá estava o álbum “Black Metal” e definir-nos, era uma declaração para alienar-nos dessa cena e individualizar a banda e fizemo-lo à nossa maneira. Não nos víamos como uma banda da New Wave Of British Heavy Metal como por exemplo as do nordeste (da nossa zona) Raven, Fist ou Tygers Of Pan Tang, nós não tínhamos nada em comum com essas bandas e foi por isso que a declaração foi feita! Foi um pouco arrogante mas as coisas era assim.


Para terminar gostavam de deixar alguma mensagem aos fãs portugueses?
Demolition Man: O Jeff pode fazê-lo inteiramente em português já que ele mora cá [risos]. Gostava de dizer a toda a gente em Portugal para nos virem ver e para não nos julgarem antes de verem e o experienciarem. Mais é melhor. Se forem a uma loja de doces e só puderem comprar um chocolate pode ser muito difícil mas se puderes escolher vários é melhor. Aproveitem o concerto, obrigado por nos seguirem e apoiarem, muito respeito para com vocês todos. Obrigado pela entrevista.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Entrevista: Alcest

A história dos Alcest começa por volta de 1999 como uma banda de Black Metal, o que é que os levou a passar para um estilo mais alternativo e Shoegaze?
A nossa cena não era de todo o Black Metal, eu [Neige] comecei a ouvir Black Metal quando era muito novo talvez quando tinha 14 ou 15 anos comecei a ouvir sons cada vez agressivos.


Portanto agora a tua onda já não é o Black Metal?
É assim continua a ser porque eu gosto de Black Metal mas quando faço música gosto de fazer algo mais. Gosto de Black Metal mas Alcest é muito mais que isso, de momento penso não voltar a fazer Black Metal com Alcest.


A música que fazes é influenciada por sonhos e experiências, como e em que sentido? São mesmo sonhos?
É assim não é como sonhar à noite, é algo mais espiritual que eu tive e é muito difícil de descrever e expressar o que vivi. Basicamente isso passou para a música porque é difícil de expressar por palavras. Quando eu era criança tinha visões e não percebia bem o que eram mas era algo verdadeiramente bonito e foi a melhor coisa que alguma vez experiencei e depois à medida que fui crescendo fui pensando em usar isso na música porque achei que era interessante.


Li algures que não gostavas de fazer o mesmo álbum uma e outra vez. Qual será a principal diferença entre o “Shelter” e o próximo álbum?
Sim é verdade. Vai ser muito diferente. Por um lado vai ter parecenças com material mais antigo já o processo de composição vai ser semelhante ao “Shelter”. O próximo álbum vai ser mais rítmico e bem diferente do “Shelter”. Assim como o “Les Voyages De L'Âme” foi diferente do “Shelter”, este vai ser diferente. Em termos líricos vai ser muito mais pessoal que o “Shelter” e temos um grande feeling em relação a ele e vai ser um registo muito importante para nós.


Vamos voltar a ouvir alguns gritos?
Eu penso que sim! [risos] Apesar de eu ter dito que já não ia gritar mais mas mudei a minha mente.


“Shelter” é um álbum sobre o Verão e a luz, existe alguma relação com o “Écailles De Lune” que falava da noite?
Sim! Eu diria que o “Shelter” e o “Écailles De Lune” ocorrem no mesmo lugar mas em diferentes alturas, um ocorre de dia e outro durante a noite.


E em relação ao “Souvenirs D'Un Autre Monde”?
Está 100% relacionado com o conceito das visões que tive, tal como o EP “Le Secret”. São os dois registos mais pessoais. O “Les Voyages De L'Âme” também é bastante pessoal mas dum modo diferente, vai mais de encontro ao conceito de Alcest porque no “Souvenirs D'Un Autre Monde” era mais novo e inocente o que torna o álbum mais especial enquanto o “Les Voyages De L'Âme” acaba por ser algo mais complexo porque passei por experiências que não tinha passado no primeiro álbum.


Para além das visões e experiências o que é que te influencia mais a compor? Que bandas e estilos mais te inspiram?
Depende de vários factores, o “Shelter” por exemplo foi fortemente influenciado por bandas de Shoegaze e outras como Dead Can Dance.


Já têm alguma ideia de quando irá sair o novo álbum?
Em princípio nos finais de 2016 e vai ter a mesma editora, a Prophecy Productions.


Qual é o teu álbum preferido de Alcest? Se tivesses de escolher só um?
Posso escolher dois? [risos] Escolho o “Souvenirs D'Un Autre Monde” e o “Écailles De Lune”. Também gosto muito dos outros mas quando tu és novo há algo de muito especial quando fazes música e acho que é precisamente isso que está a acontecer com o novo álbum, temos a mesma energia.


Hoje em dia vemos muitas bandas a tocar álbuns inteiros ao vivo, que escolherias para tocar?
Fizemo-lo uma vez no Roadburn Festival onde tocámos o “Les Voyages De L'Âme”. Vemo-nos na possibilidade de um dia tocar o “Souvenirs D'Un Autre Monde” ou o “Écailles De Lune”, é uma questão muito interessante


Este concerto [Reverence Festival Valada] não é o vosso primeiro em Portugal, como têm sido as experiências por cá? E quais as expectativas para hoje?
Acho que já demos quatro concertos cá, adoramos o país é muito bonito. Em relação a hoje não sabemos mas queremos dar um grande concerto e que as pessoas aproveitem ao máximo.


Conheces ou ouves alguma banda portuguesa?
Moonspell claro... E eu conhecia uma banda já há muito tempo mas não sei se ainda tocam, os InThyFlesh, conhecia-os porque toquei com eles há talvez 14 anos, com outra banda minha, eles são bastante antigos e bons.


Por último, gostavas de deixar uma mensagem aos fãs portugueses?
Sim. Esperemos que gostem desta entrevista e estamos muito felizes por voltar a tocar em Portugal. Obrigado!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Alastor - From The Hellish Abyss

Depois do excelente “Demon Attack” editado em 2011, JA (Decayed) e companhia voltam com mais um grande opus, na onda do anterior, com uma atmosfera menos negra mas bem mais voraz a agressiva com um vocais completamente devastadores, na celebração dos 25 anos de existência da banda. Para quem conhece já sabe o que esperar, Black Metal diabólico e sem merdas influenciado pela verdadeira velha escola: Venom, Hellhammer/Celtic Frost, Bathory, com os riffs e solos do melhor Thrash dos anos 80. “From The Hellish Abyss” resume-se a caos, destruição, satanás, tormentos, ódio à cristandade… Mas nem tudo é violento e tal como no álbum anterior somos surpreendidos por uma faixa mais calma, lenta, serena e verdadeiramente assustadora, “Cinza E Pó” é um dos pontos altos do álbum. “Negra Sexta XIII”, “Devorando A Carcaça De Deus”, “Homenagem A Satanás” são na minha opinião os melhores temas, convém destacar as partes mais acústicas e mais uma vez o excelente trabalho lírico e claro excelente “Some Kinda Hate”, um cover muito bem feito à maneira de Alastor, dos lendários Misfits, à semelhança do anterior que tinha um cover de Mötley Crüe, “Red Hot”.

Basicamente, não é nada de novo mas a qualidade habitual do projecto está lá, Black Metal totalmente Old School de veia Thrash, produção polida e limpinha como o anterior e como bónus ainda têm dois EPs da banda, “Merciless Mayhem” e “Possessed By Darkness”, o primeiro, nunca antes lançado. Mais uma grande edição da (que já vai sendo habitual) Hoth Records.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Entrevista: Matter

Porque é que decidiram formar a banda?
Barrasco: Gostamos de fazer abrasamento! Damo-nos bem a fazer abrasamento juntos. Não há nenhuma razão em especial.


Porquê o nome Matter?
DevilPig: O nome foi daquelas coisas… Não sabíamos que nome havíamos de dar à banda, até que chegámos a um ponto que estávamos abertos a qualquer sugestão. Cada um estava à procura dum nome e eu lembrei-me de Matter, a tradução em si, “matéria”… É um assunto de reflexão… E a dimensão que o nome podia ter, achei piada.


Quais são as vossas principais influências para compor?
Barrasco: Imaginamos tanques no horizonte… A tensão que isso gera, nós traduzimos em música!


E em termos bandas ou estilos?
DevilPig: Cada um tem as suas, e é muito assim. Há cenas que curtimos em comum…
Barrasco: Nós não combinamos fazer uma música “tipo” uma banda, nós imaginamos os tanques e o resto surge.
DevilPig: Epá é aquela cena, tu ouves música, e qualquer música que ouças é óbvio que vai ter influência, principalmente do que gostas mais.
Barrasco: O Bob Wayne influencia-me!!!


Como foi a gravação do EP?
Barrasco: Isso foi gravado ao vivo no Colhões e editado em casa.


Porquê chamar-lhe “R ND M”?
Barrasco: Tirámos as vogais à palavra “random”.


Que temas abordam liricamente?
Turtle: A maior parte das líricas são temas pessoais, coisas que eu escrevi, mas depois há outros temas como… Eu baseei-me em alguns textos d'Os Lusíadas, baseei-me também em alguns livros, um dos exemplos é A Arte Da Guerra do Sun Tzu… Abordam temas que têm algo de militar, porque nós temos de nos regir por algumas regras e essas regras traduzem-se depois na nossa vida pessoal e no nosso dia-a-dia, e escrevi um bocado sobre isso, mas a maior parte das letras são coisas pessoais que prefiro manter para mim.


Porque é que escolheram excertos do filme “Twelve Monkeys” para as introduções das músicas no EP?
Barrasco: Gostamos do filme e aquilo tem alguma coisa de lunático e é bom pôr um bocado de demência na violência.
Turtle: É um bocado isso também que nós queremos fazer, nos concerto queremos sempre tentar provocar um certo caos, uma reacção nas pessoas E principalmente debitar aquilo que nós sabemos fazer e desafiar as pessoas, que tipo de reacção é que a nossa música causa.


De todos os concertos que deram, qual o que gostaram mais?
Barrasco: Não foram muitos, ou seja, também não temos muita escolha.
Turtle: Eu gostei muito do concerto de beneficência, o Colhões de Ferro Benefit 1.


Quais são os planos para o futuro, já estão a gravar alguma coisa ou a compor?
Barrasco: Vamos agora gravar, a bateria já está, falta só guitarra e voz, pedimos material emprestado, uma mesa de gravação multipista e etc, e é tudo feito em casa. Talvez até ao final do ano esteja gravado, mas não temos uma previsão ainda, houve uns atrasos entretanto.


Vai ser um EP, um álbum
Barrasco: Vai ter 11 músicas. Por isso, se calhar é um álbum, não sei isso do tempo, eu não percebo nada disso.


Como banda, quais são as principais dificuldades que sentem?
Barrasco: Não temos dinheiro, somos uns tesos do caralho!
DevilPig: Organização de tempo, é difícil termos tempo para nos juntar-mos.
Barrasco: Era mais importante ter dinheiro para gasolina porque às vezes um gajo só não ensaia porque não dá jeito estar a meter gasolina.
DevilPig: O dinheiro também ajuda muito.


Já foram abordados por alguma editora/distribuidora para editar algo ou por alguma banda para um Split?
Barrasco: Para Splits há sempre alguma coisa mas não participámos em nada, ainda. Fomos convidados por uma cena qualquer americana, acho que aquilo nem era bem uma editora, é um gajo qualquer que estava a fazer uma compilação
Turtle: E de vez em quando recebemos convites para fanzines, para mandar cenas para compilações.


Por último, uma mensagem para quem vos ouve
Turtle: Vão a concertos, principalmente é isso. Porque hoje em dia é nos concertos que se vê o que vale ou não.
Barrasco: Em estúdio toda a gente faz o que quer Se tiver dinheiro Voltámos à mesma merda!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Disthrone - Anti-System

Da Margem Sul chegam-nos os Disthrone com o seu Crust/D-Beat infernal embebido em Black Metal, instrumental simples, directo, melódico e com uma voz feminina muito pouco ortodoxa. Os elementos da banda já são conhecidos de outros projectos como Undersave ou Inquisitor, a banda foi formada em 2011 e chegados a 2013, depois de espalharem o caos pelos mais variados palcos nacionais, lançam a primeira Demo de título “Anti-System”, uma edição da Helldprod limitada a 300 tapes (50 vermelhas). Influências de Wolfpack, Doom, Discharge são bem evidentes tal como algum Black Metal mais Old School como Venom e Bathory, mas aquilo que se sobressai mais são os toques de Darkthrone (a fase mais Punk), não fosse aquele cover da “I Am The Grave Of The 80s” a pôr um ponto final nesta promissora e impiedosa edição. A meu ver o único problema é mesmo a produção pouco profissional, o som das guitarras devia-se sobrepor mais ao restante para dar mais peso e melodia ao temas e um pouco de mais agressividade e sujidade só beneficiava a banda. 

São então 5 temas que compõem esta tape, a introdução é bastante simples com uma bateria pontual e riffs simples, o caos começa mesmo com a poderosa “J.F.O.”, uma faixa agressiva com um refrão bastante catchy e furioso, já esperado. “Anti-System” é um dos pontos altos da Demo com um main riff bastante bom e mais uma vez com uma letra tumultuosa com uma vocalista repugnante e indignada, destaque também para o solo de guitarra. “Mistress Of Evil” foi o primeiro tema gravado pela banda e que faixa, sem dúvida uma das mais complexas e elaboradas. A rebelião termina com aquele cover de Darkthrone que devia ter uma guitarra mais presente e agressiva porque ao resto o que não falta é agressividade e selvajaria, é um cover que ao vivo mexe bastante com o público e a banda sabe como executa-lo da melhor maneira.

Estamos perante a primeira grande revelação do ano com uma banda que ainda tem muito para dar e devemos louvar quem faz algo de diferente do habitual no espectro metálico português, espera-se um trabalho mais a sério da banda, até lá, o caos e a revolução continuam, “We are Anti-System!”.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Decayed - The Ancient Brethren

Para quem pensava que os Decayed tinham ficado pelo “Chaos Underground” desengane-se… Depois da edição desse álbum negro e decadente ainda saíram cá para fora títulos como “Blasphemic Offerings - The Singles 1993-2011” (compilação), “Lusitanian Black Fucking Metal” (EP), “Darkness Over Germany” (primeiro DVD inédito), Apocryphal Spells (EP), entre outros. Agora estão completamente renovados com H.L. (Vulturius) na voz e Tormentor (Desaster) na bateria infernal. “The Ancient Brethren” é o título do novo álbum da mais antiga formação de Black Metal portuguesa… É já o 9º álbum, o chamamento final aos antigos irmãos que ainda defendem aquilo que os Decayed defendem, o Heavy Metal, a união, a luta! 

E porque idade não pesa o senhor JA vai-nos surpreendendo cada vez mais e este álbum é absolutamente demolidor, bem diferente daquela onda Black ‘n’ Roll com W. na voz… A produção é bastante diferente de todos os álbuns até aqui lançados, o clima do álbum é mais frio, negro, agressivo e própria voz do H.L. contribui muito para isso, é aguda, arranhada, com uma raiva e ódio demolidores! Riffs de guitarra sujos e crus, com grandes solos e uma bateria do diabo a despejar beats por todo o lado. As introduções serenas e calmas são uma das imagens de marca da banda e este registo não foge à regra, logo com “Accursed / Overture” a abrir o álbum. É em “Ancient Abgal” que as coisas começam a ficar mais sérias, sem dúvida uma das melhores malhas do álbum com riff inicial e uma bateria pontual no início como se de uma marcha de guerra se tratasse e o caos começa quando H.L. entra com a voz. “Blood Flow” é a faixa mais agressiva e pesada do álbum, muito rápida e impiedosa. 

“Burning Skies” é das músicas mais interessantes do álbum, pelo ritmo mais balançado e lento, pela letra e pelo som do baixo mais notório que noutros temas. “Destroy Their Reign” é outra malha muito rápida e hostil, já “Flame Of Lucifer” é o tema mais alternativo do álbum (no bom sentido), com um ritmo bem melódico com toques Rock ‘n’ Roll e até a nível da voz o H.L. se arrisca a fazer uns agudos impressionantes e o pequeno solo de guitarra é encantador! “Hellish Incantations” e “Symbol Of Deceit” são mais dois grandes temas, o primeiro com grandes riffs e solos de guitarra (para não variar) e o segundo com uns efeitos na voz que dão um tom ainda mais negro ao álbum. “T.O.T.B.” é o grande momento Doom do álbum, muito relaxante e hipnotizante! “Epitaph” é a última malha e termina este grande momento de destruição maciça de forma épica.

Os Decayed são autores de clássicos incontornáveis e únicos como “The Conjuration Of The Southern Circle” ou “Resurrectiónem Mortuórum” e arriscar-me-ia a dizer que “The Ancient Brethren” é um dos melhores álbuns da carreira dos portugueses, um dos sérios candidatos a álbum nacional do ano, uma grande edição, mais uma vez a cargo da BlackSeed Productions. Enquanto houver JA, haverá Decayed, e mesmo quando ele não estiver cá, vão continuar a sair registos inéditos e impressionantes. O Black Metal lusitano está vivo e para durar!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Hoth - Rites Of Old… Ancient Scrolls

Hoth é mais um projecto do multifacetado JA (Decayed, Alastor, Thugnor, Nethermancy) criado em 1988 com o intuito de juntar teclas ao Black Metal, algo que não era muito comum na altura. O primeiro trabalho deste projecto intitulou-se de “Odes To My Black Goddess” foi editado em 1995, uma Demo Tape e foi em 2001 que saiu algo mais sério, uma regravação da Demo, “Rites Of The Black Goddess”, o primeiro álbum de estúdio, capa polémica, boa qualidade, mas deixou algo a desejar… É então em 2011 que a Hoth Records aposta no lançamento desse álbum mas com a gravação original, com menos efeitos e arranjos, som mais natural, agressivo, cru, muito melódico, mais rápido, de título: “Rites Of Old… Ancient Scrolls”, uma edição de luxo em CDr com artwork renovado, vocais mais agressivos e rasgados que no trabalho anterior que eram falados/recitados com vários efeitos na voz, este álbum é muito mais natural e puro, Black ‘n’ Roll característico do início dos anos noventa, bem melódico, com alguns elementos Folk graças as mais variadas teclas que criam um ambiente único, negro, pagão… Um excelente tributo aos Deuses antigos.

A grande diferença da gravação original de “Rites Of The Black Goddess” é o som mais polido, sem grandes arranjos ou efeitos, principalmente na voz… Black Metal tradicional, sujo, com um toque bem melódico e com arranjos muito bons e exemplo disso é a grande faixa “Impious Congregation” com um teclado a acompanhar a acompanhar aquele som cru e distorcido, memorável. Sou da opinião que outras faixas mais lentas como “Nocturnal Offering” ou “Hellish Revelations” não resultam tão bem com este tipo de som, este lado mais Doom é o ponto mais fraco do álbum. Mas o álbum não é só Black Metal e a música “Isis Celebration” é um dos pontos altos, uma faixa muito calma com uma melodia linda, guitarra limpa e ambiente soberbo. O Black Metal volta logo com “Dragons Lords”, tema rápido, melódico, voz rasgada, teclados com grande presença, destaque para o som da flauta e para aquele voz com pitch. “Nail The Nazarene” e “Hair Of The Dog” são mais dois temas épicos que não fogem aos temas mais rápidos e mexidos aqui descrevidos, este último, um cover de Nazareth.

Álbum altamente aconselhado para quem gosto de bom Black ‘n’ Roll dos anos 80/90, sujo, cru, sem grandes arranjos e modernices, uma excelente proposta da Hoth Records. Esperam-se mais desenvolvimentos deste grande projecto!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Entrevista: Thugnor

JA, o que te levou a criar este projecto em 1996? Sentiste necessidade de fazer um som mais lento e arrastado?
Na altura estava a ouvir bastante Candlemass e isso inspirou-me a fazer algo completamente diferente de Decayed e assim surgiram as primeiras músicas de Thugnor. A intenção era fazer algo o mais pesado e mais lento possível sem ser algo “depressivo”.


Do primeiro Split com Decayed para o álbum há uma pequena diferença, a voz passa mais de Death para Black Metal, porquê?
No Split usei só a minha voz com pitch, no álbum usei mais a minha voz e menos o pitch. Não há nenhuma razão para tal acontecido, simplesmente me soou bem e assim ficou.


A produção de “Scrolls Of Grimace” está mais limpa e polida que o habitual, em que medida é que a gravação e produção foi diferente dos trabalhos anteriores?
Os meus conhecimentos em termos de gravação vão avançando por isso considero normal que o som se torne mais polido como referiste. Também tenho material melhor, o que ajuda a conseguir um som mais limpo sem perder o poder que é sempre algo que não convém perder.


Qual é o conceito por trás do álbum? 
Todas as letras de Thugnor se baseiam na religião Nórdica. É algo que me interessa pessoalmente e quando surgiu o conceito de Thugnor ficou interligado à tradição Nórdica. As letras são inspiradas em escritos antigos e em alguns ritos.


Qual é a banda que mais te influencia na composição em Thugnor?
Candlemass!


Como surgiu o interesse do Aphelion Productions para editar o álbum?
Já tinha trabalhado com o Ross em Decayed e ele estava interessado em lançar outro CD de Decayed. No entanto houveram uns contratempos e a coisa começou a atrasar-se. Como já tinha o álbum de Thugnor gravado, lembrei-me de lhe falar disso para ver se queria avançar com essa opção e depois lançaríamos o de Decayed. Ele pediu para ouvir o álbum, gostou e foi assim.


Já pensaste em tocar ao vivo com este projecto?
Este projecto é algo especial para mim e não me vejo a tocar estes temas ao vivo…


Já estás a compor material para um futuro lançamento?
De momento estou ocupado com outros projectos, mas assim que houver uma oportunidade, penso começar a trabalhar num novo álbum. Já tenho umas ideias, isso é sempre o início de algo. Não tenho datas, mas quando a inspiração vier, terá inicio mais um álbum de Thugnor.


Por último, queres deixar algumas palavras para os que acompanham os teus projectos?
Um muito obrigado para todos aqueles que apoiam o que faço!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Thugnor - Scrolls Of Grimace

Thugnor é a par de outros projectos de JA, como Hoth, Nethermancy ou Alastor, um dos mais interessantes em Portugal. Alastor como já foi aqui referido é aquele Black/Thrash agressivo das cavernas com riffs que não lembram ao diabo, Hoth uma espécie de Black Metal mais experimental com muitas teclas e Nethermancy é Black Metal demasiado brutal! Thugnor é Doom Metal obscuro e épico, com vocais podres e rasgados, ritmos lentos e decadentes com alguns bons solos… Mas é sobretudo a atmosfera negra e inóspita que destaca este outro projecto do fundador dos Decayed. Gravado no Hell-Mayhem Studio entre fins de 2008 e 2010, “Scrolls Of Grimace”, é uma obra-prima do Black/Doom nacional, são 11 temas que perfazem uma hora de escuridão, trevas e decadência.

À semelhança de Decayed ou Alastor, as introduções dos temais são imprescindíveis para entrar na atmosfera do álbum, límpidas, serenas, assustadoras, guitarras limpas, e começa logo com “Walkyr Across The Skies (Scrolls Of Grimace Part I)”. É no segundo tema, “Under The Oak (Scrolls Of Grimace Part II)”, que ficamos com a ideia daquilo que vai ser o álbum e é mesmo em “The Forgotten Ritual” que as coisas começam a ficar mais interessantes, batida e riffs lentos, bateria pontual e claro, um grande solo de guitarra. “Bow To The Altar” é outro grande tema marcado pela melodia inicial espectacular que vai marcar os minutos seguintes. “Within The Deep” é um tema absolutamente épico marcado especialmente por aquele canto feminino de fundo que dá um ar fantasmagórico à música, destaque também para o solo e para aquelas paragens para partes mais limpas e semi-acústicas. “Take The Seal” é dos temas mais mexidos, grande main riff, mas sempre lento e sujo, e os vocais não falham, sempre rasgados e assustadores, como que a declamar poesia.

“Blackest Sabbath” é na minha opinião a grande novidade do álbum, uma versão mais lenta e obscura do tema “Black Sabbath” dos Black Sabbath… A chuva a cair, a trovada, os sinos, as guitarras, os vocais à Black Metal que já estamos habituados, é mesmo único, e aquelas partes mais calmas com guitarra limpa com os tambores a acompanhar tornam este cover uma adaptação fenomenal, isto é sim é um grande cover, atmosfera negra e fria, vocais que declamam as letras com uma agressividade sem fim! “As The Candles Burn” é outro grande tema, início forte pesado, lento, sem dúvida uma das faixas mais atmosféricas e transcendentes do álbum. “Forests Of Haze (Scrolls Of Grimace Part III)” é o tema com o melhor solo de todo o álbum e para terminar nada como regressar a sons misteriosos, obscuros e assustadores: “To Thee We Prey (Scrolls Of Grimace Part IV)”.

Thugnor conta já na discografia com uma Demo de 1996 “Hymns To Deah”, um Split com os grandes Decayed, “At The Gates” (Drakkar Productions), e claro esse grande “Scrolls Of Grimace” (de 2011) que teve edição a cargo da Aphelion Productions (da Escócia). É pena projectos como estes não terem a projecção e divulgação como os Decayed, acho que muita gente iria gostar deste tipo de Black/Doom Metal. Saiu recentemente um Split com Decayed e Cunninlingus onde foi reeditada a primeira Demo de Thugnor, o título do Split é “Cast In Fire” e para quem perdeu a Demo no passado, nada melhor que adquirir isto agora, uma edição limitada da Hoth Records.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Göatfukk - Procession Of Forked Tongues

Os Göatfukk são mais uma grande portuguesa de Black Metal composta por Wanderer (ex-Decayed) na voz, J. (Corpus Christii, Alchemist, Theriomorphic) na guitarra, VSC (D.O.R., Murmúrio) no baixo e GR (Dead Meat, Altar Of Pain) nos D-Beats. De referir que ao vivo a voz fica a cargo do senhor Vulturius (Irae, Morte Incandescente) e que já ocorreram várias alterações na formação. Formaram-se em 2010 e em 2011 já andavam a espalhar o caos e a destruição de “Procession Of Forked Tongues” pelos mais diversos palcos nacionais. É D-Beat Black Metal com muito Punk e Crust, bem melódico e agressivo, rápido… Depois de vários problemas para a edição deste EP em 2011, este posto à solta em Fevereiro de 2012, são 7 temas (um cover), com edição e distribuição a cargo da War Arts Productions e Luci Dist Productions.

Não é um Black Metal muito inovador até porque nem é isso que sequer… Pelo menos o suposto “inovador” que tem saído ultimamente não me agrada nada. São 20 minutos de Black Metal com Crust, Punk, Rock ‘n’ Roll, um pouco de Thrash… Com muito D-Beat… Bem sujo, com um som antigo e rude mas com uma boa produção… Nem demasiado polida e perfeitinha nem demasiado merdosa como a maioria das bandas de Black Metal “underground”. Altamente aconselhável para quem gosta de Venom, Bathory, Darkthrone (aqueles álbuns mais Punk), Marduk (primeiros álbuns), Dishammer (sim!) e até Decayed (se bem que isto é um bocado diferente). É o tipo de Black Metal que possui qualquer amante do género…  Muito viciante, “play it loud for better results”. 

Aquele ambiente atmosférico em “We Are The Spear”, as guitarras sujas em temas como “Black Candles Burn” ou “Nocturnal Guidance” com riffs poderosíssimos (ouçam o solo da segunda)… Até em temas dançáveis como “Your God That Never Was” os Göatfukk me surpreendem, com uma melodia espectacular onde se destaca a voz profunda e obscura do convidado Devoto XI… Fazendo lembrar o senhor Attila Csihar. As linhas do baixo, que se notam mais em “XIV Crosses” eram algo para ter mais volume noutros temas. 

E o que seria deste EP sem aquele clássico selvagem de nome “Drunk, Slut, 666”? Se há coisa que me atrai nestas bandas para além do som é o trabalho lírico… Neste caso bastante javardo, herético, atrevido… Em cuspidelas de um Wanderer diabólico com um trabalho vocal excelente em versos como por exemplo “Blood blood. I drink from your pussy” ou “Come on you slut open wide / Impaled by the horns of our master” e ainda “In the whorehouse of your perverted sons”. “Drunk, Slut, 666” é sem qualquer dúvida o melhor tema do EP, já é um clássico… O início cativador, as letras, a bateria infernal, o baixo, e sobretudo a voz do Wanderer e aquele refrão orelhudo fazem com que nos viciemos neste tema de tal maneira ao ponto de ouvi-lo 100 vezes em dois meses. No final ainda temos um bom cover dos crusters suecos Wolfpack, “Enter The Gates”, não varia muito do original, é apenas um pouco diferente, mais Black que Crust.

Os Göatfukk uma das melhores bandas nacionais da actualidade e espero que as alterações no line-up não afectem muito o trabalho em estúdio porque quero mais coisas destas cá fora. Aconselha-se vivamente a compra desta rodela sonora dedicada à escumalha cristã e à que está no poder. Não há muito mais para adiantar, Black Metal sem tretas, como manda Satanás!

sábado, 23 de junho de 2012

Matter - R ND M

Os Matter são muito provavelmente banda portuguesa de Metal mais desconhecida da actualidade e quem sabe (uma das, ou) a mais extrema que existe por cá. Este trio de Caldas da Rainha foi formado em 2011 e a sua estreia foi em Novembro desse ano. Os membros da banda já são bastante conhecidos do underground caldense, baterista de Vizir, e ex-membros de bandas como Sick Maniacs/Null, Mass Brutality… Matter é Death Metal a puxar para o Grindcore, com algumas influências de Black Metal, Crust e Punk, com muitos blast beats e bons riffs de guitarra. A voz é bastante agressiva, uns guturais mais graves outros mais agudos, uns mais inhale outros growl, e de vez em quando quase no pig squeal. A guitarra é marcada por ritmos simples e rápidos mas também por alguns riffs mais elaborados. O EP de estreia dá-se pelo nome de “R ND M” e foi gravado ao vivo em multipista no Colhões de Ferro VII nas Caldas da Rainha, no dia 4 de Fevereiro de 2012, claro que posteriormente foi produzido e masterizado em estúdio com muito cuidado e o resultado são quase 15 minutos da música mais violenta que se pode imaginar, brutalidade, rapidez, podridão… Realce especial para a capa do EP, desvanecida e solene que se identifica muito bem com a sonoridade da banda, porque até com música bastante extrema ocorrem pensamentos e visões um pouco ininteligíveis ou indecifráveis que ficam ao critério daquilo que cada mente cria ao ouvir a banda.

Música completamente alucinatória e doentia interrompida por pequenas paragens (introduções) retiradas do filme “Twelve Monkeys” (1995) de Terry Gilliam. O disco até começa com uma melodia bastante calma, “Famished Vermin”, que é rapidamente consumida por uns guturais e uma bateria infernais! “Nailed By Traitors And Whores”, a quarta faixa é bem capaz de ser a mais rápida de todo o álbum, atenção especial para os guturais mais agudos acompanhados por riffs de guitarra demoníacos. Num ritmo mais Punk e melódico temos “Becoming Dead”, na minha opinião a melhor faixa do álbum. “Death Breath Hallucination” é outra grande faixa, uma autêntica descarga de energia e violência. “Venomous Blood Feast” é das faixas mais conhecidas da banda (está no YouTube há bastante tempo) e para terminar nada melhor que a poderosa “Hate Matter”, com bons riffs de Death/Thrash e à semelhança de tudo o resto com um trabalho de voz (num tom mais Crust no fim) e bateria impressionantes.

São uma das bandas nacionais que mais promete neste momento, e porque a banda não quer “gastar dinheiro que não tem em estúdio” foi assim ao vivo, diferente do normal, mas com boa qualidade e claro, uma boa recordação para quem esteve neste grande concerto. “Musick” altamente aconselhável para quem gosta de Metal muito extremo e rápido, para fãs de Napalm Death, Miseration, Nasum, Raw Decimating Brutality, Last Days Of Humanity, entre outros.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Aura Noir - Out To Die

Os Aura Noir são uma das melhores bandas de Black/Thrash Metal da actualidade, descrevem-se como a banda de Metal mais feia do mundo (basta ouvir para conferir) e vão mantendo desde 1996 uma regularidade de grandes lançamentos entre os quais “Black Thrash Attack”, “The Merciless” e “Hades Rise”, penso que o único registo da banda que fica a desejar algo mais é o “Deep Tracts Of Hell” de 1998. A banda de culto formada pelos noruegueses Apollyon (Immortal), Blasphemer (Ava Inferi, ex-Mayhem) e Aggressor (Virus, Infernö) lançou em Março deste ano o seu quinto longa-duração “Out To Die”, um álbum que merece sem qualquer dúvida um lugar no pódio dos melhores lançamentos deste ano. A edição ficou a cargo da Indie Recordings (Noruega).

Continua a ser aquele Black/Thrash Metal sujo, rápido e agressivo como a banda sempre fez mas agora com uma produção muito mais cuidada e profissional. Os riffs e solos são muito mais complexos que em registos anteriores, provavelmente devido ao maior envolvimento de Blasphemer na composição e gravação do álbum, o que não acontecia anteriormente, em relação à bateria continua forte e com uma captação excelente, tudo isto a juntar às cuspidelas de Agressor e Apollyon na voz. Influências de Celtic Frost, Sodom, Darkthorne, Venom… Uma banda que não esconde as suas influências, limitando-se apenas a ser fiel a um estilo, quem ouvir isto pela primeira vez pensa que é Metal feito nos anos 80. Especial atenção para faixas brutas como “Trenches”, “Fed To The Flames “ e “Abbadon”, autênticos arsenais de riffs e solos, com a voz suja e repugnante que sempre caracterizou a banda. Numa toada mais Punk temos “Deathwish” (faz lembrar Venom) e noutra mais Doom a poderosa “The Grin From The Gallows”, provavelmente a melhor faixa do disco com duas guitarras espantosas. Os Aura Noir são o tipo de banda que não move multidões, que não vende muito, é Metal extremo, underground, natural, imundo e violento, e é muito simples, ou se gosta muito ou não se gosta. De Aura Noir não se poderia esperar outra coisa, nunca desiludiram nem nunca o farão. Enquanto não vêm actuar a Portugal aconselha-se também audição atenta do álbum “Live Nightmare On Elm Street”, ao vivo, uma grande imundice de Black/Thrash, que é isso que eles são!