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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Simbiose - Trapped

Depois do muito bem sucedido “Economical Terrorism” os Simbiose regressam com “Trapped” um álbum que vem marcar várias mudanças na banda e a meu ver uma nova fase. É o primeiro álbum depois do “Bounded In Adversity” a ser editado novamente pela Anti-Corpos e o primeiro depois do “Fake Dimension” a não ser produzido pelo sueco Ulf Blomberg, é também o primeiro álbum da banda apenas com um vocalista principal, o Jonhie. Muito pouca gente fala nisto mas parece-me haver uma sucessão lógica e contínua dos álbuns de Simbiose quando por exemplo em 2007 se fala duma suposta evolução (“Evolution?”) que levou a uma dimensão ilusória (“Fake Dimension”) que por sua vez permitiu o desenvolvimento dum terrorismo económico (“Economical Terrorism”) sem precendentes que levou as pessoas (como a própria banda referiu) a estarem presas, de terem chegado a uma fase em que já não há nada a fazer, pela crise, pelo roubo e pelas injustiças e é disso que fala por exemplo o tema “Abismo” (e não só).

“Trapped” perfaz quase 40 minutos de Crust embebido em muitos riffs de Metal e é a meu ver o álbum mais melódico da banda desde o “Bounded In Adversity” de 2004, menos directo e agressivo que o “Economical Terrorism” mas por outro lado mais elaborado, técnico e cuidado, com uma adaptação a uma voz bastante bem conseguida e esse seria um dos principais obstáculos da banda mas que foi, e bem, ultrapassado. Os temas, como já manda a tradição, vão alternando entre o português e inglês mas neste álbum predominam os temas lusos. O grande destaque do álbum vai para a dupla de guitarristas e para os seus riffs contagiantes e muito bem elaborados que reflectem aqui uns quase 25 anos de experiência nestas andanças e isso ouve-se logo no tema “Ignorância Colectiva” um dos temas que fica logo no ouvido e claro um dos melhores deste registo. 

“Acabou A Crise, Começou A Miséria” é claramente o melhor tema do álbum e tem tudo para alinhar na lista de clássicos de Simbiose, pelo main riff excelente, pela letra (como sempre) realista e claro pelo refrão brutal com uns acordes de guitarra de fundo arrepiantes! “Deixós Falar…” e “Infant Gas Mask” são possivelmente os temas mais directos e agressivos do álbum. “Abismo” é mais um tema excelente onde a banda revela estar em grande forma tanto em termos líricos como musicais com uma letra e um instrumental espectaculares (vejam o video clip para perceber melhor a história). Felizmente não se encontram temas menos bons e é por isso que “Trapped” se torna um álbum tão interessante, o tema-título é o mais bem conseguido em inglês já “Será Que Há Morte Depois Da Vida?” fala de retóricas do campo psicológico e religioso algo que não é muito comum nas letras da banda. Os riffs de “Modo Regressivo”, as melodias de “Consciencialização” e “Don't Play Dead” e a raiva de “(A)pagar” são extremamente viciantes. “Fallout” e “Quem Vai Ganhar?” são os últimos temas do álbum e este último é uma grande crítica ao conflito israelo-palestino.

“Trapped” foi sem dúvida um dos melhores discos nacionais de 2015 e um passo muito importante na carreira de Simbiose. Foi editado pela Anti-Corpos em CD Digipack e LP em parceria com outras editoras estrangeiras a Criminal Attack Records, Deviance Records, Apathy Never, Punk Vortex, Tanker Records e a Neanderthal Stench. A banda ruma agora numa nova e ambiciosa tour pelo Brasil, país que os recebeu muito bem em 2008 onde na altura promoviam o clássico “Evolution?”, agora é a vez de “Trapped” pisar o solo sul-americano onde se comemoram também os 25 anos de Simbiose.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Gorgásmico Pornoblastoma - Delírios De Um Defunto

Dizem que “Delírios De Um Defunto” é o novíssimo álbum de estreia dos sempre podres Gorgásmico Pornoblastoma e para quem os conhece já sabe mais ou menos o que esperar. Nada de produções requintadas ou arranjos bonitos, Grindcore à antiga influenciado pela velha escolha, leia-se aqui, Napalm Death, Brutal Truth e sobretudo Agathocles. Guitarra bem suja, voz imperceptível que debita podridão e nojo por todo o lado e claro, na bateria um panzer infernal com um arsenal de AK-47 sempre a disparar. “Apodrecer Lentamente” ou “Consunção entre actos de Violência” são temas que descrevem bem o que se vai ouvindo nestes 23 minutos de caos e destruição que vão do Punk ao Crust passando pelo Death Metal onde se vão também ouvindo alguns toques de Goregrind, as influências são muitas e é isso que torna o álbum tão cativante. Existe algo mais interessante que dois gajos a destruir uma sala de ensaios e gravarem-no para o povo ouvir? Julgo que não.

“Vingança”, “Canteiro de Cadáveres” ou “Porcos” são temas excelentes, abrasamento à antiga com uma velocidade impressionante, riffs podres, tarola bem audível, baixo bem distorcido e amplificadores bem altos! Ouvidos mais sensíveis e comichosos dirão que o produção do álbum é obsoleta mas o que seria um álbum de Grindcore sem uma (des)produção destas? O final fica ainda reservado para um remix meio que psicótico e arrepiante fugindo à sonoridade do álbum mas completando-o na perfeição. “Delírios de um Defunto” foi uma das grandes surpresas do ano que passou e sim, ainda vai sair em CD, pela habitual Helldprod, numa edição limitada a 500 cópias. Este álbum de estreia é uma amostra verdadeiramente fiel das actuações da banda ao vivo e os Agathocles portugueses sabem fazê-lo da melhor maneira. No bullshit. Just Grind!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Disthrone - Anti-System

Da Margem Sul chegam-nos os Disthrone com o seu Crust/D-Beat infernal embebido em Black Metal, instrumental simples, directo, melódico e com uma voz feminina muito pouco ortodoxa. Os elementos da banda já são conhecidos de outros projectos como Undersave ou Inquisitor, a banda foi formada em 2011 e chegados a 2013, depois de espalharem o caos pelos mais variados palcos nacionais, lançam a primeira Demo de título “Anti-System”, uma edição da Helldprod limitada a 300 tapes (50 vermelhas). Influências de Wolfpack, Doom, Discharge são bem evidentes tal como algum Black Metal mais Old School como Venom e Bathory, mas aquilo que se sobressai mais são os toques de Darkthrone (a fase mais Punk), não fosse aquele cover da “I Am The Grave Of The 80s” a pôr um ponto final nesta promissora e impiedosa edição. A meu ver o único problema é mesmo a produção pouco profissional, o som das guitarras devia-se sobrepor mais ao restante para dar mais peso e melodia ao temas e um pouco de mais agressividade e sujidade só beneficiava a banda. 

São então 5 temas que compõem esta tape, a introdução é bastante simples com uma bateria pontual e riffs simples, o caos começa mesmo com a poderosa “J.F.O.”, uma faixa agressiva com um refrão bastante catchy e furioso, já esperado. “Anti-System” é um dos pontos altos da Demo com um main riff bastante bom e mais uma vez com uma letra tumultuosa com uma vocalista repugnante e indignada, destaque também para o solo de guitarra. “Mistress Of Evil” foi o primeiro tema gravado pela banda e que faixa, sem dúvida uma das mais complexas e elaboradas. A rebelião termina com aquele cover de Darkthrone que devia ter uma guitarra mais presente e agressiva porque ao resto o que não falta é agressividade e selvajaria, é um cover que ao vivo mexe bastante com o público e a banda sabe como executa-lo da melhor maneira.

Estamos perante a primeira grande revelação do ano com uma banda que ainda tem muito para dar e devemos louvar quem faz algo de diferente do habitual no espectro metálico português, espera-se um trabalho mais a sério da banda, até lá, o caos e a revolução continuam, “We are Anti-System!”.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Besta - Ajoelha​-​te Perante A Besta

Quando os We Are The Damned lançaram o poderoso e infame “Holy Beast” pensei que tinham enlouquecido de vez. Passado uns meses, uns tais de Atentado lançam outro grande álbum (“Paradox”), uma grande descarga de crítica social em tons de Death Metal/Crust. Depois de alguns problemas na formação surgem uns animais de nome Besta, e não poderia haver melhor nome para descrever esta banda, com membros ou ex-membros de bandas como Twentyinchburial, Men Eater, If Lucy Fell… “Ajoelha-te Perante A Besta” foi produzido por Fernando Matias (Linda Martini, Moonspell, Bizarra Locomotiva) e anda à solta desde 12 de Setembro de 2012, com edição a cargo da grande Raging Planet.

Os Besta são daquele tipo de bandas que rasga os tímpanos a qualquer um… Guitarras sujas e directas, com bons riffs de Death Metal e não só, uma bateria demoníaca que não pára, um baixo sempre presente como nunca visto em bandas deste género… E claro, um fotógrafo aos berros! Onde é que foram desencantar este vocalista? Como é que é possível alguém ter umas cordas vocais assim? Besta é Crust/Grindcore rapidíssimo, cru, profundo, doentio, cheio de ódio por todos os lados… 17 temas muito pouco ortodoxos que dão cabo de qualquer ouvido mais sensível… Algumas influências de Death Metal, Punk, Hardcore e até algum Sludge (ouvir temas como “Pai Das Mentiras” ou a longa, lenta e decadente “O Céptico, O Crente E O Bode”).

O álbum inicia-se com o grande tema “Demasiadas Cobras” um tema rápido e incisivo, como quase todo álbum mas nem tudo é assim. Até em temas mais melódicos os Besta nos surpreendem como a segunda faixa “Traidores” ou “A Face Da Agonia”. Depois existem temas tão doentios e macabros como “Já Foi Tudo Dito” ou “Vampiro Psíquico” e claro, outros com umas linhas de baixo bem presentes e sem qualquer compromisso como “Antinomiano”, entre outras. Destaque também para o tema “Trivial E Nada Mais” com um início lento que rapidamente é atacado por um Lafayette (bateria) completamente possuído, não só neste tema mas no álbum todo em geral, com mais evidência por exemplo em “Pai Das Mentiras” também. E não me podia esquecer do grande Single “Misantropo”, sem dúvida um dos melhores temas do álbum a juntar a “Lei Do Ultraje”, aliás, nem há maus temas no álbum, é tudo óptimo e passa a correr!

Os Besta andam à solta e estão aí para devastar o mundo… “Ajoelha-te Perante A Besta” é certamente um dos melhores álbuns do ano e uma das grandes surpresas. No próximo mês está para sair uma Split Tape com Teething e para 2013 está previsto um EP, “Herege”… Portanto, como podem ver, eles andam aí e não vão parar… Isto é recomendável para fãs de Extreme Noise Terror, Napalm Death, Nasum, Bad Brains e afins… Quanto mais rápido melhor, nunca alto o suficiente, agora, ajoelhem-se perante a Besta!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Entrevista: Simbiose

Os Simbiose vão já com mais de 20 anos de carreira. Quais foram os melhores momentos como banda?
Ao longo de 20 anos tivemos grandes momentos mas se calhar um dos melhores foi a tournée no Brasil.


Consideram que tiveram maus momentos?
Como Simbiose não depende disto para viver, tentamos levar isto sempre para os bons momentos, isto é um hobbie. Mas sim, por exemplo, um mau momento foi quando o Hugo saiu da banda, desistiu… Foi um dos maus momentos. Mas nunca tivemos assim uma coisa muito má.


Editaram recentemente “Economical Terrorism”, como decorreu o processo de gravação e produção?
A produção foi a cargo do Ulf Bloomberg na Suécia, que já tinha feito o “Fake Dimension”. Em termos de captação foi no estúdio dum amigo nosso, 5 dias de captação. Foi o álbum mais rápido a captar… Foi uma coisa normalíssima, íamos bem ensaiados para o estúdio, gravámos tudo, captámos tudo… E depois o trabalho foi do Ulf.


Porque é que decidiram cooperar com a LOUD! para a edição do CD?
Nós não decidimos nada, quem decidiu foi a editora, a Rastilho, foi um negócio entre eles.


Optaram mais uma vez pela edição em vinil, por alguma razão em especial?
Há muita malta que ouve o nosso tipo de som, que ouve Crust, que prefere comprar o vinil, nós também (da banda) gostamos de ter sempre uma edição em vinil, fazemos um esforço para isso e foram reunidas as condições necessárias e conseguimos mais uma vez editar o álbum em vinil, em vários países, neste caso em 6/7 países: Brasil, Alemanha, Espanha, França, República Checa…


É também o primeiro álbum, desde o “Evolution?”, sem convidados especiais…
Sim… Este álbum foi muito simples, nós sabíamos o que queríamos fazer, acho que é um dos álbuns mais nervosos de Simbiose, penso eu Mais agressivos, também com letras com mais raiva, foi tudo muito simples e epá, não é obrigatório ter sempre participações.


O facto de o álbum ser mais agressivo deve-se ao facto da conjuntura actual ser mais extrema?
Sim acho que sim. Há uma revolta maior neste momento por parte da própria sociedade em que estamos inseridos e isso demonstrou-se também um bocado nas letras e nas músicas. Saiu naturalmente, não foi feito por causa disso mas penso que isso se verificou, tem sempre a ver com o estado de espírito das pessoas.


Todos os álbuns de Simbiose passam por uma espécie de manifesto, de incentivo à luta, à resistência. Consideram a parte lírica tão importante como a música?
É tão importante ou mais, este estilo de música não é propriamente para falar de amor, de problemas pessoais… Tentamos ser o mais simples possível nas letras é um bocado o que nós vemos, o que nos rodeia, os nossos problemas do dia-a-dia… Tentamos manifestar isso nas nossas letras, sempre o fizemos e essa também uma das principais razões para nós existirmos, apesar do som também vir por acréscimo.


Já estão a compor algum material novo?
Neste momento ainda não, estamos só tocar mas posso dizer que para o ano vão haver uns Splits.


Preparam-se para dar mais um concerto nas Caldas, quais são as expectativas?
É assim, é a terceira vez que a gente toca nas Caldas até agora tem sido sempre muito bom, tu também estiveste cá em todos, parece-me, tem sido sempre bom e hoje espero uma noite com o pessoal a curtir.


Dão sempre concertos lá fora, estão previstas algumas datas num futuro próximo?
É assim, não está nada fechado mas está de pé uma pequena Tour europeia e uma ida ao Brasil em 2013 Está de pé, ainda não estão reunidas as condições necessárias para isso da parte de lá mas penso que vá acontecer… Estamos a fazer um esforço para ir lá.


No início da formação da banda todos os membros eram vegetarianos… Ainda se mantém?
Não. Neste momento há 3 vegetarianos, é meio/meio… Sempre fomos uma banda que nos respeitámos todos entre nós, o vegetarianismo não é o factor principal da nossa existência, vemos isso como a opinião de cada um e tentamos respeitarmo-nos sempre uns aos outros que é o que sempre aconteceu.


Algumas palavras finais?
Epá é o costume… Em 20 anos temos muita gente que nos apoia, felizmente… Que compram os discos, aparecem nos concertos… E epá, é agradecer a essa malta toda e à que está por trás, que nos ajuda nos concertos, a malta que nos faz entrevistas, malta das editoras… Pronto, porque nós sozinhos não conseguíamos fazer isto.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Simbiose - Economical Terrorism

Três anos depois da edição do fantástico “Fake Dimension” aí estão eles de volta com mais uma descarga de violência e revolta… O novo álbum dos reis de Crust nacional dá-se pelo nome de “Economical Terrorism” e são nada mais, nada menos que 14 temas ainda mais rápidos e violentos que o registo anterior, mais uma vez masterizado pelo grande Ulf Bloomberg na Suécia. São 28 minutos a debitar crust sujo e agressivo, sem grandes variações. A gravação desta obra contra o capitalismo ficou a cargo do Paulo Vieira, no Toca Do Raposo Studios. É um registo que fica marcado pela saída de Hugo R. (ex-vocalista/fundador da banda) e pela entrada de um novo, André Matias (ex-Blacksunrise)… Numa visão mais pessoal penso que o álbum não se perdeu nada, claro que se estranha a ausência de Hugo mas o André não foge nada àquilo que tem caracterizado a banda nos últimos anos, de referir ainda que este contribuiu liricamente para temas como “Payback Time”, “Buried Alive” ou “Information Overload”.

O que é que se pode dizer? É Simbiose… Temas escritos alternadamente em português e inglês… Grande qualidade que põe muitas bandas extremas com máquinas de promoção impressionantes a um canto… Isto é Punk, Death Metal, Crust, um pouco de Thrash e Grind… Música caótica, rápida, pesada, com uma raiva impressionante e bons exemplos são logo as duas primeiras faixas, as mais extremas do álbum. Acima de tudo, Simbiose e especialmente este álbum, é um grande inconformismo com a actual crise político-económica e de valores, onde os verdadeiros terroristas estão no governo para apavorar cada vez mais as populações… Entre outros assuntos destacam-se a crítica social, o racismo e até alguma frustração pessoal.

Continuam as guitarras distorcidas, bons riffs e alguns solos… Dum lado (André) uns guturais mais Death do outro (Jonhie) uns mais Crust… Se o baixo já se ouvia bem no “Fake Dimension”, experimentem o tema “Drowning In Shit”, escrito e composto pelo próprio baixista (Bifes), uma das melhores músicas do álbum, bastante melódica. A rapidez da bateria é impressionante, do início ao fim é sempre sem parar! Na minha opinião os melhores temas do álbum são (como sempre) os cantados em português, sempre gostei de ouvir bandas extremas a cantar em português, torna tudo mais pessoal e directo, com um significado diferente. Faixas como “Reage À Tua Frustração” (escolhido para um vídeo), “Total Descontrolo” (com aquele início calminho) ou “Sociedade Perdida” são autênticas bandas sonoras para o caos que se vive actualmente em Portugal e no resto do mundo. Outro grande tema é “Massacre Em Utoya” não só pela música mas também pelo assunto bastante actual que este trata, o massacre de 76 pessoas em Utoya (Noruega) em Julho do ano passado por Anders Breivik… Uma música dedicada a todas as vítimas. 

“Parados Humilhados Calados” é na minha opinião o melhor tema do álbum, pelas guitarras, pela melodia, bateria, voz… E sobretudo pelas palavras que este transmite, a forma violenta e brutal de como estas palavras chegam a nós, porque é um assunto bastante triste e revoltante, é mesmo preciso que estas ideias saiam cá para fora assim, o facto de tudo estar feito para não podermos reagir e de estarmos constantemente parados, humilhados e calados, de não reagirmos e permitirmos que haja roubos, drogas, corrupção, fome, racismo e degradação… É preciso sair à rua, reagir, despertar e lutar! Antes que me esqueça, ouçam também o grande solo da música. “Rise Again”, “Believe” e “Push It” são outros grandes temas que não fogem ao resto do álbum mas que também não trazem nada de especial. “Economical Terrorism” é o tema que fecha o disco, veloz, agressivo… Uma mensagem contra os terroristas económicos que não são presos e que se aproveitam de tudo e de todos para os seus interesses… Infelizmente o mundo em que vivemos não é assim tão bonito e agradável, basta abrir um pouco os olhos, só não vê quem quer, muitas vezes vemos a injustiça e seguimos em frente.

A edição deste magnífico álbum ficou a cargo da Rastilho Records (em CD) e da Criminal Attack Records do Brasil (em LP)… De destacar ainda a edição promocional feita pela LOUD! no mês de Maio, parece que o álbum chegou a mais gente que o normal… Na minha opinião este registo fica uns pontinhos abaixo do álbum anterior, acho que é demasiado directo e simples comparando com o “Fake Dimension”, fica também marcado pela ausência de convidados especiais nas músicas, o que dava sempre um toque especial ao álbum como foi o caso de “Evolution?” e “Fake Dimension”. Em resumo, é mais um grande disco para o Metal/Punk nacional e internacional, vamos ver como vão ser as recepções lá fora e se estes senhores vão fazer mais umas tournées por esse mundo fora.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Simbiose - Evolution?



Simbiose, dispensam de qualquer tipo de apresentações. Depois da comemoração dos 15 anos de carreira com várias actuações no estrangeiro, os Simbiose lançam em 2007 o seu 3º álbum de estúdio “Evolution?” editado e distribuído pela portuguesa Major Label Industries. Foi com este álbum que os Simbiose ganharam uma grande projecção internacional, este lançamento teve direito a várias edições específicas em vários países como o México, Brasil, Japão, e ainda uma edição em vinil pela editora/distribuidora espanhola Gaia Records. Foi nesta altura e a promover este álbum que os Simbiose fizeram uma Tour de 12 concertos no Brasil e ainda uma actuação em Inglaterra (Brixton) onde partilharam o palco com os English Dogs.

Depois do Crust sujo e agressivo do “Naked Mental Violence” e do “Bounded In Adversity” que é um Crust a puxar para o Grind com um instrumental muito Thrash, temos “Evolution?” uma mistura de Death Metal dos anos 90 com muito Hardcore e Crust com muitos riffs. Os temas são os tradicionais: crítica social, política, económica, religiosa… A sonoridade do álbum, que é muito característica só deste álbum dos Simbiose, não varia muito, não é muito rápido, mas é um álbum sólido do início ao fim, talvez a sonoridade mude um bocado na “Ideia Deliróide” escrita e cantada por João Gordo (Ratos De Porão), o álbum tem uma excelente produção onde a voz e os instrumentos são extremamente perceptíveis. É o álbum dos Simbiose que tem menos músicas cantadas em português, que sinceramente são as que me atraem mais. Posso afirmar que adoro a combinação dos “gritos” dos vocalistas com os riffs de guitarra. Destaque para a participação de Dean Jones dos Extreme Noise Terror na música “The Lone Death” uma malha do caralho! “Que Interessa?” e “Mundo Em Guerra” são dois temas excelentes cantados em português, dois clássicos de Simbiose, destaque para a letra da “Que Interessa?” e para a melodia e os “meios” solos da “Mundo Em Guerra”. Realce para o abuso da voz de Johnnie na “Crippled” e para a bateria na “Inglorious Victory”. “Pointless Tests” e “Rise And Fall” são as minhas preferidas, a primeira até teve direito a um video clip.

É um grande álbum, dos melhores de em Portugal até hoje, um álbum que se tornou internacional, é pena ser só meia hora de destruição, acho que se pusessem mais 4 ou 5 músicas como Bonus Tracks tiradas da primeira Demo e de algumas Splits não fazia mal nenhum. Altamente aconselhável para fãs de Ratos De Porão, Brutal Truth, Extreme Noise Terror, Discharge, Driller Killer…

domingo, 24 de outubro de 2010

Simbiose - Naked Mental Violence

Os Simbiose formaram-se em 1991, com uma formação muito diferente da dos dias hoje, até 2002 lançaram: uma Demo, 3 Splits e um EP. Em 2002, celebrando o décimo aniversário como banda, chega às lojas o primeiro grande trabalho destes senhores, intitulado “Naked Mental Violence”, que é na sua essência uma Compilação, os temas foram retirados das Splits, do EP e da Demo e foram regravados e editados especialmente para este lançamento. As regravações foram um grande acréscimo em relação às gravações anteriores, com este lançamento os Simbiose tornaram-se numa banda mais “real”, com mais qualidade  e mais brutalidade… Foi com este CD que os Simbiose se aproximaram daquilo que são em palco, uma banda cheia de energia, velocidade e violência.

Apesar dos anos que separam as músicas, a sonoridades entre elas é muito semelhante, é um Crust Punk sujo e duro, cheio de Thrash, Hardcore e Death à mistura. Liricamente todas as faixas são bastante originais, nunca vi nenhuma banda a fazer letras como estas (quer em português quer em inglês), em que domina a crítica social, cultural e política… Em relação ao artwork: é muito bom, com esqueletos e uma cor escura, representa muito bem aquilo que é este álbum: o lado negro da nossa sociedade, a violência, uma máquina de destruição sonora, de referir também que todas as músicas têm uma descrição acerca do “porquê?” da música.

É um álbum sólido do início ao fim, cheio de riffs, solos, melodias e duas vozes altamente destruidoras. Em relação às músicas que mais gosto são: “Fake World” uma excelente introdução sobre a hipocrisia e a falsidade das pessoas que nos rodeiam, “O Seu Lugar” é sobre os índios que viviam na América Do Norte e que foram “exterminados” pelos europeus, que resumindo, os índios são os verdadeiros americanos. “Naked Mental Violence” é das melhores músicas que os Simbiose fizeram até hoje, com uma letra espectacular e um poderoso instrumental, já para não falar da voz do Hugo que abusa bastante neste tema… A seguir vem a minha preferida deste álbum “Zoo (Não) Lógico”, com uma letra bastante importante: devemos respeitar todas as formas de vida, os jardins zoológicos não fazem sentido, servem apenas para as pessoas verem animais tristes numa jaula, os animais deviam ser livres... Vou deixar aqui uma parte da letra que apreciei bastante “Olha para os olhos deles / e diz me o que vês / dor, tristeza e solidão / passam a vida numa prisão”, o instrumental e a voz desta música são um abalo total, como um comboio que passa e destrói tudo, não esqueceer o grande solo! “Lavagem Cerebral” é uma música muito original, uma música simples e animada, com um instrumental simples e melódico, também esta, com uma letra muito realista “Tem cuidado com a publicidade / que passa na televisão / Querem ver-te consumir / até ao último tostão”. Este álbum tem excelentes músicas, não vale a pena falar de todas e descreve-las, a sonoridade é muito parecida em todos os temas, todos eles marcados por uma brutalidade incrível e inexplicável.

“Parem Com A Violência” é uma mensagem contra a violência nos concertos, os concertos são para nos divertirmos e não para nos magoarmos, “Against The White Man Race” é outra música extraordinária, “Torturado Pela Tradição” fala do sofrimento dos touros nas touradas apenas para a diversão do homem, “Portugal Em Chamas” fala sobre os incendiários que nunca são apanhados: “Um dia de destruição / arrasa anos de criação”, outra música que mexeu comigo foi a “Que Motivos Para Celebrar”, fala sobre a história de Portugal, sobre os descobrimentos, crises, colonização, escravatura e etc.

Este álbum é altamente aconselhável para fãs de Crust, Punk, Thrash, Death, Hardcore e também para curiosos que tem a mesma maneira de pensar que estes senhores. Ouçam isto do início ao fim que não se vão arrepender! Resumindo e concluindo, este álbum é obrigatório para qualquer fã de música extrema portuguesa, um álbum muito marcante no género!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Simbiose - Fake Dimension

Simbiose, uma das melhores bandas nacionais. À medida que os anos passam estes senhores vão me surpreendendo cada vez mais, este novo álbum “Fake Dimension” é um álbum espectacular, é uma forma de ser, uma maneira de pensar, de sentir a música e o mundo que nos rodeia, este álbum são 20 anos de maturidade acumulados dos reis do Crust Punk português. “Fake Dimension” foi misturado na Suécia por Ulf Bloomberg, neste álbum os Simbiose apresentam uma sonoridade mais “sueca”, nomeadamente Death Metal. A edição ficou a cargo da editora/distribuidora portuguesa Rastilho Records, em CD e LP. Também saiu no Brasil através da Red Star Recordings e no México pela Bambam Records.

Como é que posso descrever esta obra de arte extrema? Violência, caos, destruição, velocidade, crítica social, música brutal e explosiva cheia de energia e raiva, os temas passam a uma velocidade brutal, a sonoridade vai desde o Metal ao Hardcore, passando pelo Punk e pelo Thrash. Todo o álbum é marcado intensidade extrema, um álbum único, fantástico, que nos hipnotiza completamente devido ao tão elevado nível de violência e destruição sonora. Nunca me canso de ouvir, não nos podemos de esquecer de excelentes trabalhos como “Naked Mental Violence” ou “Evolution?” mas neste álbum os Simbiose superaram-se a si próprios. Falando agora dos temas, gosto muito da primeira música “A Solução” com muito Punk, passa “a correr” é verdade, mas logo a seguir vem aquele que na minha opinião é o melhor tema do álbum “Obey”, começa com uma descarga de raiva e aos 1:25 minutos o som da guitarra é único, um ritmo que me possui completamente, conta com a participação de Sofia Loureiro ex-vocalista dos We Are The Damned, é pura magia musical notam-se algumas influências de Death Metal Melódico incríveis que nos ficam na cabeça durante muito tempo e nos dão vontade de ouvir outra vez. Na música “Auto-Estima” os Simbiose superaram-se a eles próprios, é uma música extravagante: pela brutalidade, pelo ritmo, pelo solo, pela letra e espírito crítico, um autêntico clássico! Dou destaque ás faixas: “Sem Moral” com uma letra que critica sociedade, os políticos e a religião, é uma letra espectacular e muito realista, nenhuma música destes senhores é feita por acaso e “United” que é outra grande faixa, com um refrão que me alucina completamente e com um grande solo de guitarra tocado pela Jão dos Ratos De Porão. “Suffer Inside” e “Fake Dimension” são outras grandes malhas também. “Can’t Understand” é uma música, que, quando a ouço fico possuído, sem palavras, é incrível, estes senhores são autênticos deuses da música, e não podia terminar melhor: “Evolução É Regressão” é a última música, muito original, que conta com o vocalista dos Tara Perdida, João Ribas.

Esta “gente” merece um grande lugar de destaque no panorama do Crust mundial, fizeram uma tour no Brasil em 2008 e ao longo de 20 anos de carreira actuaram em  muitas parte da Europa, chegando a dar 200 concertos em 2005. Comprem este álbum, ouçam esta máquina de destruição sonora! Perseverança e personalidade, são as características de uma banda que se mantém fiel aos seus princípios, porque a luta continua todos os dias!

sábado, 31 de julho de 2010

Simbiose / Agathocles

Não queria acreditar quando vi que este lançamento ia sair: uma máquina de destruição sonora, a Split dos reis Simbiose com os grandes Agathocles, duas das minhas bandas preferidas num CD, e ainda por cima, músicas de Simbiose, que andava há anos à espera que fossem finalmente editadas neste formato. Fiz questão de encomendar directamente aos Simbiose. Este CD Split já podia ter saído há algum tempo, todos os fãs, quer de Simbiose quer de Agathocles, estão a par das boas relações destas duas grandes bandas, quer profissionalmente a nível de palcos partilhados, quer pessoalmente. Duas grandes bandas, que gravaram as músicas nas mesmas circunstâncias, de um lado os reis do Crust Punk nacional do outro os pioneiros do eterno Mincecore, só pode sair uma coisa de outro mundo. Os temas de Simbiose, foram gravados em 2000 numa garagem escarafunchosa, como os próprios dizem, foram editados pela primeira vez na Split com os portugueses Croustibat, editado em 2001 pela Zerowork Records.

Começando pelos três temas dos Simbiose (que deviam ser mais), altamente demolidores, são fantásticos, dando um destaque pessoal à música “Chuva De Estrelas” com uma letra em português, crítica e original, fala de bandas e artista que fazeem música comercial só para vender, é das melhores letras que os Simbiose fizeram até hoje, é uma grande malha, como de costume, rápida, suja e agressiva. “The Truth Is Out There” é outra brutalidade, uma música violenta e destruidora. Para terminar as músicas de Simbiose “Question Of Life” que é na minha opinião a melhor música dos Simbiose neste CD, uma das melhores deles, é rápida e a puxar puxar para um Death muito agressivo. Depois vem a brutalidade, a destruição, o caos, a loucura: os Reis do Mincecore, destaco as músicas “My Eve Of Destruction”, “Obey Their Rules” e “Copy Left” embora as outras também sejam bastante boas, 12 minutos de puro Mincecore, são 6 músicas cheias de energia, temas sujos, incisivos e cheios de ferrugem, que, infelizmente passam a correr.

Conhecendo estas duas grandes bandas, não será difícil de adivinhar que esta junção resulta na perfeição e nos perfura o cérebro com uma naturalidade incrível e uma violência alucinante, estamos perante uma obra indispensável na prateleira de coleccionadores.