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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Disthrone - Anti-System

Da Margem Sul chegam-nos os Disthrone com o seu Crust/D-Beat infernal embebido em Black Metal, instrumental simples, directo, melódico e com uma voz feminina muito pouco ortodoxa. Os elementos da banda já são conhecidos de outros projectos como Undersave ou Inquisitor, a banda foi formada em 2011 e chegados a 2013, depois de espalharem o caos pelos mais variados palcos nacionais, lançam a primeira Demo de título “Anti-System”, uma edição da Helldprod limitada a 300 tapes (50 vermelhas). Influências de Wolfpack, Doom, Discharge são bem evidentes tal como algum Black Metal mais Old School como Venom e Bathory, mas aquilo que se sobressai mais são os toques de Darkthrone (a fase mais Punk), não fosse aquele cover da “I Am The Grave Of The 80s” a pôr um ponto final nesta promissora e impiedosa edição. A meu ver o único problema é mesmo a produção pouco profissional, o som das guitarras devia-se sobrepor mais ao restante para dar mais peso e melodia ao temas e um pouco de mais agressividade e sujidade só beneficiava a banda. 

São então 5 temas que compõem esta tape, a introdução é bastante simples com uma bateria pontual e riffs simples, o caos começa mesmo com a poderosa “J.F.O.”, uma faixa agressiva com um refrão bastante catchy e furioso, já esperado. “Anti-System” é um dos pontos altos da Demo com um main riff bastante bom e mais uma vez com uma letra tumultuosa com uma vocalista repugnante e indignada, destaque também para o solo de guitarra. “Mistress Of Evil” foi o primeiro tema gravado pela banda e que faixa, sem dúvida uma das mais complexas e elaboradas. A rebelião termina com aquele cover de Darkthrone que devia ter uma guitarra mais presente e agressiva porque ao resto o que não falta é agressividade e selvajaria, é um cover que ao vivo mexe bastante com o público e a banda sabe como executa-lo da melhor maneira.

Estamos perante a primeira grande revelação do ano com uma banda que ainda tem muito para dar e devemos louvar quem faz algo de diferente do habitual no espectro metálico português, espera-se um trabalho mais a sério da banda, até lá, o caos e a revolução continuam, “We are Anti-System!”.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Fina Flor Do Entulho - Carne De Deus

Os Fina Flor Do Entulho são mais uma banda portuguesa de Punk/Noise Rock do Porto, composta por Danix, James Loose, Pedro K. e Rui G., têm já editado, “Ao Vivo Hard Club”, “Carne De Deus” (EP) e mais recentemente uma Tape ao vivo bastante limitada de nome “Orgia De Domingo À Tarde”, e como é óbvio são daquelas bandas que se estão claramente “a cagar” para as editoras, é tudo DIY… São também uma das bandas portuguesas da actualidade com o nome mais genial! Falemos então do EP…

Em primeiro lugar é um Punk bastante diferente do habitual e isso estranha-se logo nos primeiros dois temas: “O Buraco É Igual” e “Inapto Para Serviço Militar”, temas lentos (numa onda mais Doom), tristes, sentimentais, profundos, furiosos e, ao mesmo tempo, lindos… O piano no primeiro tema, aquela voz crua e suja até ao segundo tema com aquela guitarra limpa e leve a acompanhar, com alguns samplers e uma pequena distorção, e claro, a parte do “Eu não matarei” é absolutamente única. Na onda destes dois primeiros temas ainda temos “Ensanguentado”. E o Punk tradicional, rápido furioso, melódico, possuidor vem logo a seguir com “Circo Arder” envolto numa crítica social e política impressionante com temas recorrentes da nossa sociedade e da conjuntura actual, um autêntico “hit” com José Sócrates a falar no início… Grandes guitarradas, voz grave e suja, refrão que fica logo no ouvido, bateria bem trabalhada, bons riffs… Sem dúvida o melhor tema do álbum. “Cuidados Paliativos” é mais uma grande música, ouçam aquela voz de fundo sufocante… Início lento e suave que rapidamente evolui para uma rapidez impressionante e vai sempre alternando de ritmo até ao final. Para quem gosta de Thrash nada melhor que “Carniceiro”, aquele solo inicial é poderosíssimo. O EP termina com “Get Away”, na minha opinião o segundo melhor tema deste trabalho, melódico, incisivo, com grandes riffs de guitarra e claro, com um grande solo quase a meio e para a melodia bastante competente!

Fina Flor Do Entulho é Punk, Rock, Metal, é festa, é crítica, é degredo, é poesia cuidada, é um manifesto de revolta, são palavras mais javardas… Parece que ao vivo é outra coisa ainda mais suja e degradante, bonecas insufláveis a voar em palco, nudismo, concertos no meio da rua, numa prisão, enfim… Estes senhores são mesmo únicos, estamos perante músicos que juntam o lado sério das coisas (tanto a nível lírico como instrumental) com a brincadeira e o degredo, o resultado claro, é um EP bastante elegante e irresistível, recomendado para apreciadores de Bizarra Locomotiva, Mata-Ratos, Acromaníacos, Mão Morta e Dr. Salazar. Veremos quem vai sobreviver amanhã nas Caldas!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Entrevista: Simbiose

Os Simbiose vão já com mais de 20 anos de carreira. Quais foram os melhores momentos como banda?
Ao longo de 20 anos tivemos grandes momentos mas se calhar um dos melhores foi a tournée no Brasil.


Consideram que tiveram maus momentos?
Como Simbiose não depende disto para viver, tentamos levar isto sempre para os bons momentos, isto é um hobbie. Mas sim, por exemplo, um mau momento foi quando o Hugo saiu da banda, desistiu… Foi um dos maus momentos. Mas nunca tivemos assim uma coisa muito má.


Editaram recentemente “Economical Terrorism”, como decorreu o processo de gravação e produção?
A produção foi a cargo do Ulf Bloomberg na Suécia, que já tinha feito o “Fake Dimension”. Em termos de captação foi no estúdio dum amigo nosso, 5 dias de captação. Foi o álbum mais rápido a captar… Foi uma coisa normalíssima, íamos bem ensaiados para o estúdio, gravámos tudo, captámos tudo… E depois o trabalho foi do Ulf.


Porque é que decidiram cooperar com a LOUD! para a edição do CD?
Nós não decidimos nada, quem decidiu foi a editora, a Rastilho, foi um negócio entre eles.


Optaram mais uma vez pela edição em vinil, por alguma razão em especial?
Há muita malta que ouve o nosso tipo de som, que ouve Crust, que prefere comprar o vinil, nós também (da banda) gostamos de ter sempre uma edição em vinil, fazemos um esforço para isso e foram reunidas as condições necessárias e conseguimos mais uma vez editar o álbum em vinil, em vários países, neste caso em 6/7 países: Brasil, Alemanha, Espanha, França, República Checa…


É também o primeiro álbum, desde o “Evolution?”, sem convidados especiais…
Sim… Este álbum foi muito simples, nós sabíamos o que queríamos fazer, acho que é um dos álbuns mais nervosos de Simbiose, penso eu Mais agressivos, também com letras com mais raiva, foi tudo muito simples e epá, não é obrigatório ter sempre participações.


O facto de o álbum ser mais agressivo deve-se ao facto da conjuntura actual ser mais extrema?
Sim acho que sim. Há uma revolta maior neste momento por parte da própria sociedade em que estamos inseridos e isso demonstrou-se também um bocado nas letras e nas músicas. Saiu naturalmente, não foi feito por causa disso mas penso que isso se verificou, tem sempre a ver com o estado de espírito das pessoas.


Todos os álbuns de Simbiose passam por uma espécie de manifesto, de incentivo à luta, à resistência. Consideram a parte lírica tão importante como a música?
É tão importante ou mais, este estilo de música não é propriamente para falar de amor, de problemas pessoais… Tentamos ser o mais simples possível nas letras é um bocado o que nós vemos, o que nos rodeia, os nossos problemas do dia-a-dia… Tentamos manifestar isso nas nossas letras, sempre o fizemos e essa também uma das principais razões para nós existirmos, apesar do som também vir por acréscimo.


Já estão a compor algum material novo?
Neste momento ainda não, estamos só tocar mas posso dizer que para o ano vão haver uns Splits.


Preparam-se para dar mais um concerto nas Caldas, quais são as expectativas?
É assim, é a terceira vez que a gente toca nas Caldas até agora tem sido sempre muito bom, tu também estiveste cá em todos, parece-me, tem sido sempre bom e hoje espero uma noite com o pessoal a curtir.


Dão sempre concertos lá fora, estão previstas algumas datas num futuro próximo?
É assim, não está nada fechado mas está de pé uma pequena Tour europeia e uma ida ao Brasil em 2013 Está de pé, ainda não estão reunidas as condições necessárias para isso da parte de lá mas penso que vá acontecer… Estamos a fazer um esforço para ir lá.


No início da formação da banda todos os membros eram vegetarianos… Ainda se mantém?
Não. Neste momento há 3 vegetarianos, é meio/meio… Sempre fomos uma banda que nos respeitámos todos entre nós, o vegetarianismo não é o factor principal da nossa existência, vemos isso como a opinião de cada um e tentamos respeitarmo-nos sempre uns aos outros que é o que sempre aconteceu.


Algumas palavras finais?
Epá é o costume… Em 20 anos temos muita gente que nos apoia, felizmente… Que compram os discos, aparecem nos concertos… E epá, é agradecer a essa malta toda e à que está por trás, que nos ajuda nos concertos, a malta que nos faz entrevistas, malta das editoras… Pronto, porque nós sozinhos não conseguíamos fazer isto.

domingo, 30 de setembro de 2012

Gazua - Transgressão

Depois de três grandes álbuns lançados consecutivamente em 3 anos, os Gazua estão de volta com o seu novíssimo e inovador “Transgressão”… Se “Contracultura” fechou um ciclo, como os próprios afirmaram aqui numa entrevista, “Transgressão” é o início de uma nova fase, bastante diferente, uma nova fórmula, mais inovadora e experimentalista, mas sem perder a essência que sempre caracterizou a banda. Temos aqui um Punk Rock mais lento, com mais personalidade, muito experimental e com bastantes elementos jazzísticos e Blues, muitas vezes com guitarras simples e directas, sem grandes acordes…

Riffs suaves e leves, melódicos, acompanhados pela grande voz do João Corrosão, agora mais a declamar frases que propriamente a cantar, em temas líricos bastante pessoais e íntimos e exemplo disso são “O Segredo” ou “O Rio Embala-me”. A outra grande novidade é uso das teclas por exemplo logo no tema inicial, “Último Abraço”, uma excelente adição para voltar a usar em trabalhos próximos. Voltando ao lado tradicional que sempre os caracterizou, na linha do “Convocação” ou “Contracultura”, temos músicas mais rápidas e pesadas como “O Inimigo Sou Eu”, “Respira” e “Noite Ritual”. A nível lírico “Transgressão” revela também um grande inconformismo com a actual (que nunca mais acaba) crise (de tudo!) e também com alguns sentimentos mais pessoais por vezes mais tristes, situações do dia-a-dia que quase todos já passámos… Seja quando nos sentimos parte duma cidade, dum todo (“O Rio Embala-me”) ou quando nos sentimos como o inimigo de todos (“O Inimigo Sou Eu”). Pessoalmente adoro os temas “O Segredo”, “O Rio Embala-me” e “Terra Prometida”, são pequenas palavras, simples e fortes que me dão cada vez mais coragem para viver o dia-a-dia acreditando nas minhas convicções e ideais. “Transgressão” é um álbum muito inspirador acreditem, principalmente nesta fase difícil que quase todos atravessamos, precisamos de acreditar em algo, de inspiração, este é o álbum ideal!

Em suma, temos aqui mais um trabalho genial desta grande banda, um álbum diferente, inovador, apetecível, suave, com muita qualidade, daqueles que dão um enorme prazer de ouvir. “Transgressão” foi gravado por Makoto Yagyu e Fábio Jevelim nos estúdios Black Sheep em Mem Martins e encontra-se à venda nas lojas do costume ou podem simplesmente encomendar à banda (mais económico e aconselhável), edição com algumas surpresas no interior, a cargo da banda e da já habitual Raging Planet. Entretanto também se encontra à venda o DVD da banda ao vivo na “Festa Do Avante 2009”, 12 músicas, 45 minutos, um DVD absolutamente obrigatório para qualquer fã da banda!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Göatfukk - Procession Of Forked Tongues

Os Göatfukk são mais uma grande portuguesa de Black Metal composta por Wanderer (ex-Decayed) na voz, J. (Corpus Christii, Alchemist, Theriomorphic) na guitarra, VSC (D.O.R., Murmúrio) no baixo e GR (Dead Meat, Altar Of Pain) nos D-Beats. De referir que ao vivo a voz fica a cargo do senhor Vulturius (Irae, Morte Incandescente) e que já ocorreram várias alterações na formação. Formaram-se em 2010 e em 2011 já andavam a espalhar o caos e a destruição de “Procession Of Forked Tongues” pelos mais diversos palcos nacionais. É D-Beat Black Metal com muito Punk e Crust, bem melódico e agressivo, rápido… Depois de vários problemas para a edição deste EP em 2011, este posto à solta em Fevereiro de 2012, são 7 temas (um cover), com edição e distribuição a cargo da War Arts Productions e Luci Dist Productions.

Não é um Black Metal muito inovador até porque nem é isso que sequer… Pelo menos o suposto “inovador” que tem saído ultimamente não me agrada nada. São 20 minutos de Black Metal com Crust, Punk, Rock ‘n’ Roll, um pouco de Thrash… Com muito D-Beat… Bem sujo, com um som antigo e rude mas com uma boa produção… Nem demasiado polida e perfeitinha nem demasiado merdosa como a maioria das bandas de Black Metal “underground”. Altamente aconselhável para quem gosta de Venom, Bathory, Darkthrone (aqueles álbuns mais Punk), Marduk (primeiros álbuns), Dishammer (sim!) e até Decayed (se bem que isto é um bocado diferente). É o tipo de Black Metal que possui qualquer amante do género…  Muito viciante, “play it loud for better results”. 

Aquele ambiente atmosférico em “We Are The Spear”, as guitarras sujas em temas como “Black Candles Burn” ou “Nocturnal Guidance” com riffs poderosíssimos (ouçam o solo da segunda)… Até em temas dançáveis como “Your God That Never Was” os Göatfukk me surpreendem, com uma melodia espectacular onde se destaca a voz profunda e obscura do convidado Devoto XI… Fazendo lembrar o senhor Attila Csihar. As linhas do baixo, que se notam mais em “XIV Crosses” eram algo para ter mais volume noutros temas. 

E o que seria deste EP sem aquele clássico selvagem de nome “Drunk, Slut, 666”? Se há coisa que me atrai nestas bandas para além do som é o trabalho lírico… Neste caso bastante javardo, herético, atrevido… Em cuspidelas de um Wanderer diabólico com um trabalho vocal excelente em versos como por exemplo “Blood blood. I drink from your pussy” ou “Come on you slut open wide / Impaled by the horns of our master” e ainda “In the whorehouse of your perverted sons”. “Drunk, Slut, 666” é sem qualquer dúvida o melhor tema do EP, já é um clássico… O início cativador, as letras, a bateria infernal, o baixo, e sobretudo a voz do Wanderer e aquele refrão orelhudo fazem com que nos viciemos neste tema de tal maneira ao ponto de ouvi-lo 100 vezes em dois meses. No final ainda temos um bom cover dos crusters suecos Wolfpack, “Enter The Gates”, não varia muito do original, é apenas um pouco diferente, mais Black que Crust.

Os Göatfukk uma das melhores bandas nacionais da actualidade e espero que as alterações no line-up não afectem muito o trabalho em estúdio porque quero mais coisas destas cá fora. Aconselha-se vivamente a compra desta rodela sonora dedicada à escumalha cristã e à que está no poder. Não há muito mais para adiantar, Black Metal sem tretas, como manda Satanás!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Simbiose - Economical Terrorism

Três anos depois da edição do fantástico “Fake Dimension” aí estão eles de volta com mais uma descarga de violência e revolta… O novo álbum dos reis de Crust nacional dá-se pelo nome de “Economical Terrorism” e são nada mais, nada menos que 14 temas ainda mais rápidos e violentos que o registo anterior, mais uma vez masterizado pelo grande Ulf Bloomberg na Suécia. São 28 minutos a debitar crust sujo e agressivo, sem grandes variações. A gravação desta obra contra o capitalismo ficou a cargo do Paulo Vieira, no Toca Do Raposo Studios. É um registo que fica marcado pela saída de Hugo R. (ex-vocalista/fundador da banda) e pela entrada de um novo, André Matias (ex-Blacksunrise)… Numa visão mais pessoal penso que o álbum não se perdeu nada, claro que se estranha a ausência de Hugo mas o André não foge nada àquilo que tem caracterizado a banda nos últimos anos, de referir ainda que este contribuiu liricamente para temas como “Payback Time”, “Buried Alive” ou “Information Overload”.

O que é que se pode dizer? É Simbiose… Temas escritos alternadamente em português e inglês… Grande qualidade que põe muitas bandas extremas com máquinas de promoção impressionantes a um canto… Isto é Punk, Death Metal, Crust, um pouco de Thrash e Grind… Música caótica, rápida, pesada, com uma raiva impressionante e bons exemplos são logo as duas primeiras faixas, as mais extremas do álbum. Acima de tudo, Simbiose e especialmente este álbum, é um grande inconformismo com a actual crise político-económica e de valores, onde os verdadeiros terroristas estão no governo para apavorar cada vez mais as populações… Entre outros assuntos destacam-se a crítica social, o racismo e até alguma frustração pessoal.

Continuam as guitarras distorcidas, bons riffs e alguns solos… Dum lado (André) uns guturais mais Death do outro (Jonhie) uns mais Crust… Se o baixo já se ouvia bem no “Fake Dimension”, experimentem o tema “Drowning In Shit”, escrito e composto pelo próprio baixista (Bifes), uma das melhores músicas do álbum, bastante melódica. A rapidez da bateria é impressionante, do início ao fim é sempre sem parar! Na minha opinião os melhores temas do álbum são (como sempre) os cantados em português, sempre gostei de ouvir bandas extremas a cantar em português, torna tudo mais pessoal e directo, com um significado diferente. Faixas como “Reage À Tua Frustração” (escolhido para um vídeo), “Total Descontrolo” (com aquele início calminho) ou “Sociedade Perdida” são autênticas bandas sonoras para o caos que se vive actualmente em Portugal e no resto do mundo. Outro grande tema é “Massacre Em Utoya” não só pela música mas também pelo assunto bastante actual que este trata, o massacre de 76 pessoas em Utoya (Noruega) em Julho do ano passado por Anders Breivik… Uma música dedicada a todas as vítimas. 

“Parados Humilhados Calados” é na minha opinião o melhor tema do álbum, pelas guitarras, pela melodia, bateria, voz… E sobretudo pelas palavras que este transmite, a forma violenta e brutal de como estas palavras chegam a nós, porque é um assunto bastante triste e revoltante, é mesmo preciso que estas ideias saiam cá para fora assim, o facto de tudo estar feito para não podermos reagir e de estarmos constantemente parados, humilhados e calados, de não reagirmos e permitirmos que haja roubos, drogas, corrupção, fome, racismo e degradação… É preciso sair à rua, reagir, despertar e lutar! Antes que me esqueça, ouçam também o grande solo da música. “Rise Again”, “Believe” e “Push It” são outros grandes temas que não fogem ao resto do álbum mas que também não trazem nada de especial. “Economical Terrorism” é o tema que fecha o disco, veloz, agressivo… Uma mensagem contra os terroristas económicos que não são presos e que se aproveitam de tudo e de todos para os seus interesses… Infelizmente o mundo em que vivemos não é assim tão bonito e agradável, basta abrir um pouco os olhos, só não vê quem quer, muitas vezes vemos a injustiça e seguimos em frente.

A edição deste magnífico álbum ficou a cargo da Rastilho Records (em CD) e da Criminal Attack Records do Brasil (em LP)… De destacar ainda a edição promocional feita pela LOUD! no mês de Maio, parece que o álbum chegou a mais gente que o normal… Na minha opinião este registo fica uns pontinhos abaixo do álbum anterior, acho que é demasiado directo e simples comparando com o “Fake Dimension”, fica também marcado pela ausência de convidados especiais nas músicas, o que dava sempre um toque especial ao álbum como foi o caso de “Evolution?” e “Fake Dimension”. Em resumo, é mais um grande disco para o Metal/Punk nacional e internacional, vamos ver como vão ser as recepções lá fora e se estes senhores vão fazer mais umas tournées por esse mundo fora.

sábado, 12 de maio de 2012

Konad / Miss Cadaver - Mákinas & Cadáveres

Para provar que o formato de cassete não morreu temos mais um grande lançamento dos Miss Cadaver, desta vez partilhado com os Konad, banda de Punk cuja origem remonta a 1996 sob o nome Konad Moska, mas foi a partir de Fevereiro de 2007, já com a designação Konad, que a banda retomou os palcos e o estúdio, na bagagem contam com uma Demo de 2007 e com o EP “Terror TV” de 2009. Em relação aos Miss Cadaver, pelo menos por aqui, dispensam apresentações, voltam aos lançamentos depois do promissor e polémico “Morte Ao Fado”, agora, muito mais agressivos e rápidos. São 11 potentes descargas de extrema mutilação auditiva de Punk/Crust/Thrash/Crossover em português! O lançamento oficial é em Tape profissional com capa a cores, inlay com letras e celofanada numa edição limitada a 100 unidades. Para apreciadores de Doom, Ratos De Porão, The Exploited, Extreme Noise Terror, Napalm Death, Simbiose, Censurados, entre outros. A edição deste manifesto fica a cargo da Mountain Goat Productions.

Apesar de ambas as bandas já terem editado algumas coisas, há aqui muitas novidades. Em primeiro lugar, falar do “Lado Mákinas” dos Konad, que na verdade são 5 temas tirados do álbum de estreia da banda “Café Beirute”, lançado há bastante pouco tempo, 5 malhas de Hardcore/Punk/Thrash/Rock ‘n’ Roll, agressivo mas também muito melódico. É aquele Punk sujo e violento com melodias poderosas que prendem qualquer um a ouvir isto sem parar. A nível lírico é bastante mais complexo que Miss Cadaver, a nível musical é bastante diferente, se Miss Cadaver é Thrash Metal com atitude Punk, Konad é Punk/Hardcore com embebido nalgum Thrash. Todos os temas são bons, desde aquele riff inicial de “Mákina De Guerra” até à poderosa “Filhos Do Ódio”, passando por outras grandes malhas como “Mentekabra” ou “Porcos Malabaristas” com letras espectaculares que de forma bastante irónica descrevem aquilo que se passa no mundo.

Se a primeira Demo de Miss Cadaver estava agarrada a uma fórmula simples e directa e se “Morte Ao Fado” foi o culminar de um ano em estúdio com temas muito mais variados e originais, o “Lado Cadáveres” deste Split, é o culminar de anos de raiva e inconformismo com temas cada vez mais rápidos a agressivos. Destaque inicial para a faixa “Eles Fodem (Tudo!)” que na verdade é uma variação mais agressiva e directa da letra de Zeca Afonso “eles comem tudo” do tema “Os Vampiros” de 1963. À semelhança de temas liricamente bastante simples como “Rattvs Velhus” temos agora “NPMP”, com a poderosa letra “Nasce pobre, morre pobre!” agarrada a um instrumental monumental, e também “AT3X”, temas que inicialmente parecem bastante simples e directos mas que na verdade são muito mais elaborados do que aquilo que aparentam principalmente com este instrumental cada vez mais sujo e com riffalhadas mais velozes e complexas. Outro factor importantíssimo a referir é a bateria que está muito mais audível e na minha opinião com uma captação mais profissional e cuidada, onde são frequentes vários blast beats. Outro grande tema é “Lacrimogéneo”, o primeiro deste Split a ser revelado ao público, um tema contra a repressão policial que tem sido cada vez maior principalmente nestes dias difíceis. “Luta Sempre” é mais um tema e mais uma mensagem muito importante, para terminar nada melhor que a faixa “Lixo Total”, uma crítica directa e um pouco irónica aos meios de comunicação social.

Em relação aos Konad comprem o álbum “Café Beirute”, quanto aos Miss Cadaver está para vir o segundo longa-duração, mas parece que ainda vai demorar, até lá ouçam os 3 manifestos já lançados pela banda e lembrem-se que o propósito inicial deste projecto se tem concretizado, isto é, as palavras e mensagem têm chegado às pessoas. Prova igualmente que a música, enquanto arte, livre (ninguém deve ser privado de a ouvir), independentemente de formatos posteriores que possam ser adquiridos e que são, mais do que nunca, pequenos itens de colecção (o caso das Tapes), aliado a um espírito DIY, livre de imposições e estratégias, chega às pessoas que, em primeira instância, ouvem, independentemente de apagarem os ficheiros depois ou de adquirirem o material físico original. Interessa, acima de tudo, que oiçam e que não sejam indiferentes, goste-se ou não.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Gazua - Contracultura

“Contracultura” tem um forte pendor de crítica social e político-económica, inteiramente adequado para os nossos dias e para a nossa sociedade cada vez mais miserável em que vivemos: desde a desigualdade social à injustiça, passando pela penúria que vai sendo cada vez mais agravante. Diria até que é o álbum ideal para quem quer ver uma mudança total na nossa cultura.

É Punk Rock nacional (cantado em português) com influências da velha escola, leia-se aqui, The Clash, Ramones, Misfits… Mas com algumas influências de Hard Rock/Heavy Metal tradicional, mais a nível de riffs e solos de guitarra. Este “Contracultura”, de 2010, é até à data o melhor álbum da banda, tudo aqui a fantástico. De referir também que são uma das melhores nacionais do género e a produção e a qualidade deste trabalho ajudam bastante… É uma espécie de junção dos dois álbuns anteriores, “Convocação” e “Música Pirata”, o que torna este “Contracultura” mais directo e amplo, e musicalmente, bastante enriquecedor. “A Mudança Que Queres Ver” é a primeira faixa e dá logo para termos uma ideia daquilo que é o disco, para além da letra bastante interventiva e afrontada, tem um trabalho de guitarra magnífico. “Preocupa-te”, numa de Hard Rock, é outro grande tema e até teve direito a video clip, é bastante dinâmico e acessível como quase todo o álbum. Como terceira faixa temos a poderosa e delirante “Ele Já Não Respira”.

Todo o álbum é bastante acessível, os refrões são facilmente decoráveis, e claro, toda a estrutura instrumental é memorável. Destaque para os temas: “Chamando Urano”, “Perigo Eminente”, “Casa Dos Fantasmas”, a instrumental “Divagueando”, e claro, “Morreu O Coveiro” com uma letra bastante original e invulgar, com um trocadilho de vozes no refrão, entre João (guitarrista/vocalista) e Paulinho (baixista). Como última faixa temos “Nunca Estou Satisfeito” que é na minha opinião uma faixa espectacular de clara insatisfação social. Não esquecer ainda que no final ainda há um tema escondido, um poema lindíssimo, com um instrumental simplista e atmosférico que cria um feeling único, sombrio, íntimo e arrepiante intitula-se de “A Minha Droga”.

E porque um álbum não é só música, “Contracultura” vem num luxuoso pack com o CD (claro!), um pin, patch, autocolante, palheta e poster gigante. Poster este, com as letras do álbum e com figuras marcantes da história do mundo, entre muitos estão presentes Michael Moore, Carlos Paredes, Patti Smith, Aristides de Sousa Mendes, Ghandi, Caetano Veloso, Zeca Afonso, Joe Strummer, Jimi Hendrix, Wayne Kramer, Jello Biafra, José Saramago… Que acabam por ser pessoas que encaixam com aquilo que é falado em “Contracultura”, pessoas que contestaram o sistema, quebraram barreiras e enfrentaram grandes problemas… De referir ainda a capa bastante atractiva com flyers de concertos de Dead Kennedys, Black Flag, The Beatles… A edição deste grande álbum ficou a cargo da Raging Planet e encontra-se facilmente nas lojas do costume e acreditem que vale bem a pena. Segue-se em baixo o tão aclamado poema “A Minha Droga”

“A minha droga são pessoas / fortes e decididas / que não baixaram a cabeça / não se deram por vencidas // Esmurraram as mesas / marcaram posições / perderam gotas de sangue / à procura de soluções // A minha droga é o mar / que ninguém pode controlar / os vales e os montes / onde ninguém pode chegar // O espaço sem limites / que não consigo definir / e o vento incansável / que não pára para dormir // A minha droga és tu / quando paraste para pensar / e encontraste a razão / pela qual vais lutar // Quando entendeste a importância / de fazer ou ser amigo / e descobriste que és preciso / e que contamos contigo // A minha droga é paz / o entendimento a harmonia / a vida descansada / e vivida dia a dia // Ideias actuais / mas reforçadas no passado / vontades de crescer / e de chegar a algum lado // A minha droga são sorrisos / palavras de apoio / pequenos pormenores / que reforçam as ideias // Frases simples e fortes / que me dão coragem / olhos que gritam prontos / para a próxima viagem // Agora estou fraco / por mais doses de vida / num mundo desgovernado / e sem portas de saída // Mas enquanto respirar / eu vou apontar o dedo / posso dormir com a noite / mas vou acordar sem medo”.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Miss Cadaver - Morte Ao Fado

Um ano e tal depois do primeiro lançamento, uma Demo, os Miss Cadaver voltam a atacar com o primeiro longa-duração intitulado “Morte Ao Fado”, já bastante conhecido pela sua capa marcante e objectiva, com a cadavérica Amália na capa. Como a própria banda afirma, sem medos, sem tretas, “Morte Ao Fado” é apontar o dedo ao que vai mal neste país, neste cantinho de brandos e merdosos costumes onde cada vez mais nos enterramos à pala da corrupção tiranossaura, do uso da democracia como meio para enriquecer alguns sem o mínimo de respeito por quem quer que seja. Estamos a bater, se é que já não batemos no fundo. É triste mas é verdade! E vai chegar a todos! Este trabalho é um manifesto contra toda a podridão que grassa cada vez mais neste triste canto à beira-mar plantado! “Morte Ao Fado” significa o fim para o nosso negro destino e é uma homenagem a todos que, não tendo culpa, estão a sofrer as consequências destes políticos nojentos, bancários facínoras, Mass Media hipnotizados e comprados, patrões exploradores e tudo a aquilo que está a destruir a nossa integridade!

Dizer já, que houve uma grande evolução em todos os pontos em relação ao trabalho anterior: a nível instrumental e vocal o álbum é muito mais variado, a nível lírico há uma maior preocupação em fazer as letras maiores e como deve ser, em fazer as letras com uma composição maior… E agora os Miss Cadaver estão mais Punk, mais Death (nalguns temas) e menos Thrash, contrariamente à Demo de 2010. Influências de Censurados, Simbiose, Doom e Napalm Death. À semelhança desta última, o álbum começa com o tema “Amália”, muito curto, simples e directo, assim como em “Amén”. “Ca-mo-rra” é outra faixa bastante Napalm Death, dominada por uma voz grave e por um blast beat infernal. “Abismo” é uma das músicas mais bem conseguidas do álbum com um refrão marcante e sublime, num timbre mais Punk Rock: “Que fazer? / Que futuro? / Enquanto uns se enchem a valer / Outros trabalham no duro”. Outra música bastante veloz é “Jogo Sujo”, é rápida, agressiva e suja, sem mariquices, é Punk! “Vírus” é na minha opinião a melhor música do álbum, é absolutamente fantástica, todo os pormenores a nível instrumental e aquele refrão incrível conjugam-se numa sintonia espectacular. Numa onda mais Thrash temos a poderosa “Plasmagórico”.

“Rattvs Velhus” é um hino dedicado aos velhos caquécticos e avós da corrupção, que têm reformas robustas. É a música com a letra mais simples do álbum e é também uma das melhores faixas, rápida e dinâmica, dominada por uns riffs de guitarra infernais, um tema que se for tocado ao vivo, rapidamente se tornará hino da banda. Destaque para o tema “Justiça Azul” com a sua letra distinta e incisiva sobre a justiça no nosso país. “Mundo Finito” é mais uma faixa parecida com as faixas da Demo, mais a nível instrumental, já a voz é muito mais pujante e forte, com destaque para a parte do “Futuro? / Não há”. O registo termina com o tema “Acorda (Agora)”, mais uma faixa poderosa, marcada pelo peso das guitarras e por aquele riff minimalista a seguir ao refrão que faz uma diferença enorme na audição do tema.

A edição desta pérola ficou a cargo da A Noise Records e Fukk That! Records, saiu em formato de Cassete profissional limitado a 100 cópias, com capa a cores (frente e costas). Para além das 11 músicas do álbum e mais 4 da Demo homónima de 2010 e devido ao valor único de lançar algo em tape nos dias que correm, este lançamento (e só este!) conta com o tema bónus “Medo De Mudar”, uma cover/adaptção (muito boa) do tema “Phobia For Change” dos Doom. Estamos perante um dos melhores lançamentos do ano no que toca ao Punk nacional, apressem-se a comprar porque só saíram 100.

domingo, 19 de junho de 2011

Miss Cadaver - Miss Cadaver

Os Miss Cadaver são o projecto paralelo de dois membros dos Machinergy (Ruy e Hélder) oriundo de Arruda dos Vinhos, vila situada nos arredores de Lisboa, e nasceu em Setembro de 2009. O objectivo primordial que esteve na sua origem foi o desejo de criar algo transportador de uma mensagem forte e frontal sobre as várias injustiças que grassam no nosso imundo submundo e mais concretamente neste cantinho à beira-mar plantado, paraíso de ladrões, corruptos, cada vez com mais diferenças sociais, acentuando-se as mesmas de dia para dia e que auguram um futuro (muito) pouco promissor. Lançaram recentemente uma Demo homónima com quatro músicas e estão actualmente a trabalhar num CD com 11 temas que se intitulará “Morte Ao Fado”. Thrash/Punk/Crust, o que lhe quiserem chamar, atitude revolucionária e crítica àquilo que se passa (de mal) no nosso país são as principais características deste projecto. A edição da Demo, com um formato em cassete à Old School, ficou a cargo da sempre respeitosa Degradagem Records, perita na busca de grandes talentos no Punk/Grind nacional.

Este duo fantástico pratica um Crust/Thrash com uma atitude Punk incrível com algum Death Metal à mistura. Encontramos aqui, muitas parecenças com Machinergy a nível da voz, mas a nível instrumental não tem nada a ver, somos brindados com 4 temas sujos, rápidos e curtos que abordam a política portuguesa, injustiças sociais e sobretudo, a mentalidade retrógrada do nosso país. Influências? A velha escola do Punk: Ratos De Porão, Simbiose, e até Napalm Death. Não é um registo de estreia perfeito, nem é para ser, é apenas uma Demo. A voz de Ruy podia variar um pouco e apostar naqueles vocais Punk mais agudos e sujos e os temas podiam (deviam) ser mais rápidos e agressivos. Temos boas melodias de guitarra, grandes riffs, e uma bateria muito bem trabalhada. “Lobby Militar”, a fantástica “Funeral Cultural” com versos fantásticos como “É só números / falsas promessas / a cultura / não interessa”, “9.5” e “Basta”, são os temas sujos e “imorais” que constituem este primeiro trabalho com uma qualidade bastante boa, mas que, consequentemente, torna-se um pouco monótono.

Estamos perante uma das melhores bandas de Crust de Portugal e que promete já um bom futuro e que não tarda nada se estará a juntar a grandes bandas como Deskarga Etilika, Simbiose e Vai-te Foder e etc. O álbum de estreia está quase aí (com a Amália na capa), e, enquanto não vem, desfrutemos desta Demo “Miss Cadaver” limitada a 100 cópias e prestes a esgotar. Para quem não “aprecia” este tipo de formato, os temas encontram-se disponíveis para audição no MySpace da banda.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Barafunda Total - A Grande Conspiração

Os Barafunda Total são de Lisboa, datam o seu início em Setembro de 2002. A Banda é composta pelo David na Guitarra, Ricardo na Voz, Diogo na Bateria e Zé Miguel no baixo. Sob influências do Punk/Hardcore/Rock que por cá se faz e também de alguns géneros estrangeiros, começaram a percorrer o caminho que os levaria ao primeiro registo em 2004. A filosofia da banda passa por transmitir uma mensagem pessoal, que muitas vezes é o resultado de uma catarse. Estes senhores cultivam valores que de certo modo se foram diluindo na sociedade, tentam fazer uma crítica construtiva face à auto-destruição assistida e anunciada do ser humano. Boa disposição e positivismo são duas das características da banda. Começaram logo desde o início da formação a dar concertos na zona de Lisboa e até que gravaram a primeira maqueta intitulada “Bem-Vindos À Realidade” em Fevereiro de 2004, que inclui 6 temas originais gravados nos estúdios Margem Sul. Este foi o mote para a banda sair de Lisboa e começar a percorrer Portugal de Norte a Sul e a chegar aos ouvidos das pessoas. Já com uma boa bagagem de concertos e com a realização de vários novos temas na busca de uma identidade própria entraram novamente em estúdio em Fevereiro de 2007, lançando assim o primeiro álbum de originais intitulado “Um Passo Para Crescer” que conta com 12 temas, o que levou a que fosse possível partilhar os palcos com as melhores bandas nacionais dentro do género musical.

Chegam a 2010 e lançam o segundo longa-duração intitulado “A Grande Conspiração”, um disco produzido por Miguel Marques nos Generator Studios e masterizado em Nova Iorque por Alan Douches nos West West Side Music Studios, é um álbum que conta com 10 temas bastante energéticos. O álbum conta ainda com duas participações especiais, João dos Gazua no tema “Reconciliação” e de TD de Aykien no tema “Na Extremidade Está A Ignorância”. “A Grande Conspiração” tenta reflectir o panorama de um século em que se gerou todo um rol de incertezas à volta dos grandes acontecimentos da História, como por exemplo a ida do Homem à Lua. Com este álbum os Barafunda Total tentam esboçar um pouco a nossa sociedade e abordar vários aspectos do nosso dia-a-dia enquanto parte dela, daí o álbum também ter uma forte componente pessoal liricamente. Simbolizando-o através da figura irónica do palhaço, personagem cómica que diverte o público com habilidades, com duas facetas.

Os Barafunda Total apresentam-nos um espírito Punk com algum Hardcore à mistura, nota-se uma grande evolução em relação ao álbum anterior, a fúria e a energia estão lá, mas há um cuidado maior com a qualidade, na composição, no som das guitarras, na voz e até mesmo a nível do artwork. Ao todo são 10 faixas que integram 30 minutos. A primeira música, com o título do álbum é um excelente tema e foi o primeiro Single, é um excelente tema para a abertura do álbum, é bastante melódico, com um efeito de guitarra muito bom, com um refrão bastante forte com uma voz cheia de pujança. “O Dia Seguinte” e “Nada A Perder” são duas faixas boas mas que não se destacam tanto como outras.

“Se nós tivéssemos escolas que educassem, tribunais que julgassem, políticos que não fossem corruptos, burocracia que fosse aceitável, isto era diferente”, é assim que começa a “Revolução Dos (Es)cravos” que é na minha opinião a melhor música do álbum, uma música que reflecte bem a situação actual do país, com um verso mais Hip Hop ao estilo português e com um refrão fenomenal, com várias mudanças de ritmo, no final ainda se ouve uma frase “isto não é um país, é uma brincadeira”, frase sobre a qual se baseia grande parte lírica da música. “Reconciliação” é uma faixa bastante boa, é rápida e pesada, marcada pelo grande peso da guitarra. “Medo” é também outra faixa muito boa, com uma letra bastante original, com um solo de guitarra fenomenal para terminar a música. Em termos gerais, ao longo do álbum, a sonoridade não muda muito, destaque também para as faixas “Somos O Que Somos” e “O Meu Fado”.

Perseverança, luta, revolta contra a situação político-económica do país, sentimento de contestação e espírito crítico são as principais mensagens dos Barafunda Total, “A Grande Conspiração” é um grande álbum, obrigatório para qualquer apreciador de Punk português e para quem se questiona se o Homem foi mesmo à Lua, e para curiosos que se debatem sobre as ditaduras de informação e epidemias mundiais.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Simbiose - Evolution?



Simbiose, dispensam de qualquer tipo de apresentações. Depois da comemoração dos 15 anos de carreira com várias actuações no estrangeiro, os Simbiose lançam em 2007 o seu 3º álbum de estúdio “Evolution?” editado e distribuído pela portuguesa Major Label Industries. Foi com este álbum que os Simbiose ganharam uma grande projecção internacional, este lançamento teve direito a várias edições específicas em vários países como o México, Brasil, Japão, e ainda uma edição em vinil pela editora/distribuidora espanhola Gaia Records. Foi nesta altura e a promover este álbum que os Simbiose fizeram uma Tour de 12 concertos no Brasil e ainda uma actuação em Inglaterra (Brixton) onde partilharam o palco com os English Dogs.

Depois do Crust sujo e agressivo do “Naked Mental Violence” e do “Bounded In Adversity” que é um Crust a puxar para o Grind com um instrumental muito Thrash, temos “Evolution?” uma mistura de Death Metal dos anos 90 com muito Hardcore e Crust com muitos riffs. Os temas são os tradicionais: crítica social, política, económica, religiosa… A sonoridade do álbum, que é muito característica só deste álbum dos Simbiose, não varia muito, não é muito rápido, mas é um álbum sólido do início ao fim, talvez a sonoridade mude um bocado na “Ideia Deliróide” escrita e cantada por João Gordo (Ratos De Porão), o álbum tem uma excelente produção onde a voz e os instrumentos são extremamente perceptíveis. É o álbum dos Simbiose que tem menos músicas cantadas em português, que sinceramente são as que me atraem mais. Posso afirmar que adoro a combinação dos “gritos” dos vocalistas com os riffs de guitarra. Destaque para a participação de Dean Jones dos Extreme Noise Terror na música “The Lone Death” uma malha do caralho! “Que Interessa?” e “Mundo Em Guerra” são dois temas excelentes cantados em português, dois clássicos de Simbiose, destaque para a letra da “Que Interessa?” e para a melodia e os “meios” solos da “Mundo Em Guerra”. Realce para o abuso da voz de Johnnie na “Crippled” e para a bateria na “Inglorious Victory”. “Pointless Tests” e “Rise And Fall” são as minhas preferidas, a primeira até teve direito a um video clip.

É um grande álbum, dos melhores de em Portugal até hoje, um álbum que se tornou internacional, é pena ser só meia hora de destruição, acho que se pusessem mais 4 ou 5 músicas como Bonus Tracks tiradas da primeira Demo e de algumas Splits não fazia mal nenhum. Altamente aconselhável para fãs de Ratos De Porão, Brutal Truth, Extreme Noise Terror, Discharge, Driller Killer…

domingo, 24 de outubro de 2010

Simbiose - Naked Mental Violence

Os Simbiose formaram-se em 1991, com uma formação muito diferente da dos dias hoje, até 2002 lançaram: uma Demo, 3 Splits e um EP. Em 2002, celebrando o décimo aniversário como banda, chega às lojas o primeiro grande trabalho destes senhores, intitulado “Naked Mental Violence”, que é na sua essência uma Compilação, os temas foram retirados das Splits, do EP e da Demo e foram regravados e editados especialmente para este lançamento. As regravações foram um grande acréscimo em relação às gravações anteriores, com este lançamento os Simbiose tornaram-se numa banda mais “real”, com mais qualidade  e mais brutalidade… Foi com este CD que os Simbiose se aproximaram daquilo que são em palco, uma banda cheia de energia, velocidade e violência.

Apesar dos anos que separam as músicas, a sonoridades entre elas é muito semelhante, é um Crust Punk sujo e duro, cheio de Thrash, Hardcore e Death à mistura. Liricamente todas as faixas são bastante originais, nunca vi nenhuma banda a fazer letras como estas (quer em português quer em inglês), em que domina a crítica social, cultural e política… Em relação ao artwork: é muito bom, com esqueletos e uma cor escura, representa muito bem aquilo que é este álbum: o lado negro da nossa sociedade, a violência, uma máquina de destruição sonora, de referir também que todas as músicas têm uma descrição acerca do “porquê?” da música.

É um álbum sólido do início ao fim, cheio de riffs, solos, melodias e duas vozes altamente destruidoras. Em relação às músicas que mais gosto são: “Fake World” uma excelente introdução sobre a hipocrisia e a falsidade das pessoas que nos rodeiam, “O Seu Lugar” é sobre os índios que viviam na América Do Norte e que foram “exterminados” pelos europeus, que resumindo, os índios são os verdadeiros americanos. “Naked Mental Violence” é das melhores músicas que os Simbiose fizeram até hoje, com uma letra espectacular e um poderoso instrumental, já para não falar da voz do Hugo que abusa bastante neste tema… A seguir vem a minha preferida deste álbum “Zoo (Não) Lógico”, com uma letra bastante importante: devemos respeitar todas as formas de vida, os jardins zoológicos não fazem sentido, servem apenas para as pessoas verem animais tristes numa jaula, os animais deviam ser livres... Vou deixar aqui uma parte da letra que apreciei bastante “Olha para os olhos deles / e diz me o que vês / dor, tristeza e solidão / passam a vida numa prisão”, o instrumental e a voz desta música são um abalo total, como um comboio que passa e destrói tudo, não esqueceer o grande solo! “Lavagem Cerebral” é uma música muito original, uma música simples e animada, com um instrumental simples e melódico, também esta, com uma letra muito realista “Tem cuidado com a publicidade / que passa na televisão / Querem ver-te consumir / até ao último tostão”. Este álbum tem excelentes músicas, não vale a pena falar de todas e descreve-las, a sonoridade é muito parecida em todos os temas, todos eles marcados por uma brutalidade incrível e inexplicável.

“Parem Com A Violência” é uma mensagem contra a violência nos concertos, os concertos são para nos divertirmos e não para nos magoarmos, “Against The White Man Race” é outra música extraordinária, “Torturado Pela Tradição” fala do sofrimento dos touros nas touradas apenas para a diversão do homem, “Portugal Em Chamas” fala sobre os incendiários que nunca são apanhados: “Um dia de destruição / arrasa anos de criação”, outra música que mexeu comigo foi a “Que Motivos Para Celebrar”, fala sobre a história de Portugal, sobre os descobrimentos, crises, colonização, escravatura e etc.

Este álbum é altamente aconselhável para fãs de Crust, Punk, Thrash, Death, Hardcore e também para curiosos que tem a mesma maneira de pensar que estes senhores. Ouçam isto do início ao fim que não se vão arrepender! Resumindo e concluindo, este álbum é obrigatório para qualquer fã de música extrema portuguesa, um álbum muito marcante no género!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Simbiose - Fake Dimension

Simbiose, uma das melhores bandas nacionais. À medida que os anos passam estes senhores vão me surpreendendo cada vez mais, este novo álbum “Fake Dimension” é um álbum espectacular, é uma forma de ser, uma maneira de pensar, de sentir a música e o mundo que nos rodeia, este álbum são 20 anos de maturidade acumulados dos reis do Crust Punk português. “Fake Dimension” foi misturado na Suécia por Ulf Bloomberg, neste álbum os Simbiose apresentam uma sonoridade mais “sueca”, nomeadamente Death Metal. A edição ficou a cargo da editora/distribuidora portuguesa Rastilho Records, em CD e LP. Também saiu no Brasil através da Red Star Recordings e no México pela Bambam Records.

Como é que posso descrever esta obra de arte extrema? Violência, caos, destruição, velocidade, crítica social, música brutal e explosiva cheia de energia e raiva, os temas passam a uma velocidade brutal, a sonoridade vai desde o Metal ao Hardcore, passando pelo Punk e pelo Thrash. Todo o álbum é marcado intensidade extrema, um álbum único, fantástico, que nos hipnotiza completamente devido ao tão elevado nível de violência e destruição sonora. Nunca me canso de ouvir, não nos podemos de esquecer de excelentes trabalhos como “Naked Mental Violence” ou “Evolution?” mas neste álbum os Simbiose superaram-se a si próprios. Falando agora dos temas, gosto muito da primeira música “A Solução” com muito Punk, passa “a correr” é verdade, mas logo a seguir vem aquele que na minha opinião é o melhor tema do álbum “Obey”, começa com uma descarga de raiva e aos 1:25 minutos o som da guitarra é único, um ritmo que me possui completamente, conta com a participação de Sofia Loureiro ex-vocalista dos We Are The Damned, é pura magia musical notam-se algumas influências de Death Metal Melódico incríveis que nos ficam na cabeça durante muito tempo e nos dão vontade de ouvir outra vez. Na música “Auto-Estima” os Simbiose superaram-se a eles próprios, é uma música extravagante: pela brutalidade, pelo ritmo, pelo solo, pela letra e espírito crítico, um autêntico clássico! Dou destaque ás faixas: “Sem Moral” com uma letra que critica sociedade, os políticos e a religião, é uma letra espectacular e muito realista, nenhuma música destes senhores é feita por acaso e “United” que é outra grande faixa, com um refrão que me alucina completamente e com um grande solo de guitarra tocado pela Jão dos Ratos De Porão. “Suffer Inside” e “Fake Dimension” são outras grandes malhas também. “Can’t Understand” é uma música, que, quando a ouço fico possuído, sem palavras, é incrível, estes senhores são autênticos deuses da música, e não podia terminar melhor: “Evolução É Regressão” é a última música, muito original, que conta com o vocalista dos Tara Perdida, João Ribas.

Esta “gente” merece um grande lugar de destaque no panorama do Crust mundial, fizeram uma tour no Brasil em 2008 e ao longo de 20 anos de carreira actuaram em  muitas parte da Europa, chegando a dar 200 concertos em 2005. Comprem este álbum, ouçam esta máquina de destruição sonora! Perseverança e personalidade, são as características de uma banda que se mantém fiel aos seus princípios, porque a luta continua todos os dias!

sábado, 31 de julho de 2010

Simbiose / Agathocles

Não queria acreditar quando vi que este lançamento ia sair: uma máquina de destruição sonora, a Split dos reis Simbiose com os grandes Agathocles, duas das minhas bandas preferidas num CD, e ainda por cima, músicas de Simbiose, que andava há anos à espera que fossem finalmente editadas neste formato. Fiz questão de encomendar directamente aos Simbiose. Este CD Split já podia ter saído há algum tempo, todos os fãs, quer de Simbiose quer de Agathocles, estão a par das boas relações destas duas grandes bandas, quer profissionalmente a nível de palcos partilhados, quer pessoalmente. Duas grandes bandas, que gravaram as músicas nas mesmas circunstâncias, de um lado os reis do Crust Punk nacional do outro os pioneiros do eterno Mincecore, só pode sair uma coisa de outro mundo. Os temas de Simbiose, foram gravados em 2000 numa garagem escarafunchosa, como os próprios dizem, foram editados pela primeira vez na Split com os portugueses Croustibat, editado em 2001 pela Zerowork Records.

Começando pelos três temas dos Simbiose (que deviam ser mais), altamente demolidores, são fantásticos, dando um destaque pessoal à música “Chuva De Estrelas” com uma letra em português, crítica e original, fala de bandas e artista que fazeem música comercial só para vender, é das melhores letras que os Simbiose fizeram até hoje, é uma grande malha, como de costume, rápida, suja e agressiva. “The Truth Is Out There” é outra brutalidade, uma música violenta e destruidora. Para terminar as músicas de Simbiose “Question Of Life” que é na minha opinião a melhor música dos Simbiose neste CD, uma das melhores deles, é rápida e a puxar puxar para um Death muito agressivo. Depois vem a brutalidade, a destruição, o caos, a loucura: os Reis do Mincecore, destaco as músicas “My Eve Of Destruction”, “Obey Their Rules” e “Copy Left” embora as outras também sejam bastante boas, 12 minutos de puro Mincecore, são 6 músicas cheias de energia, temas sujos, incisivos e cheios de ferrugem, que, infelizmente passam a correr.

Conhecendo estas duas grandes bandas, não será difícil de adivinhar que esta junção resulta na perfeição e nos perfura o cérebro com uma naturalidade incrível e uma violência alucinante, estamos perante uma obra indispensável na prateleira de coleccionadores.