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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Simbiose - Trapped

Depois do muito bem sucedido “Economical Terrorism” os Simbiose regressam com “Trapped” um álbum que vem marcar várias mudanças na banda e a meu ver uma nova fase. É o primeiro álbum depois do “Bounded In Adversity” a ser editado novamente pela Anti-Corpos e o primeiro depois do “Fake Dimension” a não ser produzido pelo sueco Ulf Blomberg, é também o primeiro álbum da banda apenas com um vocalista principal, o Jonhie. Muito pouca gente fala nisto mas parece-me haver uma sucessão lógica e contínua dos álbuns de Simbiose quando por exemplo em 2007 se fala duma suposta evolução (“Evolution?”) que levou a uma dimensão ilusória (“Fake Dimension”) que por sua vez permitiu o desenvolvimento dum terrorismo económico (“Economical Terrorism”) sem precendentes que levou as pessoas (como a própria banda referiu) a estarem presas, de terem chegado a uma fase em que já não há nada a fazer, pela crise, pelo roubo e pelas injustiças e é disso que fala por exemplo o tema “Abismo” (e não só).

“Trapped” perfaz quase 40 minutos de Crust embebido em muitos riffs de Metal e é a meu ver o álbum mais melódico da banda desde o “Bounded In Adversity” de 2004, menos directo e agressivo que o “Economical Terrorism” mas por outro lado mais elaborado, técnico e cuidado, com uma adaptação a uma voz bastante bem conseguida e esse seria um dos principais obstáculos da banda mas que foi, e bem, ultrapassado. Os temas, como já manda a tradição, vão alternando entre o português e inglês mas neste álbum predominam os temas lusos. O grande destaque do álbum vai para a dupla de guitarristas e para os seus riffs contagiantes e muito bem elaborados que reflectem aqui uns quase 25 anos de experiência nestas andanças e isso ouve-se logo no tema “Ignorância Colectiva” um dos temas que fica logo no ouvido e claro um dos melhores deste registo. 

“Acabou A Crise, Começou A Miséria” é claramente o melhor tema do álbum e tem tudo para alinhar na lista de clássicos de Simbiose, pelo main riff excelente, pela letra (como sempre) realista e claro pelo refrão brutal com uns acordes de guitarra de fundo arrepiantes! “Deixós Falar…” e “Infant Gas Mask” são possivelmente os temas mais directos e agressivos do álbum. “Abismo” é mais um tema excelente onde a banda revela estar em grande forma tanto em termos líricos como musicais com uma letra e um instrumental espectaculares (vejam o video clip para perceber melhor a história). Felizmente não se encontram temas menos bons e é por isso que “Trapped” se torna um álbum tão interessante, o tema-título é o mais bem conseguido em inglês já “Será Que Há Morte Depois Da Vida?” fala de retóricas do campo psicológico e religioso algo que não é muito comum nas letras da banda. Os riffs de “Modo Regressivo”, as melodias de “Consciencialização” e “Don't Play Dead” e a raiva de “(A)pagar” são extremamente viciantes. “Fallout” e “Quem Vai Ganhar?” são os últimos temas do álbum e este último é uma grande crítica ao conflito israelo-palestino.

“Trapped” foi sem dúvida um dos melhores discos nacionais de 2015 e um passo muito importante na carreira de Simbiose. Foi editado pela Anti-Corpos em CD Digipack e LP em parceria com outras editoras estrangeiras a Criminal Attack Records, Deviance Records, Apathy Never, Punk Vortex, Tanker Records e a Neanderthal Stench. A banda ruma agora numa nova e ambiciosa tour pelo Brasil, país que os recebeu muito bem em 2008 onde na altura promoviam o clássico “Evolution?”, agora é a vez de “Trapped” pisar o solo sul-americano onde se comemoram também os 25 anos de Simbiose.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Gorgásmico Pornoblastoma - Delírios De Um Defunto

Dizem que “Delírios De Um Defunto” é o novíssimo álbum de estreia dos sempre podres Gorgásmico Pornoblastoma e para quem os conhece já sabe mais ou menos o que esperar. Nada de produções requintadas ou arranjos bonitos, Grindcore à antiga influenciado pela velha escolha, leia-se aqui, Napalm Death, Brutal Truth e sobretudo Agathocles. Guitarra bem suja, voz imperceptível que debita podridão e nojo por todo o lado e claro, na bateria um panzer infernal com um arsenal de AK-47 sempre a disparar. “Apodrecer Lentamente” ou “Consunção entre actos de Violência” são temas que descrevem bem o que se vai ouvindo nestes 23 minutos de caos e destruição que vão do Punk ao Crust passando pelo Death Metal onde se vão também ouvindo alguns toques de Goregrind, as influências são muitas e é isso que torna o álbum tão cativante. Existe algo mais interessante que dois gajos a destruir uma sala de ensaios e gravarem-no para o povo ouvir? Julgo que não.

“Vingança”, “Canteiro de Cadáveres” ou “Porcos” são temas excelentes, abrasamento à antiga com uma velocidade impressionante, riffs podres, tarola bem audível, baixo bem distorcido e amplificadores bem altos! Ouvidos mais sensíveis e comichosos dirão que o produção do álbum é obsoleta mas o que seria um álbum de Grindcore sem uma (des)produção destas? O final fica ainda reservado para um remix meio que psicótico e arrepiante fugindo à sonoridade do álbum mas completando-o na perfeição. “Delírios de um Defunto” foi uma das grandes surpresas do ano que passou e sim, ainda vai sair em CD, pela habitual Helldprod, numa edição limitada a 500 cópias. Este álbum de estreia é uma amostra verdadeiramente fiel das actuações da banda ao vivo e os Agathocles portugueses sabem fazê-lo da melhor maneira. No bullshit. Just Grind!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Entrevista: Cock And Ball Torture

Num CD de tributo a Cock And Ball Torture com mais de trinta bandas, “Bulldozers United”, dizia algo como “os Gut são foram o primeiro ícone do Pornogrind e os Cock And Ball Torture eram os pais do Bulldozing Goregrind” basicamente dizia que vocês criaram um novo estilo e que foram uma grande influência para um grande número de bandas. Sentem que deixaram um legado na cena do Goregrind?
Não queremos falar sobre este “legado”, nós tocamos apenas a música que gostamos. Existe alguém que gosta do nosso som e toca este estilo, isso é bom, mas não gostamos dessas palavras de “legado” ou o que quer que seja. Somos o mesmo que tu.


Dos concertos que já deram, quais foram os mais marcantes?
Não podes comparar maças com pêras. Este concerto aqui no Hellfest Open Air não tem comparação com os nossos concertos em clubs/bares sei lá, na República Checa. Foi muito bom tocar aqui, tivemos muita gente, mas o sentimento é o mais importante. A tour na Austrália foi fantástica, é tudo muito bom. Se tiver uma pessoa ou cinco mil isso não significa que por ter mais gente vá ser melhor...


Basicamente são os mesmo para vinte pessoas ou para duas mil.
Exacto. Somos os mesmos, tocamos o mesmo, temos a mesma energia. É isso que temos de fazer e queremos fazer caso contrário não viríamos aqui.


Já editaram três álbuns, o último foi de 2004 se não me engano, porque é que não lançaram mais nenhum em mais de dez anos?
Por diferentes razões. Em primeiro lugar houve um “lack off” de inspiração. “O que vamos fazer a seguir?” não queremos copiar, não queremos fazer o mesmo, depois não sabemos que direcção seguir, ser mais Old School como o primeiro álbum ou não... Temos de trabalhar (não vivemos da música) e torna-se difícil conjugar a música e o trabalho. Quando começámos tocávamos muito mais e ensaiávamos sempre duas vezes por semana mas nos últimos dez anos todos acabaram por ir estudar e trabalhar. Temos as nossas famílias em primeiro lugar e isto é apenas um passatempo e diversão, nada mais que isso. Temos algumas músicas novas mas não temos tempo para praticar mais ou escrever mais. Nos últimos oito anos não compusemos música nenhuma nova.


Portanto não estão a pensar em lançar um álbum novo...
Sim, pensamos em lançar um álbum novo mas acabam sempre por surgir os problemas do costume: tempo, tempo e tempo! Precisamos de tempo para ensaiar regularmente, o que é impossível. Vivemos separados. Deveríamos ter duas ou três semanas para gravar mas é impossível.


Vocês começaram por fazer um estilo bastante particular e diferente do normal na cena do Goregrind. Como surgiu essa ideia dos efeitos na voz e isso tudo?
Na verdade, começou tudo no estúdio. É tudo falado no estúdio, compomos música, vocais e depois vemos como fica, como soa, nunca sabemos como vai ficar. Não temos propriamente um produtor como algumas bandas têm a dizer “eu punha o som da guitarra assim ou assado” e dizem que são open-minded por causa disso, nós não somos assim... Mas no fim de tudo o importante é que seja bom, no estômago e nos testículos [risos], tem ser bom e soar bem.


Já estiveram em Portugal duas vezes o que pensam do país em geral e das bandas?
O que dizer... O que podes esperar dum país do sul da Europa? É quente! Já lá estivemos em concertos e de maneira geral as pessoas são bastante amigáveis e com mente aberta, é bom para beber cerveja e relaxar.


E bandas portuguesas?
Ouço muitas bandas mas normalmente nem sei o nome, ponho tudo no iPod e faço “random play” mas conheço por exemplo Holocausto Canibal, de resto consigo identificá-las pelo som e reconheço músicas mas depois não me lembro do nome. Para nós por exemplo é uma honra que os Holocausto Canibal tenham feito um cover nosso mesmo que gostemos ou não. Eu tenho a dizer que gosto sempre pelo facto de uma banda estar a tocar uma música nossa, é do tipo “wtf?”, nós somos apenas três gajos humildes dos Pré-Alpes Bávaros quem é que nos ouve por esse mundo fora e gosta de nós ao ponto de fazer um cover? É espectacular!


Pensam do tipo “eles estão a passar o tempo com algo nosso e a gravar música nossas”...
Porque é que fazem isso? [risos]


Vocês raramente dão concertos, no ano passado foi o Obscene Extreme este ano o Hellfest, têm algo na agenda para um futuro próximo?
Pelo menos o próximo concerto na Orange House em Feierwerk, Munique e é tudo por agora, nós não podemos dar mais. Temos tocado cada vez menos mas temos tido algumas propostas só que é difícil devido aos nossos trabalhos, horários, conjugar datas, etc. O que torna tudo difícil, eu diria mesmo impossível, ou seja, concentramos tudo e tocamos três ou quatro concertos por ano. Portanto essa é a resposta para o “são profissionais?” nós dizemos “não!”, caso contrário receberíamos muito dinheiro para tocar, o que não é verdade.


Receberam algumas propostas para tocar em Portugal?
Recentemente não, mas fomos contactos pelo pessoal do SWR Barroselas Metalfest uma vez. Nós não pedimos a ninguém para ir tocar a um local, esperamos apenas que nos contactem, vemos se o pessoal da banda ainda está vivo (normalmente está) e lá vamos nós, não andamos atrás de ninguém.


Qual o vosso rescaldo do concerto do Hellfest?
Em palco nunca ouvi um som tão bom, fui muito bom de se ouvir, não esperávamos que estivesse tão cheio, eram 11:30 da manhã já fazia calor e estava muita gente já a beber e ali para nos ver. A todos os nossos fãs “get us over as soon as possible”!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Grunt - Codex Bizarre

Os Grunt, outrora Fetal Incest, sempre tiveram um lugar muito particular no plano da música extrema em Portugal, por serem isso mesmo, distintos dos de mais! Ser apenas mais uma banda nunca foi com eles e não foi por acaso que destacaram desde o seu começo. Podemos ouvir muitas bandas a nível internacional que se aproximam da sonoridade dos Grunt (ou eles que se aproximam da dos de mais) mas mesmo assim têm particularidades que os tornam únicos. O primeiro álbum “Scrotal Recall”, editado em 2011, composto por volta de 2003-2005, com uma produção de excelência, foi um marco muito importante na cena do Grindcore em Portugal que lhes valeu um concerto fantástico no Obscene Extreme nesse mesmo ano e uma touneé pelo Reino Unido já em 2012.

A jornada foi muito longa para quem esperava o novo álbum e não tinha notícias até que chegamos a finais de Agosto de 2015 e editam “Codex Bizarre” outra vez a cargo da checa Bizarre Leprous Production, um álbum verdadeiramente monumental, assustador, provocador, muito pouco ortodoxo e com uma visão verdadeiramente inovadora e ousada desbravando novos caminhos musicais muito pouco explorados nos campos do Goregrind, cá e lá fora. “Codex Bizarre” distingue-se do álbum anterior por ser um registo muito mais completo e multifacetado, em termos musicais e líricos, com uma produção muito mais cuidada e profissional. A voz é muito mais perceptível e deverá ser essa a principal diferença que irão notar nas primeiras audições. Destacam-se os riffs insicivos de Death Metal puro (e não só!) bastante elaborados e facto do álbum ser muito variado onde se associam várias sonoridades de cariz mais electrónico como o Industrial ou o Trance, não é por acaso que o álbum conta com a participação do conceituado DJ The Speed Freak que completa o álbum no final com a faixa “The Speed Freak’s Sadistical Abuse Remix”.

O tema de abertura “The Sweet Smell Of Servitude” é fenomenal com uma parte arrepiante onde se ouve a fala de Nes Nomicon (convidada especial) “I dimish myself for a penal retribution / A misery feast of humiliating torture / I’m a sinner, a bad girl, punish me”. Segue-se “Teratoid Latex Feudalist”, basicamente a segunda parte do tema anterior, este, muito mais acelerado com o som do baixo bastante vincado com um solo de guitarra contagiante que se faz acompanhar mais uma vez da fala feminina com um texto ainda mais preverso e sedutor “I’m a slut, a whore, I am a dog with a disease / I’m your slave, your cunt, I am a cock-hungry fuck”. “The Edgeplay” é o tema seguinte, um dos mais directos e brutais de todo o álbum. “Vassalage Groteste” é o tema mais catchy de todo o álbum pelo seu refrão grotesco “Commit yourself to the abuse” com uma introdução nada comum nestes campos com uma flauta e por uma batida electrónica que se faz acompanhar com um solo de guitarra de fundo.

“Teased And Tormented” e “Becoming The Dominus” são os temas mais Grind ‘n’ Roll de todo álbum, segue-se depois o tema mais épico “Twilight Hybrid Bonanza - Shemale Part II” com a participação especial de Hellraiser (Vizir) com uma fala (em português) verdadeiramente assustadora depois da fala em alemão de outra convidada especial: Sarah Teichtert. “Levitra Powered Aged Predator”, “Helix Masterpiss” e “Supreme Rubbercore” são mais dois grandes temas, no primeiro destaca-se o solo de guitarra, no outro o groove e no terceiro o facto de ser um tema com um ritmo mais alucinante. “Funeral Sub-Mission Suite Part I” é um tema mais ambiental, electrónico, mas com um forte peso das guitarras que podia perfeitamente ser a introdução do álbum, já “Funeral Sub-Mission Suite Part II” é outro “in your face bitch”! “Panzer Enema” e “Sadopsychorama” são dois grandes temas para terminar o álbum com riffs demolidores. O final fica reservado claro para o remix já referido anteriormente.

“Codex Bizarre” é sem qualquer dúvida um dos álbuns mais inovadores da música extrema portuguesa dos últimos anos, consegue fugir à banalidade dum género cada vez mais saturado e repetitivo e está a dar que falar, por enquanto tivemos uma tournée muito bem sucedida pelos Estados Unidos e já no início de 2016 as mentes perversas dos Grunt regressam às terras de sua majestade para mostrar que não é só o Vinho do Porto que é bom e que os britânicos podem consumir produtos portugueses bem melhores!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Serrabulho - Star Whores

Os Serrabulho dispensam qualquer tipo de apresentações e se pensam que a insanidade mental dos senhores melhorou enganem-se, ainda estou para perceber como é que não estão num manicómio! Se achavam que o disco de estreia “Ass Troubles” tinha piada, ainda não ouviram nada. “Star Whores” (sim, isso mesmo, “putas das estrelas”!) é o nome do novo álbum, agora editado a cargo da alemã Rotten Roll Rex, e é nada mais nada menos que uma sátira bastante inteligente e preversa da space opera americana criada por George Lucas, “Star Wars", e quem gosta da série vai adorar as ligações que este álbum faz aos filmes, tanto a nível musical como no artwork bastante original.

“Star Whores” é um álbum de Happy Grind/Pornogrind/não interessa, com uma produção bastante profissional e cuidada, e é, sem dúvida, um grande passo em frente em relação ao álbum de estreia. É um álbum mais variado, completo e muito bem estruturado, com mais pormenores a nível musical, a destacar por exemplo o bandolim na faixa de abertura “Pornocchio” ou os riffs mais elaborados como em “Testicular Torsion” ou “Happy Fornication”, tudo isto lá está, envolto numa temática algures entre as estrelas e o porno, onde convém salientar também o trabalho fenomenal que a banda fez nos vocais tanto no lado mais Death Metal e Grind como nas introduções das músicas e samplers com coros, risos, falas, etc. “Star Whores” é o tema do álbum e aquela introdução é arrepiante e quem conhece bem o filme vai perceber porquê, todos os pormenores neste tema são fantásticos até ao último segundo! Pode parecer estranho, mas os Serrabulho também tocam guitarra acústica e não podia ser em melhor tema que “Vaseline” porque este é mesmo o tema que entra melhor nos ouvidos dos mais sensíveis! “Life Of A Penis” e “Caguei Na Betoneira” são mais dois temas brilhantes e dos mais cómicos de todo o álbum. No álbum anterior queriam cagar mas não podiam, agora como podem ver o sistema digestivo da banda melhorou e já podem fazer as suas necessidades, mas numa betoneira está claro! “Snow White And The Seven Dwarfs [Gang Bang Edition]” é a faixa perfeita para terminar o álbum onde se ouve ali pelo meio depois do silêncio a majestosa “Imperial March”.

“Star Whores” é um dos grandes lançamentos deste ano e os Serrabulho revelaram aqui um trabalho excepcional sem momentos mortos ou monótonos em que a vontade de fazer replay é imediata. Se tiverem oportunidade apareçam num daqueles concertos épicos e caóticos cheios de gente doida mascarada e se pensam que o vírus só afectou Portugal estão enganados porque o contágio já chegou à Espanha, Alemanha e dentro de meses chegará à República Checa! Cuidado com o Rancho Folclórico!!!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Machinergy - Sounds Evolution

4 anos depois do promissor “Rhythmotion” o trio de Arruda dos Vinhos volta à carga com “Sounds Evolution”, um álbum que vem afirmar ainda mais a maturidade e seriedade da banda, um grande registo com um conceito relacionado com os lançamentos anteriores bastando para isso ter em atenção o paralelo dos títulos dos 3 registos da banda: “Rhythmotion”, “Rhythm Between Sounds” e “Sounds Evolution”. 

O álbum é composto por 10 faixas bem coesas, do início ao fim, onde se destacam os riffs agressivos, directos, e os efeitos industriais que dão um toque especial à sonoridade da banda e a distingue das demais, ainda mais que no primeiro álbum. Quanto à produção, é da mais cuidada e profissional que se pode ouvir por cá, se calhar até demasiado limpinha para o som da banda. Os temas vão alternando entre o inglês e o português, e nalguns casos até na letra da mesma música como é o caso da viciante “Furia” ou na “Cada Falso”, possivelmente a faixa mais anos 80 do álbum. “Sounds Evolution” e “Machine Gun Anger” são as faixas que mais se aproximam da batida do álbum anterior mas esta segunda tem uma parte mais ambiental verdadeiramente assustadora, onde se ouve um sino e um som estranho, algo muito incomum nas bandas de Thrash. “Venomith” é na minha opinião o tema mais bem conseguido, o início é arrepiante, a letra é das mais originais e os riffs dos melhores que a banda já fez. “Waterwar” é um tema absolutamente épico com os vocais de Célia Ramos a dar um toque especial ao som da banda, numa música com um conceito bastante especial e preocupante, e esperemos que não passe duma premonição. E como se os vocais femininos não fossem suficientemente belos para distinguir este tema a banda ainda lhe acrescenta melodias médio-orientais sublimes. Destaque também para os temas em português “Antagonista" e “Carne & Mal" e claro, para a instrumental “Hammer”.

Era um dos álbuns mais esperados do ano (para mim) e não tenho dúvidas nenhumas de que este triunvirato (Ruy/Hélder/Mariano) ainda tem muitas cartas para dar. São uns dos músicos mais talentosos do país e dos poucos a ter a preocupação de fazer tudo da maneira mais cuidada possível. O resultado está aqui, e isto vai rodar bastante durante muito tempo.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Holocausto Canibal - Compêndio De Aversões

“Compêndio De Aversões” é o EP dos Holocausto Canibal que reúne alguns covers gravados pela banda ao longo da carreira, alguns deles editados apenas em compilações de tributo. Marca também o regresso ao formato de cassete (depois do primeiro lançamento “oPus I” de 1997) numa edição de luxo e limitadíssima a umas simbólicas 69 cópias numeradas à mão e que o download poderá ser feito no site da editora Larvae Productions. Esta humilde homenagem às bandas que influenciaram os Holocausto reúne 7 temas clássicos do Death Metal internacional (e não só!) com a qualidade e produção de excelência que estes senhores nos foram habituando. A título de curiosidade é um dos poucos registos com C. Guerra (aka Toká) na voz (em 6 dos 7 temas), que fez parte da banda durante quase uma década mas que nunca chegou a gravar um álbum de estúdio.

O show começa com um “do you ever fantasized about being killed?” do cover dos polacos Dead Infection, “Death To The Master Key” com um trabalho vocal sublime, de resto, não foge muito à versão original. “Here We Are” (dos Malignant Tumour) é um dos melhores temas deste trabalho tal como a orgásmica “Cripple Bitch” dos pais do Pornogrind, os Gut.  “Euthanastic Inclination” é um dos temas mais bem conseguidos numa versão bem mais interessante que a original. “Spunky Monkey” é na minha opinião a grande surpresa até porque sou grande fã dos alemães Cock And Ball Torture, e aqui os Holocausto Canibal conseguem transformar o tema numa versão bem mais animada e menos groovy, editada originalmente em 2010, no México, na compilação “Bulldozers United - A Tribute To Cock And Ball Torture“, que contou com outras bandas portuguesas como PussyVives, Namek e Fetal Incest. E porque as bandas que influenciaram os Holocausto não se resumem ao Death Metal e Grind temos o cover da histórica “C.C.M.” de Mata-Ratos, basta imaginá-los a tocar Goregrind! Para terminar em beleza nada melhor que um cover dos criadores do Goregrind com uma versão absolutamente abrasadora da “Reek Of Putrefaction”, de Carcass, gravada nas alturas do Opusgenitalia e editada pela primeira vez em 2008 na compilação “Visceral Massacre Memorabilia”, com Max Tomé nos vocais.

Nada de novo, material inédito para os menos curiosos, mas com bastante significado para quem gosta realmente da banda. Agora venham versões de Mortician, Extreme Noise Terror, Ratos De Porão, Bile e Ulcerous Phlegm, e de preferência, em formato Old School, nós agradecemos.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Gorgásmico Pornoblastoma - Gorgásmico Pornoblastoma

Os Gorgásmico Pornoblastoma são a mais recente junção ao vasto leque do Grind nacional. Formaram-se em 2010 e já devastaram um pouco de todos os palcos nacionais com o seu Goregrind podre, obsceno e sujo, para fãs de bandas como Rectal Smegma, R.D.B., Mortician, Ultimo Mondo Cannibale, Gut e por aí. No final do ano passado, ou no início deste (nem os próprios sabem muito bem), editam o seu primeiro trabalho uma Demo Tape à moda antiga com 5 temas, com o selo da já habitual Murder Records (Grog, Dead Meat, Fungus).

Nos últimos anos tem sido difícil fazer-se Grindcore de má qualidade em Portugal e os Gorgásmico dão aqui continuidade a essa tendência com um registo bastante coeso e com qualidade bem acima da média para uma Demo, que se calhar peca apenas por ser demasiado curta. 5 temas curtos e directos com introduções que não lembram a ninguém onde se destacam os riffs graves, captação de bateria à moda antiga (bastante audível) e a juntar à festa um monte de pig squeals, grunts e growls. “Gurg” é o melhor tema, o mais Grind 'n' Roll a fazer lembrar os compatriotas R.D.B. e Serrabulho. Temas  como “Gorgásmico Pornoblastoma”, “Hematoma Purulento” e “Sodomia Acidental” não ficam a dever nada ao que se faz lá fora. Para finalizar, e a semelhança do resto das músicas, temos uma faixa super romântica e emocinante de nome “Engolir Mata”, possivelmente, uma das faixas mais completas da saga do Grind nacional (ou não). Encontrem a Tape por aí num esgoto mais próximo se tiverem sorte e se os puderem ver ao vivo, melhor, é festa garantida. Fuck passion or fashion… Insanity for a living!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Entrevista: Brutal Brain Damage

Onde vão buscar inspiração para o humor dos vossos temas?
Carlos Lopes: Nós somos pessoas divertidas e bem humoradas. Não temos nenhuma fonte de inspiração sem ser a nossa própria parvoíce. Normalmente sou eu que puxo mais por esse aspecto mas é todos juntos é tipo uma casa de malucos.


Achas que esse humor acaba por vos distinguir das restantes bandas de Grindcore, que geralmente abordam temas mais Gore ou crítica social?
Carlos Lopes: Não vou bem por aí. Há algumas bandas que também têm a sua veia humorística mas sim. Em certos aspectos pode-se dizer que nos distingue mas sinceramente não sei explicar porquê. Apenas como não somos uma banda com mensagem a nível crítico social (que é o tema mais abordado de bandas Grind) quisemos optar mais pelo cómico. Acho que a vida já é bastante séria.


Há uma grande evolução do EP para o álbum, a vários níveis, quais foram as principais diferenças na gravação e produção de um e outro?
Carlos Lopes: O EP na altura apanhou as malhas compostas antes da entrada do Big. Foi gravado e masterizado por nós.  Depois a nível de composição com ele na banda já foi diferente como se pode ver. São malhas um pouco diferentes e mais arrojadas.  Em relação à produção do álbum fizemos tudo com o Miguel Tereso que nos ajudou imenso. Estamos super satisfeitos e espero que no futuro o resultado final seja como no primeiro álbum. A nível gravação foi praticamente tudo gravado em casa por assim dizer. Nesse aspecto não ouve muita diferença, apenas que no “mini quarto super mega estúdio” do Miguel tínhamos mais condições para gravarmos já o nosso EP foi gravado numa garagem num domingo à tarde.


Quais são as principais bandas que vos influenciam para compor?
Carlos Lopes: As nossas influências vêm da música e de vários estilos de Metal. Todos gostamos de coisas diferentes desde Grind, Death, Thrash, etc. Não temos aquela banda como influência mas pode-se dizer que há algumas que nos inspiram como qualquer banda. Eu pessoalmente ouço de tudo um pouco e gosto de muita coisa fora do Metal. Mas como banda em geral há bandas que todos nós gostamos, desde Napalm Death, Rotten, Nasum, Magrudergrind, etc. Mas tentamos não ir por aí. Queremos criar um som que se pode dizer nosso. Apenas temos bons professores que nos ensinam e dão inspiração na veia criativa da música.


E em termos de bandas nacionais houve alguma que vos inspirasse e que olhassem como referência?
Carlos Lopes: Isso é uma boa pergunta, porque normalmente fala-se mais de bandas de lá de fora como fonte de influências e no meu caso é mesmo o oposto. Quando comecei esta banda foi a partir de uma noite bem passada num concerto de PussyVibes e depois de ter feito um pouco de barulho ao micro. Sinceramente essa sensação deu-me outro olho aos concertos. Não como fã mas como poderia ser tocar ao vivo. Umas das minhas bandas favoritas são Dead Meat, PussyVibes, Raw Decimating Brutality e Grog. E daí eu, em pouco tempo, a nível de voz comecei a querer fazer de tudo um pouco. Tenho imenso respeito por essas bandas e são pessoas incríveis. Claro que com o passar do tempo conhecemos pessoalmente mais pessoas e desde aí, Matter é daquelas bandas que para mim é das melhores que se pode ter cá.  Estou super contente por fazer parte deste meio porque para um país pequeno temos bandas do caralho e um enorme gosto em tocar com aquelas bandas e socializar com os elementos. É tudo porcos, feios e maus!


Foi desse contacto com os R.D.B. e não só que surgiu a oportunidade de editar o álbum pela Vomit Your Shirt. Achas que a editora tem tido um papel fundamental para a divulgação do Grind nacional lá fora?
Carlos Lopes: Sim, foi a partir de um concerto na Covilhã que surgiu essa oportunidade e estamos super contentes. A editora foi espectacular connosco e têm feito um trabalho incrível. São pessoas dedicadas e super simpáticas que fazem o melhor. Estou sinceramente agradecido por terem mau gosto musical e terem apostado nesta banda, é o que posso dizer!


Que bandas nacionais recomendas?
Carlos Lopes: Bem pessoalmente... Há muitas bandas, mas do que tenho ouvido mais nestes últimos tempos: Serrabulho que lançaram recentemente o seu primeiro álbum, Matter tenho andado a ouvir também a colhoada feia deles e em breve terão aí o álbum, Besta também tenho andado a ouvir com mais atenção e o “Obra Ó Diabo!!!” que não precisa de apresentações. Tenho ouvido AntiVoid que também já tivemos juntos no palco onde participei no submarino amarelo. Eu sei lá! Poderia estar a tarde aqui toda.


E que fests nacionais aconselhas?
Carlos Lopes: A meu ver SWR Barroselas é o épico! Mas temos muitos bons fests e já tivemos oportunidade de poder tocar em alguns. O Butchery At Christmas Time foi para mim o que mais me marcou pela boa camaradagem que se sente e vivê-la. O Moita Metal Fest foi onde tocámos para mais pessoas e foi uma experiência incrível:  público non stop in the pit. Um que para mim foi de dar valor foi o Goat Fest, organizado por pessoas da terra com todas as condições possíveis e muito bem recebidos. Portugal é pequeno mas há sempre pessoas a organizar concertos por amor à camisola  e isso é de dar valor.


Para finalizar queres deixar algumas palavras para quem ouve Brutal Brain Damage?
Carlos Lopes: Comprem o nosso álbum que quero ser rico e aparecer na TVI. Quero agradecer a todo o pessoal que tem apoiado a banda em todos os aspectos. Nota-se nos concertos a aderência do pessoal e só tenho a agradecer o vosso apoio a uma banda como a nossa. Temos tido situações incríveis e estou sinceramente contente pela força que têm dado. Muito obrigado por gostarem de barulho e javalis. Um bem hajam!

sábado, 30 de novembro de 2013

Serrabulho - Ass Troubles

“Ass Troubles” é o nome do álbum de estreia dos happy grinders Serrabulho (nome genial!), 30 minutos de Grindcore, rapidez, bailarico, humor, brutalidade e boa disposição, ao estilo duns Anal Cunt (não tão ofensivo) e Romperprop (sempre em festa)! A edição da rodela ficou a cargo da já habitual Vomit Your Shirt, com distribuição assegurada nos Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Espanha, entre outros. Foi misturado e masterizado pelo baixista Gulhermino Martins nos Blind & Lost Studios e o resultado final é um álbum potente, variado, com qualidade… Goregrind com influências de Death Metal, muito melódico, com partes bastante rápidas e agressivas, onde os blast beats e a insanidade mental não faltam, Pig Squeals a toda a hora, bateria muito bem captada, guitarras simples e incisivas, o resultado é uma produção do mais alto nível, superior à grande maioria das que se fazem lá fora dentro do estilo, com bandas muito mais conceituadas (injustamente).

Como se pode ver pela capa as boas maneiras portuguesas não foram esquecidas e não podia faltar o acordeão, logo na primeira faixa “Atomic Fart”, possivelmente a mais 'n' Roll de todo o álbum. E porque os senhores não gostam de plágios a introdução da “Left Ball” foi feita no Google Tradutor (apesar de quase nem darmos por isso!), é uma das faixas mais rápidas e brutais do registo. Numa onda mais Groove temos “Disgusting Piece Of Shit” e bailarico a sério é na “Lèche Moi Les Couilles” e claro, nas duas faixas em português, “O Arroto Cheirava A Suco Gástrico” e “Quero Cagar E Não Posso”, esta última, uma das mais originais. Destaque para as faixas “Don't Fuck With Krusty”, “Pubic Hair In The Glasses”, “Toco Loco Du Moi” e claro, para aquela que é para mim a mais bem conseguida, “I'm Full Of This Shit”.

Não faltam razões para ouvir mais um grande álbum do nosso Grindcore, e se possível, não faltem às performances super artísticas destes senhores ao vivo, talvez se deparem com uma esplanada, umas princesas encantadas, uns Power Rangers… Resumindo, em estúdio ou ao vivo, vão-se divertir a ouvir Serrabulho!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Entrevista: Matter

Porque é que decidiram formar a banda?
Barrasco: Gostamos de fazer abrasamento! Damo-nos bem a fazer abrasamento juntos. Não há nenhuma razão em especial.


Porquê o nome Matter?
DevilPig: O nome foi daquelas coisas… Não sabíamos que nome havíamos de dar à banda, até que chegámos a um ponto que estávamos abertos a qualquer sugestão. Cada um estava à procura dum nome e eu lembrei-me de Matter, a tradução em si, “matéria”… É um assunto de reflexão… E a dimensão que o nome podia ter, achei piada.


Quais são as vossas principais influências para compor?
Barrasco: Imaginamos tanques no horizonte… A tensão que isso gera, nós traduzimos em música!


E em termos bandas ou estilos?
DevilPig: Cada um tem as suas, e é muito assim. Há cenas que curtimos em comum…
Barrasco: Nós não combinamos fazer uma música “tipo” uma banda, nós imaginamos os tanques e o resto surge.
DevilPig: Epá é aquela cena, tu ouves música, e qualquer música que ouças é óbvio que vai ter influência, principalmente do que gostas mais.
Barrasco: O Bob Wayne influencia-me!!!


Como foi a gravação do EP?
Barrasco: Isso foi gravado ao vivo no Colhões e editado em casa.


Porquê chamar-lhe “R ND M”?
Barrasco: Tirámos as vogais à palavra “random”.


Que temas abordam liricamente?
Turtle: A maior parte das líricas são temas pessoais, coisas que eu escrevi, mas depois há outros temas como… Eu baseei-me em alguns textos d'Os Lusíadas, baseei-me também em alguns livros, um dos exemplos é A Arte Da Guerra do Sun Tzu… Abordam temas que têm algo de militar, porque nós temos de nos regir por algumas regras e essas regras traduzem-se depois na nossa vida pessoal e no nosso dia-a-dia, e escrevi um bocado sobre isso, mas a maior parte das letras são coisas pessoais que prefiro manter para mim.


Porque é que escolheram excertos do filme “Twelve Monkeys” para as introduções das músicas no EP?
Barrasco: Gostamos do filme e aquilo tem alguma coisa de lunático e é bom pôr um bocado de demência na violência.
Turtle: É um bocado isso também que nós queremos fazer, nos concerto queremos sempre tentar provocar um certo caos, uma reacção nas pessoas E principalmente debitar aquilo que nós sabemos fazer e desafiar as pessoas, que tipo de reacção é que a nossa música causa.


De todos os concertos que deram, qual o que gostaram mais?
Barrasco: Não foram muitos, ou seja, também não temos muita escolha.
Turtle: Eu gostei muito do concerto de beneficência, o Colhões de Ferro Benefit 1.


Quais são os planos para o futuro, já estão a gravar alguma coisa ou a compor?
Barrasco: Vamos agora gravar, a bateria já está, falta só guitarra e voz, pedimos material emprestado, uma mesa de gravação multipista e etc, e é tudo feito em casa. Talvez até ao final do ano esteja gravado, mas não temos uma previsão ainda, houve uns atrasos entretanto.


Vai ser um EP, um álbum
Barrasco: Vai ter 11 músicas. Por isso, se calhar é um álbum, não sei isso do tempo, eu não percebo nada disso.


Como banda, quais são as principais dificuldades que sentem?
Barrasco: Não temos dinheiro, somos uns tesos do caralho!
DevilPig: Organização de tempo, é difícil termos tempo para nos juntar-mos.
Barrasco: Era mais importante ter dinheiro para gasolina porque às vezes um gajo só não ensaia porque não dá jeito estar a meter gasolina.
DevilPig: O dinheiro também ajuda muito.


Já foram abordados por alguma editora/distribuidora para editar algo ou por alguma banda para um Split?
Barrasco: Para Splits há sempre alguma coisa mas não participámos em nada, ainda. Fomos convidados por uma cena qualquer americana, acho que aquilo nem era bem uma editora, é um gajo qualquer que estava a fazer uma compilação
Turtle: E de vez em quando recebemos convites para fanzines, para mandar cenas para compilações.


Por último, uma mensagem para quem vos ouve
Turtle: Vão a concertos, principalmente é isso. Porque hoje em dia é nos concertos que se vê o que vale ou não.
Barrasco: Em estúdio toda a gente faz o que quer Se tiver dinheiro Voltámos à mesma merda!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Utopium - Vicious Consolation / Virtuous Totality

Em 2010 os Utopium já tinham deixado bem evidente que se iriam tornar no caso sério do Grind nacional, brutalidade e qualidade à parte, sempre foram uma réstia de esperança de que ainda era possível inovar bastante num estilo já gasto e saturado. “Vicious Consolation / Virtuous Totality” é o nome do primeiro longa-duração (que de longo tem muito pouco) e teve como selo a Bleak Recordings, também dos compatriotas Process Of Guilt, em parceria com a Raging Planet.

São 18 temas brutais, insanes, doentios e rápidos, quase 23 minutos de Grindcore muito pouco ortodoxo, ruidoso, com uma produção muito pouco comum por este canto da Europa. No EP o Sludge já se tinha revelado como uma pequena influência na banda, agora revela-se como parte fundamental deste álbum, mas não é só, continuam os riffs e ritmos frenéticos, a sujidade do Crust e a brutalidade e velocidade do melhor Death Metal. Faixas mais melódicas como “Tangiest Outlet”, “Tort Deletion” e “Jarred Into Newtons” são autênticas bombas e até por caminhos mais Doom estes senhores nos surpreendam, “Lower Providence” e “Owner Of A Kept Abidance” são dos temas mais surpreendentes do álbum, lentos e transcendentais. Destaque também para faixas mais variadas como “Held Tombstone” ou “Thrive A Starch”. Até a nível lírico eles são fora do comum, nada de letras de crítica social ou temas Gore, mas a natureza humana, sentimentos obscuros, letras bastante sentimentais e de foro individual.

Se querem Grindcore moderno, fora do comum, brutal e hipnótico têm aqui o opus ideal… Isto, e também se forem fãs de Nasum ou Rotten Sound. A presença da banda no Wacken Open Air deste ano foi mais que merecida, pena que esse festival não lhes dê o devido reconhecimento, que outros por essa Europa dariam. Estamos perante aquele que é, até agora, o álbum nacional de Grind do ano e um dos mais marcantes da cena portuguesa na última década. Comprem o CD e enlouqueçam de vez!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Entrevista: Dementia 13
























O nome da banda vem de um filme de horror bem antigo, há alguma razão especial para o escolher esse filme?
Sim, é um filme emblemático do género e foi a primeira longa metragem dirigida por Francis Ford Coppola. Para além de gostar do filme, tem um nome que sempre pensei encaixar bem numa banda de Death Metal.


Cada tema do EP foi inspirado num filme de horror, podem-nos contar de que fala cada tema?
Todos os temas contam a história dos respectivos filmes. Alguns de uma maneira mais superficial, outros vão mesmo ao detalhe de descrever determinadas cenas mais marcantes. O primeiro tema, “There Are Those Who Kill Violently”, é inspirado no filme de 1979 de Abel Ferrara, “The Driller Killer”. “Feasting On Your Blood” retrata a história do filme “Blood Feast” (1963) de Herschell Gordon Lewis. “Dark Urges” é sobre “Antropophagus” (1980) do realizador Italiano Joe D'Amato e “Brotherhood Of he Flesh” fala sobre o filme “The Brood” (1980) do grande David Cronenberg.


O que te levou (Álvaro) a criar este projecto?
O facto do Death Metal tradicional ser um dos géneros de Metal que mais gosto e sempre ouvi! Por isso, há muito que tinha esta vontade de materializar muitas ideias que tinha… E também pelo facto de tocar numa banda de Thrash (Pitch Black) há 18 anos e não ter feito nada diferente musicalmente fora daí. É como passarmos a vida inteira com uma mulher loira! Vamos querer sempre saber como será a morena ahahaha. Por isso, meti mãos à obra sem olhar para trás. Como Pitch Black tinham parado devido a alterações de line-up, achei que seria o timing perfeito para avançar!


Quais são as bandas que mais te inspiram na hora de compor?
Muitas mesmo mas as principais serão Death, Bolt Thrower, Resurrection, Brutality, Malevolent Creation, Cancer, Benediction, Obituary, Massacre, Morgoth, Necrophagia, Pestilence, Cadaver e Autopsy.


A gravação do EP foi algo complexa, em vários estúdios com músicos convidados, como decorreu esse processo?
Planeámos tudo com antecedência e depois foi uma questão de organização. Gravámos as guitarras e baixo em casa, com tempo e aos poucos. Depois só foi necessário enviar as gravações para o Ultra Sound (Moita) onde foi gravada a bateria enquanto nós no Porto (Estúdios 213) captávamos a voz. Quando terminámos tudo começaram as misturas pelo Hugo Andrade e a seguir foi para o André Gonçalves masterizar. Foi um pouco trabalhoso mas tinha de ser assim… Não tínhamos condições para nos deslocarmos a um estúdio, estarmos lá 3 ou 4 dias a gravar (ainda por cima na Moita). Estávamos a começar a banda do zero e como não tínhamos muito dinheiro para investir teve de ser feito tudo desta forma e à distância. Por outro lado, era algo assim que queríamos mesmo, uma vez que a intenção era poder contar com diversos músicos (e não só) e foi o que fizemos. Mas ficamos 100% satisfeitos e, pelo feedback que nos chega, muita gente gostou também.


Porquê escolher o Xinês e o Nuno Lima para a gravação?
Precisamente porque queria trabalhar com vários músicos de forma a que cada um pudesse contribuir com o seu talento. É também uma forma que tenho de divulgar o que toda essa gente faz e espalhar o nome delas, uma vez que são pessoas cujo o trabalho admiro imenso e toda a gente merece ouvir. O Xinês tinha a vantagem da localização geográfica relativamente ao Ultra Sound e é, na minha opinião, o melhor baterista nacional de Metal. Em relação ao Lima, quando ouvi uma gravação antiga de uma banda de Death Metal onde tinha cantado, fiquei com a impressão que seria a voz ideal para este projecto. Tinha exactamente o que eu procurava: uma voz agressiva e gutural mas com uma dicção perceptível o que confere ainda mais peso a cada música.


Achas que eles podem vir a integrar na banda definitivamente?
O Xinês não é possível devido à distância e a todo o trabalho que já tem com Switchtense entre outros projectos e ao vivo temos tocado com o João R. (Raw Decimating Brutality) e com o Hugo S. (AntiVoid, Scarificare, Unfleshed). Mas, de qualquer forma, Dementia 13 não é mais que um projecto paralelo. Todos os três elementos fixos têm as suas bandas principais (Pitch Black, Biolence e Holocausto Canibal) e isto foi a materialização de uma ideia que eu já tinha há anos que por não gostar de estar criativamente envolvido em mais que uma banda, nunca avancei até agora. A princípio vou continuar a gravar e a editar mas ao vivo, por exemplo, a história já será outra. Não vamos estar sempre disponíveis para tocar e Dementia 13 estará sempre dependente da actividade que eu e o Marco tivermos em Pitch Black pois essa é a nossa prioridade.


O feedback do EP tem sido bastante positivo, estavas à espera de tais reacções? Parece que até o Kam Lee (Massacre/Death) gostou…
Sinceramente não estava à espera que tivéssemos tanto feedback lá de fora num tão curto espaço de tempo! Sim, o Kam Lee fez imensos elogios e quando ouviu disse-me logo por mail que tinha adorado. É uma pessoa excelente e apoia imenso tudo o que se faz no Underground. Até já fez um especial de Gangrena no programa dele. Quem quiser ouvir o destaque que fez ao nosso trabalho pode fazer o download do programa inteiro na nossa página oficial. Também recentemente o Dave Ingram (Benediction/Bolt Thrower) passou um tema nosso no programa de rádio dele (Metal Breakfast Radio) e fez-nos grandes elogios. Engraçado que músicos que são autênticos mitos da história do Metal ainda têm o gosto e tempo para ajudar a divulgar e a promover bandas um pouco por todo o mundo, enquanto que em Portugal temos o exemplo do Fernando Ribeiro a disparar em todas as direcções contra músicos, bandas, editoras, promotores e festivais de Metal. Cá é assim…


A banda não vai dar concertos por muito mais tempo e em estúdio como vai ser? Já estão a compor algo ou a ponderar outro lançamento para breve?
Neste momento temos já alguns temas em pré-produção. Estamos a gravar, a ver como soam, a escrever letras, etc… Depois quando decidirmos como irão ficar no seu produto final avançamos com gravações a sério. Tivemos várias propostas de editoras interessadas num longa duração da banda por isso é bem provável que em 2014 seja editado algo. Mas ainda é cedo para falar em algo de concreto.


Apesar de ser um projecto paralelo até têm dado alguns concertos, como tem sido a receptividade do público? E qual foi o melhor?
Sim, fomos recebendo várias propostas e fomos aproveitando todas as que podíamos de forma a divulgar o nosso trabalho ao máximo, tentar sempre vender CDs e merchandise, etc… E têm todos corrido muito bem. Para já só foram 4 mas até ao final do ano já temos mais 7 confirmados. Não consigo eleger o melhor desses 4 pois todos eles foram excelentes e, para uma banda recente, tivemos imenso público a assistir e a apoiar. O concerto de Barroselas foi muito bom. Fizemos um set de uma hora, com o espaço completamente cheio, já de madrugada e o ambiente foi fantástico.


Para finalizar, que filmes de horror aconselhas para os ouvintes de Dementia 13?
Para quem gosta, muitos dos clássicos são altamente aconselháveis: “Phenomena”, “The Thing” (versão do John Carpenter), “The Beyond”, “Night of the Living Dead”, “Invasion Of The Bodysnatchers” (versão de 1978), “The Brood”, “Nekromantik”, “Bad Taste”, “Antropophagus”, “Demons" (1985), etc… Assim algo mais recente e se calhar menos conhecidos para alguns, aconselharia o “The House Of The Devil” (2009), “Martyrs” (2008), “Juan De Los Muertos” (2011), “Excision” (2012), “Sheitan” (2006), Evil Aliens” (2005), “Tucker And Dale vs Evil” (2010) e “Doghouse” (2009).

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Dementia 13 - Tales For The Carnivorous

Os Dementia 13 são muito provavelmente a banda portuguesa revelação deste ano, formados por membros de bandas como Pitch Black ou Holocausto Canibal só se poderia esperar algo com qualidade acima da média. Death Metal Old School como manda a lei, nada de muito inovador ou fora do normal, apenas Death Metal clássico, sem tretas e modernices, leiam-se aqui influências Malevolent Creation, Cancer, Pestilence, Bolt Thrower, Death e não Morbid Angel ou algo parecido. “Tales For The Carnivorous” é o nome do EP de estreia e teve edição física (em CD) em Maio deste ano e a Tape saiu em Julho pela Escaravelho Records. Lírica e conceptualmente é um projecto que se inspira em filmes de horror, o próprio nome da banda vem de um, de 1963 e cada tema é inspirado num filme diferente.

Produção profissional e invejável, muita qualidade, som agressivo e contagiante, baixo bem audível e pesadão, vocais podres e arrastados que deviam ter um pouco de mais agressividade e sujidade, são guturais demasiado limpinhos. Em relação ao som das guitarras é completamente devastador, é um EP recheado de riffs e solos frenéticos, e grande exemplo disso é primeiro tema “There Are Those Who Kill Violently” e mesmo a “Feasting On Your Blood” não lhe fica nada atrás. “Dark Urges” é outro grande tema, o mais Groove do EP, mas bastante competente e é precisamente a meio que fica mais melódico, sim, porque eles também lhe dão bem na melodia. “Brotherhood Of The Flesh” é o último tema, o mais rápido, directo e simples.

Projecto recomendado para amantes do Death Metal clássico, estamos perante um dos melhores revivalismos que apareceu em Portugal nos últimos anos. Infelizmente é apenas um projecto paralelo de músicos de outras bandas “maiores” e não está para durar muito mais tempo, pelo menos ao vivo, se fosse para andar para a frente tornaria-se rapidamente num dos casos mais sérios de qualidade nacional, até porque já vieram críticas bastante positivas lá de fora. Play this shit LOUD! Really, just try it! LOUD!!!

terça-feira, 2 de julho de 2013

Echoes Of The Fallen Messiah - Bleak Future

Os Echoes Of The Fallen Messiah sempre foram um nome muito sonante do underground metálico leiriense, com uma Demo editada em 2003 (“Preludium”) e com concertos por vários pontos do país, lançam o primeiro álbum “Bleak Future” depois de um hiato de 10 anos sem edições. Praticam um Melodic Death Metal com algum Black Metal com uma toada bastante sinfónica com um órgão sempre presente a marcar bem a melodia dos temas. Os riffs e a própria voz podiam ser mais desenvolvidos e ficar um pouco mais agressivos. É um álbum que peca por ficar agarrado a uma certa formula em quase todos os temas mas mesmo assim encontramos grandes momentos e é muitas vezes nas partes mais calmas e atmosféricas que a banda consegue surpreender. 

“Are U Blind?” é o tema de abertura, com uma melodia simples e cativante. Segue-se “Bleak Future” com um início calmo e relaxante, que rapidamente é consumido por uma melodia rápida e agressiva, com uma voz mais Black Metal, os riffs e o refrão fazem deste tema um dos melhores do álbum. “Sarcastic” é um dos temas mais monótonos mas vale bem pelo solo de guitarra. “Another Day Alone” é o meu tema preferido, com um início arrepiante e aquele solo e os efeitos efeitos quase no final dão um tom ainda mais negro ao álbum. “Insane” é tema mais Thrash do álbum e tem tudo para ser grande, riffs de guitarra impressionantes com uma melodia que marca o tema todo, “Religious Virus” é mais um bom tema e aquelas vozes angelicais fazem dele o mais transcendental e obscuro do álbum. “Echoes Of A New Age” é o último tema e para mim o mais agressivo e dá para perceber logo pelos primeiros segundos, tema onde se destaca o solo de guitarra quase no final deste ciclo. Melodic Death Metal simples, sem tretas, com letras bastante interessantes, de uma banda que ainda tem (obrigatoriamente) muito para dar.

Estamos perante um dos projectos mais interessantes do Underground nacional, numa edição de autor, limitada e editada em Digipack em Junho deste ano. Que venha a oportunidade de ver estes 8 ecos ao vivo.