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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Utopium - Vicious Consolation / Virtuous Totality

Em 2010 os Utopium já tinham deixado bem evidente que se iriam tornar no caso sério do Grind nacional, brutalidade e qualidade à parte, sempre foram uma réstia de esperança de que ainda era possível inovar bastante num estilo já gasto e saturado. “Vicious Consolation / Virtuous Totality” é o nome do primeiro longa-duração (que de longo tem muito pouco) e teve como selo a Bleak Recordings, também dos compatriotas Process Of Guilt, em parceria com a Raging Planet.

São 18 temas brutais, insanes, doentios e rápidos, quase 23 minutos de Grindcore muito pouco ortodoxo, ruidoso, com uma produção muito pouco comum por este canto da Europa. No EP o Sludge já se tinha revelado como uma pequena influência na banda, agora revela-se como parte fundamental deste álbum, mas não é só, continuam os riffs e ritmos frenéticos, a sujidade do Crust e a brutalidade e velocidade do melhor Death Metal. Faixas mais melódicas como “Tangiest Outlet”, “Tort Deletion” e “Jarred Into Newtons” são autênticas bombas e até por caminhos mais Doom estes senhores nos surpreendam, “Lower Providence” e “Owner Of A Kept Abidance” são dos temas mais surpreendentes do álbum, lentos e transcendentais. Destaque também para faixas mais variadas como “Held Tombstone” ou “Thrive A Starch”. Até a nível lírico eles são fora do comum, nada de letras de crítica social ou temas Gore, mas a natureza humana, sentimentos obscuros, letras bastante sentimentais e de foro individual.

Se querem Grindcore moderno, fora do comum, brutal e hipnótico têm aqui o opus ideal… Isto, e também se forem fãs de Nasum ou Rotten Sound. A presença da banda no Wacken Open Air deste ano foi mais que merecida, pena que esse festival não lhes dê o devido reconhecimento, que outros por essa Europa dariam. Estamos perante aquele que é, até agora, o álbum nacional de Grind do ano e um dos mais marcantes da cena portuguesa na última década. Comprem o CD e enlouqueçam de vez!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Löbo - Älma

Quem é que nunca ouviu falar dos Löbo? Uma das melhores bandas portuguesas de Doom Metal da actualidade que tem crescido imenso no underground nacional e, parece que já anda a dar que falar nos subúrbios do Doom Metal dos Estados Unidos da América, pelo menos o interesse lá tem crescido bastante. Para quem não conhece a banda experimental lançou em 2008 uma Demo em CD intitulada “Dânaca”, e claro, começou a receber excelentes críticas. “Älma” é nome do primeiro trabalho a sério destes senhores setubalenses, são 35 minutos cheios de força, um Sludge/Doom Metal atmosférico e ambiental, todo ele instrumental e hipnotizante. Pode-se tornar estranho porque não tem voz mas começamos a entrar noutra dimensão e a viver o EP. “Älma” é algo de inexplicável, algo que se vive e se sente noutra dimensão e é disto que vivem os grandes registos.

“Aqui Em Baixo A Alma Mede-se Com Mãos Cheias De Pedras” é o primeiro tema, uma grande música, demolidora, para mim a melhor música do EP, o melhor momento é aos 6 minutos, algo inexplicável acontece, parece que nos afundamos nas profundezas da atmosfera criada por “Älma”, onde ela se mede com mãos cheias de pedras. O tema seguinte chama-se “Carne E Sombra” é um tema só com sintetizadores e efeitos, o tema mais Drone/Doom de todo o EP, serve de introdução à “Na Noite Sem Fim, Matei Os Meus Mestres - Silenciei Os Meus Ídolos” que é outro grande tema com a presença bem acentuada do uso de teclado e sintetizador mas que ao contrário de “Carne E Sombra” se faz acompanhar por uns riffs de guitarra pesados e arrastados. “Por Fim Só. Livre” é o último tema onde podemos ouvir uma grande conjugação entre a guitarra e o sintetizador com uma melodia de guitarra linda como se fosse a libertação de estar lá em baixo, da carne e sombra, da morte dos mestres e do silenciar dos ídolos, é a meu ver o momento de libertação e solidão depois de estar nas profundezas mais negras da “Älma” e das atrocidades cometidas. “Älma” tem uma dimensão e atmosfera verdadeiramente mágica e irão faltar sempre palavras para descrever aquilo que se vive aqui pois ela é mais bem representada por sons arrepiantes, uma bateria estrondosa e os riffs mais pesados e arrastados que possam imaginar. Ouçam bem alto!

Os Löbo parecem ter vindo para ficar e isso vê-se na presença nos mais variados palcos nacionais, que se tem vindo a sentir com maior intensidade. É de louvar este tipo de bandas diferente do habitual e esperemos por mais registos assim, inovadores e ousados. Sem qualquer dúvida, a banda revelação nacional de 2010 e uma das melhores bandas da actualidade!