Mostrar mensagens com a etiqueta goregrind. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta goregrind. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Gorgásmico Pornoblastoma - Delírios De Um Defunto

Dizem que “Delírios De Um Defunto” é o novíssimo álbum de estreia dos sempre podres Gorgásmico Pornoblastoma e para quem os conhece já sabe mais ou menos o que esperar. Nada de produções requintadas ou arranjos bonitos, Grindcore à antiga influenciado pela velha escolha, leia-se aqui, Napalm Death, Brutal Truth e sobretudo Agathocles. Guitarra bem suja, voz imperceptível que debita podridão e nojo por todo o lado e claro, na bateria um panzer infernal com um arsenal de AK-47 sempre a disparar. “Apodrecer Lentamente” ou “Consunção entre actos de Violência” são temas que descrevem bem o que se vai ouvindo nestes 23 minutos de caos e destruição que vão do Punk ao Crust passando pelo Death Metal onde se vão também ouvindo alguns toques de Goregrind, as influências são muitas e é isso que torna o álbum tão cativante. Existe algo mais interessante que dois gajos a destruir uma sala de ensaios e gravarem-no para o povo ouvir? Julgo que não.

“Vingança”, “Canteiro de Cadáveres” ou “Porcos” são temas excelentes, abrasamento à antiga com uma velocidade impressionante, riffs podres, tarola bem audível, baixo bem distorcido e amplificadores bem altos! Ouvidos mais sensíveis e comichosos dirão que o produção do álbum é obsoleta mas o que seria um álbum de Grindcore sem uma (des)produção destas? O final fica ainda reservado para um remix meio que psicótico e arrepiante fugindo à sonoridade do álbum mas completando-o na perfeição. “Delírios de um Defunto” foi uma das grandes surpresas do ano que passou e sim, ainda vai sair em CD, pela habitual Helldprod, numa edição limitada a 500 cópias. Este álbum de estreia é uma amostra verdadeiramente fiel das actuações da banda ao vivo e os Agathocles portugueses sabem fazê-lo da melhor maneira. No bullshit. Just Grind!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Entrevista: Cock And Ball Torture

Num CD de tributo a Cock And Ball Torture com mais de trinta bandas, “Bulldozers United”, dizia algo como “os Gut são foram o primeiro ícone do Pornogrind e os Cock And Ball Torture eram os pais do Bulldozing Goregrind” basicamente dizia que vocês criaram um novo estilo e que foram uma grande influência para um grande número de bandas. Sentem que deixaram um legado na cena do Goregrind?
Não queremos falar sobre este “legado”, nós tocamos apenas a música que gostamos. Existe alguém que gosta do nosso som e toca este estilo, isso é bom, mas não gostamos dessas palavras de “legado” ou o que quer que seja. Somos o mesmo que tu.


Dos concertos que já deram, quais foram os mais marcantes?
Não podes comparar maças com pêras. Este concerto aqui no Hellfest Open Air não tem comparação com os nossos concertos em clubs/bares sei lá, na República Checa. Foi muito bom tocar aqui, tivemos muita gente, mas o sentimento é o mais importante. A tour na Austrália foi fantástica, é tudo muito bom. Se tiver uma pessoa ou cinco mil isso não significa que por ter mais gente vá ser melhor...


Basicamente são os mesmo para vinte pessoas ou para duas mil.
Exacto. Somos os mesmos, tocamos o mesmo, temos a mesma energia. É isso que temos de fazer e queremos fazer caso contrário não viríamos aqui.


Já editaram três álbuns, o último foi de 2004 se não me engano, porque é que não lançaram mais nenhum em mais de dez anos?
Por diferentes razões. Em primeiro lugar houve um “lack off” de inspiração. “O que vamos fazer a seguir?” não queremos copiar, não queremos fazer o mesmo, depois não sabemos que direcção seguir, ser mais Old School como o primeiro álbum ou não... Temos de trabalhar (não vivemos da música) e torna-se difícil conjugar a música e o trabalho. Quando começámos tocávamos muito mais e ensaiávamos sempre duas vezes por semana mas nos últimos dez anos todos acabaram por ir estudar e trabalhar. Temos as nossas famílias em primeiro lugar e isto é apenas um passatempo e diversão, nada mais que isso. Temos algumas músicas novas mas não temos tempo para praticar mais ou escrever mais. Nos últimos oito anos não compusemos música nenhuma nova.


Portanto não estão a pensar em lançar um álbum novo...
Sim, pensamos em lançar um álbum novo mas acabam sempre por surgir os problemas do costume: tempo, tempo e tempo! Precisamos de tempo para ensaiar regularmente, o que é impossível. Vivemos separados. Deveríamos ter duas ou três semanas para gravar mas é impossível.


Vocês começaram por fazer um estilo bastante particular e diferente do normal na cena do Goregrind. Como surgiu essa ideia dos efeitos na voz e isso tudo?
Na verdade, começou tudo no estúdio. É tudo falado no estúdio, compomos música, vocais e depois vemos como fica, como soa, nunca sabemos como vai ficar. Não temos propriamente um produtor como algumas bandas têm a dizer “eu punha o som da guitarra assim ou assado” e dizem que são open-minded por causa disso, nós não somos assim... Mas no fim de tudo o importante é que seja bom, no estômago e nos testículos [risos], tem ser bom e soar bem.


Já estiveram em Portugal duas vezes o que pensam do país em geral e das bandas?
O que dizer... O que podes esperar dum país do sul da Europa? É quente! Já lá estivemos em concertos e de maneira geral as pessoas são bastante amigáveis e com mente aberta, é bom para beber cerveja e relaxar.


E bandas portuguesas?
Ouço muitas bandas mas normalmente nem sei o nome, ponho tudo no iPod e faço “random play” mas conheço por exemplo Holocausto Canibal, de resto consigo identificá-las pelo som e reconheço músicas mas depois não me lembro do nome. Para nós por exemplo é uma honra que os Holocausto Canibal tenham feito um cover nosso mesmo que gostemos ou não. Eu tenho a dizer que gosto sempre pelo facto de uma banda estar a tocar uma música nossa, é do tipo “wtf?”, nós somos apenas três gajos humildes dos Pré-Alpes Bávaros quem é que nos ouve por esse mundo fora e gosta de nós ao ponto de fazer um cover? É espectacular!


Pensam do tipo “eles estão a passar o tempo com algo nosso e a gravar música nossas”...
Porque é que fazem isso? [risos]


Vocês raramente dão concertos, no ano passado foi o Obscene Extreme este ano o Hellfest, têm algo na agenda para um futuro próximo?
Pelo menos o próximo concerto na Orange House em Feierwerk, Munique e é tudo por agora, nós não podemos dar mais. Temos tocado cada vez menos mas temos tido algumas propostas só que é difícil devido aos nossos trabalhos, horários, conjugar datas, etc. O que torna tudo difícil, eu diria mesmo impossível, ou seja, concentramos tudo e tocamos três ou quatro concertos por ano. Portanto essa é a resposta para o “são profissionais?” nós dizemos “não!”, caso contrário receberíamos muito dinheiro para tocar, o que não é verdade.


Receberam algumas propostas para tocar em Portugal?
Recentemente não, mas fomos contactos pelo pessoal do SWR Barroselas Metalfest uma vez. Nós não pedimos a ninguém para ir tocar a um local, esperamos apenas que nos contactem, vemos se o pessoal da banda ainda está vivo (normalmente está) e lá vamos nós, não andamos atrás de ninguém.


Qual o vosso rescaldo do concerto do Hellfest?
Em palco nunca ouvi um som tão bom, fui muito bom de se ouvir, não esperávamos que estivesse tão cheio, eram 11:30 da manhã já fazia calor e estava muita gente já a beber e ali para nos ver. A todos os nossos fãs “get us over as soon as possible”!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Grunt - Codex Bizarre

Os Grunt, outrora Fetal Incest, sempre tiveram um lugar muito particular no plano da música extrema em Portugal, por serem isso mesmo, distintos dos de mais! Ser apenas mais uma banda nunca foi com eles e não foi por acaso que destacaram desde o seu começo. Podemos ouvir muitas bandas a nível internacional que se aproximam da sonoridade dos Grunt (ou eles que se aproximam da dos de mais) mas mesmo assim têm particularidades que os tornam únicos. O primeiro álbum “Scrotal Recall”, editado em 2011, composto por volta de 2003-2005, com uma produção de excelência, foi um marco muito importante na cena do Grindcore em Portugal que lhes valeu um concerto fantástico no Obscene Extreme nesse mesmo ano e uma touneé pelo Reino Unido já em 2012.

A jornada foi muito longa para quem esperava o novo álbum e não tinha notícias até que chegamos a finais de Agosto de 2015 e editam “Codex Bizarre” outra vez a cargo da checa Bizarre Leprous Production, um álbum verdadeiramente monumental, assustador, provocador, muito pouco ortodoxo e com uma visão verdadeiramente inovadora e ousada desbravando novos caminhos musicais muito pouco explorados nos campos do Goregrind, cá e lá fora. “Codex Bizarre” distingue-se do álbum anterior por ser um registo muito mais completo e multifacetado, em termos musicais e líricos, com uma produção muito mais cuidada e profissional. A voz é muito mais perceptível e deverá ser essa a principal diferença que irão notar nas primeiras audições. Destacam-se os riffs insicivos de Death Metal puro (e não só!) bastante elaborados e facto do álbum ser muito variado onde se associam várias sonoridades de cariz mais electrónico como o Industrial ou o Trance, não é por acaso que o álbum conta com a participação do conceituado DJ The Speed Freak que completa o álbum no final com a faixa “The Speed Freak’s Sadistical Abuse Remix”.

O tema de abertura “The Sweet Smell Of Servitude” é fenomenal com uma parte arrepiante onde se ouve a fala de Nes Nomicon (convidada especial) “I dimish myself for a penal retribution / A misery feast of humiliating torture / I’m a sinner, a bad girl, punish me”. Segue-se “Teratoid Latex Feudalist”, basicamente a segunda parte do tema anterior, este, muito mais acelerado com o som do baixo bastante vincado com um solo de guitarra contagiante que se faz acompanhar mais uma vez da fala feminina com um texto ainda mais preverso e sedutor “I’m a slut, a whore, I am a dog with a disease / I’m your slave, your cunt, I am a cock-hungry fuck”. “The Edgeplay” é o tema seguinte, um dos mais directos e brutais de todo o álbum. “Vassalage Groteste” é o tema mais catchy de todo o álbum pelo seu refrão grotesco “Commit yourself to the abuse” com uma introdução nada comum nestes campos com uma flauta e por uma batida electrónica que se faz acompanhar com um solo de guitarra de fundo.

“Teased And Tormented” e “Becoming The Dominus” são os temas mais Grind ‘n’ Roll de todo álbum, segue-se depois o tema mais épico “Twilight Hybrid Bonanza - Shemale Part II” com a participação especial de Hellraiser (Vizir) com uma fala (em português) verdadeiramente assustadora depois da fala em alemão de outra convidada especial: Sarah Teichtert. “Levitra Powered Aged Predator”, “Helix Masterpiss” e “Supreme Rubbercore” são mais dois grandes temas, no primeiro destaca-se o solo de guitarra, no outro o groove e no terceiro o facto de ser um tema com um ritmo mais alucinante. “Funeral Sub-Mission Suite Part I” é um tema mais ambiental, electrónico, mas com um forte peso das guitarras que podia perfeitamente ser a introdução do álbum, já “Funeral Sub-Mission Suite Part II” é outro “in your face bitch”! “Panzer Enema” e “Sadopsychorama” são dois grandes temas para terminar o álbum com riffs demolidores. O final fica reservado claro para o remix já referido anteriormente.

“Codex Bizarre” é sem qualquer dúvida um dos álbuns mais inovadores da música extrema portuguesa dos últimos anos, consegue fugir à banalidade dum género cada vez mais saturado e repetitivo e está a dar que falar, por enquanto tivemos uma tournée muito bem sucedida pelos Estados Unidos e já no início de 2016 as mentes perversas dos Grunt regressam às terras de sua majestade para mostrar que não é só o Vinho do Porto que é bom e que os britânicos podem consumir produtos portugueses bem melhores!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Serrabulho - Star Whores

Os Serrabulho dispensam qualquer tipo de apresentações e se pensam que a insanidade mental dos senhores melhorou enganem-se, ainda estou para perceber como é que não estão num manicómio! Se achavam que o disco de estreia “Ass Troubles” tinha piada, ainda não ouviram nada. “Star Whores” (sim, isso mesmo, “putas das estrelas”!) é o nome do novo álbum, agora editado a cargo da alemã Rotten Roll Rex, e é nada mais nada menos que uma sátira bastante inteligente e preversa da space opera americana criada por George Lucas, “Star Wars", e quem gosta da série vai adorar as ligações que este álbum faz aos filmes, tanto a nível musical como no artwork bastante original.

“Star Whores” é um álbum de Happy Grind/Pornogrind/não interessa, com uma produção bastante profissional e cuidada, e é, sem dúvida, um grande passo em frente em relação ao álbum de estreia. É um álbum mais variado, completo e muito bem estruturado, com mais pormenores a nível musical, a destacar por exemplo o bandolim na faixa de abertura “Pornocchio” ou os riffs mais elaborados como em “Testicular Torsion” ou “Happy Fornication”, tudo isto lá está, envolto numa temática algures entre as estrelas e o porno, onde convém salientar também o trabalho fenomenal que a banda fez nos vocais tanto no lado mais Death Metal e Grind como nas introduções das músicas e samplers com coros, risos, falas, etc. “Star Whores” é o tema do álbum e aquela introdução é arrepiante e quem conhece bem o filme vai perceber porquê, todos os pormenores neste tema são fantásticos até ao último segundo! Pode parecer estranho, mas os Serrabulho também tocam guitarra acústica e não podia ser em melhor tema que “Vaseline” porque este é mesmo o tema que entra melhor nos ouvidos dos mais sensíveis! “Life Of A Penis” e “Caguei Na Betoneira” são mais dois temas brilhantes e dos mais cómicos de todo o álbum. No álbum anterior queriam cagar mas não podiam, agora como podem ver o sistema digestivo da banda melhorou e já podem fazer as suas necessidades, mas numa betoneira está claro! “Snow White And The Seven Dwarfs [Gang Bang Edition]” é a faixa perfeita para terminar o álbum onde se ouve ali pelo meio depois do silêncio a majestosa “Imperial March”.

“Star Whores” é um dos grandes lançamentos deste ano e os Serrabulho revelaram aqui um trabalho excepcional sem momentos mortos ou monótonos em que a vontade de fazer replay é imediata. Se tiverem oportunidade apareçam num daqueles concertos épicos e caóticos cheios de gente doida mascarada e se pensam que o vírus só afectou Portugal estão enganados porque o contágio já chegou à Espanha, Alemanha e dentro de meses chegará à República Checa! Cuidado com o Rancho Folclórico!!!

terça-feira, 16 de junho de 2015

Entrevista: VxPxOxAxAxWxAxMxC

Quando e como se formou a banda?
Para dizer a verdade... Foi em 2008, juntámo-nos e foi até arranjarmos um guitarrista decente e tivemos tipo, 12 guitarristas diferentes, cada um deles era mesmo uma merda e depois vimos o Robert (Werner) no MySpace e o interesse musical dele eram tipo as nossas merdas. Depois acabámos na sala de ensaio e aqui estamos.


Vocês vêm todos de diferentes meios, o que fazem para além da música?
Wolfgang Ott: Como profissão, eu trabalho no campo pedagógico como professor. Ninguém sabe que eu toco em bandas de Goregrind nem ninguém deveria descobrir isto [risos].
Werner Kniesek: Eu estudo Física numa Universidade austríaca e estou a fazer o mestrado... Algumas pessoas sabem que toco nesta banda até já lhes mostrei algumas músicas mas ninguém está realmente interessado.
Franz Stockreiter: Eu trabalho numa empresa de segurança, tento ser um gajo duro mas na maior parte do tempo isso nunca é assim. Faço um pouco de tudo, em lojas, eventos desportivos... É importante e relaxante porque eu não quero trabalhar muito no duro e o melhor é que tenho uma visão positiva do trabalho para o futuro. As horas e os tempos do trabalho são muito flexíveis assim torna-se fácil conciliar o trabalho com os concertos.


É fácil para os três trabalhar, estar no estúdio e dar concertos? Conseguem adaptar-se bem a isso tudo?
Nós temos um programa no computador que simula tudo, o estúdio basicamente, portanto nunca vamos mesmo para o estúdio, é uma ferramenta pequena mas que simula os temas mas não digas a ninguém [risos]. Basicamente podes fazer um bom trabalho em casa, a tecnologia vai ficando cada vez melhor e nós aproveitamos. Somos uma espécie de “nova era” da música brutal. E nós raramente fazemos tour, normalmente tocamos aos fins-de-semana. Fazemos com que funcione tudo bem.


Pensam que o Grindcore hoje em dia é muito mais que criticar a sociedade ou estarem fodidos com o mundo? Pelo menos nos vossos vídeos e temas vocês parecem não se preocupar muito com isso...
Mas nós tamos mesmo irritados com o mundo! Nós exprimimos isso através de questões extremas, basicamente o que fazemos é humor negro. E esta é a forma como vemos o mundo. Temos também a dizer que não temos nada a ver com o Grindcore tradicional, que é sobre opiniões políticas, problemas sociais, nós não queremos saber disso... Nós vemos isto como um hobby e adoramos cenas mais Groovy (e menos Grind), ouvimos outros tipos de música, acho que o Grindcore tem pouco a ver com a nossa música que é uma mistura de Brutal Death Metal e Goregrind, mas o Grindcore mesmo está muito longe do nosso estilo.


Como foi o processo de gravação do vosso EP?
Basicamente fizemos em casa, temos uma ferramenta no computador que já falámos, a bateria foi feita por um gajo austríaco no estúdio ele colocou samples e fez umas cenas e soa mesmo a uma bateria a sério. Depois gravámos as guitarras em casa que também funciona para o baixo, e gravámos também a voz em casa, Do It Yourself style porque os estúdios são muito caros [risos]. Mandámos para a nossa editora a Kaotoxin Records, eles fizeram a masterização e sabem como fazê-lo soar bem melhor.


Quais são as bandas que mais vos influenciam?
Nós soamos a Prostitute Disfigurement, Cock And Ball Torture... Agora espero que não digas isto a ninguém mas eu penso que as partes instrumentais soam a Limp Bizkit, Linkin Park, Korn [risos]. Vais encontrar mesmo muitos grooves de Limp Bizkit nas nossas músicas.


Podem falar um pouco da vossa cena local?
Existe um exemplo mesmo muito bom para explicar isso, que tem uma forte ligação com este evento ("XXX"Apada na Tromba - Freak 'N' Grind Fest 2015), é mesmo um exemplo perfeito da cena musical austríaca. Basicamente uma rapariga disse que vinha aqui, disse que tinha visto os voos e isso tudo, blá blá blá, tudo tretas, ela não está aqui! É esta a maneira como os austríacos funcionam, queria fazer uma piada sobre isto mas isto é mesmo verdade e é triste. O problema na Áustria é que estamos no meio da Europa, ou seja, quase todas as tours param na Áustria, somos um país pequeno e as pessoas têm de escolher de entre um grande número de concertos e isso é um grande problema, não há aquele fanatismo como existe no Oeste europeu como por exemplo em Portugal, isto basicamente não existe na Áustria, este concerto de hoje é completamente impossível lá, concertos para bandas underground assim são impossíveis, peço desculpa mas a cena austríaca é uma merda! Se fizerem isto lá vão ter 60 ou 70 pessoas e muito menos movimento, as pessoas abanam um pouco a cabeça e é só isso... Claro que devem haver países piores tipo o Afeganistão mas na Europa, a Áustria está mesmo no fundo...


Eu pensava que Portugal era o pior...
Mas não é [risos].


Já agora conhecem algumas bandas portuguesas?
Claro que sim: Dead Meat (eles ainda existem?), Holocausto Canibal, Grog... Tivemos oportunidade de ver Grog várias vezes, umas 4 vezes, e são mesmo uma banda muito boa.


Qual foi o vosso melhor concerto até hoje?
Tivemos alguns que foram mesmo muito bons, vamos nomear três, um deles aconteceu em Portugal no Santa Maria Summer Fest em 2013, outro foi o Tel Haviv Deathfest em Israel que foi mesmo excelente e outro foi o Metal Crowd na Bielorússia em 2011, todos foram grandes concertos mas este último está no topo e espero que o Vítor (Santa Maria Summer Fest) não ouça isto [risos].


Estão a planear lançar material novo?
Temos algumas coisas planeadas e vamos lançar um cover de Gronibard e já me esqueci do título porque é francês, já gravámos as vozes no passado fim-de-semana e vai sair num Split CD, não! Um vinil, vai ser mesmo um lançamento especial, vai ter três temas de Gronibard outro de Pulmonary Fibrosis, o outro não sei e o outro é nosso. E vai haver um vídeo! Não podemos dizer já uma data porque não a sabemos.


Gostavam de deixar uma mensagens aos fãs portugueses?
Tu dizes que Portugal é pior que a Áustria portanto... por favor, não visites a Áustria, não queiras lá ir! É sempre muito positivo, já tivemos em mais de 14 países e já vimos muito caos mas Portugal é um dos países de topo. Nós temos experiências muito boas aqui e esperemos que continue assim, espero que as pessoas continuem a ser brutais, nojentas, malucas... Acho que da próxima vez lhes vamos dar algum dinheiro, não, a sério, foi mesmo muito bom vir cá é sempre um grande prazer. Queremos agradecer a todos os que foram aos nossos concertos, é mesmo muita gente, Portugal é um dos melhores países com pessoas sempre a darem em doidas, queremos agradecer a todas! É um país pequeno, comparando com outros, mas as pessoas são mesmo insanes, malucas e é por isso que adoramos vir aqui.

sábado, 31 de maio de 2014

Entrevista: Serrabulho

Quando e porque é que se formaram os Serrabulho? 
Paulo: os Serrabulho formaram-se em 2010, comigo na guitarra, com o Nogueira (ex-Encephalon), antigo baterista e com o Guerra na voz. Estivemos praticamente um ano fechados na sala de ensaios a criar as músicas. Eu já andava a pensar ter uma banda diferente das que tinha tido, o Nogueira tinha deixado a banda dele e juntámo-nos. O Guerra já tinha vindo a conversar comigo acerca de querer fazer algo que não respeitasse as normas e regras (risos) dentro do Metal extremo e nasceu Serrabulho.
Guerra: Sim este projecto foi criado com o seguinte pensamento, em primeiro lugar, criar “UMA BANDA”, não um ou dois patrões a mandarem os outros pupilos a fazerem o gosto aos chefes, como muitas vezes se passa no Metal nacional. Aqui todos os elementos sabem de tudo que se passa no nosso seio. E visto que no Metal dificilmente se vive da música, fizemos deste o nosso “passatempo”, pois temos vidas profissionais paralelas. Daí que tenhamos criado algo que realmente nos faz felizes e de que realmente gostamos e a humildade dentro da banda tem dado frutos, como se tem visto… A interacção com o público para nós também é muito importante. Falo de amizade e companheirimo, pois ninguém é mais do que ninguém por ter uma banda e somos amigos dos nossos amigos, que são os que realmente nos fazem “crescer”. E juntando o útil ao agradável, fazemos do nosso passatempo uma festa, pois há muito tempo para ter tristezas.


Que membros já passaram pela banda?
Guerra: Ui, praí uns mil! 
Paulo: Membros mesmo: Nogueira (ex-Encephalon e Stuprum Dei). Convidados de sessão: Cédric (Gorgásmico Pornoblastoma), Leitão (Fuckness), Ricardo Machado (Lumen).


Sentem que esta é a vossa melhor formação?
Guerra: Sim sem dúvida. As entradas do grande Guilhermino Martins e do grande Ivan Saraiva foram sem dúvida as cerejas que faltavam em cima do bolo.
Paulo: Sem dúvida, neste momento estamos estabilizados, sentimos isso não só em palco, mas também fora dele.


Porquê escolher “serrabulho” e não “feijoada” ou “chanfana”?
Paulo: Por ser um nome mais apelativo e porque é característico na nossa zona.
Guerra: Primeiro, por sermos da serra e depois, um dos pratos típicos daqui é o Sarrabulho. Unimos, estilo “fusão” e saiu essa estranha palavra: Serrabulho!


De onde vem o nome “Ass Troubles”?
Guerra: Vem lá do fundinho mesmo, daquele buraquinho. Vem de encontro às letras que íamos escrevendo, baseadas em factos verídicos que nos iam relatando. Unimos tudo num buraco e pensamos (coisa rara!) que seria um nome adequado, pois ia acabar tudo por lá ir parar. Até que, com tanto problema, acabou por se transformar num “Atomic Fart” que parte a loiça toda.


E o artwork tipicamente português foi ideia de quem?
Paulo: À medida que o Guerra nos passou a ideia, fomos dando cada vez mais indicações e “ideias” para a Marta Peneda - designer do artwork do CD - ela deu-nos esta óptima prenda.


Como decorreu a gravação e produção do álbum?
Paulo: Muito bem! Senti-me mesmo à vontade para gravar todos os temas e as minhas partes vocais. Trabalhar com o Guilhermino é muito bom, porque além de produtor ele também é músico e entende perfeitamente o que é estar a gravar, seguir o metrónomo, falhar, repetir e ter sempre uma palavra de apoio nos momentos certos! Mas também estar à vontade para conversar e opinar sobre o som! Isso é muito importante, haver ligação entre banda (músico) e produtor.
Guerra: Correu de todo mesmo! Tudo a 100%. O único problema foram os gases dentro do estúdio.


Quais foram as bandas que mais vos inspiraram para fazer músicas tão nonsense?
Paulo e Guerra: Desde Gut, Rompeprop, Nirvana, Lividity, Gronibard, R.D.B., Dead Meat, Grog, Carnal Diafragma, The Offspring, Deicide, Prostitute Desfigurement, entre outras e alguma música tradicional portuguesa. E, claro, o grande Quim Barreiros!


Porque é que se mascaram em quase todos os concertos? Quase sempre de forma diferente… Têm assim tantos fatos de carnaval guardados? Qual foi a vossa melhor máscara?
Paulo: Porque é uma festa quando tocamos. A ideia passa por serem sempre roupas diferentes.  Caso contrário, aquela surpresa que criamos antes de chegar ao palco já não teria o mesmo gosto para o público. Para mim, as melhores foram Power Ranger, Fred Flinstone, pac-man e fantasmas, Escuteiros, M&M’s (Lacasitos, em Espanha). Mas todas elas têm sempre a sua alegria contagiante.
Guerra: A nossa sorte é termos o patrocínio de uma alfaiate, senão não ganhávamos para a roupa!


O álbum tem sido distribuido lá fora graças ao excelente trabalho (já habitual) da Vomit Your Shirt, como têm sido as reacções ao mesmo?
Paulo: Sim a Vomit fez um excelente trabalho, assegurou uma óptima distribuição com duas grandes editoras - a Sevared (USA) e a Rotten Roll Rex (Alemanha). As reacções estão comprovadas, com as cópias deste álbum quase a desaparecer, as boas críticas que temos recebido - não só portuguesas, mas também estrangeiras - e os concertos que demos e os que estão marcados.


Para uma banda recente já actuaram bastantes vezes no estrangeiro como surgiram essas oportunidades? E como tem sido a recepção do público nos concertos?
Paulo: Nós temos trabalhado para ter, precisamente, essas oportunidades! Não basta só ter músicas ou um álbum e esperar que nos telefonem! É preciso procurar e furar neste nicho. Claro que já começámos a ser reconhecidos e os convites têm surgido, não só pelo interesse em nos terem no cartaz - pois Serrabulho (desculpem a modéstia) já arrasta público para os eventos -, mas o próprio público, que pretende Serrabulho nos eventos. A sua reacção é enorme e contagiante, grande parte do nosso trabalho é feito para e com o apoio deles!


Vêem-se a actuar um dia no Obscene Extreme? Já tiveram alguns contactos?
Paulo: Sim! Vejo Serrabulho no OEF, sem dúvida. Já tivemos bastantes respostas positivas sobre a nossa “possível” ida ao OEF, quer por portugueses, e até na própria República Checa, por bandas amigas e pessoal que nos conhece e adquiriu o CD. Contactos? O Curby de certeza que vai querer “Ass Troubles” no OEF! [risos]


Por último, querem acrescentar alguma coisa que achem pertinente?
Guerra: Sim! Lèche Moi Les Couilles! Queremos agradecer o todos os amigos e público que nos têm apoiado nos bons e maus momentos. Nos concertos, quando eu caio ao chão eles apanham-me e até tentam tirar-me os calções. Agradecer, igualmente, a todos os alfaiates e costureiras que nos ajudam e às pessoas que nos emprestam fatos. A todas as bandas que partilham o palco connosco. E peço também que, nos próximos concertos, o público vá cada vez “mais giro”  para eu me benzer! E arranjem-nos bóias e bolas de praia. Afinal, vem aí o Verão!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Holocausto Canibal - Compêndio De Aversões

“Compêndio De Aversões” é o EP dos Holocausto Canibal que reúne alguns covers gravados pela banda ao longo da carreira, alguns deles editados apenas em compilações de tributo. Marca também o regresso ao formato de cassete (depois do primeiro lançamento “oPus I” de 1997) numa edição de luxo e limitadíssima a umas simbólicas 69 cópias numeradas à mão e que o download poderá ser feito no site da editora Larvae Productions. Esta humilde homenagem às bandas que influenciaram os Holocausto reúne 7 temas clássicos do Death Metal internacional (e não só!) com a qualidade e produção de excelência que estes senhores nos foram habituando. A título de curiosidade é um dos poucos registos com C. Guerra (aka Toká) na voz (em 6 dos 7 temas), que fez parte da banda durante quase uma década mas que nunca chegou a gravar um álbum de estúdio.

O show começa com um “do you ever fantasized about being killed?” do cover dos polacos Dead Infection, “Death To The Master Key” com um trabalho vocal sublime, de resto, não foge muito à versão original. “Here We Are” (dos Malignant Tumour) é um dos melhores temas deste trabalho tal como a orgásmica “Cripple Bitch” dos pais do Pornogrind, os Gut.  “Euthanastic Inclination” é um dos temas mais bem conseguidos numa versão bem mais interessante que a original. “Spunky Monkey” é na minha opinião a grande surpresa até porque sou grande fã dos alemães Cock And Ball Torture, e aqui os Holocausto Canibal conseguem transformar o tema numa versão bem mais animada e menos groovy, editada originalmente em 2010, no México, na compilação “Bulldozers United - A Tribute To Cock And Ball Torture“, que contou com outras bandas portuguesas como PussyVives, Namek e Fetal Incest. E porque as bandas que influenciaram os Holocausto não se resumem ao Death Metal e Grind temos o cover da histórica “C.C.M.” de Mata-Ratos, basta imaginá-los a tocar Goregrind! Para terminar em beleza nada melhor que um cover dos criadores do Goregrind com uma versão absolutamente abrasadora da “Reek Of Putrefaction”, de Carcass, gravada nas alturas do Opusgenitalia e editada pela primeira vez em 2008 na compilação “Visceral Massacre Memorabilia”, com Max Tomé nos vocais.

Nada de novo, material inédito para os menos curiosos, mas com bastante significado para quem gosta realmente da banda. Agora venham versões de Mortician, Extreme Noise Terror, Ratos De Porão, Bile e Ulcerous Phlegm, e de preferência, em formato Old School, nós agradecemos.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Gorgásmico Pornoblastoma - Gorgásmico Pornoblastoma

Os Gorgásmico Pornoblastoma são a mais recente junção ao vasto leque do Grind nacional. Formaram-se em 2010 e já devastaram um pouco de todos os palcos nacionais com o seu Goregrind podre, obsceno e sujo, para fãs de bandas como Rectal Smegma, R.D.B., Mortician, Ultimo Mondo Cannibale, Gut e por aí. No final do ano passado, ou no início deste (nem os próprios sabem muito bem), editam o seu primeiro trabalho uma Demo Tape à moda antiga com 5 temas, com o selo da já habitual Murder Records (Grog, Dead Meat, Fungus).

Nos últimos anos tem sido difícil fazer-se Grindcore de má qualidade em Portugal e os Gorgásmico dão aqui continuidade a essa tendência com um registo bastante coeso e com qualidade bem acima da média para uma Demo, que se calhar peca apenas por ser demasiado curta. 5 temas curtos e directos com introduções que não lembram a ninguém onde se destacam os riffs graves, captação de bateria à moda antiga (bastante audível) e a juntar à festa um monte de pig squeals, grunts e growls. “Gurg” é o melhor tema, o mais Grind 'n' Roll a fazer lembrar os compatriotas R.D.B. e Serrabulho. Temas  como “Gorgásmico Pornoblastoma”, “Hematoma Purulento” e “Sodomia Acidental” não ficam a dever nada ao que se faz lá fora. Para finalizar, e a semelhança do resto das músicas, temos uma faixa super romântica e emocinante de nome “Engolir Mata”, possivelmente, uma das faixas mais completas da saga do Grind nacional (ou não). Encontrem a Tape por aí num esgoto mais próximo se tiverem sorte e se os puderem ver ao vivo, melhor, é festa garantida. Fuck passion or fashion… Insanity for a living!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Holocausto Canibal - Gorefilia

Portadores do estandarte máximo do Grindcore/Goregrind nacional e com uma reputação invejável para muitos, os Holocausto Canibal ocupam um lugar de grande destaque no Goregrind a nível Europeu e até Mundial. Criadores de clássicos como “Sublime Massacre Corpóreo” ou “Opusgenitalia”, os Holocausto Canibal são a prova viva de que num país como o nosso e cantando em português é possível ter sucesso lá fora e isso vê-se não só, mas também nas presenças nos mais variados festivais de Grindcore/Death Metal da Europa e pelos fãs que têm espalhados pelo mundo, sucesso esse porque a banda se mexe, arrisca, investe e quer sempre fazer o melhor e num país como o nosso é preciso tudo isso e os Holocausto Canibal estão a receber “frutos” por tudo isso.

Goregrind com uma produção refrescante e inovadora (algo pouco comum em Portugal e também lá fora), álbum mais maturo, guturais cavernosos, alguns pig squeals e outras surpresas… Temas intensos e dinâmicos, pesados e rápidos. Sangue, vómito, violência, carne, mutilações, esperma, cadáveres… Eis “Gorefilia”, o terceiro álbum de estúdio da banda que se centra especificamente em parafilias, desvios comportamentais, etc. Um álbum de luxo que conta com vários convidados especiais: Max Tomé (Colosso), Fuse (Dealema), Miguel Newton (Mata-Ratos), Nocturnus Horrendus (Corpus Christii), Conde de Samodães e nalguns sonhos de guitarra o histórico ex-guitarrista da banda Nuno P. O álbum foi gravado em Portugal nos 213 Studios e produzido e masterizado na Suécia nos Heartz Studios e se há factor que distingue “Gorefilia” da restante discografia é a produção.

À semelhança de outros contemporâneos do Goregrind internacional os vocais sempre foram algo que se fluía com o instrumental de tal maneira que a voz funcionava como se fosse outro instrumento e um caso bem evidente disso é “Opusgenitalia”, algo que ficou ainda mais vincado que no álbum anterior, “Sublime Massacre Corpóreo”. Em “Gorefilia” o instrumental e a voz estão mais “distantes”, menos pig squeals, vocais mais Death Metal e o próprio álbum tem uma essência diferente, produção mais limpa mas negra e voraz, Death Metal de veia mais tradicional, um pouco mais Groove que os álbuns anteriores… Mantêm ainda algumas faixas mais simples e directas como foi sendo habitual na discografia como a poderosa e única “Lactofilia Destalhada” e rapidinha “Mutilada Em 10s”. Uma novidade são alguns temas mais falados e ambientais como “Vorarefilia - Antropofagia Auto Infligida II” ou “Fascínio Paradoxal”. Riffs frenéticos e vorazes, exemplos disso são faixas como “Colapso Clismafílico” e “Acrotomofilia Zoófila”. Depois há temas mais mexidos e melódicos como “Objetotilia Platónica”, um tema excelente, escolhido para o video clip da banda, sem dúvida um dos melhores temas do álbum. Temos também faixas muito rápidas como “Afogada Em Vómito”, outras mais lentas como “Putrescência Necromântica” e claro a alternativa “Gore & Gajas”. Todas as faixas são muito boas e faz todo o sentido ouvir o álbum de seguida com uma música só. Importante também é destacar o trabalho lírico bastante complexo e cuidado que foi sempre um dos pontos altos da banda, a cargo do já habitual Zé Pedro.

“Gorefilia” resume-se a um álbum espectacular, mais aberto e inovador, bastante agressivo e pesado mas com uma dimensão única que vai muito além do Death/Grind tradicional, é bastante transcendental e até sentimentalista, o horror e atmosfera aqui ouvidas/vividas são momentos únicos que os Holocausto Canibal nos proporcionam. Este álbum não é tão monótono como os anteriores, não cansa, dá vontade de ouvir vezes sem conta, são 40 minutos repugnantes do melhor Grindcore praticado em Portugal e até a nível internacional. O álbum tem tido uma grande projecção a nível internacional graças às 3 entidades responsáveis pela sua edição, a nível nacional a Raising Legends e a Raging Planet, e internacionalmente a grande Xtreem Music.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Rectal Smegma - Keep On Smiling

São da Holanda e são na minha opinião uma das melhores bandas de Grindcore/Goregrind, claro, dentro do pouco que ouço no género. Formaram-se em 2003 com o nome Carnal Rancidity, e em 2005 já com a denominação de Rectal Smegma lançam o primeiro longa-duração intitulado “Licking A Leper” (que não me cativou muito). Em 2009 lançam “Keep On Smiling”, com edição a cargo da Bizarre Leprous Productions, uma autêntica máquina de destruição sonora inspirada em fantasias porno, filmes de terror, cenas cómicas e por vezes, alguns temas nojentos. Na bagagem (para além dos 2 álbuns já referidos) contam já com duas Splits, uma lançada em 2009 com os portugueses Namek, outra de 2010 partilhada com os alemães Cunt Grinder.

Este “Keep On Smiling” é constituído por 15 temas que perfazem ao todo 37 minutos de brutalidade. Os guturais são na sua maioria “pig squeals”, como já se podia prever pelo estilo referido em cima, com um instrumental grave a agressivo, algumas vezes a puxar para um Brutal Death Metal, outra vezes mais melódico a ir de encontro a um Grind ‘n’ Roll fantástico. Encontramos vários “blast beats” e grandes melodias de guitarra. É um grande álbum por todo o conceito que o envolve em termos líricos e gráficos e pela brutalidade, violência e caos que transmite musicalmente. É um álbum que peca apenas pelo baixo índice de originalidade, há músicas muito semelhantes com muitos riffs repetitivos e vozes quase sempre iguais. Os temas que se destacam mais, na realidade são muito bons comparando com alguns, lembro-me agora de “Menstruation Cocktail”, “Fridget Dwarf Fucker” e “Frog Felching”. Esquecendo a falta de originalidade, podemos destacar grandes momentos, por exemplo aquela voz mais variada e aquela melodia semi-acústica em “Fridget Dwarf Fucker”, assim como a lenta e melódica “Fat Grannies Are Cool”, com introdução muito cómica. “Drowned In Excrements” destaca-se bastante pela positiva, com aqueles “pig squeals” do vocalista Yannic a sobressaírem-se mais que noutros temas. “Hitler Only Had One Ball” e “Scrotum Paturein” são uns temas mais Grind ‘n’ Roll, na minha opinião, os melhores do álbum.

Os Rectal Smegma são uma banda muito potente e muito violenta, com uma técnica incrível a juntar, claro, a uma grande paixão pelo Goregrind. Esperemos agora por uma vinda a Portugal (que está para breve).

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Grunt - Scrotal Recall

Tudo começou em 2004 quando Boy-Z e Boy-D (na altura, denominados de Z-Dassin e D-Ogre) criaram uma banda chamada Fetal Incest. O objectivo dos Fetal Incest não era fazer algo de “original” em termos de sonoridade, mas sim fazer algo de diferente liricamente, e até visualmente. Boy-D era o baterista dos Viingrid, e Boy-Z já era muito conhecido por fazer parte dos Holocausto Canibal. Os primeiros meses da banda foram “difíceis” porque não encontravam um vocalista nem um guitarrista, só em Setembro de 2004 é que encontram Boy-G (denominado de Anal-X na altura) que se tornou guitarrista da banda. Os ensaios começaram e começavam a surgir algumas músicas compostas, um Grindcore, com muitas influências de Rock ‘n’ Roll: puro e duro. Depois de várias alterações na formação, na guitarra e na voz, ao longo dos anos, numa altura em que tudo parecia perdido, Boy-D e Boy-G começam a fazer uns guturais (“pig squeals”) espectaculares, e formou-se o “power trio” que conhecemos actualmente.

Com a formação completa e com muitas músicas compostas começam a dar concertos por todo o país, era a chamada operação “Save The Scene”, com mais de meia centena de concertos em Portugal. Após várias aparições ao vivo, foram considerados como uma das bandas portuguesas mais explícitas e polémicas por abusarem do conteúdo porno nos concertos. A banda foi destaque nos jornais nacionais depois de ter sido denunciada por uma organização religiosa, que os acusou de pervertidos sexuais, dizendo que estavam a incitar pessoas à imoralidade e à doença. O “caso” nunca foi desenvolvido e a banda continuou os concertos. Com uma enorme quantidade de temas gravados e de concertos, em 2010, os Fetal Incest, decidem mudar de nome, passam a chamar-se Grunt. No final de 2010 assinam pela Bizarre Leprous Productions, da República Checa, e em 2011 lançam o primeiro álbum de estúdio “Scrotal Recall”.

“Scrotal Recall” é um álbum composto por 25 temas brutais (2 covers), um Grind ‘n’ Roll (que eu diria até Goregrind ‘n’ Roll) com várias influências, desde o Thrash ao Brutal Death, passando pela música electrónica, mais rigorosamente, nas introduções de grande parte das músicas. Como principais influências, como a própria banda o diz, temos: Stoma, Pigsty, Impetigo… Todo o conceito do álbum é envolvido em fantasias porno que são bem visíveis nos títulos das músicas: “Topless Buffet”, “Bukkake Riot”, “Limbless Female Orgy”… Considero “Scrotal Recall” um álbum muito bom, embora um pouco enjoativo, a sonoridade não varia muito do início ao fim, mas se seleccionarmos as que gostamos mais e as ouvirmos, dá um enorme prazer a ouvir. A nível vocal encontramos um pouco de guturais de Death Metal, mas na grande maioria das músicas, a presença de “pig squeals” é o que se evidencia mais, muitos “blast beats” e grandes melodias de guitarra são o resultado de 6 anos de experiência e maturação, destaque também para as partes electrónicas no início de cada tema, que, apesar não fazerem o meu estilo, quer no álbum quer em estúdio, ficam muito bem!

“Topless Buffet” é o tema ideal para iniciar o álbum, com uma introdução arrepiante, “Goth Girls Don't Say No” foi o primeiro Single a ser lançado, e, na minha opinião foi uma excelente escolha, já é um clássico. É na música “Bukkake Riot” que os “pig squeals” se destacam de todas as outras músicas, são mesmo espectaculares. “Shemale” é a minha música preferida, onde Boy-Z e companhia abusaram e bem, é uma música onde o Grindcore e o Rock ‘n’ Roll se unem para formar um som único. “Cum Souffle”, “Fake Tits On Broken Chicks” e “Wrong Leg Amputation” são 3 temas muito bons. “Massage Board Grinder” é mais outra grande música, que conta com a participação de um convidado especial, é uma música marcada pela variação nos vocais e pelas paragens para uma melodia de Jazz da guitarra. “Ambidextrous Handjob” é um tema a puxar para um Brutal Death, mais a nível instrumental, ao estilo dos Decrepidemic. “Restricted” é um cover dos Rot, muito bem interpretado por parte dos Grunt. “The Forest Whispers You're Gay” é um cover dos Cradle Of Filth, do primeiro álbum, originalmente chamado “The Forest Whispers My Name”, é uma interpretação original e diferente do habitual, que adorei. Para terminar o álbum temos “Glory Hole Incantations” uma música electrónica com 28 minutos, que acho completamente desnecessária.

Os Grunt são a minha banda portuguesa preferida de Grind não estava à espera de um álbum com este grande nível, dentro de pouco tempo estes senhores vão-se tornar numa das bandas portuguesas mais internacionais dentro do género, têm uma “boa” editora, concertos agendados um pouco por toda a Europa e começam a dar que falar. Espero ansiosíssimo por mais um álbum e por uma sessão de devastação, caos e brutalidade ao vivo!