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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Grunt - Codex Bizarre

Os Grunt, outrora Fetal Incest, sempre tiveram um lugar muito particular no plano da música extrema em Portugal, por serem isso mesmo, distintos dos de mais! Ser apenas mais uma banda nunca foi com eles e não foi por acaso que destacaram desde o seu começo. Podemos ouvir muitas bandas a nível internacional que se aproximam da sonoridade dos Grunt (ou eles que se aproximam da dos de mais) mas mesmo assim têm particularidades que os tornam únicos. O primeiro álbum “Scrotal Recall”, editado em 2011, composto por volta de 2003-2005, com uma produção de excelência, foi um marco muito importante na cena do Grindcore em Portugal que lhes valeu um concerto fantástico no Obscene Extreme nesse mesmo ano e uma touneé pelo Reino Unido já em 2012.

A jornada foi muito longa para quem esperava o novo álbum e não tinha notícias até que chegamos a finais de Agosto de 2015 e editam “Codex Bizarre” outra vez a cargo da checa Bizarre Leprous Production, um álbum verdadeiramente monumental, assustador, provocador, muito pouco ortodoxo e com uma visão verdadeiramente inovadora e ousada desbravando novos caminhos musicais muito pouco explorados nos campos do Goregrind, cá e lá fora. “Codex Bizarre” distingue-se do álbum anterior por ser um registo muito mais completo e multifacetado, em termos musicais e líricos, com uma produção muito mais cuidada e profissional. A voz é muito mais perceptível e deverá ser essa a principal diferença que irão notar nas primeiras audições. Destacam-se os riffs insicivos de Death Metal puro (e não só!) bastante elaborados e facto do álbum ser muito variado onde se associam várias sonoridades de cariz mais electrónico como o Industrial ou o Trance, não é por acaso que o álbum conta com a participação do conceituado DJ The Speed Freak que completa o álbum no final com a faixa “The Speed Freak’s Sadistical Abuse Remix”.

O tema de abertura “The Sweet Smell Of Servitude” é fenomenal com uma parte arrepiante onde se ouve a fala de Nes Nomicon (convidada especial) “I dimish myself for a penal retribution / A misery feast of humiliating torture / I’m a sinner, a bad girl, punish me”. Segue-se “Teratoid Latex Feudalist”, basicamente a segunda parte do tema anterior, este, muito mais acelerado com o som do baixo bastante vincado com um solo de guitarra contagiante que se faz acompanhar mais uma vez da fala feminina com um texto ainda mais preverso e sedutor “I’m a slut, a whore, I am a dog with a disease / I’m your slave, your cunt, I am a cock-hungry fuck”. “The Edgeplay” é o tema seguinte, um dos mais directos e brutais de todo o álbum. “Vassalage Groteste” é o tema mais catchy de todo o álbum pelo seu refrão grotesco “Commit yourself to the abuse” com uma introdução nada comum nestes campos com uma flauta e por uma batida electrónica que se faz acompanhar com um solo de guitarra de fundo.

“Teased And Tormented” e “Becoming The Dominus” são os temas mais Grind ‘n’ Roll de todo álbum, segue-se depois o tema mais épico “Twilight Hybrid Bonanza - Shemale Part II” com a participação especial de Hellraiser (Vizir) com uma fala (em português) verdadeiramente assustadora depois da fala em alemão de outra convidada especial: Sarah Teichtert. “Levitra Powered Aged Predator”, “Helix Masterpiss” e “Supreme Rubbercore” são mais dois grandes temas, no primeiro destaca-se o solo de guitarra, no outro o groove e no terceiro o facto de ser um tema com um ritmo mais alucinante. “Funeral Sub-Mission Suite Part I” é um tema mais ambiental, electrónico, mas com um forte peso das guitarras que podia perfeitamente ser a introdução do álbum, já “Funeral Sub-Mission Suite Part II” é outro “in your face bitch”! “Panzer Enema” e “Sadopsychorama” são dois grandes temas para terminar o álbum com riffs demolidores. O final fica reservado claro para o remix já referido anteriormente.

“Codex Bizarre” é sem qualquer dúvida um dos álbuns mais inovadores da música extrema portuguesa dos últimos anos, consegue fugir à banalidade dum género cada vez mais saturado e repetitivo e está a dar que falar, por enquanto tivemos uma tournée muito bem sucedida pelos Estados Unidos e já no início de 2016 as mentes perversas dos Grunt regressam às terras de sua majestade para mostrar que não é só o Vinho do Porto que é bom e que os britânicos podem consumir produtos portugueses bem melhores!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Grunt - Scrotal Recall

Tudo começou em 2004 quando Boy-Z e Boy-D (na altura, denominados de Z-Dassin e D-Ogre) criaram uma banda chamada Fetal Incest. O objectivo dos Fetal Incest não era fazer algo de “original” em termos de sonoridade, mas sim fazer algo de diferente liricamente, e até visualmente. Boy-D era o baterista dos Viingrid, e Boy-Z já era muito conhecido por fazer parte dos Holocausto Canibal. Os primeiros meses da banda foram “difíceis” porque não encontravam um vocalista nem um guitarrista, só em Setembro de 2004 é que encontram Boy-G (denominado de Anal-X na altura) que se tornou guitarrista da banda. Os ensaios começaram e começavam a surgir algumas músicas compostas, um Grindcore, com muitas influências de Rock ‘n’ Roll: puro e duro. Depois de várias alterações na formação, na guitarra e na voz, ao longo dos anos, numa altura em que tudo parecia perdido, Boy-D e Boy-G começam a fazer uns guturais (“pig squeals”) espectaculares, e formou-se o “power trio” que conhecemos actualmente.

Com a formação completa e com muitas músicas compostas começam a dar concertos por todo o país, era a chamada operação “Save The Scene”, com mais de meia centena de concertos em Portugal. Após várias aparições ao vivo, foram considerados como uma das bandas portuguesas mais explícitas e polémicas por abusarem do conteúdo porno nos concertos. A banda foi destaque nos jornais nacionais depois de ter sido denunciada por uma organização religiosa, que os acusou de pervertidos sexuais, dizendo que estavam a incitar pessoas à imoralidade e à doença. O “caso” nunca foi desenvolvido e a banda continuou os concertos. Com uma enorme quantidade de temas gravados e de concertos, em 2010, os Fetal Incest, decidem mudar de nome, passam a chamar-se Grunt. No final de 2010 assinam pela Bizarre Leprous Productions, da República Checa, e em 2011 lançam o primeiro álbum de estúdio “Scrotal Recall”.

“Scrotal Recall” é um álbum composto por 25 temas brutais (2 covers), um Grind ‘n’ Roll (que eu diria até Goregrind ‘n’ Roll) com várias influências, desde o Thrash ao Brutal Death, passando pela música electrónica, mais rigorosamente, nas introduções de grande parte das músicas. Como principais influências, como a própria banda o diz, temos: Stoma, Pigsty, Impetigo… Todo o conceito do álbum é envolvido em fantasias porno que são bem visíveis nos títulos das músicas: “Topless Buffet”, “Bukkake Riot”, “Limbless Female Orgy”… Considero “Scrotal Recall” um álbum muito bom, embora um pouco enjoativo, a sonoridade não varia muito do início ao fim, mas se seleccionarmos as que gostamos mais e as ouvirmos, dá um enorme prazer a ouvir. A nível vocal encontramos um pouco de guturais de Death Metal, mas na grande maioria das músicas, a presença de “pig squeals” é o que se evidencia mais, muitos “blast beats” e grandes melodias de guitarra são o resultado de 6 anos de experiência e maturação, destaque também para as partes electrónicas no início de cada tema, que, apesar não fazerem o meu estilo, quer no álbum quer em estúdio, ficam muito bem!

“Topless Buffet” é o tema ideal para iniciar o álbum, com uma introdução arrepiante, “Goth Girls Don't Say No” foi o primeiro Single a ser lançado, e, na minha opinião foi uma excelente escolha, já é um clássico. É na música “Bukkake Riot” que os “pig squeals” se destacam de todas as outras músicas, são mesmo espectaculares. “Shemale” é a minha música preferida, onde Boy-Z e companhia abusaram e bem, é uma música onde o Grindcore e o Rock ‘n’ Roll se unem para formar um som único. “Cum Souffle”, “Fake Tits On Broken Chicks” e “Wrong Leg Amputation” são 3 temas muito bons. “Massage Board Grinder” é mais outra grande música, que conta com a participação de um convidado especial, é uma música marcada pela variação nos vocais e pelas paragens para uma melodia de Jazz da guitarra. “Ambidextrous Handjob” é um tema a puxar para um Brutal Death, mais a nível instrumental, ao estilo dos Decrepidemic. “Restricted” é um cover dos Rot, muito bem interpretado por parte dos Grunt. “The Forest Whispers You're Gay” é um cover dos Cradle Of Filth, do primeiro álbum, originalmente chamado “The Forest Whispers My Name”, é uma interpretação original e diferente do habitual, que adorei. Para terminar o álbum temos “Glory Hole Incantations” uma música electrónica com 28 minutos, que acho completamente desnecessária.

Os Grunt são a minha banda portuguesa preferida de Grind não estava à espera de um álbum com este grande nível, dentro de pouco tempo estes senhores vão-se tornar numa das bandas portuguesas mais internacionais dentro do género, têm uma “boa” editora, concertos agendados um pouco por toda a Europa e começam a dar que falar. Espero ansiosíssimo por mais um álbum e por uma sessão de devastação, caos e brutalidade ao vivo!