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terça-feira, 1 de março de 2016

Entrevista: Venom Inc.

Como surgiu a ideia de formar Venom Inc.?
Demolition Man: Bem, não foi intencional, não era um plano, eu e o Mantas temos os M:Pire Of Evil que tem sido o nosso projecto nos últimos quatro ou cinco anos e fui convidado para um espectáculo onde fui tocar com Atomkraft o álbum “Future Warriors” num festival de retrospectiva em Newcastle, onde o Mantas vivia na altura (agora vive em Portugal), não íamos tocar juntos mas íamos lá ver e apoiar as bandas mas depois o Mantas chamou-me para tocar e começámos a ensaiar numa de diversão. O Abaddon estava na audiência e duas semanas depois o promotor do Keep It True Festival (que também estava na audiência) contactou-me e disse que quando me viu a mim e ao Mantas no palco tinha pensado em como seria fantástico que o Abaddon estivesse também no palco connosco porque não suportava a ideia de o ver no apenas. Depois falou-me da ideia de nos contratar para tocar no Keep It True Festival na Alemanha, como M:Pire Of Evil, e se o Abaddon também estivesse lá e se juntasse a nós em palco, ou seja, a ideia começou a surgir a partir daí. Falámos nisso e decidimos tocar lá que é um festival verdadeiramente Old School e metade do nosso set foi M:Pire Of Evil e depois o Abaddon juntou-se a nós e tocámos cinco ou seis clássicos de Venom e começou aí! Mesmo antes de deixarmos a Alemanha recebemos propostas para tocar na Ásia como Venom Inc. e nós nem sequer tínhamos nome e diziam-nos “queremos-te a ti, ao Mantas e ao Abaddon a tocar uma série de concertos aqui” e depois começámos a receber propostas de promotores europeus para fazer uma tour, depois foram os Estados Unidos depois a América do Sul e eu pensava “nós ainda nem somos uma banda devíamos mesmo fazê-lo?”. Depois veio o nome, primeiro era para ser Iron & Steel que escolhemos da letra da “Die Hard” e as agências começaram a dizer que nos tínhamos de nos chamar Venom “alguma coisa” porque nós éramos Venom e nós “ok, e que tal Venom Incorporated?” porque temos outros projectos musicais e pronto, aconteceu, não tivemos controlo sobre isso.


Achas que teria o mesmo impacto se não chamassem à banda Venom Inc. mas Iron & Steel?
Demolition Man: Provavelmente existe uma razão comercial por detrás do nome Venom mas a questão aqui é que Venom é algo muito próximo e importante para o Mantas e o Abaddon por razões óbvias, e também para mim. Nós não vendemos a merda de um copo com nome Venom nele, nós vendemos o espírito e a alma da música e queremos que as pessoas venham sentir isso outra vez. Está a ajudar? Provavelmente, mas é para alertarmos as pessoas que nós estamos ali... E quaisqueres questões que possam ter em relação à legitimidade de Venom Inc. terão de nos dizer depois de tocarmos!


Planeiam lançar um álbum de estúdio?
Mantas: Sim! As músicas estão em fase de demo e estão ainda a ser escritas, existem mais de cem riffs nas nossas drives, há muito material mas as nossas prioridades agora não são essas portanto não sabemos quando iremos para o estúdio acabar com o trabalho. Não temos pressa, já tivemos ofertas para o álbum e já falámos com algumas empresas/editoras que querem mesmo que o álbum saia mas a primeira coisa que irão ter de nós será um álbum ao vivo com o documentário desta tour, na América e isso tudo porque estamos mesmo a gravar tudo (vídeo, áudio). Na noite passada ouvimos um concerto que demos há umas noites, um gajo pôs um mix básico e pôs aquilo bem alto e soava mesmo muito bem. Aquilo com que as pessoas nos têm sobrecarregado é sobre se nós soamos mesmo às gravações originais de Venom, aos concertos daquela altura, porque (se for o caso) os nossos concertos levam as pessoas a voltar atrás no tempo, elas viajam no tempo. E sobre o nome da banda ser um ponto de venda, claro que é, as pessoas vendem o nome há muitos anos. Algum de nós nesta banda faria alguma coisa sem o nome Venom vir ao de cima? É algo que aparece sempre, seja no meu projecto com o Tony (M:Pire Of Evil) ou no meu projecto a solo, Mantas, com o álbum “Zero Tolerance”. Eu fui sempre o primeiro a afastar-me dos Venom [saiu em 1985] e eu próprio pensei sobre a legitimidade disto com o Tony mas é assim as pessoas sabem quem somos e aquilo têm de perceber que depois do Keep It True Festival apareceram vídeos no YouTube com o nome Venom Inc. - the heart, spirit and soul of Venom, alguém colocou lá isso e depois a Metal Hammer, com quem fizemos uma entrevista em Londres, pegou nisso também. E depois saiu um artigo “Are Venom Inc. The True Incarnation Of Venom?”
Demolition Man: Como te disse, não se trata daquilo (Venom com o Cronos) ou disto (Venom Inc.), trata-se daquilo e disto! Algumas pessoas querem ver o Cronos outras querem ver o Mantas e o Abaddon, se elas querem ver uma reunião dos três juntos é impossível! Foi tentado mas é impossível mantê-los juntos. Significa isso que não deveriam ver o Mantas e o Abaddon juntos? A tocar as mesmas músicas? Eles estavam lá quando as músicas foram feitas e se tornaram clássicos. Eles têm o direito de o fazer e olhámos para isso e pensámos “é errado ir tocar essas músicas?” claro que não e se os fãs querem vê-lo vão vê-lo! Nós não usámos  o nome Venom só para ter lucro, como poderíamos fazê-lo? O dinheiro com o nome Venom anda a ser feito com T-Shirts, Bootlegs, as máscaras de plástico do “Black Metal”, isqueiros, casacos, até podes comprar roupa interior com o nome Venom nela, isso é fazer dinheiro com o nome e qualquer um o pode fazer. Se olhares para nossa merchandise temos uma T-Shirt com um design clássico, um hoodie, um chapéu e é isso que podes comprar. Mas aquilo que nós queremos verdadeiramente vender não é um concerto com um palco bonito com pirotecnias, é apenas a música de Venom e a sua alma. Vais entrar ali hoje e as luzes vão estar apagadas, vai ficar escuro e nós vamos dar tudo aquilo que temos! É essa ligação que as pessoas têm de ter com a música, a música em si! Não estou a dizer que não podes ir a um festival que é a única maneira que tens de ver Venom com todos aqueles truques, luzes, é brilhante! Não estou a dizer que seja mau mas esse é apenas um aspecto de Venom mas nós damos mais valor a outro aspecto: o sentimento! Como o público se sente quando nos ouve! Tocámos no Baroeg Open Air em Roterdão (Holanda) e eu estava no backstage e estava lá um gajo com uns 50 anos e perguntou “posso entrar e dizer olá?” e eu “claro, estou aqui só eu mas sim” e ele agarrou-se a mim e começou a chorar a dizer que nem devia (nem podia) estar ali e que teve de saltar por cima duma cerca e que quando começámos a tocar começou a chorar e sentiu-se com 16 anos outra vez! É essa a beleza da música! Fazer-te sentir livre outra vez e é isso que nós queremos, emoção pura!


Vocês representam a formação de Venom que durou de 1989 até 1992. Porque é que acabaram na altura?
Demolition Man: Foi algo que se completou em si mesmo. Quando o Cronos deixou a banda depois do “Calm Before The Storm” para se dedicar à sua carreira a solo (até foi para a América) o Abaddon decidiu que queria fazer algo e contactou-me e eu já tinha saído da minha outra banda (Atomkraft) e ele disse-me “olha o Cronos já se foi e ainda quero continuar a tocar, nós podemos fazer algo e tu podias assumir os vocais” e ele conhecia-me bem e sabia bem que eu podia fazê-lo e eu disse “a única maneira de eu o fazer é se tiver também o Mantas” porque para mim podes ter Venom com o Cronos (nada contra o Abaddon) e podes ter Venom com o Mantas, mas ter Venom apenas com o Abaddon é do tipo “tu precisas de ter um daqueles dois” e isso é muito importante por causa daquilo que o Mantas é e daquilo que nós somos juntos e isso poderia resultar mas eu e o Abaddon com outro gajo, nunca ia resultar e foi por isso que optámos por essa formação. Era algo novo, real! E tivemos grandes tempos, era um álbum muito progressivo para um álbum de Venom. Em relação ao segundo álbum [“Temples Of Ice”] ficámos um pouco desapontados com a produção e o artwork (que não estivemos envolvidos) e depois editámos o “The Waste Lands” e não demos os grandes concertos que deveríamos dar, provavelmente demos dois, um com King Diamond e outro na Rússia e basicamente fazíamos club shows. Fomos contactados pela nossa antiga promotora para fazer uma tour de suporte aos Sacred Reich na Europa e eu estava sentado num bar e pensei “mas que raio estamos nós a fazer? Isto não é Venom” e depois estávamos em Berlim (mesmo antes do muro cair, ele caiu dois dias depois) e eu o Mantas estávamos na parte de trás do Tour Bus e olhámos um para o outro e dissemos “está feito, já chega, já tivemos o suficiente” fomos lá à frente e dissémos “podes voltar para trás, estamos feitos, acabou!” Foi isso que aconteceu não foi do género de nos odiarmos uns aos outros. Eu e o Mantas trabalhamos muito com o coração, é algo muito emocional, é assim que tocamos e é assim que somos e quando não temos isso é como se o estivéssemos a fazê-lo apenas por números e nós não podemos fazer isso seja com que projecto for, nós trabalhamos e damos 100% daquilo que temos com as nossas bandas. De todos os concertos que damos tem de ser a 100% e tu e o público vão perceber se é real, com significado ou se estás a fazê-lo pelo dinheiro ou apenas porque tens de fazê-lo ou porque queres ser famoso...


Portanto nessa altura não tinham o sentimento que vos mantém juntos agora?
Demolition Man: Não, completamente!
Mantas: Não! Antes disto eu e o Abaddon falámos... Sabes que eu e o Abaddon não falávamos desde 1998 porque tivemos uns problemas com os membros de Venom e não só. E depois do concerto no Camden Underworld (em Londres) estávamos a falar e tínhamos pessoas a vir ter connosco e a dizer “isto está-me a levar para os tempos gloriosos de Venom” e também me levou a mim e ao Abaddon aos velhos tempos em que ensaiávamos juntos e isto para nós acaba por ser algo novo porque era algo que não estávamos habituados e tocar agora essas músicas com o Abaddon em palco... É muito difícil de descreve-lo. É espectacular!
Demolition Man: A reacção que as pessoas têm tido tem sido do género, nós temos todos mais de 50 anos, e perguntam “onde é que vocês vão buscar tanta energia?” e tu esqueces isso e voltas a ter 20 anos e a mesma energia, algo de mágico acontece. Na noite passada em Pamplona vieram muitas pessoas de propósito de França e ficaram estupefactas com o sentimento que nós transmitimos, aquilo que as pessoas transmitem e dão quando estão na linha da frente é mesmo que nós damos, é o mesmo sentimento e quando nos dizem que sentem que têm 15 anos outra vez nós também sentimos e é essa a beleza desta tour, o entretenimento.


Existem alguns planos para reeditar o “Prime Evil”, “Temples Of Ice” ou o “The Waste Lands”?
Demolition Man: Nós tentámos principalmente com os M:Pire Of Evil porque os fãs estavam sempre a perguntar-nos isso e a dizer para tocarmos isto ou aquilo desses álbuns mas eu dizia que nós não somos os Venom somos os M:Pire Of Evil e as pessoas queriam que nós, desde o dia 1, tocássemos temas desses álbuns quando nem tínhamos nenhum material pois tínhamos iniciado a banda há muito pouco tempo mas rapidamente fizemos músicas juntos para o “Creatures Of The Black” e o “Hell To The Holy” e não tínhamos mais nada então como iríamos fazer isso? Foi então que lançamos uma competição/votação em que as pessoas escolhiam as músicas que queriam que tocássemos ao vivo e foi então que as metemos no set. Depois pensámos que se calhar devíamos reeditar algumas dessas músicas porque haviam pessoas (principalmente as mais novas) que nunca meteram as mãos nesses álbuns porque estão fora do mercado. Eu tentei o meu melhor com a Sanctuary e a Universal Music Group que têm os masters originais. Acontece que os Venom estão na Spinefarm Records que é uma subsidiária da Universal que disse que não iria reeditar esses álbuns porque o Cronos não quer que eles os reeditem, ou seja, há aqui um conflito de interesses. Os fãs pedem-nos muito para nós os reeditarmos mas nós não temos controlo sobre as masterizações/gravações originais mas se nós tivéssemos podíamos reedita-los. Temos de implorar mas até agora nada. No ano passado chegaram a dizer que iam reeditar o “Prime Evil” mas essa ideia foi rapidamente posta de lado. Então nós pensámos no que poderíamos fazer e se eles têm as gravações nós deveríamos regrava-las e foi isso que fizemos com o álbum “Crucified” de M:Pire Of Evil e optámos por escolher músicas desses 3 álbuns, nós não fizemos aquilo que alguns fazem do tipo, escolher um álbum clássico e regravá-lo, é clássico porque é um clássico, se o regravar pode soar melhor mas é um álbum clássico e não é preciso regravares um álbum clássico porque é a gravação original que o faz ser clássico. O que fizemos, de forma muita cuidadosa, foi trazer algumas músicas para o nível de M:Pire Of Evil e justifica-las ter no nosso set. Não são apenas músicas do meu período nos Venom, agora são de M:Pire Of Evil e podemos toca-las ao vivo. Outra intenção dessa regravação foi permitir que as pessoas ouvissem essas músicas e que até então não podiam comprar o produto. Escusam assim de ir ao torrent sacar os mp3 antigos com má qualidade, nós podemos dar-vos as músicas com qualidade. Temos intenção de lançar o “Crucified II” e até o “Crucified X” se for preciso, tudo para que possamos dar às pessoas as  músicas que estão nessas gravações porque não temos controlo sobre elas. Esses álbuns são muito difíceis de encontrar e o preço a que algumas pessoas o vendem é ridículo. Outra maneira de o fazer seria editar uns bootlegs e distribuir pelos fãs mas nós somos puristas e queremos fazê-lo duma forma legítima. A editora que tem as gravações originais permite que haja um conflito e é assim se os fãs querem comprar os álbuns eles não têm o direito de mante-los guardados, neste caso desde 1992, é muito tempo. Estamos a trabalhar nisso e se pudermos faremos um grande pack com material ao vivo e um DVD em HD mas para isso eles teriam de deixar e têm sido bastante restrictivos quanto a isso. Esperamos conseguir tratar disso quando acabar a nossa tour mundial, há que ter esperança.


Mantas, como te sentes pelo legado que deixaste na história do Heavy Metal? Principalmente para aquelas bandas que vêem Venom como um grande referência principalmente no Black e Thrash Metal?
Mantas: Já me fizeram essa questão várias vezes, principalmente nesta tour. A resposta que te posso dar é esmagadora... Pensar que pensam em mim dessa maneira é fantástico mas também humilde. Eu sei exactamente aquilo que sou, temos os pés bem assentes na terra, vivo uma vida sossegada aqui em Portugal, nasci em Newcastle, aprendi a tocar guitarra, escrevi umas músicas fixes, as pessoas “tiram-nas” e de repente mudaste a face do Heavy Metal para sempre, não foi nada planeado. Eu sei quem sou, sou o Jeff, mas também sou o Mantas, e aquilo que digo e faço em palco é uma extensão daquilo que eu sou. Fora disso sou aquilo que tu vês, aqui sentado, quieto a ouvir os outros falar. Ter pessoas a vir dizer-nos coisas desse género é extremamente gratificante, por exemplo uma das bandas de hoje disse-me “sem ti esta banda não existia”. Temos fãs que nos dizem “tu mudaste a minha vida, ajudaste-me a ultrapassar problemas durante a minha vida”. Estou a escrever um livro de momento (muito lentamente porque estamos em tour) e existe um capítulo que se chama “Legions Iron & Steel” e é todo ele escrito pelos fãs e deixo aqui em aberto a possibilidade para quem quiser escrever algo para colocar lá se for relacionado com Venom. Descobri histórias surpreendentes! Uma por exemplo envolveu um conflito militar onde um homem das Forças Armadas do Canadá foi para debaixo de fogo a ouvir Venom! Isso é absolutamente incrível! Eu nem consigo descrever o que sinto em relação a isso. Nós vamos para o campo de batalha todas as noites que é o palco, onde tocamos Venom, e existe alguém que vai para um campo de batalha real disparar a ouvir Venom, numa guerra! E depois há aquela coisa de que os Venom que começaram o Speed, Death, Black, Thrash Metal, a cena toda... Estava a falar com alguém anteriormente sobre o lado norueguês da coisa e de algumas bandas dizerem que os Venom não são bem Black Metal, não são aquilo que as pessoas consideram hoje em dia como Black Metal, porque o estilo evoluiu e foi-se desenvolvendo. Mas eu tenho uma pergunta para essas pessoas: sem um álbum chamado “Black Metal” e uma música chamada “Black Metal” o que lhe teriam chamado? É uma pergunta simples.


Isso acaba por acontecer também com Black Sabbath, muitas pessoas dizem que não foram a primeira banda de Heavy Metal mas que Judas Priest e Iron Maiden o foram. Acaba por não fazer sentido por tanto uma como outra banda pegaram naquilo que os Black Sabbath já tinham feito...
Mantas: Sim sim eu concordo. Li uma coisa, há mesmo muito tempo atrás, era um artigo sobre Black Sabbath e começava assim “veteran Black Metal band Black Sabbath” basicamente estavam a dizer que Black Sabbath eram uma banda de Black Metal mas porra, eles começaram muito antes de nós! Quando fizemos o primeiro álbum de M:Pire Of Evil escrevi/compus um tema chamado “Devil” que é tocado com uma guitarra leve mas depois também com riffs pesados e eu quis passar a mensagem de que os Venom criaram o Black Metal e lhe deram o nome e que antes disso havia Black Sabbath e Black Widow, podias encontrar num lado qualquer um gajo a tocar músicas sobre o diabo numa guitarra acústica, não era nada de novo. Aquilo que nós fizemos foi sermos mais directos, trouxemos isso para a frente das pessoas e se me perguntarem se fizemos isso deliberadamente para chocar as pessoas eu digo que sim, sem dúvida. As capas dos álbuns, ninguém tinha visto aquilo antes. Tivemos uma entrevista em Londres uma vez e aparece um tipo de fato completo a dizer que estávamos a corromper as pessoas com as nossas mensagens subliminares e eu: espera aí, nós não estamos a esconder nada, nós temos um álbum chamado “Welcome To Hell”, temos uma música que se chama “In League With Satan” queres que eu seja ainda mais óbvio? Ninguém nos vai dizer quais são as mensagens que temos nos álbuns elas são bastante explícitas. E sim foi feito para chocar e no início dos anos 80 as pessoas ficavam chocadas facilmente mas hoje, não consegues chocar ninguém. Ligas as notícias e vês fome e outras imagens chocantes, muito piores que qualquer filme de horror ou concerto de Metal e a diferença é que o que acontece no mundo é real e acho que a raça humana se tem tornado cada vez mais insensível porque essas imagens estão sempre a aparecer e acabam por se tornar algo normal, não é que concorde com a “publicidade” mas pronto, é inevitável. Se uma banda hoje em dia pensar em chegar e tentar chocar alguém é impossível. Penso que última a chocar alguém de forma mais exuberante foi Marilyn Manson e basicamente aquilo era uma brincadeira, no final de contas era só imagem. Mas sabes, é espectacular pensar que a banda que eu comecei e que algumas música que compus tiveram tanto efeito no Heavy Metal.


Voltando ao tema das discussões do Black Metal, o que é o para ti o Black Metal?
Mantas: O que é o Black Metal? É uma boa pergunta. Eu vejo os primeiros álbuns de Venom como aquilo que as pessoas descrevem como First Wave Of Black Metal. Para mim agora... Bem não são muitas as bandas de Black Metal que sigo mas Dimmu Borgir e Immortal ouço bastante. Adoro Dimmu Borgir, são uma banda excelente. Por exemplo a música “The Serpentine Offering”, para mim isso é Black Metal, é uma música incrível! Não vejo Cradle Of Filth como Black Metal vejo-os mais como um circo vampiresco [risos], atenção que um deles até é meu amigo, o baterista Marthus, que toca no meu projecto a solo, mas vejo-os mais como algo mais gótico. Mas para mim, os Dimmu Borgir são “a banda” de Black Metal e para mim eles são uma evolução daquilo que nós fizemos. Basicamente o que estas bandas fizeram foi pegar naquilo que nós fizemos e levaram-no ao extremo, tal como nós pegámos em Black Sabbath, Judas Priest e Motörhead e levámos ao extremo. Sempre que compunha eram essas as bandas que me vinham à cabeça, às vezes perguntam-me como compus aquilo e foi assim. É algo que simplesmente acontece, vem um riff e aí está a música. Não há nenhuma ideia pré-concebida daquilo que tenho de escrever, no que toca a isso vejo-me mais como um líder que como um seguidor porque tento sempre criar algo original.
Demolition Man: Gostava ainda de clarificar uma coisa: o género que se tornou o Black Metal não é Venom. E depois há sempre aquelas questões de uns consideram que são Black Metal outros não. Ou são mesmo? Vejamos: eles fizerem um álbum de nome “Black Metal” e o título desse álbum, dessa música era para descrever o som de Venom, não era para descrever um género que se iria tornar progressivo, com orquestras ou sobre folclore nórdico, era para distingui-los de todos os outros. Se olhares para o género hoje em dia eles não são Black Metal, todavia, serão essas bandas de hoje em dia Black Metal? Se os Venom lhes chamaram a eles próprios Black Metal? A diferença do género é essa e se olhares para os Venom como Black Metal, como algo definido por eles, então essas bandas de hoje não são Black Metal, são aquilo que elas próprias definem como True Black Metal. Mas é assim, eles foram obviamente influenciados por Venom, tal como os Bathory foram e acrescentaram orquestras progressivas que por sua vez foram influenciar outras bandas, tal como os Venom os influenciaram. Tiram um título daqui uma frase dali um movimento doutro lado e é isso que vai formando um género. Num sentido mais puro Venom está muito longe de Dimmu Borgir mas se a influência está lá? Sem qualquer dúvida.
Mantas: Naquela altura qualquer banda com guitarras eléctricas e cabelos compridos era considerada Heavy Metal. Para nós grande parte das bandas não eram Heavy Metal. Nós nem nos sentíamos parte da New Wave Of British Heavy Metal e depois veio a questão “vocês afinal são o quê?” e lá estava o álbum “Black Metal” e definir-nos, era uma declaração para alienar-nos dessa cena e individualizar a banda e fizemo-lo à nossa maneira. Não nos víamos como uma banda da New Wave Of British Heavy Metal como por exemplo as do nordeste (da nossa zona) Raven, Fist ou Tygers Of Pan Tang, nós não tínhamos nada em comum com essas bandas e foi por isso que a declaração foi feita! Foi um pouco arrogante mas as coisas era assim.


Para terminar gostavam de deixar alguma mensagem aos fãs portugueses?
Demolition Man: O Jeff pode fazê-lo inteiramente em português já que ele mora cá [risos]. Gostava de dizer a toda a gente em Portugal para nos virem ver e para não nos julgarem antes de verem e o experienciarem. Mais é melhor. Se forem a uma loja de doces e só puderem comprar um chocolate pode ser muito difícil mas se puderes escolher vários é melhor. Aproveitem o concerto, obrigado por nos seguirem e apoiarem, muito respeito para com vocês todos. Obrigado pela entrevista.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Entrevista: Cock And Ball Torture

Num CD de tributo a Cock And Ball Torture com mais de trinta bandas, “Bulldozers United”, dizia algo como “os Gut são foram o primeiro ícone do Pornogrind e os Cock And Ball Torture eram os pais do Bulldozing Goregrind” basicamente dizia que vocês criaram um novo estilo e que foram uma grande influência para um grande número de bandas. Sentem que deixaram um legado na cena do Goregrind?
Não queremos falar sobre este “legado”, nós tocamos apenas a música que gostamos. Existe alguém que gosta do nosso som e toca este estilo, isso é bom, mas não gostamos dessas palavras de “legado” ou o que quer que seja. Somos o mesmo que tu.


Dos concertos que já deram, quais foram os mais marcantes?
Não podes comparar maças com pêras. Este concerto aqui no Hellfest Open Air não tem comparação com os nossos concertos em clubs/bares sei lá, na República Checa. Foi muito bom tocar aqui, tivemos muita gente, mas o sentimento é o mais importante. A tour na Austrália foi fantástica, é tudo muito bom. Se tiver uma pessoa ou cinco mil isso não significa que por ter mais gente vá ser melhor...


Basicamente são os mesmo para vinte pessoas ou para duas mil.
Exacto. Somos os mesmos, tocamos o mesmo, temos a mesma energia. É isso que temos de fazer e queremos fazer caso contrário não viríamos aqui.


Já editaram três álbuns, o último foi de 2004 se não me engano, porque é que não lançaram mais nenhum em mais de dez anos?
Por diferentes razões. Em primeiro lugar houve um “lack off” de inspiração. “O que vamos fazer a seguir?” não queremos copiar, não queremos fazer o mesmo, depois não sabemos que direcção seguir, ser mais Old School como o primeiro álbum ou não... Temos de trabalhar (não vivemos da música) e torna-se difícil conjugar a música e o trabalho. Quando começámos tocávamos muito mais e ensaiávamos sempre duas vezes por semana mas nos últimos dez anos todos acabaram por ir estudar e trabalhar. Temos as nossas famílias em primeiro lugar e isto é apenas um passatempo e diversão, nada mais que isso. Temos algumas músicas novas mas não temos tempo para praticar mais ou escrever mais. Nos últimos oito anos não compusemos música nenhuma nova.


Portanto não estão a pensar em lançar um álbum novo...
Sim, pensamos em lançar um álbum novo mas acabam sempre por surgir os problemas do costume: tempo, tempo e tempo! Precisamos de tempo para ensaiar regularmente, o que é impossível. Vivemos separados. Deveríamos ter duas ou três semanas para gravar mas é impossível.


Vocês começaram por fazer um estilo bastante particular e diferente do normal na cena do Goregrind. Como surgiu essa ideia dos efeitos na voz e isso tudo?
Na verdade, começou tudo no estúdio. É tudo falado no estúdio, compomos música, vocais e depois vemos como fica, como soa, nunca sabemos como vai ficar. Não temos propriamente um produtor como algumas bandas têm a dizer “eu punha o som da guitarra assim ou assado” e dizem que são open-minded por causa disso, nós não somos assim... Mas no fim de tudo o importante é que seja bom, no estômago e nos testículos [risos], tem ser bom e soar bem.


Já estiveram em Portugal duas vezes o que pensam do país em geral e das bandas?
O que dizer... O que podes esperar dum país do sul da Europa? É quente! Já lá estivemos em concertos e de maneira geral as pessoas são bastante amigáveis e com mente aberta, é bom para beber cerveja e relaxar.


E bandas portuguesas?
Ouço muitas bandas mas normalmente nem sei o nome, ponho tudo no iPod e faço “random play” mas conheço por exemplo Holocausto Canibal, de resto consigo identificá-las pelo som e reconheço músicas mas depois não me lembro do nome. Para nós por exemplo é uma honra que os Holocausto Canibal tenham feito um cover nosso mesmo que gostemos ou não. Eu tenho a dizer que gosto sempre pelo facto de uma banda estar a tocar uma música nossa, é do tipo “wtf?”, nós somos apenas três gajos humildes dos Pré-Alpes Bávaros quem é que nos ouve por esse mundo fora e gosta de nós ao ponto de fazer um cover? É espectacular!


Pensam do tipo “eles estão a passar o tempo com algo nosso e a gravar música nossas”...
Porque é que fazem isso? [risos]


Vocês raramente dão concertos, no ano passado foi o Obscene Extreme este ano o Hellfest, têm algo na agenda para um futuro próximo?
Pelo menos o próximo concerto na Orange House em Feierwerk, Munique e é tudo por agora, nós não podemos dar mais. Temos tocado cada vez menos mas temos tido algumas propostas só que é difícil devido aos nossos trabalhos, horários, conjugar datas, etc. O que torna tudo difícil, eu diria mesmo impossível, ou seja, concentramos tudo e tocamos três ou quatro concertos por ano. Portanto essa é a resposta para o “são profissionais?” nós dizemos “não!”, caso contrário receberíamos muito dinheiro para tocar, o que não é verdade.


Receberam algumas propostas para tocar em Portugal?
Recentemente não, mas fomos contactos pelo pessoal do SWR Barroselas Metalfest uma vez. Nós não pedimos a ninguém para ir tocar a um local, esperamos apenas que nos contactem, vemos se o pessoal da banda ainda está vivo (normalmente está) e lá vamos nós, não andamos atrás de ninguém.


Qual o vosso rescaldo do concerto do Hellfest?
Em palco nunca ouvi um som tão bom, fui muito bom de se ouvir, não esperávamos que estivesse tão cheio, eram 11:30 da manhã já fazia calor e estava muita gente já a beber e ali para nos ver. A todos os nossos fãs “get us over as soon as possible”!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Entrevista: Eluveitie

Recentemente a banda sofreu várias alterações na formação, pensam que agora estão melhores que antes?
Não diria que estamos melhores, apenas mudámos, em 3 anos tivemos 3 novos membros que nos influenciaram a todos e é definitivamente fantástico. Na minha opinião nunca fomos tão bons como somos neste momento, está tudo a correr muito bem e são grandes músicos. Estamos muito agradecidos por ter tido estas alterações. Por vezes é preciso mudar as coisas para se crescer.


Quais são as principais diferenças na banda com estas alterações? O que é que mudou?
Definitivamente, novas influências. Cada um tem o seu estilo pessoal, as influências pessoais são muito importantes. Somos um grupo de oito pessoas com três novas e o som altera-se um bocado. Acho que é melhor que antes.


Hoje em dia vemos muitas bandas a tocar os seus álbuns clássicos na íntegra. Vêem-se a tocar um álbum de Eluveitie na sua totalidade? Por exemplo os Morbid Angel há pouco tempo fizeram uma tour a tocar o “Covenant”... Que álbum escolheriam?
Isso de facto é muito difícil de responder, penso que teríamos de tocar e fazer tours durante mais 10 anos para podermos fazer isso. Se uma banda como os Morbid Angel está a fazer isso... Aliás eles deviam mesmo fazer isso porque são lendas, adoramos Morbid Angel, penso que uma banda deve ser lendária para fazer algo desse género. Mas seria muito bom mais tarde ou mais cedo fazer algo como isso.


Que álbum escolheriam daqueles que já lançaram para tocar de início ao fim numa tour?
Isso é muito difícil... Eu (Kay Brem - baixista) diria o “Everything Remais As It Never Was”, para mim pessoalmente, foi o maior passo na carreira da banda e é o álbum que gosto de tocar todas as músicas. É o meu álbum preferido!


É a vossa primeira tour este ano...
Tivemos uma tour de 3 meses o ano passado antes do Natal, na América e depois na Europa. Agora começámos uma nova tour europeia depois vamos para a Rússia, Turquia, Israel, Índia, América do Sul...


Não é muito comum as bandas irem a países como Israel ou à Índia apesar de ser algo que acontece cada vez mais. Como é ir tocar nesses países?
Na minha opinião é muito difícil de tocar, menos dinheiro, menos público, menos condições... Se tiveres fãs em todo o lado deves ir para todo o lado e tornar isso possível porque são os fãs que decidem o quão grande tu és e quão bom tu és e cenas do género. Por exemplo, tocar na Índia é mesmo muito especial, eles adoram-nos e temos muitos fãs, e temos de voltar, eles merecem isso. Nós devemos fazer tours na Europa e América do Sul, do Norte, Ásia... Há sempre concertos especiais como na Índia e esperamos mesmo fazê-lo novamente.


Quanto estão em tour quais são as princpais dificuldades, como banda?
Estamos muito habituados a fazer tours, se fizermos tours num tourbus como estamos a fazer agora o que normalmente fazemos é tentar relaxar. Temos uma crew que trabalha muito bem, temos a própria banda e se tiveres de fazer voos todos os dias como por exemplo na América do Sul, é muito stressante, não há privacidade, e a falta de privacidade é um grande problema nas tours. Se partilhas um autocarro meses e meses com as mesmas pessoas no mesmo pequeno quarto, é complicado, mas não é um problema muito grande.


Ray... Estás a viver um sonho na banda?
Claro que sim, sempre quis tocar numa banda, estar na estrada o máximo de tempo possível e isto é o que quero fazer.


Quais são os principais festivais que vão tocar este ano?
Vamos tocar... Bem isso é uma pergunta difícil ainda não vi bem o calendário... Vamos tocar no Metal Camp pela quarta ou quinta vez, depois vamos a um grande festival na Suíça e para ser honesto ainda não vi o calendário. A única coisa que sei é que vamos tocar em muitos festivais mas não consigo dizer agora. 


Está planeado algum lançamento para este ano?
Este ano não, mas brevemente vão haver boas notícias em relação a isso.


Estão a pensar fazer um novo álbum acústico? A segunda parte do “Evocation I - The Arcane Dominion”?
Sim! Nós, de certa forma, temos trabalhado nisso e muito brevemente vão ouvir notícias de material acústico novo!


Alguma mensagem mensagem final para os fãs portugueses?
Nós adoramos Portugal e todos os fãs deveriam estar aqui neste momento porque vão perder algo muito bom, um grande concerto e espero voltar brevemente a Portugal, não é um dos países que tocamos muito mas esperamos que os promotores nos contactem mais porque gostávamos de tocar cá mais vezes.

sábado, 31 de maio de 2014

Entrevista: Serrabulho

Quando e porque é que se formaram os Serrabulho? 
Paulo: os Serrabulho formaram-se em 2010, comigo na guitarra, com o Nogueira (ex-Encephalon), antigo baterista e com o Guerra na voz. Estivemos praticamente um ano fechados na sala de ensaios a criar as músicas. Eu já andava a pensar ter uma banda diferente das que tinha tido, o Nogueira tinha deixado a banda dele e juntámo-nos. O Guerra já tinha vindo a conversar comigo acerca de querer fazer algo que não respeitasse as normas e regras (risos) dentro do Metal extremo e nasceu Serrabulho.
Guerra: Sim este projecto foi criado com o seguinte pensamento, em primeiro lugar, criar “UMA BANDA”, não um ou dois patrões a mandarem os outros pupilos a fazerem o gosto aos chefes, como muitas vezes se passa no Metal nacional. Aqui todos os elementos sabem de tudo que se passa no nosso seio. E visto que no Metal dificilmente se vive da música, fizemos deste o nosso “passatempo”, pois temos vidas profissionais paralelas. Daí que tenhamos criado algo que realmente nos faz felizes e de que realmente gostamos e a humildade dentro da banda tem dado frutos, como se tem visto… A interacção com o público para nós também é muito importante. Falo de amizade e companheirimo, pois ninguém é mais do que ninguém por ter uma banda e somos amigos dos nossos amigos, que são os que realmente nos fazem “crescer”. E juntando o útil ao agradável, fazemos do nosso passatempo uma festa, pois há muito tempo para ter tristezas.


Que membros já passaram pela banda?
Guerra: Ui, praí uns mil! 
Paulo: Membros mesmo: Nogueira (ex-Encephalon e Stuprum Dei). Convidados de sessão: Cédric (Gorgásmico Pornoblastoma), Leitão (Fuckness), Ricardo Machado (Lumen).


Sentem que esta é a vossa melhor formação?
Guerra: Sim sem dúvida. As entradas do grande Guilhermino Martins e do grande Ivan Saraiva foram sem dúvida as cerejas que faltavam em cima do bolo.
Paulo: Sem dúvida, neste momento estamos estabilizados, sentimos isso não só em palco, mas também fora dele.


Porquê escolher “serrabulho” e não “feijoada” ou “chanfana”?
Paulo: Por ser um nome mais apelativo e porque é característico na nossa zona.
Guerra: Primeiro, por sermos da serra e depois, um dos pratos típicos daqui é o Sarrabulho. Unimos, estilo “fusão” e saiu essa estranha palavra: Serrabulho!


De onde vem o nome “Ass Troubles”?
Guerra: Vem lá do fundinho mesmo, daquele buraquinho. Vem de encontro às letras que íamos escrevendo, baseadas em factos verídicos que nos iam relatando. Unimos tudo num buraco e pensamos (coisa rara!) que seria um nome adequado, pois ia acabar tudo por lá ir parar. Até que, com tanto problema, acabou por se transformar num “Atomic Fart” que parte a loiça toda.


E o artwork tipicamente português foi ideia de quem?
Paulo: À medida que o Guerra nos passou a ideia, fomos dando cada vez mais indicações e “ideias” para a Marta Peneda - designer do artwork do CD - ela deu-nos esta óptima prenda.


Como decorreu a gravação e produção do álbum?
Paulo: Muito bem! Senti-me mesmo à vontade para gravar todos os temas e as minhas partes vocais. Trabalhar com o Guilhermino é muito bom, porque além de produtor ele também é músico e entende perfeitamente o que é estar a gravar, seguir o metrónomo, falhar, repetir e ter sempre uma palavra de apoio nos momentos certos! Mas também estar à vontade para conversar e opinar sobre o som! Isso é muito importante, haver ligação entre banda (músico) e produtor.
Guerra: Correu de todo mesmo! Tudo a 100%. O único problema foram os gases dentro do estúdio.


Quais foram as bandas que mais vos inspiraram para fazer músicas tão nonsense?
Paulo e Guerra: Desde Gut, Rompeprop, Nirvana, Lividity, Gronibard, R.D.B., Dead Meat, Grog, Carnal Diafragma, The Offspring, Deicide, Prostitute Desfigurement, entre outras e alguma música tradicional portuguesa. E, claro, o grande Quim Barreiros!


Porque é que se mascaram em quase todos os concertos? Quase sempre de forma diferente… Têm assim tantos fatos de carnaval guardados? Qual foi a vossa melhor máscara?
Paulo: Porque é uma festa quando tocamos. A ideia passa por serem sempre roupas diferentes.  Caso contrário, aquela surpresa que criamos antes de chegar ao palco já não teria o mesmo gosto para o público. Para mim, as melhores foram Power Ranger, Fred Flinstone, pac-man e fantasmas, Escuteiros, M&M’s (Lacasitos, em Espanha). Mas todas elas têm sempre a sua alegria contagiante.
Guerra: A nossa sorte é termos o patrocínio de uma alfaiate, senão não ganhávamos para a roupa!


O álbum tem sido distribuido lá fora graças ao excelente trabalho (já habitual) da Vomit Your Shirt, como têm sido as reacções ao mesmo?
Paulo: Sim a Vomit fez um excelente trabalho, assegurou uma óptima distribuição com duas grandes editoras - a Sevared (USA) e a Rotten Roll Rex (Alemanha). As reacções estão comprovadas, com as cópias deste álbum quase a desaparecer, as boas críticas que temos recebido - não só portuguesas, mas também estrangeiras - e os concertos que demos e os que estão marcados.


Para uma banda recente já actuaram bastantes vezes no estrangeiro como surgiram essas oportunidades? E como tem sido a recepção do público nos concertos?
Paulo: Nós temos trabalhado para ter, precisamente, essas oportunidades! Não basta só ter músicas ou um álbum e esperar que nos telefonem! É preciso procurar e furar neste nicho. Claro que já começámos a ser reconhecidos e os convites têm surgido, não só pelo interesse em nos terem no cartaz - pois Serrabulho (desculpem a modéstia) já arrasta público para os eventos -, mas o próprio público, que pretende Serrabulho nos eventos. A sua reacção é enorme e contagiante, grande parte do nosso trabalho é feito para e com o apoio deles!


Vêem-se a actuar um dia no Obscene Extreme? Já tiveram alguns contactos?
Paulo: Sim! Vejo Serrabulho no OEF, sem dúvida. Já tivemos bastantes respostas positivas sobre a nossa “possível” ida ao OEF, quer por portugueses, e até na própria República Checa, por bandas amigas e pessoal que nos conhece e adquiriu o CD. Contactos? O Curby de certeza que vai querer “Ass Troubles” no OEF! [risos]


Por último, querem acrescentar alguma coisa que achem pertinente?
Guerra: Sim! Lèche Moi Les Couilles! Queremos agradecer o todos os amigos e público que nos têm apoiado nos bons e maus momentos. Nos concertos, quando eu caio ao chão eles apanham-me e até tentam tirar-me os calções. Agradecer, igualmente, a todos os alfaiates e costureiras que nos ajudam e às pessoas que nos emprestam fatos. A todas as bandas que partilham o palco connosco. E peço também que, nos próximos concertos, o público vá cada vez “mais giro”  para eu me benzer! E arranjem-nos bóias e bolas de praia. Afinal, vem aí o Verão!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Entrevista: Brutal Brain Damage

Onde vão buscar inspiração para o humor dos vossos temas?
Carlos Lopes: Nós somos pessoas divertidas e bem humoradas. Não temos nenhuma fonte de inspiração sem ser a nossa própria parvoíce. Normalmente sou eu que puxo mais por esse aspecto mas é todos juntos é tipo uma casa de malucos.


Achas que esse humor acaba por vos distinguir das restantes bandas de Grindcore, que geralmente abordam temas mais Gore ou crítica social?
Carlos Lopes: Não vou bem por aí. Há algumas bandas que também têm a sua veia humorística mas sim. Em certos aspectos pode-se dizer que nos distingue mas sinceramente não sei explicar porquê. Apenas como não somos uma banda com mensagem a nível crítico social (que é o tema mais abordado de bandas Grind) quisemos optar mais pelo cómico. Acho que a vida já é bastante séria.


Há uma grande evolução do EP para o álbum, a vários níveis, quais foram as principais diferenças na gravação e produção de um e outro?
Carlos Lopes: O EP na altura apanhou as malhas compostas antes da entrada do Big. Foi gravado e masterizado por nós.  Depois a nível de composição com ele na banda já foi diferente como se pode ver. São malhas um pouco diferentes e mais arrojadas.  Em relação à produção do álbum fizemos tudo com o Miguel Tereso que nos ajudou imenso. Estamos super satisfeitos e espero que no futuro o resultado final seja como no primeiro álbum. A nível gravação foi praticamente tudo gravado em casa por assim dizer. Nesse aspecto não ouve muita diferença, apenas que no “mini quarto super mega estúdio” do Miguel tínhamos mais condições para gravarmos já o nosso EP foi gravado numa garagem num domingo à tarde.


Quais são as principais bandas que vos influenciam para compor?
Carlos Lopes: As nossas influências vêm da música e de vários estilos de Metal. Todos gostamos de coisas diferentes desde Grind, Death, Thrash, etc. Não temos aquela banda como influência mas pode-se dizer que há algumas que nos inspiram como qualquer banda. Eu pessoalmente ouço de tudo um pouco e gosto de muita coisa fora do Metal. Mas como banda em geral há bandas que todos nós gostamos, desde Napalm Death, Rotten, Nasum, Magrudergrind, etc. Mas tentamos não ir por aí. Queremos criar um som que se pode dizer nosso. Apenas temos bons professores que nos ensinam e dão inspiração na veia criativa da música.


E em termos de bandas nacionais houve alguma que vos inspirasse e que olhassem como referência?
Carlos Lopes: Isso é uma boa pergunta, porque normalmente fala-se mais de bandas de lá de fora como fonte de influências e no meu caso é mesmo o oposto. Quando comecei esta banda foi a partir de uma noite bem passada num concerto de PussyVibes e depois de ter feito um pouco de barulho ao micro. Sinceramente essa sensação deu-me outro olho aos concertos. Não como fã mas como poderia ser tocar ao vivo. Umas das minhas bandas favoritas são Dead Meat, PussyVibes, Raw Decimating Brutality e Grog. E daí eu, em pouco tempo, a nível de voz comecei a querer fazer de tudo um pouco. Tenho imenso respeito por essas bandas e são pessoas incríveis. Claro que com o passar do tempo conhecemos pessoalmente mais pessoas e desde aí, Matter é daquelas bandas que para mim é das melhores que se pode ter cá.  Estou super contente por fazer parte deste meio porque para um país pequeno temos bandas do caralho e um enorme gosto em tocar com aquelas bandas e socializar com os elementos. É tudo porcos, feios e maus!


Foi desse contacto com os R.D.B. e não só que surgiu a oportunidade de editar o álbum pela Vomit Your Shirt. Achas que a editora tem tido um papel fundamental para a divulgação do Grind nacional lá fora?
Carlos Lopes: Sim, foi a partir de um concerto na Covilhã que surgiu essa oportunidade e estamos super contentes. A editora foi espectacular connosco e têm feito um trabalho incrível. São pessoas dedicadas e super simpáticas que fazem o melhor. Estou sinceramente agradecido por terem mau gosto musical e terem apostado nesta banda, é o que posso dizer!


Que bandas nacionais recomendas?
Carlos Lopes: Bem pessoalmente... Há muitas bandas, mas do que tenho ouvido mais nestes últimos tempos: Serrabulho que lançaram recentemente o seu primeiro álbum, Matter tenho andado a ouvir também a colhoada feia deles e em breve terão aí o álbum, Besta também tenho andado a ouvir com mais atenção e o “Obra Ó Diabo!!!” que não precisa de apresentações. Tenho ouvido AntiVoid que também já tivemos juntos no palco onde participei no submarino amarelo. Eu sei lá! Poderia estar a tarde aqui toda.


E que fests nacionais aconselhas?
Carlos Lopes: A meu ver SWR Barroselas é o épico! Mas temos muitos bons fests e já tivemos oportunidade de poder tocar em alguns. O Butchery At Christmas Time foi para mim o que mais me marcou pela boa camaradagem que se sente e vivê-la. O Moita Metal Fest foi onde tocámos para mais pessoas e foi uma experiência incrível:  público non stop in the pit. Um que para mim foi de dar valor foi o Goat Fest, organizado por pessoas da terra com todas as condições possíveis e muito bem recebidos. Portugal é pequeno mas há sempre pessoas a organizar concertos por amor à camisola  e isso é de dar valor.


Para finalizar queres deixar algumas palavras para quem ouve Brutal Brain Damage?
Carlos Lopes: Comprem o nosso álbum que quero ser rico e aparecer na TVI. Quero agradecer a todo o pessoal que tem apoiado a banda em todos os aspectos. Nota-se nos concertos a aderência do pessoal e só tenho a agradecer o vosso apoio a uma banda como a nossa. Temos tido situações incríveis e estou sinceramente contente pela força que têm dado. Muito obrigado por gostarem de barulho e javalis. Um bem hajam!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Entrevista: Matter

Porque é que decidiram formar a banda?
Barrasco: Gostamos de fazer abrasamento! Damo-nos bem a fazer abrasamento juntos. Não há nenhuma razão em especial.


Porquê o nome Matter?
DevilPig: O nome foi daquelas coisas… Não sabíamos que nome havíamos de dar à banda, até que chegámos a um ponto que estávamos abertos a qualquer sugestão. Cada um estava à procura dum nome e eu lembrei-me de Matter, a tradução em si, “matéria”… É um assunto de reflexão… E a dimensão que o nome podia ter, achei piada.


Quais são as vossas principais influências para compor?
Barrasco: Imaginamos tanques no horizonte… A tensão que isso gera, nós traduzimos em música!


E em termos bandas ou estilos?
DevilPig: Cada um tem as suas, e é muito assim. Há cenas que curtimos em comum…
Barrasco: Nós não combinamos fazer uma música “tipo” uma banda, nós imaginamos os tanques e o resto surge.
DevilPig: Epá é aquela cena, tu ouves música, e qualquer música que ouças é óbvio que vai ter influência, principalmente do que gostas mais.
Barrasco: O Bob Wayne influencia-me!!!


Como foi a gravação do EP?
Barrasco: Isso foi gravado ao vivo no Colhões e editado em casa.


Porquê chamar-lhe “R ND M”?
Barrasco: Tirámos as vogais à palavra “random”.


Que temas abordam liricamente?
Turtle: A maior parte das líricas são temas pessoais, coisas que eu escrevi, mas depois há outros temas como… Eu baseei-me em alguns textos d'Os Lusíadas, baseei-me também em alguns livros, um dos exemplos é A Arte Da Guerra do Sun Tzu… Abordam temas que têm algo de militar, porque nós temos de nos regir por algumas regras e essas regras traduzem-se depois na nossa vida pessoal e no nosso dia-a-dia, e escrevi um bocado sobre isso, mas a maior parte das letras são coisas pessoais que prefiro manter para mim.


Porque é que escolheram excertos do filme “Twelve Monkeys” para as introduções das músicas no EP?
Barrasco: Gostamos do filme e aquilo tem alguma coisa de lunático e é bom pôr um bocado de demência na violência.
Turtle: É um bocado isso também que nós queremos fazer, nos concerto queremos sempre tentar provocar um certo caos, uma reacção nas pessoas E principalmente debitar aquilo que nós sabemos fazer e desafiar as pessoas, que tipo de reacção é que a nossa música causa.


De todos os concertos que deram, qual o que gostaram mais?
Barrasco: Não foram muitos, ou seja, também não temos muita escolha.
Turtle: Eu gostei muito do concerto de beneficência, o Colhões de Ferro Benefit 1.


Quais são os planos para o futuro, já estão a gravar alguma coisa ou a compor?
Barrasco: Vamos agora gravar, a bateria já está, falta só guitarra e voz, pedimos material emprestado, uma mesa de gravação multipista e etc, e é tudo feito em casa. Talvez até ao final do ano esteja gravado, mas não temos uma previsão ainda, houve uns atrasos entretanto.


Vai ser um EP, um álbum
Barrasco: Vai ter 11 músicas. Por isso, se calhar é um álbum, não sei isso do tempo, eu não percebo nada disso.


Como banda, quais são as principais dificuldades que sentem?
Barrasco: Não temos dinheiro, somos uns tesos do caralho!
DevilPig: Organização de tempo, é difícil termos tempo para nos juntar-mos.
Barrasco: Era mais importante ter dinheiro para gasolina porque às vezes um gajo só não ensaia porque não dá jeito estar a meter gasolina.
DevilPig: O dinheiro também ajuda muito.


Já foram abordados por alguma editora/distribuidora para editar algo ou por alguma banda para um Split?
Barrasco: Para Splits há sempre alguma coisa mas não participámos em nada, ainda. Fomos convidados por uma cena qualquer americana, acho que aquilo nem era bem uma editora, é um gajo qualquer que estava a fazer uma compilação
Turtle: E de vez em quando recebemos convites para fanzines, para mandar cenas para compilações.


Por último, uma mensagem para quem vos ouve
Turtle: Vão a concertos, principalmente é isso. Porque hoje em dia é nos concertos que se vê o que vale ou não.
Barrasco: Em estúdio toda a gente faz o que quer Se tiver dinheiro Voltámos à mesma merda!