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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Entrevista: Matter

Porque é que decidiram formar a banda?
Barrasco: Gostamos de fazer abrasamento! Damo-nos bem a fazer abrasamento juntos. Não há nenhuma razão em especial.


Porquê o nome Matter?
DevilPig: O nome foi daquelas coisas… Não sabíamos que nome havíamos de dar à banda, até que chegámos a um ponto que estávamos abertos a qualquer sugestão. Cada um estava à procura dum nome e eu lembrei-me de Matter, a tradução em si, “matéria”… É um assunto de reflexão… E a dimensão que o nome podia ter, achei piada.


Quais são as vossas principais influências para compor?
Barrasco: Imaginamos tanques no horizonte… A tensão que isso gera, nós traduzimos em música!


E em termos bandas ou estilos?
DevilPig: Cada um tem as suas, e é muito assim. Há cenas que curtimos em comum…
Barrasco: Nós não combinamos fazer uma música “tipo” uma banda, nós imaginamos os tanques e o resto surge.
DevilPig: Epá é aquela cena, tu ouves música, e qualquer música que ouças é óbvio que vai ter influência, principalmente do que gostas mais.
Barrasco: O Bob Wayne influencia-me!!!


Como foi a gravação do EP?
Barrasco: Isso foi gravado ao vivo no Colhões e editado em casa.


Porquê chamar-lhe “R ND M”?
Barrasco: Tirámos as vogais à palavra “random”.


Que temas abordam liricamente?
Turtle: A maior parte das líricas são temas pessoais, coisas que eu escrevi, mas depois há outros temas como… Eu baseei-me em alguns textos d'Os Lusíadas, baseei-me também em alguns livros, um dos exemplos é A Arte Da Guerra do Sun Tzu… Abordam temas que têm algo de militar, porque nós temos de nos regir por algumas regras e essas regras traduzem-se depois na nossa vida pessoal e no nosso dia-a-dia, e escrevi um bocado sobre isso, mas a maior parte das letras são coisas pessoais que prefiro manter para mim.


Porque é que escolheram excertos do filme “Twelve Monkeys” para as introduções das músicas no EP?
Barrasco: Gostamos do filme e aquilo tem alguma coisa de lunático e é bom pôr um bocado de demência na violência.
Turtle: É um bocado isso também que nós queremos fazer, nos concerto queremos sempre tentar provocar um certo caos, uma reacção nas pessoas E principalmente debitar aquilo que nós sabemos fazer e desafiar as pessoas, que tipo de reacção é que a nossa música causa.


De todos os concertos que deram, qual o que gostaram mais?
Barrasco: Não foram muitos, ou seja, também não temos muita escolha.
Turtle: Eu gostei muito do concerto de beneficência, o Colhões de Ferro Benefit 1.


Quais são os planos para o futuro, já estão a gravar alguma coisa ou a compor?
Barrasco: Vamos agora gravar, a bateria já está, falta só guitarra e voz, pedimos material emprestado, uma mesa de gravação multipista e etc, e é tudo feito em casa. Talvez até ao final do ano esteja gravado, mas não temos uma previsão ainda, houve uns atrasos entretanto.


Vai ser um EP, um álbum
Barrasco: Vai ter 11 músicas. Por isso, se calhar é um álbum, não sei isso do tempo, eu não percebo nada disso.


Como banda, quais são as principais dificuldades que sentem?
Barrasco: Não temos dinheiro, somos uns tesos do caralho!
DevilPig: Organização de tempo, é difícil termos tempo para nos juntar-mos.
Barrasco: Era mais importante ter dinheiro para gasolina porque às vezes um gajo só não ensaia porque não dá jeito estar a meter gasolina.
DevilPig: O dinheiro também ajuda muito.


Já foram abordados por alguma editora/distribuidora para editar algo ou por alguma banda para um Split?
Barrasco: Para Splits há sempre alguma coisa mas não participámos em nada, ainda. Fomos convidados por uma cena qualquer americana, acho que aquilo nem era bem uma editora, é um gajo qualquer que estava a fazer uma compilação
Turtle: E de vez em quando recebemos convites para fanzines, para mandar cenas para compilações.


Por último, uma mensagem para quem vos ouve
Turtle: Vão a concertos, principalmente é isso. Porque hoje em dia é nos concertos que se vê o que vale ou não.
Barrasco: Em estúdio toda a gente faz o que quer Se tiver dinheiro Voltámos à mesma merda!

sábado, 23 de junho de 2012

Matter - R ND M

Os Matter são muito provavelmente banda portuguesa de Metal mais desconhecida da actualidade e quem sabe (uma das, ou) a mais extrema que existe por cá. Este trio de Caldas da Rainha foi formado em 2011 e a sua estreia foi em Novembro desse ano. Os membros da banda já são bastante conhecidos do underground caldense, baterista de Vizir, e ex-membros de bandas como Sick Maniacs/Null, Mass Brutality… Matter é Death Metal a puxar para o Grindcore, com algumas influências de Black Metal, Crust e Punk, com muitos blast beats e bons riffs de guitarra. A voz é bastante agressiva, uns guturais mais graves outros mais agudos, uns mais inhale outros growl, e de vez em quando quase no pig squeal. A guitarra é marcada por ritmos simples e rápidos mas também por alguns riffs mais elaborados. O EP de estreia dá-se pelo nome de “R ND M” e foi gravado ao vivo em multipista no Colhões de Ferro VII nas Caldas da Rainha, no dia 4 de Fevereiro de 2012, claro que posteriormente foi produzido e masterizado em estúdio com muito cuidado e o resultado são quase 15 minutos da música mais violenta que se pode imaginar, brutalidade, rapidez, podridão… Realce especial para a capa do EP, desvanecida e solene que se identifica muito bem com a sonoridade da banda, porque até com música bastante extrema ocorrem pensamentos e visões um pouco ininteligíveis ou indecifráveis que ficam ao critério daquilo que cada mente cria ao ouvir a banda.

Música completamente alucinatória e doentia interrompida por pequenas paragens (introduções) retiradas do filme “Twelve Monkeys” (1995) de Terry Gilliam. O disco até começa com uma melodia bastante calma, “Famished Vermin”, que é rapidamente consumida por uns guturais e uma bateria infernais! “Nailed By Traitors And Whores”, a quarta faixa é bem capaz de ser a mais rápida de todo o álbum, atenção especial para os guturais mais agudos acompanhados por riffs de guitarra demoníacos. Num ritmo mais Punk e melódico temos “Becoming Dead”, na minha opinião a melhor faixa do álbum. “Death Breath Hallucination” é outra grande faixa, uma autêntica descarga de energia e violência. “Venomous Blood Feast” é das faixas mais conhecidas da banda (está no YouTube há bastante tempo) e para terminar nada melhor que a poderosa “Hate Matter”, com bons riffs de Death/Thrash e à semelhança de tudo o resto com um trabalho de voz (num tom mais Crust no fim) e bateria impressionantes.

São uma das bandas nacionais que mais promete neste momento, e porque a banda não quer “gastar dinheiro que não tem em estúdio” foi assim ao vivo, diferente do normal, mas com boa qualidade e claro, uma boa recordação para quem esteve neste grande concerto. “Musick” altamente aconselhável para quem gosta de Metal muito extremo e rápido, para fãs de Napalm Death, Miseration, Nasum, Raw Decimating Brutality, Last Days Of Humanity, entre outros.