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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Serrabulho - Star Whores

Os Serrabulho dispensam qualquer tipo de apresentações e se pensam que a insanidade mental dos senhores melhorou enganem-se, ainda estou para perceber como é que não estão num manicómio! Se achavam que o disco de estreia “Ass Troubles” tinha piada, ainda não ouviram nada. “Star Whores” (sim, isso mesmo, “putas das estrelas”!) é o nome do novo álbum, agora editado a cargo da alemã Rotten Roll Rex, e é nada mais nada menos que uma sátira bastante inteligente e preversa da space opera americana criada por George Lucas, “Star Wars", e quem gosta da série vai adorar as ligações que este álbum faz aos filmes, tanto a nível musical como no artwork bastante original.

“Star Whores” é um álbum de Happy Grind/Pornogrind/não interessa, com uma produção bastante profissional e cuidada, e é, sem dúvida, um grande passo em frente em relação ao álbum de estreia. É um álbum mais variado, completo e muito bem estruturado, com mais pormenores a nível musical, a destacar por exemplo o bandolim na faixa de abertura “Pornocchio” ou os riffs mais elaborados como em “Testicular Torsion” ou “Happy Fornication”, tudo isto lá está, envolto numa temática algures entre as estrelas e o porno, onde convém salientar também o trabalho fenomenal que a banda fez nos vocais tanto no lado mais Death Metal e Grind como nas introduções das músicas e samplers com coros, risos, falas, etc. “Star Whores” é o tema do álbum e aquela introdução é arrepiante e quem conhece bem o filme vai perceber porquê, todos os pormenores neste tema são fantásticos até ao último segundo! Pode parecer estranho, mas os Serrabulho também tocam guitarra acústica e não podia ser em melhor tema que “Vaseline” porque este é mesmo o tema que entra melhor nos ouvidos dos mais sensíveis! “Life Of A Penis” e “Caguei Na Betoneira” são mais dois temas brilhantes e dos mais cómicos de todo o álbum. No álbum anterior queriam cagar mas não podiam, agora como podem ver o sistema digestivo da banda melhorou e já podem fazer as suas necessidades, mas numa betoneira está claro! “Snow White And The Seven Dwarfs [Gang Bang Edition]” é a faixa perfeita para terminar o álbum onde se ouve ali pelo meio depois do silêncio a majestosa “Imperial March”.

“Star Whores” é um dos grandes lançamentos deste ano e os Serrabulho revelaram aqui um trabalho excepcional sem momentos mortos ou monótonos em que a vontade de fazer replay é imediata. Se tiverem oportunidade apareçam num daqueles concertos épicos e caóticos cheios de gente doida mascarada e se pensam que o vírus só afectou Portugal estão enganados porque o contágio já chegou à Espanha, Alemanha e dentro de meses chegará à República Checa! Cuidado com o Rancho Folclórico!!!

sábado, 31 de maio de 2014

Entrevista: Serrabulho

Quando e porque é que se formaram os Serrabulho? 
Paulo: os Serrabulho formaram-se em 2010, comigo na guitarra, com o Nogueira (ex-Encephalon), antigo baterista e com o Guerra na voz. Estivemos praticamente um ano fechados na sala de ensaios a criar as músicas. Eu já andava a pensar ter uma banda diferente das que tinha tido, o Nogueira tinha deixado a banda dele e juntámo-nos. O Guerra já tinha vindo a conversar comigo acerca de querer fazer algo que não respeitasse as normas e regras (risos) dentro do Metal extremo e nasceu Serrabulho.
Guerra: Sim este projecto foi criado com o seguinte pensamento, em primeiro lugar, criar “UMA BANDA”, não um ou dois patrões a mandarem os outros pupilos a fazerem o gosto aos chefes, como muitas vezes se passa no Metal nacional. Aqui todos os elementos sabem de tudo que se passa no nosso seio. E visto que no Metal dificilmente se vive da música, fizemos deste o nosso “passatempo”, pois temos vidas profissionais paralelas. Daí que tenhamos criado algo que realmente nos faz felizes e de que realmente gostamos e a humildade dentro da banda tem dado frutos, como se tem visto… A interacção com o público para nós também é muito importante. Falo de amizade e companheirimo, pois ninguém é mais do que ninguém por ter uma banda e somos amigos dos nossos amigos, que são os que realmente nos fazem “crescer”. E juntando o útil ao agradável, fazemos do nosso passatempo uma festa, pois há muito tempo para ter tristezas.


Que membros já passaram pela banda?
Guerra: Ui, praí uns mil! 
Paulo: Membros mesmo: Nogueira (ex-Encephalon e Stuprum Dei). Convidados de sessão: Cédric (Gorgásmico Pornoblastoma), Leitão (Fuckness), Ricardo Machado (Lumen).


Sentem que esta é a vossa melhor formação?
Guerra: Sim sem dúvida. As entradas do grande Guilhermino Martins e do grande Ivan Saraiva foram sem dúvida as cerejas que faltavam em cima do bolo.
Paulo: Sem dúvida, neste momento estamos estabilizados, sentimos isso não só em palco, mas também fora dele.


Porquê escolher “serrabulho” e não “feijoada” ou “chanfana”?
Paulo: Por ser um nome mais apelativo e porque é característico na nossa zona.
Guerra: Primeiro, por sermos da serra e depois, um dos pratos típicos daqui é o Sarrabulho. Unimos, estilo “fusão” e saiu essa estranha palavra: Serrabulho!


De onde vem o nome “Ass Troubles”?
Guerra: Vem lá do fundinho mesmo, daquele buraquinho. Vem de encontro às letras que íamos escrevendo, baseadas em factos verídicos que nos iam relatando. Unimos tudo num buraco e pensamos (coisa rara!) que seria um nome adequado, pois ia acabar tudo por lá ir parar. Até que, com tanto problema, acabou por se transformar num “Atomic Fart” que parte a loiça toda.


E o artwork tipicamente português foi ideia de quem?
Paulo: À medida que o Guerra nos passou a ideia, fomos dando cada vez mais indicações e “ideias” para a Marta Peneda - designer do artwork do CD - ela deu-nos esta óptima prenda.


Como decorreu a gravação e produção do álbum?
Paulo: Muito bem! Senti-me mesmo à vontade para gravar todos os temas e as minhas partes vocais. Trabalhar com o Guilhermino é muito bom, porque além de produtor ele também é músico e entende perfeitamente o que é estar a gravar, seguir o metrónomo, falhar, repetir e ter sempre uma palavra de apoio nos momentos certos! Mas também estar à vontade para conversar e opinar sobre o som! Isso é muito importante, haver ligação entre banda (músico) e produtor.
Guerra: Correu de todo mesmo! Tudo a 100%. O único problema foram os gases dentro do estúdio.


Quais foram as bandas que mais vos inspiraram para fazer músicas tão nonsense?
Paulo e Guerra: Desde Gut, Rompeprop, Nirvana, Lividity, Gronibard, R.D.B., Dead Meat, Grog, Carnal Diafragma, The Offspring, Deicide, Prostitute Desfigurement, entre outras e alguma música tradicional portuguesa. E, claro, o grande Quim Barreiros!


Porque é que se mascaram em quase todos os concertos? Quase sempre de forma diferente… Têm assim tantos fatos de carnaval guardados? Qual foi a vossa melhor máscara?
Paulo: Porque é uma festa quando tocamos. A ideia passa por serem sempre roupas diferentes.  Caso contrário, aquela surpresa que criamos antes de chegar ao palco já não teria o mesmo gosto para o público. Para mim, as melhores foram Power Ranger, Fred Flinstone, pac-man e fantasmas, Escuteiros, M&M’s (Lacasitos, em Espanha). Mas todas elas têm sempre a sua alegria contagiante.
Guerra: A nossa sorte é termos o patrocínio de uma alfaiate, senão não ganhávamos para a roupa!


O álbum tem sido distribuido lá fora graças ao excelente trabalho (já habitual) da Vomit Your Shirt, como têm sido as reacções ao mesmo?
Paulo: Sim a Vomit fez um excelente trabalho, assegurou uma óptima distribuição com duas grandes editoras - a Sevared (USA) e a Rotten Roll Rex (Alemanha). As reacções estão comprovadas, com as cópias deste álbum quase a desaparecer, as boas críticas que temos recebido - não só portuguesas, mas também estrangeiras - e os concertos que demos e os que estão marcados.


Para uma banda recente já actuaram bastantes vezes no estrangeiro como surgiram essas oportunidades? E como tem sido a recepção do público nos concertos?
Paulo: Nós temos trabalhado para ter, precisamente, essas oportunidades! Não basta só ter músicas ou um álbum e esperar que nos telefonem! É preciso procurar e furar neste nicho. Claro que já começámos a ser reconhecidos e os convites têm surgido, não só pelo interesse em nos terem no cartaz - pois Serrabulho (desculpem a modéstia) já arrasta público para os eventos -, mas o próprio público, que pretende Serrabulho nos eventos. A sua reacção é enorme e contagiante, grande parte do nosso trabalho é feito para e com o apoio deles!


Vêem-se a actuar um dia no Obscene Extreme? Já tiveram alguns contactos?
Paulo: Sim! Vejo Serrabulho no OEF, sem dúvida. Já tivemos bastantes respostas positivas sobre a nossa “possível” ida ao OEF, quer por portugueses, e até na própria República Checa, por bandas amigas e pessoal que nos conhece e adquiriu o CD. Contactos? O Curby de certeza que vai querer “Ass Troubles” no OEF! [risos]


Por último, querem acrescentar alguma coisa que achem pertinente?
Guerra: Sim! Lèche Moi Les Couilles! Queremos agradecer o todos os amigos e público que nos têm apoiado nos bons e maus momentos. Nos concertos, quando eu caio ao chão eles apanham-me e até tentam tirar-me os calções. Agradecer, igualmente, a todos os alfaiates e costureiras que nos ajudam e às pessoas que nos emprestam fatos. A todas as bandas que partilham o palco connosco. E peço também que, nos próximos concertos, o público vá cada vez “mais giro”  para eu me benzer! E arranjem-nos bóias e bolas de praia. Afinal, vem aí o Verão!

sábado, 30 de novembro de 2013

Serrabulho - Ass Troubles

“Ass Troubles” é o nome do álbum de estreia dos happy grinders Serrabulho (nome genial!), 30 minutos de Grindcore, rapidez, bailarico, humor, brutalidade e boa disposição, ao estilo duns Anal Cunt (não tão ofensivo) e Romperprop (sempre em festa)! A edição da rodela ficou a cargo da já habitual Vomit Your Shirt, com distribuição assegurada nos Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Espanha, entre outros. Foi misturado e masterizado pelo baixista Gulhermino Martins nos Blind & Lost Studios e o resultado final é um álbum potente, variado, com qualidade… Goregrind com influências de Death Metal, muito melódico, com partes bastante rápidas e agressivas, onde os blast beats e a insanidade mental não faltam, Pig Squeals a toda a hora, bateria muito bem captada, guitarras simples e incisivas, o resultado é uma produção do mais alto nível, superior à grande maioria das que se fazem lá fora dentro do estilo, com bandas muito mais conceituadas (injustamente).

Como se pode ver pela capa as boas maneiras portuguesas não foram esquecidas e não podia faltar o acordeão, logo na primeira faixa “Atomic Fart”, possivelmente a mais 'n' Roll de todo o álbum. E porque os senhores não gostam de plágios a introdução da “Left Ball” foi feita no Google Tradutor (apesar de quase nem darmos por isso!), é uma das faixas mais rápidas e brutais do registo. Numa onda mais Groove temos “Disgusting Piece Of Shit” e bailarico a sério é na “Lèche Moi Les Couilles” e claro, nas duas faixas em português, “O Arroto Cheirava A Suco Gástrico” e “Quero Cagar E Não Posso”, esta última, uma das mais originais. Destaque para as faixas “Don't Fuck With Krusty”, “Pubic Hair In The Glasses”, “Toco Loco Du Moi” e claro, para aquela que é para mim a mais bem conseguida, “I'm Full Of This Shit”.

Não faltam razões para ouvir mais um grande álbum do nosso Grindcore, e se possível, não faltem às performances super artísticas destes senhores ao vivo, talvez se deparem com uma esplanada, umas princesas encantadas, uns Power Rangers… Resumindo, em estúdio ou ao vivo, vão-se divertir a ouvir Serrabulho!