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quinta-feira, 16 de março de 2017

Grog - Ablutionary Rituals

Um novo álbum de Grog requer sempre por parte do ouvinte um certo período de reflexão e meditação pois o choque psicológico e auditivo para com tamanhas obras de brutalidade poderá causar danos irreversíveis. O sucessor de “Scooping The Cranial Insides” revela o porquê de os Grog serem uma das formações nacionais mais respeitadas não só cá mas também lá fora. Foram seis anos a preparar os ingredientes em estúdio e a verdade é que no meio de todo este processo não houve qualquer tipo de contenção e é por isso mesmo que “Ablutionary Rituals” consegue ser o álbum mais brutal nos 25 anos de trituração sonora do quarteto lisboeta.

Os Grog brindam-nos com 14 dos temas mais selvagens e agressivos de toda a carreira sem que para isso tivessem de abrandar em termos técnicos, precisamente pelo contrário, onde a banda consegue aumentar o nível de brutalidade sonora adicionando elementos técnicos que vão desde o Jazz até ao mais brutal do Death Metal, sem esquecer a pureza do Grindcore vincado no som da banda desde os seus primórdios.

“Ablutionary Rituals” é um álbum mais “directo ao assunto” que o antecessor, possivelmente o álbum mais “in your face” da banda, sem refrões que ficam no ouvido como no anterior, mas com um nível de agressividade incrível que veio provar que os Grog conseguem ser mais rápidos e brutais que o imaginado acrescentando pormenores técnicos que vão crescendo e aparecendo a cada nova audição, sendo assim um álbum que evidentemente acaba por soar ainda melhor à medida que o tempo de degustação vai aumentando.

Liricamente, de forma sucinta, o álbum aborda a génese do lado sombra/ego do ser humano, acaba por ser uma forma para compreendê-la, aceitá-la e transmutá-la para algo superior, no sentido etéreo. Em suma, existe uma grande confrontação relacionada com questões do ego humano e com a perda de identidade da sua essência.

É um álbum frenético que se divide em temas mais directos e rápidos, e outros com riffs mais pesados e arrastados mas que rapidamente acabam por ser trucidados pela brutalidade sonora que acaba por embater nesses acordes lentos de guitarra. A ilustração disso será a arrepiante introdução “Revelation - Open Wound” e da passagem para o segundo tema “Uterine Casket”, ou a “A Scalpel Affair”. Uma voz gutural a contrastar com outra mais aguda, um arsenal de guerra de nome Rolando Barros, um baixo sempre audível e perspicaz a juntar a uma guitarra que destilha riffs sem qualquer tipo de contenção. São estes os ingredientes que tornam temas como “Savagery” e “Sterile Hermaphrodite” obrigatórios em qualquer set da banda, este último com riffs que remontam ao “Odes To The Carnivorous”. 

O trabalho de guitarra é fenomenal onde os solos estão mais evidentes nas músicas de Grog que nunca, exemplo disso serão “Sarco-Eso-Phagus”, “Vortex Of Bowelism” e “...Of Leeches, Vultures And Zombies”. “Gore Genome” e “Gut Throne” e “Flesh Beating Continuum” são exemplos dos temas mais rápidos e sem piedade alguma em todo o álbum. A surpresa vem claramente no fim do álbum com o tema “Katharsis - The Cortex Of Doom And Left Hand Moon”, com a participação especial de Rui Sidónio (Bizarra Locomotiva) na voz, num tema pausado e ofegante, onde a meio da música se chega a um ambiente totalmente arrepiante, mas relaxante! Uma experiência singular, onde os Grog relembram que “em todos nós vive um monstro”.

“Ablutionary Rituals” é um álbum surpreendente que vem consolidar a carreira dos Grog ainda mais e onde a idade parece não abrandar a banda. O álbum foi editado pela Helldprod e Murder Records em CD Digipak e estar estará à venda nos locais habituais. O ano dos Grog não começou por aqui pois foram uma das bandas presentes no tributo a Simbiose “Simbióticos” com uma versão brutal do tema “O Seu Lugar” que serviu como que um aperitivo para o novo álbum.

2017 tem tudo para vir a ser um dos melhores anos de sempre no espectro metálico português onde um conjunto de bandas que emergiu nos anos 90 se prepara para lançar trabalhos novos, como os Grog que já lançaram, e os Sacred Sin, Holocausto Canibal ou Filii Nigrantium Infernalium que irão lançar. A onda de revivalismo não se fica por estas bandas, pois outros registos de nomes como Genocide ou Thormenthor irão ganhar nova vida e nós estamos cá, prontos para tudo!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Grog - Scooping The Cranial Insides

Os Grog já não são novidade para ninguém, pelo menos aqui no Blog, e já dispensam de qualquer tipo de apresentações. 10 anos depois do clássico “Odes To The Carnivorous” os Grog lançam “Scooping The Cranial Insides”, que é nada mais, nada menos, um dos melhores lançamentos de sempre no panorama mais extremo da música em Portugal, com edição a cargo da holandesa Murder Records e com distribuição por todo o mundo por diversas editoras/distribuidoras internacionais, já muito bem conceituadas no que toca ao Brutal Death e Grindcore. Destaque especial para o artwork do trabalho, extremamente sugestivo e repugnante! Mais uma vez explorando o lado mais negro e macabro do ser humano os Grog lançam um registo tão bom, que duvido que algo melhor no género tenho sido lançado em Portugal até hoje. Com uma qualidade fantástica, difícil de encontrar (até internacionalmente) dentro do género actualmente.

Como o Pedro Pedra disse na entrevista, os Grog deram um passo enorme face a todos os lançamentos efectuados anteriormente, a todos os níveis! Pessoalmente, estava à espera de um Grindcore intenso e brutal como o do Split CD com os PussyVibes e Roadside Burial, mas damos de caras um Brutal Death Grind de outro mundo, explosivo, nunca antes visto em terras lusas, como os próprios Grog afirmaram antes do lançamento do álbum! Brutalidade e caos, faixas completamente avassaladoras e com um poder enorme, é inexplicável, é como se fossemos atropelados por um camião, não há explicação, é um dos trabalhos mais insanos e obscuros de sempre: os guturais poderosíssimos do Pedra, os convidados especiais, as linhas do baixo do Alex, o baterista Rolando que é uma máquina, e os solos e riffs do Ivo funcionam numa sintonia perfeita (por vezes hipnótica) sem um elemento se destacar mais que outro, está tudo equilibrado, como uma autêntica orquestra, neste caso extrema.

O álbum inicia-se com uma introdução que é uma espécie de haka neo-zelandesa intitulada “Toia Mai (Haka Powhiri)”, bastante bem escolhida para este álbum, é bom inovar nas introudoções (normalmente é sempre alguém a morrer ou uma fala qualquer) . Logo a seguir, infelizmente, temos a faixa “Beyond The Freakish Scene”, que é na minha opinião uma das das faixas mais monótonas e enjoativas do álbum, apesar da brutalidade e violência, quem diz essa diz também “Acephalus Meatgrind Orgy Hibernation”, mas são as únicas. Destaque logo a seguir para “Split 3 To Share” com destaque especial para aqueles “gritos” de macacos, “Sphincterized (Materialized In Shit)” e a já famosíssima “Hanged By The Cojones”, com guitarras extremamente cativantes e poderosas, com grandes riffs cheios de tecnicismo (principalmente na primeira referida).

Para quem se tinha encantado com os temas da compilação lançada no ano passado, pode esquece-los completamente. Agora com uma produção “a sério” estas faixas são autênticos hinos de destruição sonora, desde a fantástica “Stream Of Psychopathic Devourment” à “Re-Reborn Monstrosity”, passando pelo orgásmica “Anal Core”, que num curto espaço de tempo se tornaram nas melhores faixas que os Grog compuseram até hoje. Realce especial para “Sicko” que é uma dos temas mais conseguidos, aquele rufo da bateria e o riff inicial são espectaculares, e claro, não nos podemos esquecer dos guturais dementes do Pedra, agora ainda mais coesos e variados. Destaque “10 Cummandments” e também para a faixa escondida, bastante diferente das anteriores, bastante agressiva e com algumas influências Punk que conta com vários convidados especiais entre os quais Sofia Silva e Mosgo (Simbiose), parece que se intitula de “Eskeletos De Kona” e fecha o álbum da melhor forma.

Há álbuns que pela sua dinâmica, qualidade e musicalidade marcam géneros musicais e países, “Scooping The Cranial Insides” é um deles. Os Grog têm de tudo para ser uma das melhores bandas de Grindcore do mundo, pelo menos em estúdio já mostraram isso… Contudo, são portugueses, o que não lhes é muito favorável para as “andanças” lá fora, ainda por cima sendo uma banda do subgénero mais extremo da música extrema. Veremos o que o futuro lhes trará, estou certo que será bastante risonho.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Entrevista: Grog

Os Grog iniciaram as actividades em 1991, já passaram 10 anos desde o último álbum de estúdio, podes-nos fazer um balanço da carreira dos Grog desde essa altura?
Pedra: Após a edição do Odes To The Carnivorous, os Grog foram alvo de uma série de acontecimentos que determinaram algumas mudanças, quer de formação, quer de disponibilidade para a banda. Ainda assim, após paragem intencional de 1 ano, entre 2006 e 2007, provocada pelo meu afastamento, para dar espaço e repensar a orgânica da banda, bem como para permitir o avanço de inúmeros aspectos pessoais de alguns elementos da banda, o balanço é muito positivo. Esta ausência de 10 anos é subjectiva e induz em erro porque pensa-se que os Grog simplesmente esvaneceram neste período, tornando-se aparentemente e estranhamente invisíveis para muitos. De facto esta última década foi marcada por um recolher introspectivo muito profundo da banda, porém, felizmente, nada disso se passou, dado que durante todo esse tempo, excluindo o da paragem, mantivemo-nos activos em concertos por Portugal e fizemos uma Tour em Espanha com Simbiose, Suhrim e Dead Infection. Mais, em 2005 marcamos presença no tributo a Misfits, lançado pela Raging Planet, com o tema “Death Comes Ripping” e sempre nos mantivemos dinâmicos na composição de novos temas. Se é que é necessário dizer, entre Junho do ano passado e Junho de 2011, os Grog consumaram o lançamento de 3 registos discográficos. Ou seja, em 1 ano, os Grog editaram mais edições que ao longo de qualquer período da sua carreira. Logo, estes resultados são produto de uma abordagem mais interior, que a banda assumiu, pelo que estamos muito satisfeitos e motivados para continuar a fazer o que gostamos.


Os vossos temas da Split com os Roadside Burial e PussyVibes estão muito diferentes do “Odes To The Carnivorous”, podemos considerar isso como um regresso ao Grindcore?
Alex: Acho que devido ao carácter das outras bandas que estão no Split optamos sem dúvida em escolher temas mais grindcore e “in your face” que tínhamos.
Pedra: Há que relembrar que os Grog se iniciaram no Grindcore, por isso esta inflexão não é terreno virgem para nós. Quando recebemos o convite para participarmos neste Split fomos integrados num espírito mais orientado para o Grindcore, dada a natureza musical das bandas PussyVibes e Roadside Burial. Assim sendo, e como o Alex disse, seleccionamos os temas que mais se enquadravam na filosofia deste registo e, sem preconceitos, foi isso que gravamos.


“Gastric Hymns Mummified In Purulency” é como um recuar no tempo na vossa carreira, com alguns temas inéditos ou outras versões de alguns já existentes. Este lançamento marca o regresso dos Grog às edições discográficas?
Pedra: Não. Este CD, cronologicamente, não marca o regresso às edições discográficas, o 3 Way Split sim, esse poder-se-á considerar o regresso dos Grog ao mundo das bolachas sonoras porque apesar de ter saído em 2010 foi gravado em 2009. Com o “Gastric Hymns Mummified In Purulency” foi diferente, embora este lançamento tenha sido pensado com alguma antecedência, para coincidir com o 18.º aniversário da banda, apenas foi realizado e lançado em 2010. Daí ser um CD com material de toda a nossa carreira, fomos mesmo ao baú cavar o mais fundo possível para podermos oferecer algo de novo para quem nos segue e gosta do que fazemos. Não é um Best Of, como já ouvi dizer e li, é mais uma edição comemorativa e representativa de um marco importante para a nossa existência, existência essa que tem um sabor especial para todos nós.


O Pedro Pedra (vocalista) é o único membro que está na formação da banda desde o princípio, achas que esta formação do Grog é a melhor que já tiveram?
Pedra: Os quatro actuais elementos da banda já estão juntos desde 2003, são 8 anos de convívio e de conhecimento mútuo. Juntos temos conseguido levar a banda a um outro nível não só musical como também pessoal. Somando tudo, tenho que concordar que sim, esta é a formação mais forte, mais cúmplice, mais responsável e mais ambiciosa que os Grog tiveram até hoje.


Neste momento os Grog têm apenas um guitarrista, querem manter a formação assim durante muito tempo?
Alex: Na realidade a formação de Grog sempre foi com uma guitarra, só com o “Odes To The Carnivorous” é que se acrescentou uma segunda guitarra. Neste momento sentimos que a formação actual é a que funciona melhor, mesmo ao vivo. Os temas novos e antigos foram compostos e arranjados de forma a serem tocados apenas por uma guitarra ao vivo sem perder peso. Claro que, na minha opinião, isso também só é possível quando se tem um guitarrista peculiar como o Ivo.
Pedra: A banda tal como está neste momento e face à abordagem musical que assume sabe que a questão do segundo guitarrista não é essencial, tal como o Alex afirmou, os Grog foram um quarteto durante a maior parte da sua existência e sempre chegaram a todo lado desta forma. Ainda que possam dizer que ao vivo faz diferença, todos sabemos que o que faz toda a diferença ao vivo é ter um bom som e isso, sim, nem sempre é fácil de se obter.


Preparam-se para lançar o terceiro álbum de estúdio. Neste momento quais são as vossas ambições em relação ao mesmo?
Pedra: Estamos muito satisfeitos com o novo disco, consideramos que demos um passo enorme face a todos os lançamentos efectuados anteriormente, a todos os níveis. Musicalmente, conseguimos levar o nosso som a um extremo que ainda não tinha sido atingido, ritmicamente, todos os elementos da banda elevaram-se e puseram a sua melhor prestação ao serviço da excelência, graficamente desenvolvemos uma imagem e um grafismo coerente com o conceito do álbum pelo que acreditamos que este disco seja o mais intenso e completo da nossa carreira. Consequentemente, sabemos que este disco não vai passar despercebido dentro do meio do Brutal Deathgrind. As ambições são, acima de tudo, tocar com mais frequência na Europa e poder espreitar outros mercados musicais, como o Americano e o Asiático.


Como decorreu o processo de gravação do álbum?
Alex: O álbum foi gravado nos estúdios MDL pelo pródigo André Tavares (Seven Stitches), e foi um processo calmo, nas melhores e mais profissionais condições. Acho que a nossa idade e experiência já quase que nos obriga a ter estes pequenos luxos. Os estúdios MDL é onde o André capta pérolas como: João Pedro Pais, Misia, Martinho da Vila, Susana Félix, e agora os Grog! O álbum levou-nos ao nosso limite de capacidade técnica como músicos e só alguém como o André é que conseguiria retirar o nosso máximo sem grandes stresses e sempre no melhor dos ambientes.
Pedra: Não há muito para dizer, é uma honra trabalhar com o André, depois de termos gravado o Split com ele, não conseguimos pensar em mais ninguém para esta tarefa. A aposta está mais do que ganha e sem qualquer tipo de excesso há que dizer que ele sabe exactamente o que faz e o que a banda quer.


A temática Gore sempre foi muito comum em todos os lançamentos da banda, parece que neste álbum esse tema está ainda mais repugnante, quem desenhou o artwork?
Pedra: Esta temática é desenvolvida desde o início da banda, foi a escolhida pelos motivos que muitos já conhecem, ou seja, abordam o lado obscuro do ser humano, através dos seus comportamentos, instintos, impulsos mais desviantes, levando-os a níveis mais próximos da ficção aberrante, sempre regados com uma grande dose de “nonsense” e humor negro. Fazemo-lo como uma forma de purga pessoal, transmutando o que de mais sombrio existe dentro de nós e à nossa volta e querendo fazer lembrar conscientemente a todas as pessoas que ainda há muito dentro de nós que contribui para estados alterados de consciência que, como tal, devem ser identificados e reconhecidos para prevenir males maiores. Com o “Scooping The Cranial Insides” não foi diferente, embarcamos numa profunda viagem ao cérebro reptiliano do Ser Humano em busca de paisagens que fossem reflexo disso. O conceito do artwork foi desenvolvido pela própria banda, mas traduziu-se no que todos já viram ou vão ver, na capa do CD e nas fotos da banda, através da mestria profissional e visceral da Carina Martins, que sem qualquer dúvida respondeu com o máximo de rigor e competência ao desafio que lhe lançamos.


Como surgiu o contacto com a holandesa Murder Records?
Pedra: Os contactos com a Murder Records resultaram do envolvimento deles no “Gastric Hymns Mummified In Purulency”. Para quem não sabe, a Murder records está sediada na Holanda, mas é gerida por portugueses, o Daniel Santos, com o apoio do irmão o Pedro Santos da Lucidistro. Sabíamos que queríamos colocar o CD num ponto central da Europa para beneficiar de outro tipo de visibilidade, além disso sabíamos que o Daniel já tem muitos anos de conhecimento do underground europeu e como tal fazia sentido este acordo. Entrámos em contacto com o Daniel e encetámos uma conversa. Depois disso, foi uma questão de tempo e de ajustarmos as condições do acordo.


O álbum vai ser distribuído por diversas editoras internacionais de Brutal Death e Grind, achas que isso vai contribuir, de certa forma, para uma maior divulgação dos Grog a nível internacional?
Pedra: A aposta na Murder Records foi essa mesmo, nos sabemos que temos um disco forte, a editora reconheço-o e isso coincidiu com objectivos comuns. Ambos queremos dar o passo para um outro nível, como banda e respectivamente como editora. O facto da distribuição do CD estar bem planeada sustenta as nossas intenções e é claro que todos desejamos levar os nossos nomes e respectivos trabalhos o mais longe possível. As condições estão criadas, as vontades alinhadas, por isso, acreditamos chegar onde for preciso.


Onde é que os Grog se sentem melhor a espalhar devastação e brutalidade? Em palco ou em estúdio?
Alex: Eu gosto das duas formas, uma sem a outra para mim não faz sequer sentido.
Pedra: Sem dúvida, Alex! São partes diferentes de um todo, por isso complementam-se. Fora isso, somos pessoas perfeitamente normais e não atacamos ninguém contra a sua vontade no nosso dia-a-dia.


Já há propostas para concertos lá fora?
Pedra: Recentemente tocámos em Espanha, porém de momento não há mais datas previstas fora de Portugal. Não obstante o presente, há intenções de fazermos algumas datas na Europa, de momento ainda não está nada definido, até porque o novo álbum só agora vai começar a circular nos mercados. Por isso, é aguardar pelos efeitos da promoção e distribuição, das críticas da imprensa especializada e do público.


Sendo tu (Alex) o baixista da banda, diz-nos quais são as tuas principais influências como músico?
Alex: Bem, sinto que sou influenciado por absolutamente tudo o que me rodeia, musica ou não. Musicalmente roubo toda a gente sem descriminar, desde da porcaria que oiço na rádio até às minhas bandas favoritas. Mas para não estar a dar uma resposta tão vaga e politicamente correcta, devo dizer que a época que para mim tem os baixos a desempenharem a função que eu considero correcta, é dos anos 70 para trás, em que o baixo não era uma frequência grave que preenchia espaços “lá atrás” mas sim o instrumento que fazia a ponte do mundo rítmico para o melódico com muito groove, era um instrumento cuja linha quase que definia a música toda. Acho que procuro um pouco isso como baixista, tento fazer com que o todo sobressaia melhor, nem que seja a dar só uma nota.


Qual é a vossa opinião acerca do panorama da música extrema em Portugal nos dias que correm? Sentem que ainda existe muita falta de apoios?
Alex: Penso que tenho a opinião contrária a todos, acho que em Portugal o underground até funciona bastante bem comparando com a maioria dos países. É certo que não há apoios, mas isso não é só para o Metal. Posso afirmar que é bem mais fácil ter uma banda de Metal e dar concertos com algum público, do que tendo uma banda de Rock, Reggae ou mesmo Hip Hop. Para esses géneros ou tens sorte e tornas-te um fenómeno de 15 minutos de fama ou então… nada, (óbvio que há boas excepções, estou a generalizar). Nós temos vários e cada vez melhores festivais e se formos a ver começamos a ter muita escolha semanalmente em termos de concertos. Podia ser melhor? Claro que sim, e por vezes é frustrante ver alguns concertos de boas bandas nacionais sem público e concertos de bandas internacionais que são uma porcaria com verdadeiras enchentes, mas é mesmo assim em todo o lado com todos os géneros.
Pedra: Nós temos uma cena boa, hoje em dia temos festivais com anos de experiência e responsáveis pela divulgação do metal nacional pelo mundo. Ao nível de salas, também é sabido que existe um circuito estruturado para o efeito e que com um pouco de visão se conseguem e condições razoáveis para se tocar. É óbvio que tudo isso não se consegue de um ano para outro, mas creio que há bons motivos para acreditar no que se faz e dedicar-se ao que se sente na música. Tudo se resume a seriedade e vontade de trabalhar e Portugal tem pessoas com esse perfil a todos os níveis do panorama da música extrema.


Por fim, querem deixar alguma mensagem aos fãs de Grog e a todos os leitores?
Alex: Adquiram o nosso novo álbum porque está uma verdadeira demolição em termos técnicos e apareçam nos concertos sempre que puderem!
Pedra: Obrigado pela oportunidade em nós dar a conhecer, João. O nosso álbum está aí para todos os fãs de música brutal, ouçam-no e comprem-no, estamos certos que vão gostar do que temos para vos oferecer. Felicidades para o blog e Grind On!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Grog - Gastric Hymns Mummified In Purulency

Envoltos em temáticas como a pornografia, sangue, carnificina, canibalismo e homicídios, os Grog ocupam um lugar de grande destaque no panorama da música extrema nacional, foram a primeira banda portuguesa a praticar Grindcore, estávamos no ano de 1991, quando Pedro Pedra (vocalista) e companhia decidiram criar uma banda muito extrema, ao estilo daquilo que se andava a tocar na Europa nessa altura, muito marcada por bandas como Napalm Death, Brutal Truth, Cannibal Corpse, Entombed e etc. Os Grog contam já com 20 anos de existência (com 2 anos de paragem: 2005-2006) e em 2010 lançam uma “relíquia” que se dá pelo nome de “Gastric Hymns Mummified In Purulency”, que se resume a conjunto de temas de Grog, de Demos e um EP lançados nos anos 90, versões diferentes das músicas dos álbuns (“Macabre Requiems” e “Odes To The Carnivorous”), assim como algumas músicas ao vivo e outras nunca antes ouvidas.

Grindcore agressivo e sujo (da altura do “Macabre Requiems”), com muito Brutal Death Metal (do tempo de “Odes To The Carnivorous”) a juntar a uma temática Gore com temas líricos psicopatas e macabros alusivos a mortes, carne, sangue, canibalismo, etc. Tudo isto a juntar a uma brutalidade e técnica incríveis, riffs guitarras demolidores, grandes solos, guturais graves ou vozes rasgadas (e por vezes vomitadas), uma bateria muito agressiva com a presença constante de “blast beats” que dão origem a uma velocidade e uma violência sonora incríveis.

Destaque inicial para as faixas “Anal Core (Intro)” e “Stream Of Psychopathic Devourment”, gravadas em ensaios da banda em 2004, ambas, a serem editadas “a sério” no próximo álbum de estúdio. De “Sado Masoquist Butchery” até aos clássicos “Cannibalistic Devourment + Blood In My Face”, somos confrontados (mais uma vez) com uma brutalidade e destruição sonora de faixas gravadas em 1996. Destaque para os três covers (faixas 10, 11 e 12), de Misfits, Agathocles e Extreme Noise Terror. Da 13 à 16 temos o EP “95 Stabwounds In Your Throat”, ao vivo, de uma edição em 7’’ de 1995 (muito bom para quem não tem a oportunidade de ter o original nas mãos, o que não é o meu caso). Até ao final temos 11 faixas ao vivo, representantes de um pouco de toda a discografia, destaque claro, para “Dead Art Collector (Live)”, “Cult Of Blood (Live)” e “Necrogeek (Live)”, retiradas de “Odes To The Carnivorous”, e como não poderia deixar de ser, “Monstrous Anatomic Deformation (Live)” e “Cannibalistic Devourment + Blood In My Face (Live)” do fantástico “Macabre Requiems”.

A produção de alguns temas acaba por não ser a melhor (nem é para ser), estamos perante material raro e inédito, gravado em ensaios, pequenas sessões de estúdio e concertos. É um CD que qualquer fã de Grog tem de ter nas mãos, que, neste momento, serve de aperitivo para o terceiro álbum de estúdio da banda a sair nos próximos dias. Até lá, “In Grog We Grind”.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Grog / Roadside Burial / PussyVibes





















Todos sabemos que no mundo do Grindcore é muito comum as bandas lançarem Splits, e essa ideia tem-se vindo a verificar cada vez mais. Lançado pela editora australiana Grindhead Records este CD une dois grandes nomes do Grindcore nacional: Grog e PussyVibes, e como não poderia deixar de ser uma banda australiana chamada Roadside Burial, não conhecia antes de ouvir, fiquei estupefacto, mas já falo disso mais lá à frente, os temas são os típicos de Grindcore: Pornografia, Gore, Satanismo (embora pouco) e humor à mistura, a capa é muito original assim como o booklet do CD com gajas nuas e máscaras químicas, são 21 temas de Grindcore que nos perfuram o Cérebro e nos levam a um desgaste nervoso!

Depois daqueles últimos anos virados para o Brutal Death, os veteranos Grog regressam às origens e oferecem-nos 6 bujardas de Grindcore/Goregrind que um gajo fica completamente alucinado: “Fellowship Of The Shaved Balls” é um Grindcore mais agressivo que o “sei lá o quê”, uma música muito extremamente rápida e pesada, depois temos “Ass Sapiens” uma malha com muitas influências de Thrash Metal, “Alive & Bottled” e “Vaginal Teen Grind Fluids Makes Us Groove” são mais duas grandes músicas diabólicas de Grindcore típico, e para acabar a parte reservada aos Grog, vem um cover dos veteranos do Thrash Metal: Nuclear Assault a música chama-se “New Song”.

A seguir, vêm os “monstros” oriundos de Sidney: Roadside Burial, um Grindcore com algumas influências de Black/Death Metal, notam-se inspirações de Napalm Death, são 9 músicas de Grindcore enlameado de morte, muito pesado, a voz é muito grave e as guitarras são muito violentas, gostei muito das seguintes músicas: “Shack Of Amputation”, “Pick-Axe Coma” e “Med Head”, foram uma surpresa para mim, foi uma banda que fiquei a conhecer com este lançamento.

Por último vem o que me surpreendeu mais nesta colectânea, os PussyVibes, formados em 2000, embora só tenham lançado o primeiro álbum em 2009, são uma banda que tem muito para dar, vê-se que andaram na verdadeira “escola” do Grindcore, as influências de Carcass (ao princípio, na fase do “Reek Of Putrefaction”) e Dead Infection são muito evidentes, apesar de falar das influências não quer dizer que não sejam originais, muito pelo contrário, acho-os uma banda espectacular e com um grande espírito para “inventar”, essa ideia de inventar vê-se nas introduções e finais de cada tema tiradas de filmes e etc. De referir que há uma grande mistura nas vozes: Nelson Cravo e Bruno. São 6 temas muito bons para acabar com esta longa estrada de músicas que nos perfuram o Cérebro. Nas músicas de PussyVibes, além dos temas tradicionais do Grindcore ainda podemos encontrar músicas sobre extra-terrestres, nomeadamente marcianos! As faixas que me atraíram mais foram: “The Martian Invasion”, “Devil Girls From Mars” e “Hardships Of A Martian Lover”.

É uma competição muito renhida, temos que destacar todas as bandas, muito boas, cada uma à sua maneira com as suas influências, na minha opinião a banda que se destaca mais são os PussyVibes, mas é claro que isso depende do gosto de cada um. Acho que qualquer fã de Grindcore nacional ou mesmo internacional devia ter isto bem guardado na sua colecção, esta Split tem tido muitas críticas positivas lá fora e cá dentro,  um elemento indispensável!