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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Entrevista: Medo

Como é que surgiram os Medo e o que significa esta banda?
Os Medo surgiram no inverno de 2006 num local secreto, onde são praticados regularmente, rituais negros. Medo significa para nós, a experimentação da essência mais pura do Black Metal, esta filosofia obscura é que nos guia através do nosso modo de vida, e da maneira de ver o mundo!


Porquê manter todo este mistério à volta banda? Não mostrar as caras, não dar concertos…
Assim que foi criada a banda, também foi necessário criar as duas novas entidades para nós, e assim se fez… Medo I e Medo II são agora os nossos alter egos. É assim que nos apresentamos ao mundo, trajados com as nossas vestes cerimoniais. O mistério faz parte da essência da banda… E não poderá ser revelado.


No futuro há a possibilidade dos Medo actuarem ao vivo? Se, sim, já têm uma ideia de como será?
É talvez das perguntas mais feitas nas entrevistas a Medo, mas devemos já esclarecer que dentro de um futuro próximo não seremos vistos num palco, e se alguma vez actuarmos ao vivo, irá ser um concerto inolvidável, com várias componentes cénicas e teatrais complementadas com uma grande produção e músicos convidados, isso serão as condições ideais para a nossa aparição ao vivo. Para já está fora de questão.


Recentemente lançaram “Matéria Negra”, o vosso segundo álbum. Houve uma grande evolução em relação ao primeiro. Quais foram as principais diferenças na produção e gravação dos dois?
Existiu um espaço de tempo entre o álbum “Fantasmasis” e o “Matéria Negra” suficiente para nós tiramos conclusões necessárias e tentamos melhorar corrigir alguns aspectos neste último trabalho, a nossa música amadureceu, e com isso a produção também, mas sem nunca perdermos a essência nem a identidade da banda.


Depois de várias audições bem atentas do álbum, mudariam alguma coisa nas músicas?
A obra foi concluída, se tivéssemos de mudar algo era porque o resultado final não nos satisfazia, o que não é o caso.


Apesar de ser superior ao primeiro álbum, acho que era um trabalho que merecia uma produção melhor. Nunca pensaram em pôr as músicas nas mãos de um produtor mas “a sério” ou acham que assim se iria perder a essência característica dos Medo?
A nível de produção o “Matéria Negra” está bastante satisfatório, denota-se uma evolução grande para o primeiro, é claro que o objectivo é sempre melhorar em todos os aspectos. Caso for necessário e haja condições para tal, não descuramos a hipótese de pôr as músicas na mão de um outro produtor ou estúdio. O mais importante é não perder a essência dos Medo e continuar a fazer a música que tanto nos caracteriza.


Um dos melhores temas do álbum é cantado em inglês. É algo a apostar num próximo lançamento?
“You Will Never Burn All The Witches” é um tema poderoso que resultou muito bem, mas uma coisa é certa, a base lírica da música dos Medo irá continuar a ser cantada e narrada em português, se teremos um ou mais temas em inglês no próximo álbum, ainda não está pensado nem decidido, as coisas em Medo surgem de uma forma natural e não forçada.


Se a parte lírica é importante numa banda, então nos Medo nem se fala. Onde é que vão buscar inspiração para escrever os temas?
Sim, de facto a parte lírica em Medo torna-se tão importante como a música. Muita da inspiração é baseada no desconhecido, na história, em crenças populares, nas lendas, no oculto, em rituais… A outra parte é inspirada em visões diabólicas, interpretadas por vezes de improviso durante a gravação, como é o caso da “Mistério Da Nau Da Morte”.


A narratividade é um factor bastante importante a realçar neste álbum, em que livros se baseiam?
A maioria das faixas é idealizada de acordo com um determinado tema que queremos abordar e é desenvolvido entre nós. No “Matéria Negra” usámos, no quarto tema, um dos rituais de magia negra do livro de S. Cipriano, e o último tema do álbum, foi transcrito do livro de exorcismos Católico “Rituale Romanum” o único ritual formal para exorcismo sancionado pela Igreja Católica Romana até finais do século XX.


Já se encontram a compor material para o próximo álbum? Se sim, o que podemos esperar dele?
Sim já existe algum material instrumental composto, e várias ideias na forja. Não vamos para já revelar muito mais, mas será algo bastante intenso e obscuro, e uma evolução em todos os sentidos sobre os anteriores trabalhos. Vamos continuar a exorcizar os mais profundos dos medos…


Por último querem deixar algumas palavras?
A todos os mortais que nos ouvem, procurem a mensagem subliminar por entre músicas do Medo!

segunda-feira, 21 de março de 2011

(aura) - Invisible Landscape

(aura) é um projecto Experimental/Ambient do músico e produtor português André Fernandes. Esta aventura musical é uma entidade multi-existencial onde a fusão entre vários géneros e emoções se desenrolam num espectro experimental de liberdade total. O álbum de estreia “Invisible Landscape”, é um trabalho conceptual que explora o imaginário do trabalho fotográfico de José Ramos. Para este projecto foram escolhidas dez fotografias do referido autor cuja ordem cronológica serve de cenário para dez músicas (capítulos) que se mascaram de banda sonora imaginária que insere uma nova dimensão há já riqueza das imagens. Deste modo cada receptor é convidado a traçar o seu guião a partir da música e dos cenários.

Depois de ter tido um lançamento limitado em formato digital, pela Abutre Netlabel, em 2008, este álbum foi editado em CD recentemente pela conceituada editora romena de música Experimental: Valse Sinistre, que conta com artistas nas suas fileiras como Deep-pression, Isa, Hypomanie, Funeral Veil, Bardo, Landscape, etc.

(aura) é um projecto bastante inovador no nosso país, com atenção também para o trabalho fotográfico de José Ramos que se encaixa na perfeição com a audição destes temas, este projecto acaba por ser uma interpretação das fotos através das músicas. “Invisible Landscape” é um trabalho bastante experimental, ambiental, emocional, imaginário, e por vezes hipnotizante. O experimentalismo do projecto é muito variado, vai desde o Pop Rock ao Industrial, passando pelo Doom e pelo Post Rock, com ambientes díspares e uma variedade musical extraordinária marcada pelo uso dos mais variados instrumentos, tanto clássicos como modernos. É um álbum marcado pelo uso do piano, pelos pequenos riffs de guitarra, pelos samples e sons electrónicos, e pelo som da natureza retratado nas fotos (chuva, mar, aves, etc.). Não é possível destacar faixas, todo o álbum é fantástico e funciona como uma faixa só, posso dar realce às faixas: “Vacuity”, “Katharsis”, “The Faith Woods” e “The Frozen Enchant Of Warmth”.

“Invisible Landscape” é um trabalho bastante interessante e muito bom, com muita qualidade, originalidade e técnica. É um álbum que se torna cada vez mais agradável e relaxante com o número de audições. Altamente aconselhável para apreciadores de sonoridades experimentais/ambientais e Post Rock.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Medo - Fantasmasis

Os Medo são uma banda portuguesa de Black Metal, formaram-se em, 2006, mas é melhor dizê-lo por outras palavras, como reza a lenda: “formados no ano de 2006, duas almas tomam neste projecto as entidades de Medo I e Medo II… Medo não se manifesta ao vivo”. É um Black Metal à antiga, passando algures entre Venom, Emperor e Mayhem e arriscando partes mais ambientais e experimentais como Burzum. Em 2008 lançaram uma Demo homónima com 4 temas presentes no álbum que estaria para vir no ano seguinte. A edição do primeiro álbum “Fantasmasis” ficou a cargo da Axe Farm, saiu num CD limitado a 100 cópias numeradas à mão, e parece que a produção (o livrete e etc.) é bem jeitosa.

Como já disse, é um Black à antiga um pouco ambiental e fantasmagórico, é assustador (com o nome Medo, nem fazia sentido não meter medo), melancólico e com alguns riffs bem potentes. Medo I, aka Koraxid (Mass Brutality, Trevas, ex-Vizir, ex-Vanadyum), fica a cargo da bateria, guitarra e sintetizadores, a composição literária e a voz ficam a cargo de Medo II, aka Hellraiser (Vizir, ex-Vanadyum, Horrível). Como não poderia deixar de ser, neste álbum temos convidados especiais, destaque para O Grande Cabrão (foda-se, que nome), cujo serrote musical nas músicas “Valsa Dos Finados”, “O Eremita” e “Aparição” dá um ambiente fantasmagórico único, um Dark Ambient em que os Medo deviam apostar bastante, mesmo a meio de temas mais agressivos, que muitas vezes são momentos mais bem sucedidos que algumas partes de músicas mais pesadas. No baixo, na música “Caixão De Prata” temos H.F. (Hélio Fodas dos Vizir), outra faixa mais ambiental e experimental. O excelente som da cítola na música “O Dependurado” fica a cargo de Alfonso, mais outra tema instrumental excelente.

Para começar o álbum temos a música “Medo” um excelente tema, com um destaque bem especial para a guitarra, a letra e a voz fantástica, com uma pitada a puxar para o Black ‘n’ Roll. “Catacumbas” é talvez a melhor faixa ambiental de Medo, em que a melancolia, o medo e uma letra arrepiante se juntam para formar uma música assustadora única. “Fossas Abissais” é muito provavelmente a melhor faixa do álbum, com um início lento que rapidamente acelera, mais tarde, adicionando a grande voz de Medo II, a letra fantástica e a bateria brutal de Medo I à Mayhem abusam muito neste tema, não esquecer das partes finais da música cuja letra é recitada quase de forma litúrgica por Medo II. “Criatura” é o tema mais frio, sóbrio e cru de todo álbum, com uma guitarra bem distorcida e um solo de fundo espectacular. “Fantasmasis “ e “Aparição” são talvez as músicas mais sujas e cruéis de todo o álbum, que na minha opinião deviam ter um som mais “cheio” com uma melhor produção e masterização e adicionando alguns samplers e mais sons assustadores, pronto, se calhar o conceito do som mais “cheio” vai para a “Fantasmasis”, destaque para o grito de Medo II e para os samplers na “Aparição”. “Amaldiçoado” é a faixa mais Burzum de todo o álbum, super ambiental e hipnótica, destaque especial para os poemas de Medo II e os sintetizadores de Medo I.

Medo, é um dos melhores projectos de Black Metal de Portugal, este álbum peca apenas por uma produção frágil, a originalidade e o talento estão lá, é o que é preciso, mas não é só isso. Apostar numa melhor produção é apenas o que falta a esta banda. Escusam de perguntar pelo álbum porque (com muita pena minha) se encontra esgotado. É pena que estes senhores não se “manifestem” ao vivo, tenho a certeza que dentro de poucos meses de actuações se iam tornar numa das melhores bandas portuguesas de Black Metal ao vivo, iam se tornar numa banda com um grande culto. Parece que em breve está para vir um novo álbum, agora resta-nos esperar por mais um trabalho destas duas almas!