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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Entrevista: Legacy Of Cynthia

Os Legacy Of Cynthia são uma banda relativamente recente, a vossa aventura musical está agora a começar. Como foi o vosso percurso até aqui?
Apesar de a banda estar a dar os primeiros passos em termos de exposição e de se dar a conhecer ao público em geral, todos os elementos que fazem parte do colectivo Legacy Of Cynthia contam com um passado muito rico e diversificado em termos musicais. A fundação da banda teve como ideia base a liberdade criativa e de expressão artística de todos os membros. Não criámos a banda com o propósito de nos inserirmos em determinado subgénero, quisemos antes deixar “campo aberto” para nos podermos soltar em termos de liberdade criativa e isso acabou por resultar no tipo de sonoridade que praticamos. Foi assim que “nascemos” e é assim que pretendemos continuar.


De onde vem o nome “Legacy Of Cynthia”?
Os Celtas apelidavam a Serra de Sintra como “Cynthia”, em devoção à lua, e esse nome foi sobrevivendo ao longo de vários séculos, até chegar aos nossos dias. Todos os elementos que compõem a banda têm raízes em Sintra, local com o qual têm uma profunda ligação. Para nós faz todo o sentido a banda estar unida a uma localidade que de certa forma influenciou as nossas vidas e que é por natureza tão mística e misteriosa. Esse misticismo presente em Sintra, e na própria lua, serve como que de background para uma viagem que acreditamos existir no nosso som.


A vossa sonoridade é muito diversificada, consegues definir um género?
Sinceramente não nos preocupamos com rótulos e em nos encaixarmos num determinado catálogo que defina o que fazemos. Talvez isso até fosse prejudicial para o nosso trabalho, pois iríamos estar focados em atingir e agradar um determinado público-alvo. Como deves ter reparado o nosso som divaga por várias paisagens sonoras, abordando uma vertente mais ambiental, quiçá menos directa, onde exploramos muito a melodia, mas também temos fases em que destilamos a energia de forma abrupta e mais pesada. Não nos incomoda que nos cataloguem com este ou aquele rótulo, porque no fundo não será isso que nos desvia do nosso principal objectivo, que é fazer canções envolventes e carregadas de sentimento.


Quais são as vossas principais influências musicalmente?
Do mais variado que possas imaginar. Somos suficientemente ecléticos para não ouvirmos e apreciarmos apenas um tipo de som. Se calhar a base de todos os membros da banda é o Metal, mas mesmo aí os gostos são muito diversos. Ouvimos de tudo um pouco, dentro e fora do Metal, e por exemplo enquanto eu estou a ouvir um álbum de Nick Cave outro membro da banda pode estar a ouvir na mesma altura um disco de Slayer.


Quais são as vossas inspirações a nível lírico?
As letras das músicas abordam várias temáticas. Tanto podem metaforizar, recriar ou desconstruir uma obra literária como Romeu e Julieta de Shakespeare, no caso da música “Juliet”, como podem ter uma conotação mais pessoal, ou serem simplesmente estórias que construímos na nossa mente. A grande beleza do conteúdo lírico de uma banda é quando as pessoas que a ouvem se identificam com determinada letra e pensar “eh pah… isto é mesmo a minha vida”, ou “eu vivi exactamente esta cena”… É essa porta que queremos deixar aberta ao ouvinte… Para que ele também possa fazer parte da nossa viagem.


Vocês são a mais recente aposta da Avantegarde, como surgiu a ligação com a mesma?
A ligação surgiu de forma bastante simples e genuína após umas primeiras conversas com eles. Hoje há interesse de ambas as partes para que esta relação seja a mais proveitosa possível e que se consiga levar o trabalho da banda o mais longe e mais alto possível. Quando trabalhas com pessoas profissionais, sinceras e de uma entrega extraordinária é fácil chegar a um ponto de vista comum sobre os passos que devem ser tomados.


O vosso EP “Voyage” é bastante sólido e variado, como decorreu o processo de gravação?
Antes de tudo foi um enorme prazer trabalhar com o Rui Danin, no Trigger Studio. A gravação foi feita de forma faseada pois o Rui vive em Santa Maria da Feira e nós em Sintra. Mas isso acabou por ser benéfico, pois ele ia enviando “rough mixes” do que íamos gravando e nós cá em baixo fomos vendo de que maneira se podia fortalecer ainda mais os temas. Foi um processo demorado mas que, na nossa opinião, valeu a pena. O Rui Danin é uma pessoa que conhece bem os elementos da banda e que sabe puxar por eles para que consigam dar o melhor que têm, e estávamos a gravar em casa… Foi tudo feito num ambiente familiar.


Porquê de dois vocalistas?
A aposta em duas vozes acabou por ser natural, visto que o Peter e o Charlie já trabalham juntos há muitos anos. O facto de terem timbres muito distintos permite-nos abordar um determinado riff com diversos tipos de harmonias e linhas vocais que normalmente seria apenas destinado a uma só forma de cantar. É isso que eles tentam fazer, explorar e deambular numa malha tentando descobrir nela diferentes sensações, transpondo depois isso para a voz.


Como é que tem sido a recepção do público e da imprensa, ao EP de estreia?
As reacções têm sido muito positivas e às vezes para nós ainda é tudo muito surpreendente. Apesar de acreditarmos no nosso trabalho não estávamos à espera de uma recepção tão boa, até porque a sonoridade talvez não se encaixe num subgénero. A imprensa em geral tem revelado uma excelente receptividade ao nosso trabalho, o que nos agrada, pois hoje em dia o panorama nacional está recheado de enormes valores e é bom saber que o que temos feito é de apreciado pelos media. Mas o público tem sido o nosso melhor barómetro, do qual temos recebido muitas palavras de apreço e de satisfação pelo trabalho que temos feito até aqui. Aproveitamos para agradecer a todos o apoio que nos têm dado.


Já se encontram a compor material novo para um próximo lançamento?
Sim. Já temos uma quantidade de temas novos e continuamos a compor. É isso que de certa forma também nos alimenta… O desafio constante de criar e de nos superarmos na próxima música que vamos escrever.


Para quando concertos ao vivo?
Neste momento não temos nada agendado, apesar de termos algumas coisas alinhavadas mas que carecem de confirmação. Brevemente contamos anunciar algumas datas.


Por último, querem deixar alguma mensagem aos fãs?
Nunca é demais agradecer a quem nos tem apoiado e a quem não nos conhece que pedimos que visitem o nosso MySpace ou Facebook, comentem e fiquem a par do nosso trabalho e de algumas novidades que contamos revelar em breve.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Dark Wings Syndrome - Arcane

Os Dark Wings Syndrome são uma banda portuguesa de Guimarães, praticam um Progressive Rock com muitas outras influências, do Goth Rock ao Industrial, passando pelo Metal e pelo Alternative Rock. Nasceram das cinzas dos The SymphOnyx e em 2010 lançam “Arcane”, o álbum de estreia com 10 temas cheios de nível e musicalidade, a edição e distribuição ficou a cargo da nacional e independente Ethereal Sound Works, foi misturado e masterizado no Ghostward Studio por David Castillo, que já trabalhou com bandas como Opeth, Draconian, Katatonia… Saiu em CD normal e também numa edição especial com um CD bónus com 5 remixes dos temas do álbum, tudo foi feito da forma mais profissional, começando logo pelo fantástico artwork.

É um álbum de estreia marcado pelos inúmeros convidados especiais: Nera (Darzamat) vocais em “Free-Flowing”, Johnny Icon (Icon & The Black Roses) voz em “Hadred/Ódio”, Susana Silva vocais em “My Silence”, Davide Tiso (Ephel Duath) guitarra adicional em “… In Hades (Pt. 1)”, Miriam Renvåg (Ram-Zet) voz em “… In Hades (Pt. 1)”, Ernesto Guerra (Heavenwood) vocais na “In My Crystal Cage”, Hugo Correia (Fadomorse) arranjos orquestrais e programações “In My Crystal Cage”, Artur Fernandes (Danças Ocultas) acordeão diatónico em “Unknown Pleasures” e Karolina Vel Death (Skeptical Minds) vocais em “Unknown Pleasures”. Todas as letras foram escritas por Barros Onyx, o vocalista, e os arranjos musicais foram feitos por Rui Ferreira e Tiago Machado.

“Arcane” é um álbum extremamente rico em estruturas rítmicas e grandes melodias, marcado pela intensidade das guitarras, pela criatividade das teclas e pela variedade musical bem distinta em cada tema. A primeira música é muito boa, intitulada “Free-Flowing” com um instrumental espectacular a juntar ao dueto de Barros Onyx e Nera na voz. “Hatred/Ódio” é uma semi-balada triste com muitas mudanças de ritmo, com a voz fantástica de Barrox Onyx quer no verso “normal” quer no refrão com efeitos, é um tema marcado pela intensidade da bateria e da guitarra, destaque para a parte final da música com a voz de Johnny Icon a cantar o verso “To close my eyes” que dá uma intensidade única e inexplicável ao tema. A espectacular “Spiritual Emotions” foi muito bem escolhida para o primeiro single, é uma música excelente com a voz melódica de Barros Onyx e com um instrumental absolutamente fabuloso, assim como o sentimento nostálgico incrível que sente desde o princípio do tema, com um verso lindo “A waterfall of dreams bursts into my mind”.

A quarta faixa do álbum é um cover dos Depeche Mode intitulado “It's No Good”, um tema muito bem tocado e cantado que até aprecio mais que a versão original, este tem aquele “toque” de Dark Wings Syndrome único. “My Silence” é uma semi-balada muito sentimental, extremamente intensa, com um sentimento melancólico e de um arrependimento passado. “... In Hades (Pt. 1)” é a faixa mais alternativa de todo um álbum, é rápida e pesada, com uma sonoridade (mais a nível vocal) a desviar para o Industrial. “In My Crystal Cage” é outra excelente faixa que conta com a participação de Ernesto Guerra, mais precisamente a fazer a voz gutural, é pesada e marcada pela presença de uma orquestra. “The Prey” e “Unknown Pleasures” são duas faixas boas, mas que não apreciei tanto como as outras, destaque para a primeira, outra semi-balada muito sentimental e distinta pela presença do órgão de igreja.

“Arcane” foi um álbum que saiu em 2010 mas só tive oportunidade de comprar este ano, se soubesse que era tão bom tinha corrido às lojas assim que saiu. Os Dark Wings Syndrome são na minha opinião uma das melhores bandas portuguesas da actualidade, lançaram um primeiro trabalho absolutamente espantoso que merece ser reconhecido internacionalmente e parece que isso está para breve…