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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Entrevista: Darkside Of Innocence

Acho que devíamos começar com aquilo que mais me intriga e a quem já ouviu falar da banda… Quem é Sophia?
É uma pergunta à qual a resposta ganha cada vez mais evidência e clareza na minha concepção. Sophia para além de ter uma definição mais ambígua que me permite vaguear, é especificamente uma entidade abstracta e transcendental, que agrega em si, um sistema de saber muito direccionado para a compaixão, compreensão e tolerância perante toda a vida que é senciente à dor e ao prazer. É um vírus que se alastra cada vez mais freneticamente na presciência colectiva da humanidade, à medida que os epistemas de facto e a tecnologia avançam, fazendo-nos atingir um entendimento e identificação perante todos aqueles capazes de experienciar o fenómeno da vida. Sophia é igualmente o carácter mobilizador e unificador presente em nós, que nos faz querer alcançar a singularidade.


Apelidam o vosso género de Gnostic Metal. Porquê?
O género gnóstico representa toda a filosofia inerente à concepção da doutrina de Sophia. Sendo que este projecto é uma reflexão dependente desta ideologia, parece-me pertinente dar-lhe uma identificação que faça jus à arte feita.


Ocorreram várias alterações no line-up e “Xenogenesis” apresenta uma sonoridade bastante diferente em relação ao álbum anterior. Já estavam a compor material diferente antes das saídas da banda ou foi devido às alterações que apostaram numa nova sonoridade?
De facto apresenta muitas diferenças e até agora, não me parece que vá haver estagnação ou confinação num género estrito. Sempre compusemos material diferente. As entradas e saídas, com certeza que influenciam bastante o rumo que damos à música, mas essas constantes alterações devem-se essencialmente à minha natureza de ser inconformista para com aquilo que me rodeia. Não me encontro em lado nenhum, sem ser nos sentimentos díspares. Agarro-me apenas àquele riff tenebroso, àquele acorde dissonante ou na melancolia de uma sequência melódica mais trágica sem pensar que sou feito daquilo e, talvez seja esse o motivo possível para tanta heterogeneidade. Não somos nada, mas podemos ser tudo.


Que outras consequências trouxeram as alterações? Sentiste nalgum momento que o projecto podia acabar?
Sim, mas o único pesar para mim, sempre fora imaginar a saída do André, antigo guitarrista/compositor e membro original, que veio a concretizar-se há quase um ano. No meio de tanta alteração, nunca me fez muita comichão fazer modificações de line-up para que os objectivos propostos fossem atingidos, porém com o André era bastante diferente. Digamos que a relação musical era tão forte e fluída, que eu pensei que jamais o projecto fizesse sentido sem ele. Temi que aquando da sua partida - por algum motivo - não haveria mais razão para continuar em frente. Todavia, o mundo avança e felizmente consegui adaptar-me e começar a desempenhar as funções que ele tinha no projecto - o que me valeu a salvação dos Darkside Of Innocence. Por conseguinte, existiram muitas consequências e em suma, foram quase todas positivas a meu ver. Evitei por exemplo o colapso e entrei numa era que penso ser de prosperidade.


Para além de terem mudado muito musicalmente, visualmente também se alteraram algumas coisas. Anteriormente apresentavam um visual mais negro e sombrio, em fotos, vídeos e promos. Agora é tudo mais simples, espiritual e pessoal. Iniciou-se um novo ciclo em Darkside Of Innocence?
De todo. É um novo ciclo e um renascer glorioso que nos confere maior maturidade, mais convicção sobre aquilo que somos sem nos desprendermos demasiado daquilo que os Darkside Of Innocence acabam por ser. É um fato confortável, renovador e bem mais moderno que nos inspira e faz respirar à vontade.


Os sons electrónicos foram outra grande aposta neste trabalho, porquê?
Não tanto como gostaria sinceramente. Esta novidade foi apenas a introdução a algo que é emergente à adaptação de Darkside Of Innocence no mundo artístico. Podes esperar por algo muito mais presente a esse nível futuramente.


Liricamente o que aborda o novo álbum?
É um álbum que conceptualmente faria alusão à transcendência do ser humano espiritualmente. Hipoteticamente seria a nossa chegada a um estado de singularidade e prosperidade social, em que todas as espécies são parte de um uniforme homogéneo através do contacto com Sophia. Mas, isto - ainda que seja a descrição da capa - seria se realmente o álbum seguisse esta linha conceptual. Não é totalmente o caso. No álbum temos o escrutínio de várias questões existenciais que quis analisar e expressar de uma forma um tanto ou quanto poética. Desde o niilismo puro e duro, às motivações do ser animal para sobreviver.  


Estão planeados concertos num futuro próximo?
Vão-se fazendo alguns planos a longo prazo, mas nada de muito concreto porque esta é uma fase delicada em que ainda é necessário retocar muitos pormenores essenciais de forma a que um bom espectáculo possa ser apresentado.


Porquê a Infektion Records a editar este trabalho? 
Ainda que não tenha procurado muito, foi de facto a única interessada em editar o trabalho e a oferta agradou-me bastante. Penso que pôs o projecto a andar um pouco numa fase muito instável da banda. Adoro trabalhar com o Joel e é possível que possas ver uma parceria muito mais ambiciosa entre os Darkside Of Innocence e a Infektion, futuramente, o terceiro álbum possivelmente.


“Infernum Liberus EST” chegou a obter edição física como se pode obter uma cópia?
Podes visitar e procurar no eBay, ou contactar a Grailight Productions para esse efeito.


Por último… Uma mensagem final.
Muito obrigado pela entrevista.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Darkside Of Innocence - Xenogenesis

Passaram 3 anos desde o lançamento do poderoso “Infernum Liberus EST” e a banda de Sintra está de volta com um novo trabalho, “Xenogenesis”, pelo meio ficam as edições digitais do Single “Cerberus” e do EP “Lux Omega” (todo instrumental e ambiental). Outros factores importantes a mencionar: o caminho difícil que a banda atravessou ao longa da sua existência e recentemente, o facto de a banda ter ficado reduzida a um elemento, Pedro Remiz, neste momento estamos perante uma “one man band”, em contrapartida, houve uma grande evolução musical em relação ao registo anterior! “Xenogenesis” está mais íntimo e pessoal, talvez pelo facto de ter sido apenas uma pessoa a compô-lo, claro, com a ajuda de algumas pessoas.

Apesar da instabilidade na formação os Darkside Of Innocence não se perderam nada, evoluíram bastante neste álbum. Se o álbum anterior era Cradle Of Filth e Dimmu Borgir chapado, agora temos uma banda completa renovada, com um som muito mais fresco e próprio. Será que este Black Metal bastante progressivo, melódico, tenso e com algum Jazz é o tal Gnostic Metal que eles tanto afirmam como sendo o seu género musical? Parece-me que sim! Está mais sinfónico que o anterior… Muito mais complexo… Muito progressivo com muitas mudanças de ritmo, tem mais riffs de guitarra, e claro, atmosferas… Ambientes atmosféricos sombrios e inóspitos foram a grande aposta neste trabalho e na minha opinião é isso que torna “Xenogenesis” um álbum tão bom e tão especial.

São apenas 27 minutos de música e o álbum inicia-se com “Lux”, uma pequena introdução apenas instrumental e até aqui, nada de especial. “Airian” é o nome do tema que se segue, bons riffs de guitarra, voz arranhada… Importante a destacar aquele ambiente mais atmosférico e angelical (com voz feminina) pouco depois do início do tema. “Dulcifer Tragoedia” é o grande tema do álbum, com uma introdução de piano propositadamente e rapidamente interferida por sons electrónicos que rapidamente dão lugar a uma guitarra e voz bastante agressivas… Porque é que é o grande tema do álbum? Pelo clima único criado por todos os instrumentos e vozes que nos proporcionam uma sensação inexplicável como já tinha sido feito no grande tema “Act V.I - In Nomine Dementia” do álbum anterior… Os guturais, os riffs de guitarra, o ambiente sinfónico criado pelos samplers, aquele solo de baixo, as spoken words acompanhadas por aquela guitarra limpa e pelo som da chuva… E claro, o solo de guitarra épico com que termina o tema, com o piano a acompanhar e como não poderia deixar de ser, a voz.

“Nox Omega” é o título do 4º tema, com uma introdução que relembra Burzum (aquela altura dos álbuns instrumentais/ambientais)… É um tema que não traz nada de novo ao que se ouviu até aqui mas que tem muitos pormenores por descobrir e o ponto essencial a destacar é outra vez o ambiente criado, neste caso, a voz revoltada e sufocante acompanhada por um som de guitarra espectacular e com os samplers do costume, é no fim deste momento tenso que se dá lugar a mais um momento memorável, mais uma vez com as guitarras em primeiro plano com um som único seguido de um blast beat negro e frio até ao final da música.

Para quem já se tinha familiarizado com o Single “Cerberus”, ele não desapareceu… Está dividido em 3 temas distintos o que torna a coisa mais fácil de analisar… A primeira parte é “Eros”, um tema que não foge muito ao resto do álbum com a particularidade de ter uma voz feminina, importante a destacar é a maneira como este tema vai progredindo até ao final… Destaque para os bons riffs de guitarra e para a parte final electrónica que dá um ambiente díspar ao tema. A outra parte é “Thanatos” com uma fase inicial bastante ambiental, lenta e bela, com destaque para o coro feminino, samplers, bateria e as linhas do baixo. A melhor parte é a final, com a voz feminina a sobrepor-se ao belo instrumental de uma forma incrível. Assim que acaba dá logo continuidade para o tema “Ego” com uns riffs (e o grande solo) iniciais bastante complexos e elaborados, mais uma vez com o som do baixo a ouvir-se bastante bem! O solo de guitarra é o que distingue este tema dos outros, levando àquilo que já tinha afirmado anteriormente: os Darkside Of Innocence estão muito mais renovados e com muito mais técnica. “D'eus” é o tema que fecha o álbum, instrumental, hipnotizante, trazendo à memória Burzum.

“Xenogenesis” foi um álbum bastante difícil de assimilar, é um grower, quanto mais se houve mais se gosta… Existem pormenores que só se descobrem ao fim de várias audições bem atentas. São uma das melhores e mais incompreendidas bandas do panorama metálico nacional mas que tem (quase) tudo para chegar muito mais longe. A edição deste novo trabalho ficou a cargo da Infektion Records e aconselha-se e muito a sua compra. Não interessa se é melhor que o “Infernum Liberus EST”, é apenas diferente… Houve uma grande evolução, e esperemos que no próximo ainda evoluam mais! Originalidade não lhe(s) falta!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Entrevista: Legacy Of Cynthia

Os Legacy Of Cynthia são uma banda relativamente recente, a vossa aventura musical está agora a começar. Como foi o vosso percurso até aqui?
Apesar de a banda estar a dar os primeiros passos em termos de exposição e de se dar a conhecer ao público em geral, todos os elementos que fazem parte do colectivo Legacy Of Cynthia contam com um passado muito rico e diversificado em termos musicais. A fundação da banda teve como ideia base a liberdade criativa e de expressão artística de todos os membros. Não criámos a banda com o propósito de nos inserirmos em determinado subgénero, quisemos antes deixar “campo aberto” para nos podermos soltar em termos de liberdade criativa e isso acabou por resultar no tipo de sonoridade que praticamos. Foi assim que “nascemos” e é assim que pretendemos continuar.


De onde vem o nome “Legacy Of Cynthia”?
Os Celtas apelidavam a Serra de Sintra como “Cynthia”, em devoção à lua, e esse nome foi sobrevivendo ao longo de vários séculos, até chegar aos nossos dias. Todos os elementos que compõem a banda têm raízes em Sintra, local com o qual têm uma profunda ligação. Para nós faz todo o sentido a banda estar unida a uma localidade que de certa forma influenciou as nossas vidas e que é por natureza tão mística e misteriosa. Esse misticismo presente em Sintra, e na própria lua, serve como que de background para uma viagem que acreditamos existir no nosso som.


A vossa sonoridade é muito diversificada, consegues definir um género?
Sinceramente não nos preocupamos com rótulos e em nos encaixarmos num determinado catálogo que defina o que fazemos. Talvez isso até fosse prejudicial para o nosso trabalho, pois iríamos estar focados em atingir e agradar um determinado público-alvo. Como deves ter reparado o nosso som divaga por várias paisagens sonoras, abordando uma vertente mais ambiental, quiçá menos directa, onde exploramos muito a melodia, mas também temos fases em que destilamos a energia de forma abrupta e mais pesada. Não nos incomoda que nos cataloguem com este ou aquele rótulo, porque no fundo não será isso que nos desvia do nosso principal objectivo, que é fazer canções envolventes e carregadas de sentimento.


Quais são as vossas principais influências musicalmente?
Do mais variado que possas imaginar. Somos suficientemente ecléticos para não ouvirmos e apreciarmos apenas um tipo de som. Se calhar a base de todos os membros da banda é o Metal, mas mesmo aí os gostos são muito diversos. Ouvimos de tudo um pouco, dentro e fora do Metal, e por exemplo enquanto eu estou a ouvir um álbum de Nick Cave outro membro da banda pode estar a ouvir na mesma altura um disco de Slayer.


Quais são as vossas inspirações a nível lírico?
As letras das músicas abordam várias temáticas. Tanto podem metaforizar, recriar ou desconstruir uma obra literária como Romeu e Julieta de Shakespeare, no caso da música “Juliet”, como podem ter uma conotação mais pessoal, ou serem simplesmente estórias que construímos na nossa mente. A grande beleza do conteúdo lírico de uma banda é quando as pessoas que a ouvem se identificam com determinada letra e pensar “eh pah… isto é mesmo a minha vida”, ou “eu vivi exactamente esta cena”… É essa porta que queremos deixar aberta ao ouvinte… Para que ele também possa fazer parte da nossa viagem.


Vocês são a mais recente aposta da Avantegarde, como surgiu a ligação com a mesma?
A ligação surgiu de forma bastante simples e genuína após umas primeiras conversas com eles. Hoje há interesse de ambas as partes para que esta relação seja a mais proveitosa possível e que se consiga levar o trabalho da banda o mais longe e mais alto possível. Quando trabalhas com pessoas profissionais, sinceras e de uma entrega extraordinária é fácil chegar a um ponto de vista comum sobre os passos que devem ser tomados.


O vosso EP “Voyage” é bastante sólido e variado, como decorreu o processo de gravação?
Antes de tudo foi um enorme prazer trabalhar com o Rui Danin, no Trigger Studio. A gravação foi feita de forma faseada pois o Rui vive em Santa Maria da Feira e nós em Sintra. Mas isso acabou por ser benéfico, pois ele ia enviando “rough mixes” do que íamos gravando e nós cá em baixo fomos vendo de que maneira se podia fortalecer ainda mais os temas. Foi um processo demorado mas que, na nossa opinião, valeu a pena. O Rui Danin é uma pessoa que conhece bem os elementos da banda e que sabe puxar por eles para que consigam dar o melhor que têm, e estávamos a gravar em casa… Foi tudo feito num ambiente familiar.


Porquê de dois vocalistas?
A aposta em duas vozes acabou por ser natural, visto que o Peter e o Charlie já trabalham juntos há muitos anos. O facto de terem timbres muito distintos permite-nos abordar um determinado riff com diversos tipos de harmonias e linhas vocais que normalmente seria apenas destinado a uma só forma de cantar. É isso que eles tentam fazer, explorar e deambular numa malha tentando descobrir nela diferentes sensações, transpondo depois isso para a voz.


Como é que tem sido a recepção do público e da imprensa, ao EP de estreia?
As reacções têm sido muito positivas e às vezes para nós ainda é tudo muito surpreendente. Apesar de acreditarmos no nosso trabalho não estávamos à espera de uma recepção tão boa, até porque a sonoridade talvez não se encaixe num subgénero. A imprensa em geral tem revelado uma excelente receptividade ao nosso trabalho, o que nos agrada, pois hoje em dia o panorama nacional está recheado de enormes valores e é bom saber que o que temos feito é de apreciado pelos media. Mas o público tem sido o nosso melhor barómetro, do qual temos recebido muitas palavras de apreço e de satisfação pelo trabalho que temos feito até aqui. Aproveitamos para agradecer a todos o apoio que nos têm dado.


Já se encontram a compor material novo para um próximo lançamento?
Sim. Já temos uma quantidade de temas novos e continuamos a compor. É isso que de certa forma também nos alimenta… O desafio constante de criar e de nos superarmos na próxima música que vamos escrever.


Para quando concertos ao vivo?
Neste momento não temos nada agendado, apesar de termos algumas coisas alinhavadas mas que carecem de confirmação. Brevemente contamos anunciar algumas datas.


Por último, querem deixar alguma mensagem aos fãs?
Nunca é demais agradecer a quem nos tem apoiado e a quem não nos conhece que pedimos que visitem o nosso MySpace ou Facebook, comentem e fiquem a par do nosso trabalho e de algumas novidades que contamos revelar em breve.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Dark Wings Syndrome - Arcane

Os Dark Wings Syndrome são uma banda portuguesa de Guimarães, praticam um Progressive Rock com muitas outras influências, do Goth Rock ao Industrial, passando pelo Metal e pelo Alternative Rock. Nasceram das cinzas dos The SymphOnyx e em 2010 lançam “Arcane”, o álbum de estreia com 10 temas cheios de nível e musicalidade, a edição e distribuição ficou a cargo da nacional e independente Ethereal Sound Works, foi misturado e masterizado no Ghostward Studio por David Castillo, que já trabalhou com bandas como Opeth, Draconian, Katatonia… Saiu em CD normal e também numa edição especial com um CD bónus com 5 remixes dos temas do álbum, tudo foi feito da forma mais profissional, começando logo pelo fantástico artwork.

É um álbum de estreia marcado pelos inúmeros convidados especiais: Nera (Darzamat) vocais em “Free-Flowing”, Johnny Icon (Icon & The Black Roses) voz em “Hadred/Ódio”, Susana Silva vocais em “My Silence”, Davide Tiso (Ephel Duath) guitarra adicional em “… In Hades (Pt. 1)”, Miriam Renvåg (Ram-Zet) voz em “… In Hades (Pt. 1)”, Ernesto Guerra (Heavenwood) vocais na “In My Crystal Cage”, Hugo Correia (Fadomorse) arranjos orquestrais e programações “In My Crystal Cage”, Artur Fernandes (Danças Ocultas) acordeão diatónico em “Unknown Pleasures” e Karolina Vel Death (Skeptical Minds) vocais em “Unknown Pleasures”. Todas as letras foram escritas por Barros Onyx, o vocalista, e os arranjos musicais foram feitos por Rui Ferreira e Tiago Machado.

“Arcane” é um álbum extremamente rico em estruturas rítmicas e grandes melodias, marcado pela intensidade das guitarras, pela criatividade das teclas e pela variedade musical bem distinta em cada tema. A primeira música é muito boa, intitulada “Free-Flowing” com um instrumental espectacular a juntar ao dueto de Barros Onyx e Nera na voz. “Hatred/Ódio” é uma semi-balada triste com muitas mudanças de ritmo, com a voz fantástica de Barrox Onyx quer no verso “normal” quer no refrão com efeitos, é um tema marcado pela intensidade da bateria e da guitarra, destaque para a parte final da música com a voz de Johnny Icon a cantar o verso “To close my eyes” que dá uma intensidade única e inexplicável ao tema. A espectacular “Spiritual Emotions” foi muito bem escolhida para o primeiro single, é uma música excelente com a voz melódica de Barros Onyx e com um instrumental absolutamente fabuloso, assim como o sentimento nostálgico incrível que sente desde o princípio do tema, com um verso lindo “A waterfall of dreams bursts into my mind”.

A quarta faixa do álbum é um cover dos Depeche Mode intitulado “It's No Good”, um tema muito bem tocado e cantado que até aprecio mais que a versão original, este tem aquele “toque” de Dark Wings Syndrome único. “My Silence” é uma semi-balada muito sentimental, extremamente intensa, com um sentimento melancólico e de um arrependimento passado. “... In Hades (Pt. 1)” é a faixa mais alternativa de todo um álbum, é rápida e pesada, com uma sonoridade (mais a nível vocal) a desviar para o Industrial. “In My Crystal Cage” é outra excelente faixa que conta com a participação de Ernesto Guerra, mais precisamente a fazer a voz gutural, é pesada e marcada pela presença de uma orquestra. “The Prey” e “Unknown Pleasures” são duas faixas boas, mas que não apreciei tanto como as outras, destaque para a primeira, outra semi-balada muito sentimental e distinta pela presença do órgão de igreja.

“Arcane” foi um álbum que saiu em 2010 mas só tive oportunidade de comprar este ano, se soubesse que era tão bom tinha corrido às lojas assim que saiu. Os Dark Wings Syndrome são na minha opinião uma das melhores bandas portuguesas da actualidade, lançaram um primeiro trabalho absolutamente espantoso que merece ser reconhecido internacionalmente e parece que isso está para breve…

sábado, 15 de janeiro de 2011

Oblique Rain - Isohyet

Oblique Rain: formaram-se em 2004 e são naturais da cidade do Porto, uma banda de Progressive Metal. Completada estava a formação e começam a trabalhar num álbum de estreia bastante competente. Chegávamos a 2007, os Oblique Rain lançam o álbum “Isohyet”, cuja principal influência são sem sombra de dúvida os Katatonia e os Opeth, e talvez (nalgumas partes) Porcupine Tree. O álbum é auto-financiado, são 7 temas que perfazem 47 minutos, foi gravado nos Ultra Sound Studios, foi produzido por Daniel Cardoso, também ele, baterista de sessão.

É um álbum muito progressivo e melódico, às vezes um pouco alternativo, é marcado por sentimentos melancólicos em quase todas as músicas, todas elas com muito sentimentalismo e com uma beleza musical incrível. A voz de Flávio Silva é espectacular (é a voz “normal”), é melódica, com um tom límpido, agradável e emotiva, os guturais ficam a cargo do também guitarrista César Teixeira, adoro os guturais, acho que acrescentar mais alguns nalgumas partes não ficava mal de todo, lembro-me agora dos guturais na “Dealing With Lies”, que são estrondosos, como fazem os Opeth. A presença de bons riffs de guitarra também é bastante acentuada, assim como partes mais melódicas e atmosféricas, e até acústicas. “Isohyet” acaba por ser o equilibro perfeito entre a melodia e o “peso”. Não vou falar das músicas uma a uma, porque a sonoridade é bastante sólida e parecida do início ao fim e as músicas são parecidas. Destaque para as partes mais Gothic e Doom das músicas “Candle Flame” e “Silent (Lost For Words)”. A “Shadows Entwined” é uma música bastante pesada e complexa, com uma melodia muito bonita, a voz “limpa” de Flávio Silva ao longo da música, e os guturais de César Teixeira a atacar a melodia bastante calma causam um contraste único, destaque aqui para o trabalho bastante variado da bateria. Gosto muito da “Dealing With Lies”, é talvez a minha preferida deste álbum, com uma melodia fantástica, um solo de guitarra fenomenal, a letra é muito sentimental e os guturais são mesmo de outro mundo.

Apesar de ser o primeiro álbum, e de deixar bem evidentes bastantes marcas (bandas) nas quais estes senhores se baseiam musicalmente, “Isohyet” revela uma grande experiência e maturidade, os Oblique Rain são uma banda cheia de talento e técnica, uma das melhores bandas nacionais, só por injustiça é que não terão pela frente um grande futuro!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Kathaarsys - Intuition

Já devia ter posto isto aqui há algum tempo visto que me considero um grande fã desta banda espanhola, os Kathaarsys são uma banda de Progressive Black Metal fundada em 2002 por Jose Montáns, vocalista e guitarrista. O primeiro álbum da banda “Portrait Of Wind And Sorrow” remonta a 2005, em 2007 lançam um novo álbum de estúdio em 2CDs: “Verses In Vain” que lhes valeu várias Tours pela Europa e América Do Sul, em 2009 lançaram o aclamado “Anonymous Ballad”, um autêntico clássico no que toca ao Progressive, um obra de arte única com apenas 5 temas. Chegamos a 2010 e os Kathaarsys obtam por uma mudança na sua sonoridade, neste novo álbum “Intuition”, a banda optou por uma sonoridade menos Metal, e muito Jazz, mas não é por isso que deixa de ser um grande álbum, mas é sempre um pouco arriscado e claro que muitos fãs da banda o estranharam. De referir que o álbum se divide em três partes, a “Primera Intuición” da faixa 1 à 4, “Segunda Intuición” da 5 à 7 e “Tercera Intuición” da 8 à 11.

Neste álbum as músicas têm muitas influências Jazz, um pouco de Psychedelic Rock e Doom Metal, músicas que se ouvem seguidas parecendo uma só porque todas elas foram escritas numa só, como um tema gigantesco. A guitarra de José é menos agressiva, mas mostra uma grande técnica, com muitos riffs e melodias espectaculares de Jazz, e não só. O som é no geral mais limpo demonstrando uma grande influencia de Jazz, a voz também é muito menos menos agressiva em relação aos álbuns anteriores. O baixo neste álbum é algo de único, como deve ser do conhecimento de todos é um elemento muito importante na música Jazz, o baixo é grande parte do som espectacular deste álbum, Marta Barcia (baixista) cria aqui, um som único, mostrando um grande talento, técnica e diversidade musical, o Jazz neste álbum é tão bom e tão cativante que nem os sons/ as partes de Black Metal o “batem”. A bateria também é muito trabalhada e bastante variada, como no álbum anterior, mas neste é muito menos agressiva. Algumas partes acústicas do álbum são absolutamente fenomenais, fluem na mente de uma maneira espectcular.

Em relação às melhores faixas deste álbum posso dizer que as que gosto mais são “Preconsciencia, Ciclo Iniciático Vital”, “Pesadelo, Transición-Evolucion-Constacion Reiterada”, “Parálise, Fases Esquizoides, Locura Psicotrópica Autoinducida” e “Estraño E Contradictorio Intervalo De Lucidez” são músicas que fazem deste álbum diferente de todos os outros lançamentos dos Kathaarsys,  é muito inovador e especial, é um álbum que faz sentido ser ouvido todo seguido, aconselho esta obra de arte a todos os fãs de Black Metal, Experimental Metal e Jazz!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Oblique Rain - October Dawn

Para quem não sabe: os Oblique Rain são uma banda portuguesa de Progressive Metal, formados em 2004, são mais propriamente do Porto. “October Dawn” é o seu segundo trabalho, depois de um álbum muito bem sucedido “Isohyet” os Oblique Rain vieram mesmo para ficar, para se afirmarem como uma das melhores bandas nacionais, com mais um álbum estrondoso! Em termos de sonoridade a primeira influência que nos vem à cabeça são os Opeth, não foi um álbum que ficasse impressionado à primeira audição, fui ouvindo e explorando, a nível instrumental é excelente, as 3 guitarras estão muito bem trabalhadas criando melodias únicas, o baixo tem o seu papel importante, a bateria é espectacular e como não poderia deixar de ser uma voz única de Flávio Silva. “October Dawn” não é tão pesado como o “Isohyet” que era muito marcado por atmosferas pesadas e pelos guturais, muito parecido com Opeth. Neste álbum os Oblique Rain revelam um grande nível de competência, um grande nível de composição musical e uma preocupação em fazer as coisas como deve ser, com muita qualidade,  “October Dawn” é um trabalho mais maduro, um trabalho bem mais “sério” que o primeiro. A edição do álbum ficou a cargo da editora portuguesa Major Label Industries.

É um Progressive Metal com muito Progressive Rock, e neste álbum os Oblique Rain aventuraram-se por caminhos mais góticos e melódicos como Anathema e Katatonia, criando um ambiente escuro, frio e pesado, é um som nostálgico que me faz lembrar ao mesmo tempo bandas antigas de Prog Rock, os Oblique Rain criam também ambientes super melancólicos espectaculares e únicos. O nível de composição é muito elevado, a forma como cada música se desenvolve é incrível. O álbum começa com uma pequena introdução de 1:54 minutos intitulada “Soaring Alone” que nos transporta para uma dimensão única, é uma introdução fantástica para o próximo tema, aquela música que na minha opinião é a melhor música de todo o álbum “Out There”, a voz é encantadora, a melodia é única, a letra é extraordinária e o solo de guitarra é um dos pontos altos do álbum. “Soul Circles” é outra grande faixa deste álbum, é pesada, os riffs de guitarra são muito bons e a voz de Flávio nesta música é espectacular. “Absent Awry” é outra grande música, tem uma letra linda, é uma semi-balada: calma, com melodias fantásticas das guitarras que fazem desta música uma música única, daquelas que é mais para se sentir do que para ouvir. Os outros temas altos do álbum são as músicas “Inanity” e “Spiral Dreams”. A última faixa “Darker Words” faz este álbum terminar de uma forma fantástica, um tema muito bem composto que na minha opinião já é um clássico de Oblique Rain. Destaque também para a balada acústica “Dawn”, com a voz de Flávio mais uma vez brilhante, a ao lado do excelente som da guitarra acústica, uma música única!

Os Oblique Rain são uma banda fantástica, um caso sério com muita qualidade e técnica, merecem um grande lugar a nível internacional, são uma banda para “estar” ao lado de grandes nomes do Progressive Metal como Opeth, Dream Theater, Bigelf... Todos deviam ouvir este grande álbum, e o anterior claro...