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sexta-feira, 16 de março de 2012

Entrevista: Raw Decimating Brutality

Como foi tocar pela terceira vez nas Caldas da Rainha, segunda vez no emblemático Colhões de Ferro?
Tocar nas Caldas é sempre fixe! A casa da Juventude é um local altamente para tocar ao vivo, tem boas condições, bons técnicos, boas organizações e um público altamente! É dos poucos locais em Portugal onde se vêem metaleiros e punks, tudo a curtir!!!


Tocaram o tema “Charco De Urina”, vai ser essa a temática do próximo registo?
Esse tema já é antigo, da altura do estrume!!! Essa musica está para o estrume assim como o “Fluido Vaginal” está para o “Sperm To Grind Your Ears”!!! Na altura ia-mos lançados nessa temática mas entretanto o baterista Hugo Ramone saiu da banda e parámos a saga do estrume como tal “Charco de Urina” e “Estrume À Bruta” nunca foram gravados!!!


Já estão a compor mais malhas novas?
Sim, já começámos a compor material novo!!! Já fazia algum tempo que não estávamos juntos única e exclusivamente para compor e isso é algo que gostamos mesmo de fazer porque nos divertimos imenso!!! Quanto a lançamentos é muito provável que saia cá para fora um trabalho ao vivo gravado em Vigo e certamente um Split ou 7’’ com estes temas novos, talvez no final do ano!!!


Porquê a temática ligada à construção civil no novo álbum?
Surgiu assim do nada na sala de ensaios enquanto estávamos a compor as músicas!!! Cada um ia sugerindo títulos e era de partir o coco a rir!!! Talvez porque a gente tenha uma ligação algo forte com as obras e essa temática faça algum sentido para nós!!!


E o estrume no Split…
Nessa altura ensaiávamos numa quinta em Panóias, aldeia perto da Guarda, e os campos estavam todos cheios de estrume!!! Sentia-se o cheiro na rua e havia imensos montes de estrume espalhados pelos campos!!! Por isso acho que fomos fortemente estimulados por essas sensações visuais e olfactivas!!!


Como foi a gravação do álbum? Foi tudo nas calmas, tinham algum tipo de pressão… E há quanto já tinham feito as músicas?
Foi tudo feito nas calmas sem qualquer tipo de pressão!!! Passámos por uma fase, depois da saída do Ramone, em que nos fechamos na sala de ensaios para ensinar as malhas velhas ao João e podermos tocar ao vivo. Tocámos bastante até que chegou a altura que sentimos necessidade de nos fecharmos de novo na sala mas desta vez para compor. Deve-se a isso o intervalo grande entre o último lançamento e este. Compor foi um processo relativamente rápido, provavelmente compusemos o disco num mês, talvez outro mês para ensaiar as músicas!!! O processo de gravação foi altamente mais uma vez, num ambiente descontraído, como um complemento de diversão!!! Gostámos de trabalhar com o Arlindo aquando da gravação dos temas para a compilação “Burned Alive”!!! Mais uma vez fomos bastante bem recebidos em casa dele!!!


Ao contrário da maioria das bandas de Grind os vossos temas são bastante divertidos. Acham que isso vos distingue das restantes bandas?
Em Portugal é possível pois conseguem perceber os títulos das músicas! De qualquer das formas achamos que toda a gente está aqui para se divertir por isso mais vale levar a cena para a comédia do que para coisas sérias!!!


O álbum tem distribuição um pouco por todo o mundo. Como é que têm sido as recepções ao mesmo?
Sim é verdade, a Vomit Your Shirt conseguiu colocar o disco em quase todo lado, ainda não está em África!!! Temos tido um feedback bastante positivo por mais incrível que pareça!!! Enviámos o disco para bastantes zines e tivemos várias críticas positivas umas menos boas mas a maioria deixou-nos admirados mesmo!!! Já pelo Facebook há muita gente que vem falar connosco pelo chat a felicitar-nos e etc. E isso deixa-nos muito contentes!!!


Já deram concertos lá fora e entretanto têm um em Itália… Como é que tem sido a recepção do público?
Tem sido bastante boa até porque talvez o nosso grande trunfo seja mesmo a apresentação da banda ao vivo!!! As nossas músicas são bastantes “catchys” com uma boa dose de agressividade por isso não é preciso estar muito familiarizado com o nosso som para ter vontade de dar um pé de dança!!!


Com o álbum cá fora, como é que vão ser os próximos meses?
O disco saiu em Outubro e até agora não parámos de tocar!!! Falta-nos fazer uma visita ao sul do país que está destinada para o Verão!!! Depois vamos acalmar um pouco com os concertos!!! Temos planos de fazer mais umas datas na Europa em 2012 mas provavelmente o objectivo agora será compor mais material!!!


Por último… Alguma mensagem final para os fãs…
Fãs… Se estiverem aí um forte abraço!!! Ao pessoal que aparece nos concertos e comprou o disco o nosso sincero obrigado pois não faria sentido tocar sem vocês!!! Um abraço a todos!!!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Raw Decimating Brutality - Obra Ó Diabo!!!

Valeu bem a pena esta espera toda! 6 anos depois da edição do primeiro trabalho, “Sperm To Grind Your Ears”, aqueles senhores, vindos das montanhas mais altas  e frias de Portugal, os Raw Decimating Brutality, lançam, finalmente, o tão esperado longa-duração “Obra Ó Diabo!!!”. Se estes senhores já eram originais na escolha dos temas, agora são uns génios autênticos ao lançarem um álbum, que tem como temática principal, nada mais, nada menos, a construção civil. É na onda do Split e do EP “Sperm To Grind Your Ears”, mas com um som mais polido, mais profissional, com uma produção que a banda merecia há muito. É Grindcore Old School com passagens de Death com a já característica voz a acompanhar que se fez ouvir pela primeira vez, há 6 anos com tema “Fluido Vaginal”, agora presente em temas como “Andaime Infernal”, “O Muro Está Mal Pintado” ou “Limpei O Cu A Um Saco De Cimento”. São 12 músicas que perfazem (apenas) um total de 20 minutos, infelizmente é um álbum que peca pela pouca duração, por outro lado não há temas maus, como alguém dizia, “é tudo bom”! É bem difícil encontrar bandas com a qualidade (e originalidade) e humor dos R.D.B. e na verdade, não estava à espera de um álbum tão bom.

Não é aquele Grindcore super violento e desagradável que vai sendo cada vez mais comum por essa Europa fora, é mais que isso, é uma espécie de Grind com Punk e/ou Rock ‘n’ Roll por vezes dançável e exemplos disso são os temas “As Portas Vieram Trocadas”, “Limpei O Cu A Um Saco De Cimento” e “Napalm Na Obra”. Até em temas lentos como “Furto Na Obra” os R.D.B. nos conseguem surpreender! É um álbum com muita técnica, rapidez e alguma brutalidade, blast beats muito rápidos e agressivos (como em Chapar Massa À Talocha): destaque aqui para o trabalho do baterista e para o resultado final que a captação da bateria teve. Os vocais de Daniel Gamelas também estão mais versáteis, um ou outro pig squeals (em “Calhau No Quintal”, faixa bónus, gravada em 2007 com Hugo Ramone na bateria), guturais mais graves à Napalm Death ou aquele tom arranhado como Carcass. Não esquecer a outra faixa bónus, neste caso ao vivo (em Espanha), “Estrume À Bruta” e penso dá para terem pelo menos uma pequena noção daquilo são estes “pedreiros” ao vivo.

Não quero entrar aqui em fanboyismos mas tenho de admitir que os Raw Decimating Brutality são a melhor banda nacional de Grindcore. Para conluir resta dizer que “Obra Ó Diabo!!!” foi lançado em Outubro de 2011 pela Vomit Your Shirt Records, com distruição assegurada pela Grindhead Records (Austrália), Sevared Records (EUA), Hellstore (Holanda) e Hecatombe Records (Espanha). Estejam atentos às próximas actuações ao vivo da banda! “Este álbum é dedicado a todas as obras que devastámos nas nossas infâncias!!!”

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Raw Decimating Brutality - Sperm To Grind Your Ears

Os Raw Decimating Brutality (aka R.D.B.) são uma banda portuguesa de Grindcore. Formaram-se no Verão de 2003 na cidade da Guarda (Portugal). A banda é constituída por elementos de duas bandas de Brutal Death Metal, os Necrose e os Deity Of Carnification, daí os seus temas serem muitas vezes a puxar para o Brutal Death. Os R.D.B. praticam um Grindcore da velha escola, influenciado por bandas como Extreme Noise Terror, Brutal Truth, Napalm Death e Agathocles. A primeira actuação da banda ocorreu em Dezembro de 2003 no Butchery At Christmas IV, na Guarda. Em 2005 gravam 7 temas e um video clip e lançam um EP auto-financiado intitulado “Sperm To Grind Your Ears” cujos temas se debruçam sobre o esperma, perversidade e (nalgumas) fantasias sexuais. Em 2006 os R.D.B. editam 4 temas e participam num CD Split partilhado com os Mixomatosis, Freakhate e Bunder Nekromunda, intitulado “4 Ways Of Vomit & Murders”, editado pela Vomit Your Shirt Records, o principal  tema das músicas dos R.D.B. nesse trabalho é o estrume. Em 2006 e 2007 fizeram duas Mini Tours pela Espanha.

Todos os temas dos R.D.B., apesar de pouco inovadores, têm muita qualidade e muitos deles são muito divertidos, foram criados, gravados e editados em menos de 2 anos. A voz gutural de David Gamelas tanto é grave e forte, como aguda e arranhada, a bateria está muito bem captada e o som da guitarra é uma mais-valia para este registo. É um bom trabalho de estreia e após várias audições bem atentas notam-se mais influências que vão desde o Punk ao Hardcore, passando pelo Brutal Death Metal. Destaque para o primeiro tema “Rise Of The Espermatozoid”, com uns guturais muito graves e longos, “Sperm Entrance” é já com uma voz mais aguda e arranhada, uma autêntica bujarda que me faz lembrar as músicas mais antigas de Grog. “Sperm To Grind Your Ears” foi escolhido para o video clip e foi uma boa escolha, embora preferisse o “Fluido Vaginal”, a melhor música do EP, que já é um clássico e um hino no Grindcore português, um tema divertidíssimo que tem de ser sempre tocado ao vivo.

Os R.D.B. são uma das melhores e mais promissoras bandas portuguesas de Grindcore, quer em estúdio quer ao vivo. Brutalidade, pujança e braveza são as palavras que melhor caracterizam os RDB. Ao lado de PussyVibes, Grog, Grunt e Holocausto Canibal, os R.D.B. figuram neste subgénero do Metal extremo feito em solo nacional. Altamente aconselhável para amantes do estilo.